Os Guerreiros da Justiça
8 Capitulo 8
Cidade de Wiartri
Assim que o guerreiro do trovão termina de falar, uma garotinha chama sua atenção ao puxar o tecido de sua camisa.
– O que houve? — pergunta o jovem guerreiro da justiça se abaixando e olhando nos olhos da criança.
– Obrigado por nos salvar! — exclama a garotinha com um grande sorriso no rosto logo abraçando Trevor, o surpreendendo; uma lágrima escorre de seu olho.
Temos que levar os sobreviventes para um local seguro. Uma cidade próxima... Conhece alguma, Brendan? — pergunta o guerreiro do fogo.
– Sim, se seguirmos ao norte podemos chegar a uma cidade conhecida como Ostoja. Ela é uma cidade conhecida por sua grandeza comercial, acredito que seja também um bom lugar para essas pessoas recomeçarem.
– Bem, então é para lá que nós vamos! Quanto tempo até chegarmos lá?
– Algumas horas. Não é muito longe.
– Então que comecemos a caminhada! Quanto antes partirmos, mais cedo chegaremos — diz o guerreiro do fogo, começando a andar na frente de todos como se estivesse os liderando. Enquanto isso Trevor põe a criança que o abraçou sentada em seu ombro e começa a andar.
Cidade de Ostoja
Após aproximadamente quatro horas de caminhada, os guerreiros da justiça e os sobreviventes de Wiartri chegam à cidade de Ostoja. Aos poucos Brendan e Fennior se despedem de cada um dos sobreviventes e quando terminam de falar com todos, eles avistam Trevor sentado no chão de pernas e braços cruzados com a criança a qual levava em seu ombro em pé atrás de si.
– Já se despediu de todos? — pergunta o guerreiro do fogo.
– Não.
– Então trate de se apressar, temos que ir.
– Podem ir. Eu não vou.
– Como?! — perguntam sem entender nada os dois guerreiros da justiça.
– É isso mesmo, eu vou ficar.
– De onde você tirou essa ideia Trevor?! — pergunta Fennior começando a se irritar.
– Depois de passar pelo que passei há algumas horas atrás naquela cidade, eu senti que preciso ficar um pouco sozinho e isso inclui me afastar um pouco das minhas responsabilidades como guerreiro da justiça — diz o guerreiro do trovão se levantando logo e pegando a mão da criança indo em direção à cidade de Ostoja.
– Trevor! — grita o guerreiro do fogo logo sentindo a mão de Brendan sobre seu ombro como se pedisse para ele se acalmar.
– Trevor, você tem certeza disso? Nós não voltaremos aqui para buscá-lo — pergunta o guerreiro do vento calmamente enquanto uma de suas mãos está sobre o ombro de Fennior.
– Tenho sim. Além do mais... Assim como aquele homem atacou a cidade a qual todas essas pessoas moravam, porque ele não pode aparecer e simplesmente atacar essa cidade? Eles precisam de alguém para protegê-los.
– Como você acha que pode protegê-los depois do que passou naquela cidade?! — pergunta o guerreiro do fogo olhando para Trevor.
– Você me subestima Fennior... Eu posso sentir que meu poder vai muito além do que eu consegui usar naquela ocasião. Meu corpo não foi capaz de suportar tamanho poder, por isso não fui capaz de vencer aquele homem. Preciso desse tempo para ficar sozinho inclusive para me aperfeiçoar.
– Você tem um compromisso com esse planeta Trevor, pense de novo.
– Chega Brendan — diz o guerreiro do fogo se virando de costas para o local deixando o guerreiro do vento surpreso.
– O que houve Fennior? Há alguns segundos atrás você estava furioso.
– Pensando um pouco com calma me lembrei das palavras que um dia meu mestre me disse, “nós não podemos mover as forças da natureza, são elas que nos movem” — diz o guerreiro do fogo começando a andar.
– Aproveita que o nosso durão desistiu Trevor — diz o guerreiro do vento soltando uma leve risada logo seguindo Fennior.
Após os seus dois companheiros seguirem caminho, Trevor segue para dentro da cidade de mãos dadas a criança. Atentamente olha para cada um dos sobreviventes e começa a pensar sozinho, quando de repente, é surpreendido por um grito.
– Melany! — diz uma mulher em meio à multidão da cidade, a criança que estava até alguns segundos atrás de mãos dadas com o guerreiro do trovão sai correndo a direção à mulher e a abraça com muita força.
– Mamãe! — diz a criança começando a chorar enquanto abraça a mulher.
Aos poucos Trevor se aproxima das duas. A mulher logo percebe a aproximação do rapaz e por um instante para de abraçar sua filha.
– Muito obrigada por proteger minha filha!
– De nada, me perdoe à indelicadeza, mas... Por que a senhora estava aqui nessa cidade enquanto a sua filha estava em Wiartri? — pergunta o guerreiro do trovão arqueando uma de suas sobrancelhas.
– Eu e o pai dela somos separados. Ele morava em Wiartri com nossa filha, pois eu não tinha condições de cuidar dela quando nos separamos. Quando soube o que estava acontecendo por lá rezei muito para que tanto minha filha quanto o pai dela estivessem bem. Muito obrigada mesmo por proteger minha filha!
– De nada — diz o guerreiro da justiça gaguejando, se lembrando da criança que foi morta diante de seus olhos e pensando no desespero de seus pais ao não ter sua filha em seus braços nesse momento caso tenham sobrevivido.
De repente, a garotinha puxa sua roupa enquanto limpa as lágrimas por ter encontrado sua mãe.
– O que foi Melany? — pergunta Trevor se ajoelhando ficando na altura da menina.
– Já que você disse que ficaria aqui para nos proteger, precisa de uma ajuda.
– Como assim?
– Toma! — diz a menina estendendo sua mão fechada.
Assim que o guerreiro da justiça estende a mão, Melany solta um pingente banhado em ouro um pouco sujo na mão de Trevor o surpreendendo.
– É lindo o pingente, muito obrigado.
– Ele vai te ajudar a nos proteger! — diz a criança abrindo um grande sorriso sendo retribuída por Trevor que logo põe o pingente em seu pescoço e se levanta, se despedindo das mulheres e indo para dentro da cidade.
Longe da cidade
– Por que desistiu de convencer Trevor? Foi só por lembrar o que seu mestre disse no passado? — pergunta Brendan ao guerreiro do fogo.
– Não apenas por isso... Se ele realmente quer ser um guerreiro da justiça forte ele não pode ter dúvidas em seu coração. Enquanto ele as tiver, não conseguirá usar seu Senki adequadamente.
– Pode não parecer, mas suas atitudes são sempre bem pensadas, não é mesmo?
– Se você diz, eu acredito.
– Fala sério. Para onde nós vamos agora?
– Vamos buscar algo que nos será essencial nas batalhas que virão muito em breve.
– E onde nós iremos buscar isso que é tão essencial?
– No sagrado templo antigo... O lugar que guarda os segredos de todas as gerações anteriores de guerreiros da justiça.
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