Os Garotos Feitos de Aço e Poesia
6 Capítulo 6 — Uma Vida Íntegra
Finalmente, depois de dias pesados de internação e cuidados incessantes, Eduardo se recuperou o suficiente para receber alta. O alívio que pairava no ar era palpável; o peito de Leo parecia mais leve, os ombros relaxaram pela primeira vez em quase uma semana inteira. Eduardo ainda estava frágil, mas caminhava com mais firmeza, apoiado por Leo, cada passo um pequeno triunfo sobre a doença que o havia tomado.
No dia seguinte à alta, a campainha do apartamento tocou. Leo abriu a porta e deu de cara com Fernando, carregando sacolas de comida e uma energia contagiante. Ele sorriu, tentando aliviar a tensão:
— Trouxe algumas coisas… achei que vocês precisavam de uma noite divertida.
Enquanto Leo ajudava a levar tudo para a cozinha, ouviu outro toque na porta. Era Tati, amiga dele, que estava de passagem por Curitiba, como havia avisado dias antes. Ela entrou sorridente, com um olhar travesso e animado, trazendo consigo uma energia leve que parecia contagiar o ambiente.
— Achei que não podia perder a chance de ver vocês — disse Tati, colocando a bolsa no sofá. — E eu trouxe umas coisas também!
A noite se desenrolou entre risadas, histórias e comida espalhada pelo apartamento.
Fernando e Tati ainda não se conheciam, mas rapidamente encontraram uma forma de dialogar, enquanto Eduardo se sentava, recuperando forças, e Leo os observava, satisfeito com o clima que se formava.
Em um momento, Tati se aproximou de Leo, brincando com a situação:
— Você tem sorte, sabia? Ter um namorado rico é vantagem.
Leo revirou os olhos.
— Tati, para com isso… — resmungou, mas não conseguiu evitar um sorriso.
Porém, Tati continuou:
— E eu continuo achando que você merecia uma baita comissão em cima do dinheiro que a Gravità recebeu da campanha da Castilho Agronegócios — disse ela, cruzando os braços com um ar de indignação divertida. — Foi por sua causa que ele contratou a empresa, Leo! Você foi praticamente o responsável por esse lucro.
Leo respirou fundo, tentando controlar o riso. Ele ainda se lembrava perfeitamente de como tudo aconteceu: a forma que Eduardo havia contratado a empresa… apenas para se aproximar dele. A audácia do gesto sempre o deixava com um misto de vergonha e carinho.
— Bom, eu já falei que tô muito feliz por você? — Ela indagou, puxando Leo para um abraço.
Eduardo, ouvindo a conversa, sorriu fraquinho, ainda se sentindo um pouco constrangido, mas feliz pelo apoio de Tati. Leo apenas olhou para ele, segurando a mão dele, e sentiu a gratidão por ter pessoas que realmente apoiavam o que construíam juntos. O passado e as mágoas pareciam, finalmente, se dissipar um pouco naquela noite leve, cheia de risadas, comida boa e presença verdadeira.
◄☼►
Eduardo estava de volta à rotina da Castilho Agronegócios, presencial no escritório pela primeira vez após a recuperação, tentando retomar o ritmo e resolver todas as pendências acumuladas durante sua internação.
O clima era mais leve que os dias anteriores, e ele se sentia quase normal novamente, embora ainda um pouco cansado. Caminhava pelos corredores com segurança, conversando com funcionários, checando relatórios, e gradualmente recuperando o controle sobre o que precisava ser feito.
Foi então que o secretário da presidência o chamou discretamente.
— Senhor Eduardo, o senhor Frederico gostaria de vê-lo em sua sala — disse, sério, sem dar detalhes.
Eduardo arqueou uma sobrancelha. Frederico quase não vinha presencialmente à empresa, e a insistência dele em vê-lo pessoalmente soou estranha. Respirou fundo e seguiu até a sala do pai.
Ao entrar, Frederico fez um gesto firme:
— Feche a porta. Sente-se.
