Os Heróis de Roma [HDR]
3 O novo.
Notas iniciais
Não tive tempo de me despedir de meus amigos. Fui um dos primeiros a acordar, estava ansioso e meio nervoso para essa missão. A única coisa que eu tinha em mãos era um mapa, e eu nem sei ler muito bem mapas, meu senso de direção não é muito bom, porém eu tinha que me virar, e também, Lupa me deu algumas dicas para resolver esse meu probleminha. Observei o mapa, o caminho era meio confuso, não por causa da dislexia, mas porque estava estranho mesmo. Ergui a cabeça e segui em frente, penetrando o caminho que o mapa indicava, que era através da floresta que havia.
— O novo? Mas que nome estranho, viu? — Suspirei. — Bom, se for seguir a sequencia das palavras, esse deve ser a primeira coisa que eu vou encontrar por aqui.
Aquela floresta era bem esquisita, possuía um cheiro peculiar, algo como enxofre combinado com o aroma de erva cidreira. Minha cabeça estava começando a doer e como se não bastasse, o tempo estava fechando, iria cair uma baita duma chuva.
— Primeiro: eu preciso de um local para ficar, não posso sair nessa chuva. Segundo: eu vou precisar de uma arma.
Murmurei para mim mesmo, começando a sentir os pingos de chuva em minha pele. Acelerei o passo, mas a sensação era de que a medida que eu ia rápido, a chuva aumentava e quando me dei conta, minha visão já estava embaçada e os trovoes caiam violentamente. Me escorei em uma arvore, por ali não tinha nenhuma caverna ou algo que servisse como abrigo... DROGA! O que eu faço? Pensa Hian, pensa... Respirei fundo — respiração é essencial, cara. — e prossegui meu caminho, tentando ignorar ao máximo a chuva que caia.
Algo passou zunindo ao meu lado. — Mas o que...?
— Ei garoto, o que você faz aqui?
— Eu... eu estou em... — Missão? Não iria falar isso, ele poderia achar que sou, sei lá, um retardado mental querendo dar uma de aventureiro. — Tô passeando, mas com essa chuva eu acabei me perdendo.
— Venha comigo, você pode ficar até a chuva passar.
Não questionei, apenas acompanhei o homem. Ele era alto, loiro, e possuía um arco e flecha feito de madeira com alguns detalhes, símbolos que eu não conhecia muito bem. Ele colocou um Javali em cima dos ombros e me guiou até sua casa. O rapaz não disse mais nenhuma palavra.
— Então... qual é o seu nome, cara?
— Eu me chamo Gutierre e você?
— Hian, nome legal o seu.
— Sério? — Ele riu.
Ao chegarmos, algo peculir aconteceu. Havia uma cabana, mas enquanto onde eu estava chovia como se fosse o próximo diluvio, lá estava seco e com flores, como se fosse primavera. Segui Gutierre e entrei na caban logo após ele, dando de cara com um velho barbudo que parecia muito com o Dumbledore.
— Ora, você trouxe um amigo?
— Achei ele na chuva, fiquei com pena.
Olhei para Gutierre, que cara cínico!
— Você é uma criatura magica. E não digo o contrario, se não fosse, seria pulverizado por aquela barreira. Eu sou um bruxo, me chamo Karin e Gutierre é um semideus, filho de Apolo, porem ele foi deserdado, longa historia.
— Ahn... — Eu não ia falar que o velho era pirado, o mundo mágico por si só já é uma piração. — Sou Hian, filho de...
— Filho de Vulcano, possui o dom do fogo, algo raro de se ver e difícil de se controlar.
Ué, pensei. Além de bruxo ele é vidente também?
— E pelo o que parece, você está em missão pelo Acampamento Romano, não é mesmo?
— Como você sabe tudo isso?! — Mermão que velho doido.
— Digamos que eu tenho minhas fortes. — Ele deu uma piscadela para o cachorr...
— Isso é um dragão?!
Okay, onde eu havia ido parar meu santo Vulcano? Uma hora eu estou em uma floresta que tá chovendo pra caramba e em uma outra hora estou numa cabana com um psicopata que queria me pulverizar e um velho bruxo louco que ao invés de um cachorrou ou um gato tem um dragão de estimação, um dragão bem gordo e preguiçoso por sinal.
