Os Garotos Feitos de Aço e Poesia
7 Capítulo 7 — Absolutamente Recíproca
Dois anos haviam se passado desde aqueles dias intensos de tensão, internação e confrontos familiares. O tempo não apagou os desafios, mas havia dado espaço para que Eduardo e Leo construíssem uma rotina mais sólida, feita de confiança, cumplicidade e carinho.
Leo praticamente morava com Eduardo. O apartamento, que antes parecia apenas o lar de Eduardo, agora carregava sinais de ambos: livros, equipamentos fotográficos e pequenos detalhes de Leo espalhados pelo ambiente. Cada canto carregava memórias de risadas, noites longas de conversa, refeições improvisadas e o conforto silencioso de simplesmente estarem juntos.
De vez em quando, Leo ia à fazenda visitar sua família. As viagens eram poucas, algumas vezes ao ano, mas sempre intensas. Ele aproveitava para respirar o ar fresco, caminhar pelos campos e se reconectar com suas raízes. E cada vez que voltava, carregava histórias, fotos e lembranças que compartilhava com Eduardo, que ouvia atentamente, curioso e interessado em cada detalhe.
Leo também havia conseguido parar de fumar, uma decisão que, para ele, simbolizava não apenas saúde, mas compromisso consigo mesmo e com a vida que construíam juntos. Eduardo brincava, sem maldade, que agora o maior vício de Leo era estar grudado nele, e Leo apenas sorria, aceitando a provocação.
Eduardo seguia firme na Castilho Agronegócios, mantendo a distância necessária do pai, mas sem conflitos diretos. Eles tinham encontrado uma espécie de trégua silenciosa: Frederico respeitava, ainda que a contragosto, a vida pessoal do filho, e Eduardo continuava administrando a empresa com a mesma competência de sempre. O ressentimento não havia desaparecido, mas havia sido domesticado, e o espaço entre pai e filho se tornou administrável.
Eduardo e Leo viajavam sempre que podiam, explorando o mundo juntos. Fins de semana em praias próximas, escapadas para cidades históricas, passagens de última hora para destinos internacionais, tudo era motivo para criar memórias. Entre passeios de barco, trilhas na montanha e cafés em ruas estreitas, cada viagem reforçava a cumplicidade e a confiança que crescia entre eles.
No cotidiano, pequenas rotinas marcavam o amor que se aprimorava: Leo ajustando o café enquanto Eduardo lia relatórios, conversas longas sobre planos futuros, risadas sobre lembranças antigas, ou apenas o silêncio confortável de quem se sente seguro ao lado do outro. Não havia pressa, nem necessidade de provar nada para ninguém. A vida que construíam era deles, baseada em confiança, respeito e, acima de tudo, escolha.
Escolha de estarem juntos, todos os dias.
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O sol começava a se pôr sobre Manhattan, tingindo o céu de tons laranja e rosa, quando Eduardo e Leo chegaram ao terraço do restaurante em um dos arranha-céus de Nova York. O vento fresco da cidade misturava-se ao perfume da noite prestes a cair, e as luzes do horizonte começavam a brilhar, pontuando a paisagem com uma beleza quase cinematográfica.
Eles tinham passado o dia explorando a cidade, entre cafés, galerias e pequenas compras, e agora aproveitavam a calmaria do terraço, com a cidade pulsando lá embaixo. Leo estava distraído, ajustando algumas fotos no celular para mostrar a Eduardo, que observava cada gesto com um sorriso quase imperceptível.
Eles estavam próximos à borda do terraço, separados da queda vertiginosa apenas por um parapeito de vidro transparente. Lá embaixo, Manhattan já começava a acender suas luzes, e a noite se insinuava aos poucos, envolvendo a cidade em um brilho dourado e azul profundo. O vento soprava com mais força ali em cima, fazendo os cabelos de Leo balançarem de leve, desalinhados, quase indomáveis, enquanto ele se inclinava um pouco para a tela do celular, concentrado nas fotos. Eduardo o observava em silêncio, apoiado ao lado dele, o olhar demorando mais do que deveria, havia algo naquela cena, na forma como Leo parecia pertencer àquele instante, que o deixava genuinamente admirado.
— Olha essa… — Leo disse, apontando para uma foto que tinha acabado de editar.
