Os Golpistas
24 Assumindo o que realmente sinto por ela
Notas iniciais
Espero que gostem.
Tô meio com sono, então não vou escrever muito.
Brigada a todos os comentários recebidos.
Vcs que me dão animação para continuar. Obrigada e boa leitura.
Pov Jared Howe
—Pra você!—Entreguei um sorvete de morango para Mel, ela estava sentada no banco do carro, o mesmo que fora roubado noite passada.
—Sorvete?—Ela riu.
—Não gosta?—Abri a porta, entrando no veículo.
—Não é isso, nunca te imaginei comprando sorvete, ainda mais de morango, é meu preferido, como sabia?
—Chutei—Entreguei o sorvete para ela, enquanto começava a tomar o meu.
—Obrigada!—Começou a tomar o sorvete também—Sabe de uma coisa?
—Hum, o que?—Perguntei.
—A última vez que tomei sorvete foi com minha mãe, antes dela morrer, saímos de manhã, passamos em frente a uma sorveteria, ela era louca por sorvete de morango, foi uma manhã tão agradável, nunca me esqueço.
—Sente muita falta dela não é?
—Muita, às vezes penso que Deus quis me castigar tirando ela de mim.
—Não seja boba, ele não faria isso com você, não com uma pessoa tão boa, é que essas coisas acontecem todos os dias, perdemos pessoas que amamos, mas precisamos superar.
—Eu sei, é que minha mãe preenchia todo o amor que eu precisava, além de mãe ela também era meu pai. Por isso ainda sinto muito pela morte dela.
—Espero que consiga superar—Coloquei a mão em seu ombro, ela sorriu—Mais me diga você, para onde gostaria de ir hoje?
—O combinado era você me levar, não posso me meter no passeio, apenas vou segui-lo.
—Então posso levá-la para qualquer lugar?
—Bom, acho que sim—Respondeu insegura.
—Então coloca o cinto, vou te levar para um dos meus lugares preferidos aqui, costumava ir bastante lá.
—De verdade?—Entusiasmou-se.
—Sim, agora coloque o cinto.
—Tudo bem!
[...]
Estacionei o carro no final da estrada, ao nosso redor não havia nada, apenas um deserto que se estendia por km. Montanhas rochosas davam o destaque final ao cenário árido. Mel desceu do carro, estava surpreendida com o visual, por diversas vezes distribuiu sorrisos para mim, que os retribuir da mesma forma.
Eu sabia exatamente o que ela estava sentindo, aquela sensação de novidade, de encanto, fora isso que senti quando estive aqui pela primeira vez.
—Aqui é lindo Jared, nunca tinha estado em um lugar assim antes.
—Imaginei que não, riquinhas como você não se interessam por lugares assim.
—Eu não sou riquinha—Deu língua—De qualquer forma adorei isso aqui, é maravilhoso, tão silencioso, calmo, simplesmente deserto—Rimos juntos.
—Verdade, se você quer ficar longe de tudo e de todos, esse é o lugar mais recomendado.
—Por que disse que nunca mais tinha vindo aqui?—Encostou-se no capô do carro.
—Nem sei dizer, quando dei por mim, eu não vinha mais com tanta frequência—Encostei-me ao lado dela—Gosto desse lugar, me sinto em paz, sozinho, o mundo todo desaparece quando estou aqui.
—Jared?—Olhei para Mel.
—O que foi?
—O que vai acontecer quando meu pai pagar o resgate, isso se ele pagar, mas suponhamos que ele pague. O que acontecerá?—Esquivei os olhos, não tinha gostado daquela pergunta, preferia não imaginar que Mel uma hora iria embora, que voltaria para casa, mesmo sabendo que esse era o combinado, a garota pelo dinheiro.
—O mais obvio Mel, irei fazer a troca, você pela grana.
—Eu sei disso Jared, mais e depois? Nunca mais vou vê você? Nem os outros?—Sabia que Mel devia está me olhando, porém evitei encontrar seu olhar, encarei o horizonte desértico.
—Não me verá mais, esse é o plano. Que garota em sã consciência vai querer reencontrar seus sequestradores?—Sorri sem humor.
—Pode ser loucura o que vou falar, mais eu não queria perder o contato com vocês, sei lá, acho que me apeguei—Tive que virar o rosto para olhá-la.
—Apegou-se? Mel como pode ser isso?—Estava perplexo.
