Os Heróis de Roma [HDR]
6 Olhar além do que ninguém pôde ver.
Notas iniciais
O tempo ali era diferente, era como se uma hora para nós fosse, um dia fora dali. Eu havia me perdido, não sabia quanto tempo havia se passado desde que havíamos começado essa jornada.
— Precisamos dar um jeito nesse ferimento.
— Eu tenho um pouco de água, para emergência, posso utilizar para aliviar um pouco a dor.
Paramos e eu peguei a lanterna, iluminando o caminho à frente, esperando que eles terminassem. Varias questões martelavam em minha cabeça e uma delas era:
— Se essa era uma missão tão complicada, por que ela me mandou primeiramente só?
— Ela errou Hian, todos nós cometemos erros.
— É cara, e eu não pude deixar de evitar a forma como você olha pra ela.
— O que você está insinuando? — Arqueei uma sobrancelha e fitei Leo.
— Você gosta dela. — Ambos disseram em uníssono.
— Como posso gostar de alguém que eu só conversei duas vezes?
— Pela minha experiência com as filhas de Vênus. — Outra coisa, a melhor amiga de Dem se chamava Dafne, uma filha de Vênus. — Quando duas almas estão ligadas, apenas basta um olhar para que elas se conectem novamente.
— É cara, mas nesse caso, vocês não estão conectados. Digo, não é querendo machucar seus sentimentos, mas garotas como ela, não ficam com caras como você. Elas são mais do tipo dos caras corajosos, bonitos, galas de novela, aventureiros, centuriões ou pretores, probatios e filhos de Vulcano não combinam com ela.
— Que bom que tenho você como amigo. — Me virei, observando a passagem.
— Leo, você pegou pesado. — Demetria disse, dando um cutucão nas costelas dele, de proposito e naquele momento, eu queria que ela desse um mais forte.
— Vamos, temos uma missão ,não é o momento para discutir quem eu gosto ou não.
Eles se calaram e ambos levantaram novamente. Tomei à dianteira, com a espada empunhada na mão esquerda — sou canhoto —. Não demorou muito e acabamos por encontrar uma enorme passagem, uma espécie de portal cheio de runas magicas ao seu redor e dizeres em latim. Iluminei os locais ao redor do portal e não havia nada. Provavelmente se errássemos iriamos ser mortos.
— Aqui está um pouco frio.
— Um pouco? — Leo cruzou os braços ao ver a nevoa subir.
Passei a luz sobre as runas, elas pareciam coloridas.
— São combinações, provavelmente é uma combinação de cores. Apenas as cores com runas iguais poderão ser tocadas, assim podemos ter acesso ao outro lado.
Agora um bug deu em minha mente, eu sou daltônico, mas como tenho um olho mecânico, eu meio que sou daltônico apenas de um lado e aquilo me confunde pra caramba.
— Vocês precisam resolver isso.
— Por que você não? Tá com medinho? — Leo disse.
— Não consigo diferenciar as cores direito.
— Só faltava essa, tu é daltônico?
— Mais ou menos isso.
Iluminei as pedras e eles as tocaram, dito e feito, era mesmo aquela forma para poder passarmos. Era impossível ver o que havia no outro lado, estava tudo escuro e a medida que demorávamos a nevoa ficava mais espessa e mais gelada.
— Não temos tempo, vamos. — Demetria nos puxou.
[...]
Caímos de bunda no chão, amortecidos pela grama. Pelo o que parecia, havíamos saído daquela caverna, estava muito bom para ser verdade. Olhei ao redor, desconfiado, porem não parecia ter nada anormal ali. Peguei o mapa e comecei a olha-lo, procurando a próxima rota.
— Por incrível que pareça, estamos pelo caminho certo. — Me levantei. — Eu acho que deveríamos procurar algum lugar para poder descansar, ao menos passar essa noite... também procurar algumas ervas ou fungos que ajudem com os ferimentos e algo para comer.
— Precisamos estar em forma quando formos encontrar o guerreiro. — Dem, disse.
— Ele deve ser mó careta.
— Qual é Leo, você não pode enxergar o lado bom nas coisas?
— Claro que consigo, eu só não to muito afim.
Sorri, começamos a andar pela floresta, não havia nenhuma caverna ali por perto, o jeito era acamparmos a céu aberto.
— Aqui é bom, fica perto da água. — A filha de Netuno disse.
— Eu não sou tubarão pra comer peixe.
— E QUEM DISSE QUE VAMOS COMER OS PEIXES? — Ela rosnou.
— SE ACALMEM! Ninguém vai comer peixe, vamos comer outra coisa, okay?
— Mas pensando bem, um peixinho com uma farofinha fica muito bom.
— LEO! — Exclamei junto com a garota.
— Vamos nos separar: eu vou procurar lenha, o Leo vai procurar algumas frutas e a Demetria procura algumas ervas ou alguns fungos. E lembre-se, precisamos olhar além do que ninguém pôde ver, aqui pode ter algumas pegadinhas também.
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