Eduardo apenas assentiu, mas dentro dele havia uma inquietação crescente, uma mistura de nervosismo e determinação. Ele sabia que o momento era agora ou nunca. Respirou fundo, observou Leo por alguns segundos e, num gesto natural que escondia toda a sua ansiedade, se abaixou levemente, tirando algo do bolso do paletó.
— Leo… — disse, a voz um pouco mais baixa do que o normal.
Leo o olhou, curioso, vendo Eduardo se ajoelhar diante dele. O mundo pareceu desacelerar.
— Espera… você tá brincando, né? — Leo conseguiu dizer, rindo nervosamente, sem acreditar no que estava acontecendo.
— Não — respondeu Eduardo, firme, mostrando a pequena caixa aberta com a aliança brilhando sob a luz do entardecer. — Eu… não consigo mais imaginar minha vida sem você, Leo. Não quero mais apenas passar os dias ao seu lado… quero passar toda a vida. Você aceita se casar comigo?
Leo piscou, atônito. A risada saiu involuntária, uma mistura de incredulidade, alegria e emoção, enquanto a realidade do momento começava a se instalar. Ele engoliu em seco, segurou a mão de Eduardo e, finalmente, conseguiu responder:
— Eduardo… eu… sim!
O sorriso de Eduardo se abriu, radiante, enquanto ele deslizava a aliança no dedo de Leo. Sem pensar duas vezes, Leo se inclinou e beijou Eduardo, primeiro devagar, saboreando cada segundo, depois com mais intensidade, como se estivesse colocando em palavras tudo que sentia e todas as emoções que o momento carregava.
Ao se afastarem, ainda colados, com as mãos entrelaçadas, ambos riram, respirando fundo, os olhos brilhando. A cidade inteira parecia celebrar com eles, as luzes de Nova York refletiam nos olhos de Leo e Eduardo, selando aquele instante como um marco que ninguém, nem o tempo, poderia apagar.
— Então… agora somos noivos — disse Leo, entre risadas e ainda segurando a mão dele.
— Agora e para sempre — respondeu Eduardo, sorrindo, sentindo o coração explodir de felicidade.
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O dia amanheceu claro e tranquilo no sítio escolhido para o casamento. O ar fresco da manhã misturava-se ao perfume das flores recém-arranjadas, e o céu azul servia como pano de fundo perfeito para o que seria um dos dias mais importantes da vida de Eduardo e Leo. Tudo estava impecavelmente organizado: flores em tons suaves, cadeiras alinhadas para os convidados, um arco delicado no fim do corredor de madeira e detalhes rústicos que combinavam com a atmosfera do sítio.
Eduardo estava à frente no altar, esperando ansioso, com o coração acelerado e a mão levemente trêmula de ansiedade.
Fernando, o melhor amigo de Eduardo e confidente, estava pronto para conduzir a cerimônia como juiz de paz. Ao redor deles, os amigos de infância e familiares se acomodavam, sorrisos e olhares curiosos enchendo o ar.
Os padrinhos estavam organizados: Gustavo, irmão mais velho de Leo, e Jéssica, como padrinhos representando a família dele; Carla e Davi, amigos de infância do casal; Tati, amiga de Leo, com um rapaz próximo a ela, completando o grupo. Cada um exalava uma alegria discreta, misturada à emoção do momento.
Mariana, irmã de Leo, estava radiante, com um sorriso enorme e delicadas flores em mãos, realizando finalmente o sonho de ser florista em um casamento. Ela distribuía as pétalas com cuidado pelo corredor, observando cada detalhe para que tudo ficasse perfeito. Sofia, a irmã mais nova de Leo, entrou logo depois com um buquê e também segurando as mãos de um rapaz que parecia deixá-la encantada. Seus sorrisos e olhares mal contidos mostravam que aquele momento era especial para ela também.
O som suave de uma música iniciou, e todos os olhares se voltaram para a entrada do corredor. E então, Leo surgiu, com um terno preto elegante e braço entrelaçado com o de Rita, sua mãe.
Cada passo parecia marcar a batida do coração de Eduardo. Quando os olhos dele encontraram os de Leo, uma emoção intensa tomou conta: o alívio, a alegria e a certeza de que estavam exatamente onde deveriam estar. Ele respirou fundo, tentando controlar a emoção, mas era impossível, os olhos dele brilharam e um sorriso involuntário se abriu, quase tremendo de felicidade.
