Os Golpistas

40 À volta pra casa


Notas iniciais
Aqui o final da AVENTURA do nosso casal PEGIAN... LEMBRANDO QUE SO FALTAM APENAS 10 CAPÍTULOS PARA O FIM DA FIC. AQUI ESTÁ A FOTO DOS PERSONAGENS QUE INTERPRETARAM O BERNAD/RONALD/MAX AS FOTOS ESTÃO NA ORDEM NOS NOMES http://images6.fanpop.com/image/photos/32600000/Anthony-sir-anthony-hopkins-32634599-1280-688.jpg http://imgsapp.diariodepernambuco.com.br/app/noticia_127983242361/2012/08/08/389735/20120808092648236677o.jpg http://www.cinespaco.com.br/_img/_novidades/1015_m.jpg

POV PEG

Repetia várias vezes que tudo ficaria bem, que eu sairia dali, que encontraria Ian e juntos voltaríamos para o edifício, onde todos estariam esperando por nossa volta, eu precisava acreditar nessa minha “teoria” que tudo acabaria bem.

Minha testa estava molhada, minhas roupas sujas, pelo menos eu havia voltado a respirar com calma. Estava escondida em uma velha fábrica, não sabia o que era, enquanto corria a encontrei abandonada, as portas estavam abertas, achei que seria um bom esconderijo.

Subi dois lances de escadas, estava terminado de subi a terceira, essa me levaria ao térreo do prédio, tudo por ali parecia ser muito escuro, a iluminação era fraca, os poucos postes que funcionavam estavam com as luzes falhando.

Talvez do térreo eu tivesse uma visão melhor daquele lugar, tinha que encontrar uma saída, não poderia passar a noite ali, ainda mais com um psicopata atrás de mim, como me arrependia de não ter escutado Ian, ele como sempre estava certo, se tivéssemos continuado a caminhada, já estaríamos com os outros, bom a essas alturas ele já estava.

Tive tanta vontade de chorar, o peito estava inchado, a buscadora dizia que chorar era para os fracos, que pessoas como ela não choraram, isso servia para mim também, contudo nunca havia conseguido entender essa maneira dela agi, como se tivéssemos que nos comportar como rochas duras, pessoas frias e maldosas, no fundo algo dentro de mim não aceitava essa personalidade.

Finalmente havia chegado ao térreo, minha visão foi de um borrão escuro e solitário, nada sobre nada, abaixei os olhos por alguns segundos, às lágrimas desceram molhando meu rosto, talvez eu não fosse à menina forte que a buscadora falava que era, eu tentava ser o que ela queria, mas na verdade uma parte de mim sempre seria humana, teria sentimentos, choraria como uma criança.

Então era o que eu estava fazendo, os soluços me alcançaram, sentia raiva, dor, medo, tristeza e solidão, como eu odiava me sentir daquele jeito, exposta, fraca e sem atitude alguma, sem rumo do que fazer. Nunca contara a ninguém, nem mesmo para a buscadora, mas eu tinha crises de choro.

A noite em meu quarto, chorava como uma criança abandonada. Sentia falta de carinho e amor, queria orgulhar minha Buscadora, acima de tudo eu era seu braço direito, ele havia me tirado de um inferno, cuidara de mim, me treinara por anos e quando viu que estava preparada, colocou-me ao lado dela para trabalhar.

Mais no fundo, lá no fundo, eu era apenas uma menina indefesa, que necessitava de cuidados especiais, que tinha inveja daqueles que tinham e passavam o amor, que estava apaixonada por um cara que não estava nem ai para pra mim, mas mesmo assim não conseguia travar esse sentimento.

Levantei o rosto, deixei que as lágrimas lavassem meus olhos, eles estavam embaçados, mas por um momento pensei ter visto Ian. Passei a palma das mãos nos olhos os secando, voltei a me concentrar na direção que possivelmente eu o havia visto, para minha felicidade não tinha sido apenas coisa da minha cabeça, ele estava lá, muito longe, mas era ele.

Caminhava em uma rua, reconheci, pois ainda carregava as sacolas do mercado com ele, porém estava longe demais de onde eu estava, com sorte poderia correr com força até alcançá-lo, uma animação tomou conta do meu corpo, no entanto ela logo se desmanchou como um castelo de areia no deserto, escutei os gritos de Ronald, eles vinham lá de baixo.

