Os Grandes Jogos Mágicos.
3 Capitulo 3 - Cerimônia de Abertura
Notas iniciais
Capitulo III – Cerimônia de Abertura.
– — Sofie — -
Por algum milagre nós conseguimos fazer nossa inscrição á tempo, com isso todos os membros da Fairy Tail que irão participar do torneio já estão regulamentados e dentro da cidade de Crocus, ou seja, estamos prontos para o início do torneio, mas por algum motivo Joseph e Mephisto não vieram nos ver enquanto que Nero saiu para fazer sabe-se lá o que.
Aparentemente a cerimônia de abertura será as 18:00, o que nos dá cerca de quatro horas de janela e uma hora pra nos aprontarmos e irmos em direção ao Domus Flau, arena onde acontecerão os jogos, um dos funcionários nos leva em direção á ala separada para receber os membros da Fairy Tail, ela era simples, uma sala central, completamente equipada com tudo que precisaríamos, e cinco portas, cada uma levando á um quarto separado para cada jogador, como já sabíamos quem seriam os cinco participantes do torneio, Joseph, Mephisto e Nero trouxeram bagagem para mim e para Leone com antecedência, já pondo-as em nossos quartos.
Ao chegarmos á nossa ala, Leone dispara em direção á seu quarto, abrindo a porta rapidamente.
– Uou! Que quarto enorme! – grita o loiro, ele parecia muito empolgado, e eu não o culpo; comparado á casa onde ele vive, as acomodações do Black Castle são as mesmas de um hotel de luxo, não que seja uma casa pobre, ele só não tem nenhum tipo de extravagâncias em casa, apenas o necessário.
– Pare de gritar, Leone! – alguém esbraveja da porta de entrada da nossa ala, viro-me, vendo um jovem de cabelos azuis escuros, assim como as águas do mar noturno, suas feições despertavam a sensação de que ele era alguém de atitudes um pouco mais selvagens, e sua personalidade não desmentia isso, seus olhos castanhos avaliam a sala, como se vistoriasse se estava tudo “ok”. – Ah, olá Sofie. – apenas aceno com a cabeça, mas ele logo vira-se pra dirigir-se á Leone – Ô idiota, pare de gritar, você vai acabar incomodando as outras guildas assim.
– Se você está tão incomodado, venha você me calar. – provoca o loiro e logo eles tinham começado suas brigas já quase tão tradicionais, apenas suspiro, dando de ombros, disposta á ignorá-los e é aí que noto que naquela sala não existiam apenas as portas que levavam aos quartos, mas também havia uma porta de vidro que levava á uma varanda, dirijo-me até ela, abrindo a porta, ali fora soprava uma brisa agradável, no canto da varanda, próxima á uma amurada, havia uma mesa com algumas cadeiras em seu redor, deve ser ótimo passar um fim de tarde aqui, tenho que confirmar isso.
– — Nero — -
Parte do paredão de pedra á minha frente desmorona, formando um amontoado de pedras em estado de quase pulverização.
– Esse foi um bom golpe. – murmuro para mim mesmo, podia sentir meu poder mágico ferver dentro de mim, meu corpo estava começando á ficar cansado, mas meus nervos ferviam intensamente, como se clamassem por mais.
Os Grandes Jogos Mágicos. Só de pensar que eu vou participar de tão imenso evento, meu corpo todo treme de empolgação. Esse sempre foi meu objetivo, meu sonho, cada dia vivendo, treinando e ficando mais forte, cada momento da minha vida foi para chegar aqui, e eu finalmente consegui.
– E agora que estou aqui... – faço uma pequena pausa, juntando novamente meu poder. – Nada vai me deter. – um círculo mágico amarronzado aparece á minha frente, estava pronto á lançar uma magia quando escuto o som de um galho se quebrando atrás de mim e uma voz conhecida á pronunciar-se.
– Você parece bem ansioso, Nero. – o círculo á minha frente se desmancha enquanto viro-me para encarar aquele que me chamava, vejo ali, parado, um homem, seus cabelos curtos tinham várias cores, como em um arco-íris, ele usava sapatos sociais, da mesma maneira era a sua calça, usava também um terno sem gravata e em seus punhos repousavam um par de luvas de combate, tatuado em seu pescoço estava o emblema da Blue Pegasus, seus olhos violeta me fitavam calmamente.
– Viktor. – murmuro. – Então você realmente veio.
– Claro que sim. – ele sorri desafiadoramente. – Se eu não viesse, quem você acha que iria te esmagar diante de milhões de pessoas naquele estádio?
– Eu não sou o mesmo do ano passado. – respondo seriamente e vejo seus orbes brilharem em um tom quase que predatório.
– Isso é ótimo, talvez dessa vez eu precise levar nossa luta á sério. – sibilo um xingamento irritado e ele ri. – Bom, nos vemos, boa sorte em seu treinamento. – ele se vira, indo-se.