Leo caminhava com segurança, mas cada passo parecia carregado de emoção. Ele olhou para Eduardo e sorriu, segurando o braço da mãe com firmeza, transmitindo uma mistura de orgulho e ternura. Quando chegaram ao fim do corredor, Leo soltou o braço de Rita, olhou para Eduardo e, sem palavras, apenas se aproximou, mãos trêmulas de emoção ao se entrelaçar com as dele.
Fernando, com um sorriso compreensivo, iniciou a cerimônia, e o silêncio dos convidados tornou o momento ainda mais íntimo.
— Bom, antes de mais nada… preciso dizer que é algo raro ver alguém fazer o Eduardo ficar bobo desse jeito — disse, gesticulando de leve em direção a Eduardo — e, sinceramente, se ele é assim pelo Leo, não teria mesmo outro destino além de terminar em casamento!
Uma risada coletiva percorreu o público, e até Eduardo não conseguiu conter um sorriso, corando levemente. Leo apertou sua mão com um leve toque.
Fernando continuou, agora com um tom mais suave, mas ainda leve:
— Mas falando sério… é incrível perceber como vocês estão cada vez melhores juntos. Sempre se apoiando, sempre cuidando um do outro, mesmo nos momentos difíceis. Vocês têm uma sintonia que inspira, e é bonito saber que o que começou como amizade, parceria e cumplicidade se transformou em amor verdadeiro.
Ele fez uma pausa, olhando para Leo com um sorriso sincero.
— E, Leo… obrigado. Obrigado por cuidar do meu melhor amigo, por estar ao lado dele nos dias bons e nos complicados também. Nunca vi o Eduardo tão realizado, tão completo, quanto agora, com você. Sério… você o faz feliz de um jeito que a gente só via em filmes, e é emocionante testemunhar isso. E eu sei, com toda a certeza, que ele também te faz feliz.
O olhar de Eduardo se encheu de emoção, e ele apertou a mão de Leo com força, quase sem fôlego. Leo, por sua vez, sorriu levemente, sentindo o coração quase saltar do peito.
Fernando respirou fundo mais uma vez, olhando para os dois com um sorriso cúmplice.
— Então, sem mais delongas… vamos celebrar o que vocês dois já sabem: que foram feitos um para o outro, e que hoje é só o começo de uma vida inteira juntos.
Os convidados aplaudiram, alguns riram, outros já secavam lágrimas de emoção. O clima no sítio se encheu de calor humano, de risadas, de olhares cúmplices, e Eduardo e Leo ficaram ali, de mãos dadas, sentindo que cada momento até aquele dia os havia levado exatamente para aquele momento.
Fernando deu um passo para trás, sorrindo, e anunciou:
— Agora é a hora dos votos. Eduardo, você pode começar.
Eduardo respirou fundo, segurando as mãos de Leo com força. Seus olhos encontraram os dele, e por um instante o mundo inteiro pareceu se resumir àquele espaço, àquela conexão.
— Leo… — começou, a voz firme, mas carregada de emoção — eu nunca imaginei que alguém pudesse me entender tão completamente, me apoiar nos dias bons e nos ruins, e ainda assim me fazer rir até doer a barriga. Você me mostrou que a vida pode ser leve e intensa ao mesmo tempo, que amar alguém não é só querer estar junto, mas também crescer junto. E você é a pessoa que mais me fez crescer e me entender como ser humano.
Ele respirou fundo, tentando conter a emoção que ameaçava a voz.
— Eu prometo estar ao seu lado em todos os momentos, mesmo quando a vida ficar complicada, mesmo quando o mundo tentar nos empurrar para caminhos diferentes. Eu prometo rir com você, chorar com você, lutar por você, e, acima de tudo, te escolher todos os dias, como meu parceiro, meu amor, meu tudo. — Ele fez uma leve pausa, apertando mais as mãos de Leo. — Você é meu garoto feito de sol e terra.
Leo sentiu os olhos arderem, segurando a respiração para não chorar ali mesmo, diante de todos os amigos e familiares. Ele apertou as mãos de Eduardo, quase sem fôlego, e sussurrou:
— Eu te amo…
Eduardo sorriu, um sorriso que era só deles, e Fernando indicou agora Leo.