Eduardo obedeceu, curioso e cauteloso, sentando-se na cadeira de frente para o pai. O silêncio que se seguiu foi pesado, carregado de expectativa. Frederico cruzou os braços, fixando-o com um olhar sério, e finalmente falou:
— Eduardo… por favor, pode se preparar para se desligar da empresa e de todos os negócios que estão sob minha gestão.
Os olhos de Eduardo se arregalaram imediatamente, a surpresa tomando conta do rosto.
— O quê? — conseguiu balbuciar. — Por quê?
Frederico inclinou-se ligeiramente, a expressão ainda séria, mas controlada.
— Já conversamos sobre isso no passado. — sua voz era firme, quase didática. — Nossa família precisa seguir uma vida íntegra. Não podemos nos envolver em escândalos que possam manchar o nome Castilho e, consequentemente, os negócios.
A surpresa rapidamente se transformou em fúria contida. Eduardo se levantou, a voz subindo sem que ele percebesse.
— Isso tudo é… por causa do meu namoro? — perguntou, as palavras saindo afiadas, cheias de indignação. — É por isso que você quer me afastar de tudo?
Frederico permaneceu calmo, quase como se esperasse aquela reação. O silêncio voltou por um instante, pesado, antes de ele responder com aquela firmeza que sempre intimidava:
— Você sabe que não podemos permitir que decisões pessoais interfiram no legado da família.
O sangue de Eduardo fervia, e a raiva fazia seu peito doer. Não era apenas a surpresa ou a ameaça profissional; era a sensação de que sua vida pessoal estava sendo controlada, julgada e punida. Ele respirou fundo, tentando controlar o impulso de explodir completamente, mas a indignação estava ali, clara, visível.
Frederico respirou fundo, encarando o filho com aquela mistura de desaprovação e autoridade que sempre carregava.
— Eduardo… não quero que o dinheiro dos meus negócios esteja envolvido em coisas tão indecentes como… esse namoro — disse, com uma frieza que cortava o ar entre eles.
As palavras atingiram Eduardo como uma lâmina. O sangue subiu ao rosto, e a indignação tomou conta de cada músculo do seu corpo. Ele se levantou de vez, a cadeira rangendo sob o movimento, e falou, a voz cheia de raiva:
— Indecentes? — repetiu, os olhos brilhando de fúria. — Você sabe muito bem que eu construí muita coisa aqui, que ajudei a alavancar os negócios da empresa! Não foi apenas você quem fez isso!
Frederico manteve-se imóvel, calmo, mas o silêncio só aumentou a tensão entre eles. Eduardo sentiu a necessidade de se impor, de não deixar que aquela acusação injusta passasse sem resposta.
— Eu coloquei esforço, noites sem dormir, decisões difíceis… tudo para que a Castilho Agronegócios fosse ainda maior! — continuou, respirando fundo, tentando controlar a voz que tremia de raiva e desapontamento. — E agora você me chama de indecente por conta do meu relacionamento?
O ar na sala ficou pesado, carregado de choque e frustração. Frederico apertou os lábios, como se tentasse medir cada palavra antes de falar, enquanto Eduardo permanecia firme, o peito batendo acelerado, os punhos cerrados. Pela primeira vez em muito tempo, ele não estava disposto a se curvar diante do pai.
Frederico inclinou-se levemente para frente, os olhos fixos nos de Eduardo, frios e calculistas.
— Ouça bem, Eduardo — começou, a voz baixa, mas carregada de firmeza e autoridade. — Se você decidir voltar a ser gente… e parar com essa loucura de namorar outro homem, aí sim eu vou considerar sua permanência nos negócios da família.
Eduardo engoliu em seco, a indignação se misturando com choque e incredulidade. O ar parecia mais pesado ao redor deles, como se cada palavra de Frederico tivesse enchido a sala de tensão e opressão.
— E se eu quiser continuar sendo quem eu sou, vivendo minha vida como quero? — Eduardo perguntou, a voz tremendo, mas firme, os punhos cerrados sobre a mesa.
