Os Guerreiros Do Reino Após Os Muros
9 A Rainha E Os Príncipes
Notas iniciais
O palácio era maravilhoso. Bem simples se comparado com os palácios que Sam conheceu em suas viagens, mas extremamente lindo
—Que lugar incrível! — Miya exclamou, olhando os quadros nas paredes.
Lua se aproximou e tocou em uma estátua de uma bela mulher que segurava dois gatos.
—É a Rainha. — Purga falou para Lua. — E esses dois gatos em seu colo são seus filhos.
—Príncipes? — Lua perguntou.
—Sim. Symba e eu.
—Príncipe??! — o grito de Lua ecoou pelo salão. Ela logo abaixou a voz. — Você é um príncipe?
Purga riu:
—Eu sei que não me visto, e muito menos me comporto como um. Mas sim, sou um príncipe.
Purga pediu para que os três o acompanhassem, e foram juntos ao segundo andar.
—A Rainha tem estado doente. Ela se encontra em seus aposentos. — Purga disse, quando pararam na frente de um quarto.
Ele bateu na porta e a abriu, pedindo licença.
As cortinas das janelas estavam todas fechadas, deixando o aposento escuro.
Uma vela estava acesa em cima de um criado mudo, ao lado da cama onde a Rainha repousava. Junto à vela havia uma jarra de água e um copo vazio.
Purga se aproximou da cama, e deu um beijo na mão da Rainha:
—Mãe, estou de volta.
Ela tossiu e perguntou com a voz fraca:
—Como foi a sua busca, meu filho?
—Trouxe três guerreiros do reino após os muros.
A Rainha se sentou na cama com a ajuda de Purga e pediu para que Lua, Miya e Sam se aproximassem.
Os três, que ainda estavam próximos à porta, caminharam até a cama e fizeram uma reverência.
—Vossa Majestade. — Sam disse, com a cabeça baixa e a mão direita sob o peito.
—Estes são Sir Sam, Lady Lua e Lady Miya. — Purga os apresentou.
—Bravos guerreiros, recém chegados do reino após os muros. Agradeço por terem vindo de tão longe. — a Rainha disse. — Peço que me escutem.
Os três se ajoelharam ao lado da cama.
—Existe uma maldição em Litari. Por gerações meu reino tem feito sacrifícios...
A Rainha tossiu mais uma vez, e Purga lhe deu um pouco de água da jarra.
—Na noite de hoje, assim como todos os anos, três flechas cortarão o céu e acertarão a porta de três casas. — ela continuou, depois de beber um gole do copo com as mãos trêmulas. — Três habitantes de Litari, um morador de cada casa, deverão entrar na floresta ao leste e seguir a trilha para... servir de sacrifício ao monstro que vive ali.
Miya sentiu um arrepio na nuca. Ela respirou fundo e perguntou:
—E se não forem para a floresta? O que acontece?
—O fim de Litari. — Purga respondeu. — Ninguém nunca voltou da floresta, e ninguém que esteja vivo já viu o monstro.
Houve uma batida forte na porta, que assustou Lua, Miya e Sam.
—Mãe. — a porta se abriu. Era Symba.
Mesmo com pouca luz, era possível ver que o príncipe possuía a pele tão branca quanto a de Purga, e o prateado de seu cabelo era mais claro que de seu irmão.
Ele encarou os visitantes seriamente e perguntou:
—Quem são esses?
—Guerreiros. Vieram de outro reino. — Purga respondeu, caminhando até a porta. — Vamos conversar lá fora, irmão.
Symba deu mais uma olhada para os três e saiu do quarto com Purga.
—Sinto muito. — a Rainha falou. — Symba não gosta de visitas.
—Majestade. Como podemos ajudar Litari? — Lua perguntou.
A Rainha se preparou para responder, mas teve um ataque de tosse. Ela pegou um sino, que estava embaixo de um de seus travesseiros e o balançou.
Poucos minutos depois, uma servente apareceu na porta.
—Sim, Vossa Majestade. — ela falou, fazendo uma breve reverência.
—Por favor, leve meus convidados até a biblioteca. Mostre a eles O Livro. — a Rainha pediu.
—Sim, senhora.
A Rainha se virou para Sam e falou:
—Peço perdão por não os acompanhar. E... Obrigada por aceitarem vir até Litari.
Sam fez uma reverência e pediu licença. Lua e Miya fizeram o mesmo, e os três deixaram o aposento.
• • •
—Meu nome é Shanya. — a servente se apresentou com um sorriso, após fechar a porta do quarto da Rainha.
—Estas são Lua e Miya. — Sam apresentou as colegas. — E eu sou Sam.
—Muito prazer em conhecê-los.
Shanya tinha algumas sardas pela pele meio alaranjada, seu cabelo preto era curto e tinha mechas brancas e castanhas. Seus grandes olhos eram verdes e continham as lindas fendas pretas, que todos daquele reino possuíam.
Ela vestia um vestido simples azul de botões e sandálias nos pés.
Os três a seguiram pelo palácio e, em alguns minutos, chegaram à biblioteca.
Miya estava tão animada para ver os livros que eles haviam ali, que sorria ansiosa. Mas seu sorriso desapareceu do rosto assim que Shanya abriu a porta do cômodo.
Só havia uma estante pequena, com cinco ou seis livros, num canto da parede, uma escrivaninha no outro canto, e duas poltronas de frente a uma lareira.
—Esta é a biblioteca? — Miya perguntou, tentando não parecer decepcionada.
—Sim. — Shanya respondeu, sorrindo. — Linda, não?
—Parece ser bem aconchegante...
Shanya se apressou e abriu as cortinas, deixando a luz do fim da tarde entrar.
Ela foi até a estante e pegou um livro grosso, com capa preta de veludo, e entregou nas mãos de Miya.
—Eu estarei na cozinha, preparando o jantar. — Shanya disse, antes de sair da bibiblioteca. — Se precisarem de algo, há um sino sob a escrivaninha.
Lua se jogou em uma das poltronas, enquanto Sam caminhava pela pequena biblioteca, com um lenço sob o nariz e a boca.
—Pra quê esse lenço? — Lua perguntou.
—Você não vê a quantidade de sujeira que tem nesse lugar? — Sam sussurrou, emburrado.
Lua olhou em volta. O lugar estava impecável, não havia um canto sujo no recinto.
—Não. — ela respondeu.
Sam apontou para a lareira e franziu ainda mais o cenho.
—É só um pouco de fuligem. — Lua virou os olhos.
Sam ia abrir a boca para reclamar, mas Lua continuou:
—Sam, se comporte como uma pessoa normal pela primeira vez na vida. Não me faça passar vergonha.
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