— E agora, Leo… — disse Fernando, com um brilho divertido nos olhos. — É a sua vez.
Leo engoliu em seco, mas os olhos nunca se desviaram de Eduardo.
— Eduardo… — começou ele, a voz tremendo levemente — Eu poderia passar mil vidas procurando alguém, e ainda assim não encontraria alguém como você. Alguém que me faça sentir tudo que sinto por você. Você me completa de uma forma que eu nem sabia que era possível, e me ensina a ser melhor, só por estar ao seu lado.
Ele fez uma pausa, sentindo o peso e a beleza daquele momento, antes de continuar:
— Prometo te apoiar, te respeitar, te proteger, e te amar, com tudo que eu sou, todos os dias da minha vida. Eu prometo ser seu porto seguro, seu abrigo, e também sua alegria. E, se você me deixar… quero passar toda a minha vida te mostrando o quanto você é amado.
Eduardo, com os olhos cheios de lágrimas, não conseguiu conter a emoção e sorriu de forma radiante. Antes que pudesse dizer algo, Leo, sentindo a intensidade do momento, inclinou-se e o beijou. Um beijo longo, cheio de ternura, de promessa, de amor, que fez os convidados suspirarem e sorrirem, emocionados.
Quando o beijo finalmente terminou, Fernando sorriu e fez um gesto elegante:
— Agora… as alianças, por favor.
E então, um pequeno cortejo aconteceu: Matheus, o sobrinho de Leo, filho de Gustavo, avançava pelo corredor com uma expressão concentrada e cheia de importância, segurando cuidadosamente uma pequena almofada com as alianças. Seus olhos brilhavam de emoção e orgulho, consciente da responsabilidade de ser o portador dos símbolos que uniriam seu tio Leo e tio Eduardo para sempre. Ao passar entre os convidados, ele lançou um sorriso tímido, e todos se encantaram com sua presença, aplaudindo-o.
Ele entregou as alianças.
Eduardo pegou primeiro a aliança de Leo, deslizando-a delicadamente no dedo do noivo, os olhos fixos nos dele, cheios de ternura e emoção contida. Leo, com um sorriso tímido, colocou a aliança de Eduardo em seu dedo, sentindo o peso e a simbologia daquele momento, quase sem acreditar que aquilo era real.
Com as mãos agora adornadas pelas alianças, eles se inclinaram novamente um para o outro, e o beijo que compartilharam foi mais intenso, cheio de promessa, de cumplicidade, de amor que ultrapassava qualquer palavra. Foi um beijo que parecia selar não apenas aquele dia, mas toda a história deles, os reencontros, as dificuldades, os medos, as conquistas, e o caminho que os levou até ali.
Quando finalmente se afastaram, ainda de mãos entrelaçadas, riram suavemente, respirando fundo, deixando que a energia do momento os envolvesse por completo.
O aplauso dos convidados preencheu o espaço, caloroso e emocionado, enquanto Fernando, sorrindo, declarou:
— Senhoras e senhores, é com grande alegria que eu apresento… Eduardo Castilho e Leonardo Souza, oficialmente unidos em casamento!
E naquele instante, entre aplausos, lágrimas e sorrisos, eles souberam que não existia lugar no mundo onde quisessem estar além de ali, juntos, para sempre.
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A cerimônia terminou, mas a energia do sítio parecia elétrica, carregada de alegria. Enquanto os convidados se dirigiam para o espaço reservado para a recepção, risos, abraços e conversas enchiam o ar. Eduardo e Leo ainda estavam de mãos entrelaçadas, o sorriso nos lábios, absorvendo cada detalhe do dia que finalmente se tornava realidade.
Carla aproximou-se com os olhos vermelhos de emoção e segurando discretamente um lenço. Ela suspirou, rindo com um pouco de vergonha:
— Gente… eu precisei de um pacote inteiro de lenços — disse, limpando as lágrimas de felicidade — mas sério, eu estou tão feliz por vocês! Só de pensar em tudo que passaram, todas as dificuldades, os desafios… eu não consigo imaginar final melhor do que esse. Vocês merecem cada instante dessa felicidade.
Eduardo sorriu, apertando a mão de Leo com carinho, e Leo riu, ainda emocionado, dizendo:
— Obrigado, Carla… é incrível ter você aqui.