Apressei-me para sair dali, olhei a altura do prédio, poderia escalar ele, era a forma mais difícil, mas não poderia sair por onde havia entrado, seria arriscado demais, poderia dar de cara com Ronald, isso não estava em meus planos. Atravessei uma grade de metal que protegia o prédio.

Fui caminhando devagar, pois só tinha um pequeno espaço, mal cabia o meu pé todo, segurava com força nas grades atrás de mim, notei que a uns dois metros havia uma escada de emergência, ela descia até o solo, poderia alcançá-la e descer sem perigo de cair, caminhar de lado não era muito bom, mas não tinha escolhas.

Quando já estava alcançando a escada, levei um tremendo susto quando senti uma mão gelada em meu ombro direito, o desgraçado tinha me encontrado outra vez, era pior que um cão farejador.

—Volta aqui—Apertou minha pele com força, à ardência me fez gritar por Ian, chamei inúmeras vezes seu nome, mas ele nunca me escutaria dali, virei a cabeça de lado usando os dentes para tentar me soltar, finquei com toda a força eles sobre a pele do braço de Ronald, imediatamente ele me soltara, xingou várias vezes, notei que estava sangrando ‘Bem feito’, poderia ter usado o canivete, mas acabei esquecendo dele, outra vez.

Segurei um dos braços da escada, enquanto firmava meu pé no degrau, rapidamente eu descia por eles, Ronald me olhava furiosamente de cima do prédio, ele logo desaparecera. Apressei os passos e acabei me desequilibrando, cai das escadas batendo as costas no chão, arqueei o corpo para frente, ainda mais quando percebi que uma dor aguda me cortava o ar, eu olhei para minha perna, precisei conter os gritos.

O canivete estava fincado na carne, não acreditava que eu mesma tivesse feito aquilo, mas também pela forma como tinha caído, parecia que minha pele estava pegando fogo, passei os dedos pelo local ferido, eles rapidamente molharam-se com meu sangue, respirei fundo tentando me manter consciente, mesmo com toda aquela dor me levantei o mais rápido possível, comecei a correr pela grama, sabia bem pra qual direção eu tinha que ir.

[...]

—Iannnnnnnnn... —Desabei no chão, minhas pernas pareciam gelatinas, não poderia mais correr, eu não suportava mais nem meu peso.

—Peg?—O alívio tomou conta do meu peito, ele olhara para trás, logo soltara as sacolas no chão—Peg está tudo bem?

—Me ajuda Ian, por favor—Ele havia começado a caminhar até mim, estávamos quase cinco metros um do outro.

—Cuidado Peg, atrás de você—Ian apontou o dedo, mas era tarde demais, Ronald me puxara com força do chão.

—Agora eu te peguei Peg—Pela forma violenta como me puxava, senti o canivete roçar o ferimento, precisei ser forte para não gritar, mesmo que estivesse com muita vontade.

—Larga ela agora seu miserável—A voz de Ian estava irritada, mas eu mal podia escutá-la agora.

Mesmo contendo a vontade de gritar de dor, não pude suportar quando Ronald puxara brutamente o canivete de minha perna, deixei um rastro dos meus gritos se espalharem pelo local, lágrimas e mais lágrimas saiam dos olhos, o ferimento era abaixo do joelho, doía bastante, aquele monstro parecia não se importar, logo apontara o pequeno metal para minha garganta.

—Não venha atrás, ou matarei sua amiguinha.

—Peg?—Ian chamou.

—Não venha atrás Ian, ele irá matá-lo também—Essas foram minhas últimas palavras, depois tudo ficou escuro e embaçado demais na minha frente.

[...]

POV IAN HOWE

Se aquele desgraçado achava que iria me intimidar estava enganado, ele havia conseguido escapar com Peg, mas eu daria um jeito de encontrá-lo. Voltei até o bar em que estivera com Peg mais cedo, precisava de ajuda.

—Olá!—Disse em um tom exaltado.

—Olha só quem voltou Bernad—O homem careca e forte me encarava com os braços cruzados.

—Preciso de ajuda.