— Ah, esse é o Larry. Ele é um filhote, sempre fica deitado perto dessa lareira, dormindo, comendo, na verdade a vida dele é muito boa e ele é bem preguiçoso, acho que a culpa é minha, eu não dou motivação suficiente para ele poder sair e se exercitar.
Ele tem um dragão e o nome do dragão é Larry, por Roma, tem como ficar mais estranho? Me sentei, tentando digerir toda aquela informação.
— Ei moleque, tira essa bunda fedorenta da minha cara.
Levantei em um pulo, como assim ele tinha uma cadeira falante?
— Ah, esqueci de avisar... alguns objetos dessa casa são mágicos e alguns possuem vida, erros técnicos, sabe como é né.
— Não, eu não sei como é. — Retruquei.
— O jantar está pronto!
A mesa estava posta. Purê de batata, javali assado, algumas verduras, comidas típicas dessa região mesmo. Nos sentamos e comecei a me servir, claro, depois que eles autorizaram. Comemos e logo após a refeição, Gutierre foi limpar a mesa e lavar os pratos, enquanto eu e Karin conversamos na sala e Larry roncava.
— Então rapaz, como é essa sua missão?
— O nome dela é O novo, O inativo e O estrangeiro, eu achei estranho, mas vou ter que descobrir o que é isso se quiser voltar para Nova Roma. Eles apenas me deram um mapa e só.
O mago coçou a longa barba branca. Pela cara dele eu estava ferrado.
— Você sabe que Netuno é um grande deus adorado em Roma, não é mesmo? — Assenti. — Esse nome estranho são apelidos, os três grandes guerreiros de Roma, treinados pessoalmente pelos deuses O novo como o nome já diz, é o mais novo dentre eles. Dizem que ele foi treinado por Netuno e assim tornou-se líder do exercito marinho do deus. Mas apesar de ser o mais novo, ele é o mais rígido, firme, frio, inconstante, orgulhoso, bom... ele tem um coração bom. O inativo já está morto, era o guerreiro de Plutão e o estrangeiro é o guerreiro de Marte, é chamado de estrangeiro, pois não é de fato Romano, ele é grego.
— Calma, você está dizendo que minha missão é trazer esses caras?
— Os três não, mas pelo menos um você vai ter que levar.
Então era por isso que Reyna estava rindo...
— E você sabe onde posso encontrar o novo?
— O mapa que você carrega, ele indica a direção que você deve percorrer para encontra-lo. Agora como você vai trazer é outra historia e um problema inteirinho seu.
— Obrigado pela motivação... — Resmunguei.
— Olha rapaz, eu permito que você passe a noite aqui enquanto a chuva passa, mas se eu fosse você eu me apressaria nessa procura, se Roma está os requisitando, é porque algo grave irá acontecer e vocês precisam estar preparados.
— Como eles querem que eu traga essa cara se eu não tenho nenhuma arma?
— BABABABABABABABABA! Você reclama demais garoto!
Gutierre riu.
— Olha, no sótão você vai encontrar alguns materiais, você é um filho do deus construtor, então se vira para construir uma arma. Já estou fazendo demais para você.
Não pensei duas vezes, me levantei e fui direto ao sótão. Que velho maluco.
[...]
No dia seguinte, me despedi deles. Se eu havia construído a arma? Sim, e também outras coisinhas. Karin se aproximou de mim e me entregou um saquinho de veludo, não demonstrava ser muita coisa, mas ele disse que era mágico e especial, deve ser alguma pegadinha, esse velho é maluco.
— Boa sorte, você vai precisar. — Disseram juntos.
Acenei e prossegui, na bainha havia uma espada simples feita de aço. Em meus bolsos haviam diversos insetos metálicos com funções de espionagem e de autodestruição, aquilo poderia ser útil em algum momento.
Abri o mapa e ergui a cabeça. Trinta passos ao norte, depois segue em direção ao leste. Que os deuses me abençoem.
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