Nesse momento, Rita se aproximou. Sem hesitar, abraçou o filho com força, murmurando palavras carinhosas. Logo em seguida, estendeu os braços para Eduardo, envolvendo-o em um abraço firme, quase protetor, como se estivesse aceitando oficialmente o novo membro da família. Eduardo retribuiu, sentindo-se acolhido, um calor confortável se espalhando pelo peito.
— Vocês dois… estou tão feliz por vocês! — disse Rita, sorrindo, os olhos brilhando.
Logo, a música começou a tocar mais alto, sinalizando o início da festa. Mesas com comida deliciosa foram rapidamente ocupadas pelos convidados. Risadas e conversas se misturavam ao tilintar de taças e ao aroma das refeições cuidadosamente preparadas.
Alguns convidados começaram a dançar, e logo Eduardo puxou Leo para o centro, rindo enquanto girava o agora marido pelo salão improvisado no gramado do sítio. Leo, rindo também, se deixou levar, sentindo cada passo como uma celebração de tudo o que haviam conquistado juntos.
Mariana, ainda com pétalas de flores nas mãos, ajudava a organizar pequenas brincadeiras e fotos, enquanto Sofia ria com o rapaz que claramente havia conquistado sua atenção. Os padrinhos, amigos e familiares se juntavam aos convidados, todos mergulhados na alegria genuína do momento.
Entre uma dança e outra, Eduardo e Leo se olhavam, sorrindo sem palavras. Cada gesto, cada abraço, cada risada compartilhada confirmava que aquela felicidade não era passageira, era o início de uma vida construída juntos, cheia de cumplicidade, amor e memórias que ninguém poderia apagar.
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A pista de dança estava cheia de risos, música animada e passos improvisados. Eduardo e Leo se moviam juntos, em perfeita sintonia, rindo e girando um ao redor do outro, completamente absorvidos pelo momento. O calor da festa, a música e a alegria dos convidados criavam uma bolha ao redor deles, mas Leo, por um instante, percebeu algo ao longe.
Mais isolada, perto da lateral do salão, estava uma figura que chamava sua atenção: Helena, a mãe de Eduardo. Ela parecia um pouco tímida, observando a festa com um sorriso discreto, mas que revelava emoção. Leo olhou para Eduardo, apontando com a cabeça em direção à mulher, e disse:
— Edu… olha lá.
Eduardo franziu a testa, confuso, e seguiu o olhar de Leo. Quando finalmente viu Helena, o coração dele quase parou por um instante. Ele não esperava que a mãe realmente tivesse vindo, e muito menos que estivesse ali, sozinha, participando de um dia tão importante para ele. A lembrança de que Frederico, seu pai, nunca apoiou aquele relacionamento e que Helena raramente contrariava o marido passou pela sua cabeça em um instante.
Leo apertou sua mão levemente, sorrindo, e disse:
— Vai lá, fala com ela.
Eduardo respirou fundo, tentando organizar os sentimentos mistos que borbulhavam dentro dele, surpresa, nervosismo, alegria e alívio. Ele soltou a mão de Leo por um instante e caminhou em direção à mãe, o coração acelerado.
— Oi, mãe — disse, a voz baixa e um pouco trêmula.
Helena se virou para ele, e o sorriso que iluminou o rosto dela era cheio de amor e orgulho. Sem dizer uma palavra, Eduardo estendeu os braços, e ela se aproximou, abraçando-o forte. O abraço foi longo, silencioso, mas carregado de emoção, transmitindo mais do que qualquer palavra poderia. Naquele momento, Eduardo sentiu que, apesar de tudo, havia finalmente recebido a aprovação silenciosa e o carinho que esperava, e Leo observava de longe, com um sorriso caloroso, sentindo a importância daquele reencontro.
Quando Helena se afastou um pouco, mantendo as mãos de Eduardo nas suas, ele percebeu algo que o fez engolir em seco: os olhos dela estavam marejados. Não eram lágrimas de festa ou de emoção comum, mas aquelas que nascem de sentimentos guardados por anos, de arrependimentos silenciosos e de amor.