Agora eu entendo esse sentimento que cresce em meu peito, além de vencer os jogos, tenho mais um objetivo á cumprir aqui, eu vou vencer Viktor, e sei que esse desejo nasceu á mais ou menos um ano.
Em uma de minhas missões, á quase onze meses atrás, vi-me diante de uma grande muralha que por alguma razão não conseguia ultrapassar, foi então que conheci Viktor, já ouvira falar antes sobre ele, aliás, acho difícil existir alguém em toda Fiore que nunca tenha ouvido, e assim que o vi, senti uma vontade incontrolável de testar minha força contra ele, e essa vontade só cresceu quando o vi destruir aquela imensa parede com facilidade, foi então que o desafiei, mas o resultado da luta não foi nem de perto o que eu esperava.
Eu fui completamente derrotado pela força esmagadora do mago da Blue Pegasus, e o que me deixou ainda mais frustrado foi que ele nem ao menos parecera levar aquela luta á sério, mas após isso, voltei para a guilda, e comecei á treinar sem parar, dia após dia, noite após noite, tudo em busca de ser reconhecido por todos, me tornar mais forte, tão forte á ponto de ser escolhido para representar a guilda nos jogos, tão forte que eu possa bater de frente com Viktor, e o dia de fazer isso finalmente chegou.
– Eu vou vencer. – murmuro para mim mesmo, cerrando meus punhos e erguendo-o acima da minha cabeça. – Eu vou vencer.
– — Joseph — -
– O que houve Joseph? O gato comeu sua língua? – Zangfried pergunta, seu tom era venenoso, assim como sua personalidade odiosa.
– O que quer Zangfried? – pergunto-o em uma ira contida, olhando-o com frieza.
Ele ri, uma risada fria e doentia, consigo ver de relance o símbolo da Raven Tail atrás de sua orelha
– Só vim ver como você está depois daquela surra que lhe dei. – estreito os olhos enquanto ele continua. – O que foi? Não se lembra de nada? Nem mesmo da maneira que lhe dei essa cicatriz que agora carregas com tanta vergonha? – eu podia não falar nada, mas eu e todas as fibras de meu corpo nos lembrávamos perfeitamente, a cicatriz em meu braço queimava como se estivesse em chamas, mas meu ódio por aquele homem mantinha-se ainda mais intenso e agora que eu sabia que ele estaria também nos Jogos, mal podia esperar pelo seu início.
– Não faço idéia do que está falando. – respondo á ele, provocando-o
– Tudo bem então. – o sorriso dele se alarga ainda mais doentio do que outrora já fora. – Farei questão de lembrá-lo pessoalmente daquele dia, nos vemos na arena, Joseph. – ele fala isso e logo seu corpo se desfaz em uma estranha fumaça roxa, se dissipando no ar.
Aquele reencontro com Zangfried realmente foi algo inesperado, e pensar que a guilda dele, Raven Tail, conseguiu até mesmo passar pelas preliminares, isso não acontecia desde os tempos do lendário Natsu Dragneel, mas acho que devo ficar grato por isso ter acontecido, eu não teria a chance de dar o troco á ele por aquele dia se não fosse dessa maneira, não é mesmo?
Abro a porta da ala da Fairy Tail, entrando na sala de estar, vejo Leone e Mephisto sentados cada um em seu respectivo sofá, encarando um ao outro com frieza, deviam estar em mais uma das competições de quem conseguia encarar o outro sem xingá-lo por mais tempo, algo já quase impossível para qualquer um deles.
– Quanto tempo vocês pretendem continuar nisso? – pergunto ao vento, sem dirigir-me á um deles em especial.
– Só quando o idiota aí desistir. – eles respondem em uníssono. – Ah! Você xingou primeiro! Eu venci! Nada Disso! Quem venceu fui eu! – e aposto que esse era o único momento em que eles conseguiam fazer algo em perfeita sincronia.
– Bom, tanto faz então. – dou de ombros, notando que a porta da varanda estava aberta, sigo até lá, vendo Sofie sentada sobre uma cadeira, seu corpo reclinava-se sobre a mesa, seus cabelos carmesim caíam-lhe sobre a face angelical, sorrio, cutucando a bochecha dela, vejo seu rosto se retorcer e ela murmurar algo incompreensível. – Sofie... – chamo baixinho. – Vamos, acorda, já tá quase na hora de irmos pra cerimônia de abertura. – ela senta-se corretamente em um sobressalto, como se acabasse de ter se assustado, olhando ao redor, após alguns instantes, ela parece notar onde estava.
– Ah, Joseph, olá. – ela sorri alegremente, ainda sonolenta, na verdade, muito sonolenta.
– Olá, agora levanta, temos que nos trocar pra cerimônia. – ela assente, se levantando.
– — Leone — -
– Ei! Vamos logo! A cerimônia já vai começar. – chamo os outros, Joseph e eu já estávamos prontos, Nero também, porém havia ido para a arena para informar-se á respeito da cerimônia, apenas esperando por Sofie e Mephisto, que pareciam nunca terminar de se arrumar, escuto uma forte pancada e a voz dele á bramir.