—Qual o problema? Vocês são pessoas normais como qualquer um.
—Não vivemos da forma que a maioria vive, não temos casa própria, não temos trabalho fixo, nem uma lista enorme de amigos.
—E por isso não são pessoas normais?—Questionou-me.
—Só estou dizendo que levamos uma vida diferente, somos de mundos diferentes Mel, você do mundo certinho, eu e meu grupo do mundo errado. Cada um se vira como pode nessa vida.
Mel se afastou do carro, caminhou alguns passos à frente, cruzando os braços.
—Nosso destino somos nós que traçamos Jared. Podemos ser e viver o que quisermos nessa vida, não estou criticando o modo pelo qual escolheu viver.
—Eu e meu grupo vivemos do jeito que escolhemos, não forcei ninguém a entrar nessa vida, todos já tinham seus históricos quando os conheci, apenas os chamei para ficarmos juntos, formamos um time.
Mel não disse nenhuma palavra, por alguns minutos ficamos em total silêncio, eu ainda permanecia parado atrás dela, tinha vontade de tocá-la, de cortar aquele silêncio ensurdecedor entre nós. Toquei o braço de Mel, a principio para chamar sua atenção, para saber se ela não iria mesmo falar nada.
—Mel?—A chamei—Não vamos estragar o passeio, estava me saindo tão bem, podemos continuar?—Ela virou-se ficando de frente para mim.
—Posso fazer uma última pergunta?—Parecia decidida a fazer, mesmo que eu falasse que não.
—Sim a última—Concordei.
—Por que disse que nosso beijo não significou nada para você? Por que me disse coisas tão duras? Realmente não sentiu nada aquele dia na floresta?—A pergunta veio como um soco certeiro, não esperava por aquela interrogação, as palavras rodavam em minha boca, não fazia idéia do que responder.
—Bom... —Pausei procurando não errar minhas palavras, não queria falar nada que a machucasse—Aquele beijo não deveria ter acontecido, eu...
—É melhor nem terminar essa frase—Empurrou-me e saiu caminhando, pelos passos fortes no chão parecia zangada.
—Melanie?—A segui—Espera Melanie, o que você quer ouvi?—Ela ignorou minha pergunta e continuou a caminhada.
—Mel espera!—Novamente fui ignorado—Tudo bem eu falo—Ela parou de caminhar—Eu me rendo—Tomei coragem para concertar meu erro, nem sabia por onde começaria, talvez devesse começar pela verdade, pela legítima verdade—Quando tudo começou, o plano era sequestrar seu pai, em nenhum momento pensei que encontraria você àquela noite, no momento de desespero a trouxe comigo, iria te usar para consegui o que queria. O tempo foi passando, eu fui sentindo coisas que nunca havia sentido antes, sentimentos confusos, que me desordenavam, cada momento que passava com você, era como se esses sentimentos crescessem mais, de uma forma que eu não entendia, até as nossas discussões me deixavam embaraçado. A forma como você me enfrentava e me respondia, literalmente batia de frente comigo, enfrentava meu ego, depois de um tempo eu comecei a gostar disso, gostei de passar a te vê mais, a falar com você. Pensei que isso fosse loucura da minha cabeça, que fosse passar, pior que estava enganado, isso tudo só aumentou ainda mais, passei a pensar em você até quando não queria, pegava-me diversas vezes desenhando seu rosto em minha mente, relembrando nossas conversas, rindo com as nossas brigas. E aquele beijo só me fez comprovar o que suspeitava, mesmo que eu tentasse sufocar essa verdade dentro de mim, ela sempre estava me cercando, estava me fazendo lembrar.
—Lembrar?—Para meu alívio escutei sua voz, estava tão nervoso que nem notei que minhas mãos suavam frio.
—Lembrar que eu não podia esconder o que sinto, posso até tentar, mais acho que eu não quero mais, não quero mais dominar esse sentimento que estou sentindo aqui dentro, posso está fazendo a maior besteira da minha vida, mais não quero olhar para trás e me arrepender do que não fiz—Caminhei ao encontro de Mel, o vento soprava em sua direção, fazendo com que seus cabelos esvoaçassem no ar, colei meu corpo em suas costas, deslizando minhas mãos pela lateral do seu corpo, encontrando seus braços.
—O que sente realmente por mim Jared?—Sua pergunta saiu quase em um sopro.