—O que houve, parece que viu fantasma—Ele riu e todos o acompanharam.

—Ele a pegou—Tentava controlar a respiração, havia corrido muito para chegar ali outra vez—Pegou a Peg.

—Do que está falando meu jovem—Um velho com barba mal feita se aproximou.

—Um cara que encontramos em um mercado não muito longe daqui, ele pegou a peg.

—Qual o nome dele—O careca se meteu na conversa.

—Não sei, mais o cara era alto, forte, tinha barba, e um carro preto, não consegui vê o modelo, tinha uma tatuagem de serpente no ombro, consegui vê esse detalhe.

—Droga, aquele idiota do Ronald arranjando problemas outra vez—O velho mudou sua expressão completamente, estava furioso—Mexendo com a minha amiga, aquele filho da mãe vai vê com quantos paus se faz uma canoa—Fiquei surpreso pela forma como ele já se referia a Peg.

—Viu para onde levaram a garota?—O careca se aproximou me passando um copo com água.

—Não sei ao certo, mas posso mostrar a direção, foi rápido demais, ele correu com a Peg, ela já estava desacordada, jogou ela no carro e saiu.

—Que tipo de amigo é você cara?—O velho se aproximou—Porque não ajudou ela?

—O cara estava com um canivete apontado para o pescoço dela, não podia arriscar.

—Filho da mãe—Voltou a xingar—Adora mexer com meninas, quero vê se ele é homem para enfrentar a minha turma. Max pegue as armas, Thompson pegue o carro, vamos atrás daquele animal.

—Certo Bernad—Os homens responderam juntos.

—E eu?—Então o nome do velho era Bernad, pensei comigo.

—Você vem com a gente, afinal foi o único que viu para qual direção aquele filho da mãe foi.

—Mais eu não sei exatamente, ele pode ter ido para qualquer lugar.

—Bom, se eu estiver certo, e espero que esteja, sei exatamente para onde aquele safado nojento levou nossa garota.

[...]

O tal do Bernad parecia conhecer bem aquele lugar, depois que entramos em uma picape amarela rodamos alguns minutos, três de seus homens estavam na caçamba, seguravam armas pesadas nas mãos, Max estava ao lado de Bernad, era ele quem dirigia o veículo, eu por minha vez estava sentado no banco de trás.

—Acha que pode encontrar o Ronald?—Perguntei.

—Mais claro que sim—Bernad respondeu sem olhar para mim—Em questões de minutos chegaremos ao ninho dele, tenho quase certeza que a menina está lá.

—Ótimo—Estava mais confiante, sozinho não poderia achá-la, mas com a ajuda daqueles caras, minhas chances tinham aumentado.

Depois de vinte minutos a picape parou, o lugar era muito escuro, uma mata rodeava um galpão velho, podíamos vê uma luz vindo de dentro dele, meu coração saltou quando observei que o carro de Ronald estava parado ali, Bernad o havia encontrado.

—Vamos descer logo, não quero enrolar muito com esse assunto—Max saltou do carro e seguiu Bernad, seus comparsas fizeram o mesmo.

—O que eu faço?—Fechei a porta do veiculo.

—Poderia ficar no carro, creio que já tenho homens demais, você não será necessário.

—Mais é a Peg quem está lá dentro, eu devo isso a ela—Reclamei.

—Acho que devia ter pensado nisso antes de abandoná-la sozinha naquele bar meu chapa, então faça o que estou mandando, traremos sua amiga de você, apenas fique a onde está.

Tentei continuar com a discussão, mas percebi que seria em vão, talvez fosse melhor confiar em Bernad, essa era minha única opção naquele momento, fiquei encostado na lateral da picape, enquanto Bernad e seus homens invadiam o galpão.

Pouco depois de cinco minutos escutei o som de dois disparos, tive vontade de correr até lá, mas lembrei do que o velho havia falado, eles eram cinco, Ronald apenas um, ele não teria chances alguma. Cruzei os braços sobre o peito, tudo ficara silencioso demais, estava voltando a me preocupar, porque eles não saiam, a onde estaria Peg?

Minha resposta fora respondida assim que a observei saindo pela porta do galpão, estava em disparada, correndo bastante. Sai ao encontro dela.