– Cala a boca, seu idiota! Só por que a merda da insolação afetou a porcaria do seu cérebro não quer dizer que você tem o direito de ficar me apressando, agora senta aí e fica calado! – sinto meu sangue ferver e eu estava pronto pra retrucar, mas sinto uma faísca percorrer a parte de trás de meu pescoço, provavelmente Joseph já estava enfadado de nossas discussões, e fizera questão de demonstrar isso, da maneira mais desagradável possível.
Logo Sofie sai, ela usava sapatilhas e uma saia preta em contraste com uma blusa branca que possuía manga longa apenas no braço esquerdo, os cabelos ruivos pareciam mais bem cuidados do que antes, quase que brilhando, na orelha direita usava um brinco que continha, em sua ponta, uma pena vermelha e azul, combinando tanto com seu cabelo quanto com seus orbes de um azul-safira quase que ilusório; um silêncio desconfortável se instala no local, vejo Joseph sorrir, mas permanecer calado, ele notara o quanto ela estava bonita, mas provavelmente achou desnecessário trazer essa informação á tona.
A ruiva percorre o caminho até o sofá, sentando sobre ele enquanto esperamos Mephisto, e não demora muito até que ele também ficasse pronto e pudéssemos nos dirigir á arena.
Holofotes luminosos cortavam os céus de Crocus nessa noite, o Domus Flau enchia-se de cores enquanto percorríamos o caminho até lá, sinto o nervosismo e a ansiedade crescerem e se misturarem dentro de mim de maneira quase que angustiante, cada passo despertava em mim sentimentos opostos; por um lado eu queria muito ir lá e representar a guilda que tanto amo diante de milhares de pessoas, mas por outro, tudo que eu queria era voltar pra casa e não sair de lá nunca mais, afinal essa seria a primeira vez que me apresento na frente de tantas pessoas.
Será que vai ficar tudo bem?
Conseguimos finalmente chegar ao estádio, de longe vemos Nero acenando pra nós, nos chamando em direção á uma entrada lateral no estádio, a entrada para os participantes, vamos até ele e Nero nos informa que tanto a cerimônia de abertura como os eventos do primeiro dia aconteceriam á partir das 18:00, aquilo nos pegou de surpresa, não esperávamos que fôssemos ter que lutar hoje, mas ao mesmo tempo, ficamos bem empolgados, principalmente Sofie, ela parecia bem interessada em participar do evento, seja lá o que fosse acontecer.
– — Sofie — -
Sinto as batidas do meu coração se intensificarem enquanto eu, Nero, Joseph, Mephisto e Leone percorremos o extenso corredor que dava acesso á uma das oito entradas da arena, a arena parecia tremer com o show da cerimônia de abertura que acontecia nesse momento, porém logo esse barulho acaba, sendo substituído pelo silêncio da platéia enquanto o narrador toma a palavra para si, finalmente chegamos á escada que nos levaria á arena quando ouço-o chamar a primeira guilda e como em uma erupção vulcânica a torcida começa á fervilhar em gritos de euforia, dou uma leve olhada para trás, Leone, Nero e Mephisto pareciam tão nervosos quanto eu, principalmente o primeiro, mas olho para frente e sinto algo completamente diferente, Joseph, o capitão da equipe durante os jogos, nem ao menos parecia se abalar com isso, mantendo-se á nossa frente como uma rocha sólida e instransponível, ele espera pacientemente enquanto as guildas são chamadas uma á uma, toda essa espera só me fazia ficar ainda mais nervosa e apreensiva.
É então que escutamos o nome de nossa guilda, subimos as escadas e atravessamos os portais da arena em meio á gritos de uma platéia extasiada e de centenas de fãs fervorosos que, mesmo não conhecendo grande parte dos magos que defenderiam a Fairy Tail esse ano, recusavam-se á deixar sua guilda favorita sem o devido apoio de sua torcida.
Seguimos á passos lentos em meio á uma chuva de confetes para o centro da arena, onde outras sete filas de cinco pessoas estavam rigorosamente alinhadas, paramos ao lado deles, mas não consigo ver quem eram, todo o nervosismo me fizera estancar, eu mal conseguia me manter em pé, meu coração batia em um ritmo perigoso e tudo que eu conseguia ouvir era a voz do narrador á soar bem longe de algum lugar do meu cérebro.
– E Finalmente todas as oito guildas estão aqui: Fairy Tail, Lamia Scale, Blue Pegasus, Mermaid Heel, Sabertooth e as três surpresas do campeonato, Raven Tail, Centauru’s Bows e Mercurium... – a platéia começa a gritar quase que histericamente enquanto o narrador continua seu anúncio. – E agora, a Septuagésima Sétima edição dos Grandes Jogos Mágicos está prestes á começar!
– — Continua — -
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