— Eduardo… — começou ela, a voz trêmula, quase sussurrada — eu… eu quero te pedir perdão. Por toda a vida ter sido uma mãe tão distante, por não ter estado ao seu lado quando você mais precisava, por não ter dado apoio quando deveria. Eu sinto que falhei contigo…
Eduardo, surpreso, apenas a observou. Nunca esperara ouvir aquelas palavras vindas de Helena, sua mãe sempre tão reservada, tão contida, quase sempre distante. Ele permaneceu em silêncio, sem saber exatamente o que dizer.
— Por favor… — continuou ela, a voz carregada de emoção — eu peço que não odeie o seu pai. Por mais que ele tenha feito escolhas que te feriram, muito do que você conquistou hoje, quase tudo que você tem, todos os recursos, toda a vida boa que construiu, foi também por causa da garra, da força e da determinação dele.
Ela respirou fundo, olhando nos olhos do filho com sinceridade.
— Eu vejo isso em você, Eduardo. Vejo que você puxou isso dele, e é exatamente por isso que eu me apaixonei pelo seu pai tantos anos atrás. Mas a diferença… a grande diferença é que você usou essa força pelo amor, e não pelo poder. Você ama, e usa essa determinação para o bem.
Eduardo olhou para ela, os olhos fixos nos dela, sentindo uma mistura complexa de emoções: surpresa, alívio, ternura e, acima de tudo, uma nova compreensão sobre sua mãe e sua própria história. Pela primeira vez, ele sentiu que Helena o via, de verdade, mesmo com todos os erros e todas as distâncias do passado. E que ela reconhecia a pessoa que ele havia se tornado.
— E… você ter conhecido ele… — Ela aponta com a cabeça na direção de Leo. — Também foi por causa do seu pai.
Eduardo reflete sobre aquelas palavras. Ele nunca tinha parado pra pensar nas coisas dessa forma. De fato, se não fosse a mudança para São Tomás movida por um desejo de ascensão empresarial de Frederico, talvez Eduardo nunca tivesse conhecido o então amor da sua vida. Ele então finalmente falou:
— Eu nunca tinha parado pra pensar desse jeito… e sim, eu sou grato.
Helena sorriu de leve, enxugando discretamente uma lágrima que havia escapado, e segurou a mão dele por um instante, transmitindo carinho silencioso.
Eduardo olhou ao redor da festa, ainda absorvendo as palavras de sua mãe, e viu a família inteira de Leo reunida em uma mesa grande, rindo, brindando e se divertindo juntos. Ele percebeu Leo ali também, no meio da roda, sorrindo de um jeito que fez o peito de Eduardo aquecer. Leo cruzou os olhos com ele e, com um leve aceno e um sorriso cheio de ternura.
Com o coração mais leve, Eduardo se aproximou mais de Helena, pegou sua mão suavemente e disse:
— Mãe, vamos nos juntar a eles.
Helena olhou para ele surpresa, mas sorriu, com os olhos ainda um pouco marejados, e aceitou. Juntos, mãe e filho caminharam até a mesa onde a família de Leo estava reunida.
Ao perceber Helena se aproximando, Rita ergueu os olhos e imediatamente reconheceu a mulher. Um sorriso iluminou seu rosto.
— Helena! Quanto tempo! — exclamou, estendendo a mão em saudação calorosa.
Helena sorriu de volta, um sorriso tímido mas genuíno, e se acomodou ao lado de Rita. O clima na mesa ficou imediatamente mais acolhedor, como se o encontro tivesse conectado duas famílias que, de certa forma, já carregavam lembranças e histórias cruzadas. Eduardo, observando ambas sentadas lado a lado, sentiu uma mistura de alívio e alegria. Pela primeira vez, sentiu que, mesmo com todo o passado conturbado e as ausências, havia espaço para que tudo isso coexistisse de forma harmoniosa.
Leo, sentado à mesa, segurou a mão de Eduardo por baixo do tampo, dando-lhe um apertinho discreto, e Eduardo respondeu com um sorriso cúmplice. Era um momento silencioso, mas cheio de significado: família, amor e aceitação finalmente coexistindo naquele dia perfeito.
◄☼►
Poucos dias depois do casamento, Eduardo e Leo embarcaram para a lua de mel: um cruzeiro luxuoso que cortava águas cristalinas, com o horizonte se estendendo em tons de azul infinito. Para Leo, era a primeira vez em um navio tão grande, e cada detalhe, desde o balanço suave das ondas até o vento fresco no convés, o deixava encantado. Eduardo observava, sorrindo, aproveitando cada expressão de fascínio dele.