—Ian—Chorava muito, logo passara seus braços em volta do meu tronco.

—Está tudo bem Peg, acabou, vamos sair daqui, você está bem?—Levantei seu rosto.

—Estou um pouco zonza, a perna dói um pouco—Reparei que a calça estava suja de sangue—Acho que vou...

—Peg?—Ela caiu desmaiada em meus braços, levantei seu corpo do ar, enquanto caminhava em direção a picape.

[...]

POV PEG

Acordei sentindo uma forte dor de cabeça, abri os olhos com cuidado, enquanto me acostumava com a luz do ambiente, reparei que estava em meu quarto no edifício da equipe, por um momento achei que estivesse sonhando, mas realmente eu estava ali.

—Está tudo bem Peg—A voz familiar de Ian me fez querer levantar da cama, mas senti dor da perna, então voltei a deitar—Não faça esforço, está segura agora.

—O que aconteceu?—A voz saia com dificuldade.

—Bernad a resgatou das mãos de Ronald, ele matou aquele maldito, depois você saiu correndo daquele galpão, eu a encontrei e em seguida você desmaiou, levamos você na casa de um amigo de Bernad, ele era médico e cuidou dos seus ferimentos.

—Ferimentos?

—Um corte profundo na perna, vários arranhões nas costas, parece que Ronald tentou enforcá-la, havia marcas de mãos em seu pescoço, também havia uma marca roxa em sua barriga, provavelmente um soco—Eu me lembrava do soco, fora aquele que levara no beco, quanto às marcas no pescoço, minha mente negava a recordar essa parte, tudo estava bagunçado demais, deveria me lembrar depois.

—O que disse ao Jared?

—Não se preocupe, ele não sabe a verdadeira história, contei que Ronald nos surpreendeu, que acabou te levando, e que fui atrás de ajuda para salvá-la.

—Ele acreditou?

—Parece que sim.

—E quanto ao Bernad?

—Ele me conseguiu um carro e voltamos para casa.

—Queria ter agradecido.

—Quem sabe poderá fazer isso ainda, mas precisa se recuperar primeiro, todos ficaram preocupados quando viram seu estado.

—Não queria preocupar ninguém, me desculpe Ian—Senti os malditos olhos molhados—Se eu tivesse ouvido você.

—Não vamos começar com essa história tudo bem? Afinal não podemos correr o risco do Jared descobrir.

—Mesmo assim, sinto-me culpada.

—Eu é quem não deveria tê-la deixado para trás, sabendo que poderia correr riscos sozinha naquele lugar, eu sim preciso pedi desculpas.

—Para com isso, você me salvou, se não tivesse ido atrás de Bernad, só Deus sabe o que Ronald teria feito comigo.

—Vamos esquecer isso, será nosso segredo tudo bem?

—Tudo bem—Consegui sorrir para ele, pela primeira vez depois de muito tempo ele estava retribuindo um sorriso, fiquei imensamente contente por dentro.

—Prometo não abandoná-la mais, quanto ao que aconteceu vamos esquecer tudo.

—Fala sério?

—Claro que falo, senti muito medo quando pensei que podia perdê-la Peg, um medo que agarrou meu coração.

—Puxa Ian, eu não sei o que dizer.

—Não precisa falar nada, quero que saiba que aceito você nessa equipe, não falei antes porque estava zangado, mas agora posso dar meu voto ainda—Ele sorriu—Aceito você aqui conosco.

—Obrigada—Meu coração estava tão pequeno, queria falar algo mais, porém um nó se formara em minha garganta.

—Procure descansar, mais tarde Brooke trará sua refeição.

—Ian?—Ele se levantou da cadeira em que estava sentado.

—Sim?

—Obrigada mais uma vez—Aproximou-se tocando minha testa com os lábios, senti um arrepio se espalhar por todo meu corpo.

—Durma um pouco—Dizendo isso ele saiu do quarto, fechei os olhos alegre, mesmo com o corpo todo dolorido estava feliz, Ian tinha me perdoado, isso para mim superava qualquer dor que estava sentindo, não tive dificuldade para voltar a adormecer.

Notas finais
acabando.... preparados para os demais últimos?? Espero que sim... Beijokas.