—É forte o que sinto, algo que talvez nem caiba mais no meu peito. Desculpa ter falado que o beijo não significou nada, você estava certa, sou um péssimo mentiroso—Encostei meus lábios em sua orelha, notando que os pelos daquela região se arrepiaram o toque—Fiquei possesso quando beijou meu irmão, quis matá-lo.
—Se importa tanto assim?
—Sim, eu me importo—Subi minhas mãos até sua cintura, rodando seu corpo, fazendo-a ficar de frente para mim. Passei uma das mãos atrás de sua nuca, sentindo a maciez de seus cabelos, apertei seu corpo no meu, aproximando nossos rostos—Sinto que não posso mais ficar sem você Mel, seu cheiro, seu corpo, sua voz, simplesmente tudo em você me atrai.
—Jared... —Sussurou meu nome—Não sabe o quanto estou feliz em escutar a verdade, obrigada por me contar.
—Obrigada por me fazer falar, não sabia por quanto tempo mais poderia guardar isso comigo—As mãos de Mel apertaram minhas costas, sua respiração doce batia em meu rosto, como era bom está perto dela.
—Estou tão feliz que poderia dançar—Ela sorria como uma criança. Sentia-me tão bem vê-la daquele jeito.
—Não seja por isso, conceda-me essa honra.
—Você dançando?—Ela sorriu ainda mais.
—Não sou tão ruim assim—Segurei firme em sua cintura, a mão que estava em sua nuca desceu, foi de encontro a uma de suas mãos, ela jogou sua mão livre em meu ombro, logo começamos uma tentativa de dançarmos juntos, apesar de que estava muito engraçado—Estamos dançando—Ríamos feito dois bobos, girava Mel em volta do seu próprio corpo, trazendo-a de volta para mim.
A brincadeira foi interrompida imediatamente, quando demos conta que começava a cair uma chuva fina.
Mel começou a sorrir e gritar ao mesmo tempo, queria correr para o carro, mas a segurei firme em meus braços.
—Não vai escapar de mim—Puxei seu queixo e ela parou de sorrir. Encostei novamente nossos lábios, dessa vez não perdi tempo, queria sentir seu gosto novamente, mexi os lábios em sincronia com os de Melanie. O beijo tomou força, ficou intenso, o desejo tomava conta dos nossos corpos, pedia espaço com a língua e ela concedia.
Mel finalizou o beijo mordendo meu lábio inferior, ficou algum tempo me olhando, a água caia em seu rosto, molhando ainda mais seus cabelos. A segurei no colo começando a rodá-la no ar, depois de giramos algumas vezes caímos os dois no chão, risadas tomaram conta do ambiente, Mel estava deitada por cima de mim, acariciava meus cabelos molhados, demos mais alguns beijos, por fim a levantei do chão e começamos a correr de volta para o carro.
—Nossa que loucura!—Mel se ajeitava no banco, secando os cabelos com as mãos.
—Não gostou?—Retirei minha camiseta, ficando apenas com uma regata branca.
—Foi maravilhoso!—Ela se inclinou, aproximei nossos rostos, passei a mão em seu rosto—Hoje está sendo o melhor dia da minha vida—Beijou meus lábios. Após o beijo, ela voltou a se ajeitar confortavelmente. Encostei a cabeça no banco, virei o rosto de lado a olhando. Mel era simplesmente linda, aos meus olhos a mais bela de todas, meu coração saltava só de observá-la, estava tão feliz, nunca antes havia experimentado aquela sensação, várias mulheres passaram em minha vida, mais nenhuma me marcou tanto como Mel, sentia que aquela menina me pertencia, que fazia parte de mim.
O resto do dia fora maravilhoso, Melanie e eu andamos um pouco mais de carro, almoçamos em um restaurante na beira da estrada, ela insistiu por aquilo, disse que tinha curiosidade de comer em um lugar assim, demos um passeio no Central park, procurei ter o máximo de cuidado, o lugar era bem movimentado, porém Mel acabou me fazendo ficar sossegado.
Aproveitamos o resto da tarde caminhando pelo parque. Ela estava tão feliz, estava estampando em seu rosto, o passeio não estava nada ruim, há tempos não me divertia assim. Sentia-me bem ao lado dela e eu estava decidido, não a perderia, a partir de agora Melanie Stryder seria MINHA.
Continua...
Notas finais
Até o próximo, que vcs tenham gostado.
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