Nos primeiros minutos, mal haviam deixado a cabine, e já se pegavam rindo, correndo pelos corredores, explorando cada espaço do navio, como crianças descobrindo um mundo novo.
Ao longo do dia, eles se espalharam pelo cruzeiro como se o navio fosse só deles. Caminhavam sem pressa pelo convés, rindo alto, trocando provocações bobas, disputando quem chegava primeiro a determinados lugares e fingindo empurrões que sempre terminavam em gargalhadas. Leo pagava alguns micos sem querer, como errar o caminho ou quase derrubar a própria bebida. Eduardo não conseguia evitar e acabava rindo até a barriga doer, só para depois ser o alvo quando tropeçava em uma mudança de nível do piso ou se atrapalhava com as portas automáticas. Entre uma brincadeira e outra, roubavam beijos rápidos pelos corredores, no elevador, encostados no parapeito do convés, como se ainda estivessem se redescobrindo.
Mas logo, quando a noite caiu e as luzes do navio refletiam sobre o mar, eles se recolheram para a cabine. O ambiente era aconchegante, com uma varanda que dava para a água escura e silenciosa, e uma cama ampla que parecia convidá-los a esquecer do mundo exterior.
Ali, longe de todos, entregues apenas um ao outro, o amor deles se manifestou em beijos longos e olhares intensos, mãos explorando cada detalhe que já conheciam tão bem. O toque de cada um era ao mesmo tempo familiar e excitante, a intimidade construída ao longo de anos agora celebrada com liberdade e prazer.
Leo se entregou por completo, deixando Eduardo guiar cada movimento com uma mistura de reverência e desejo. Eduardo o tomou com amor, devagar no começo, depois com mais urgência. Chegaram ao ápice juntos, tremendo, ofegantes, abraçados tão forte que parecia que nunca mais iriam se soltar.
Ficaram ali por alguns minutos, ainda entrelaçados, o suor brilhando na pele, a respiração aos poucos se acalmando. Leo foi o primeiro a quebrar o silêncio, a voz rouca e um sorriso tímido nos lábios.
— Edu… — murmurou, traçando círculos preguiçosos no peito dele com a ponta dos dedos.
— Hm?
— Agora… eu quero inverter as coisas — disse, num tom quase casual, mas carregado de intenção.
Eduardo sorriu, rendido, passando a mão pelo rosto dele.
— Eu sou todo seu. À sua disposição, meu amorzinho.
Eles riram, porque às vezes se provocavam justamente assim, usando termos e diminutivos exagerados, como “amor”, “amorzinho”, “meu bem”, palavras que ambos achavam bregas demais para serem ditas de forma séria, mas que acabavam virando piada interna.
— Ah, cala a boca — Leo respondeu, antes de puxá-lo para um beijo demorado, cheio de cumplicidade.
Então, Eduardo se permitiu o luxo de soltar as rédeas por completo. Ele se entregou aos desejos e comandos de Leo, explorando diversas posições que transformaram a cama em um território de descobertas mútuas. Foi maravilhoso sentir a força de Leo assumindo o controle, a firmeza de suas mãos guiando cada movimento enquanto Eduardo experimentava o prazer de ser apenas o destinatário de tanto fervor. Cada ângulo novo, cada troca de olhares enquanto os corpos se encaixavam, trazia uma euforia diferente, provando que a química entre eles era um universo infinito.
Eles fizeram amor inúmeras vezes, entre risos, suspiros e declarações sussurradas, cada momento mais intenso que o anterior. Cada toque, cada beijo, parecia selar ainda mais o compromisso que haviam firmado, transformando o espaço da cabine em um refúgio de paixão e afeto absoluto.
Nos intervalos, apenas se deitavam juntos, abraçados, trocando palavras baixas, confidências, risadas e pequenas provocações, apreciando o calor um do outro enquanto a noite se espalhava pelo oceano. Para Leo, tudo era novo e ao mesmo tempo reconfortante; para Eduardo, tudo aquilo era um lembrete de que a vida que haviam construído juntos, apesar de tudo, valia cada desafio e cada luta enfrentada.
A lua de mel se tornou, assim, uma celebração não apenas do casamento, mas do amor deles em sua forma mais pura: intensa, apaixonada e absolutamente recíproca.
*FIM*
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