Frederico manteve a postura rígida, os olhos frios como lâminas.
— Então você que se vire. Vá para outra empresa, aprenda a viver sem os recursos da família. Sem privilégios, sem segurança financeira… aprenda a se sustentar sozinho. — Cada palavra parecia uma sentença, calculada para cortar qualquer espaço de negociação.
Eduardo respirou fundo, sentindo o sangue ferver de indignação. O que mais o enfurecia não era apenas a ameaça, mas a audácia de Frederico em tentar reduzir seu direito de amar e viver sua própria vida ao preço de dinheiro ou negócios da família.
— Então é isso? — Eduardo falou, firme, olhando o pai nos olhos. — Ou eu abandono quem está comigo e volto a ser “gente” para você, ou perco tudo?
Frederico permaneceu em silêncio, mas o peso do olhar dele dizia mais do que palavras. Eduardo se levantou, a cadeira rangendo sob o movimento, respirou fundo e sentiu, pela primeira vez, que não poderia recuar.
Ele respirou fundo, sentindo o peso da decisão que precisava tomar. Ele sabia que tinha dinheiro investido e algum respaldo próprio, mas também entendia que, sem a empresa, sem o acesso aos recursos da família, muitas das suas ambições e projetos pessoais ficariam impossíveis. O jogo ali não era apenas sobre orgulho, era sobre sobrevivência e autonomia.
Ele se levantou, andando alguns passos pela sala, mantendo os olhos fixos no pai. A raiva ainda queimava no peito, mas agora havia clareza e estratégia.
— Sabe, pai — começou, a voz firme e controlada, com aquela calma que só se encontra quando se está prestes a dar um xeque-mate — eu entendo sua preocupação com a imagem da família. Mas quer saber? Eu sei de várias falcatruas que você fez por aqui, e que estão documentadas, que certamente mancham mais a imagem de um Castilho do que o fato de eu namorar um cara.
Frederico congelou, o rosto perdendo a compostura rígida por um instante. Os braços cruzados ficaram tensos, o olhar que até então era de total controle agora se desfazia em surpresa e confusão.
— Então… você está me ameaçando? — perguntou, a voz baixa, tentando recuperar a autoridade, mas sem o mesmo peso de antes.
— Não é ameaça — respondeu Eduardo, firme, aproximando-se da mesa com confiança — é só… a realidade. Se você acha que pode controlar minha vida pessoal, saiba que eu também conheço coisas que podem afetar a sua. E acredite, um escândalo envolvendo você seria muito mais prejudicial do que qualquer coisa sobre mim e Leo.
O silêncio caiu pesado novamente. Frederico, que sempre comandara a sala e os negócios com mão de ferro, agora não tinha palavras. Eduardo se manteve firme, respirando com calma, o olhar desafiador, sentindo que, finalmente, estava equilibrando o jogo. Não se curvaria. Não dessa vez. Não de novo.
Eduardo deu um passo à frente, a postura firme, os olhos fixos no pai. Cada palavra agora era medida, calculada para não só se defender, mas mostrar que não estava intimidado.
— Lembra das contas suspeitas que foram desviadas nos contratos da exportação de soja? — começou, a voz fria, mas carregada de convicção. — E as notas frias em algumas negociações internacionais? Sem falar nos acordos que você fez com fornecedores que beneficiaram apenas você…
Frederico endureceu o olhar por um instante, mas Eduardo continuou, sem titubear:
— Eu sei de tudo, pai, e tenho provas. Sei que manipulou documentos, ocultou informações e colocou o legado da família em risco. E ainda assim quer me ensinar a viver “de maneira íntegra”?
O silêncio tomou conta da sala. Frederico, que por anos ditou regras e intimidou a todos ao seu redor, agora parecia engolir em seco, sem palavras. A postura rígida se manteve, mas os olhos, por um breve momento, revelaram derrota.
Finalmente, com um gesto seco da mão, ele disse:
— Saia da minha sala. Agora.
Eduardo permaneceu imóvel por um instante, sentindo o peso daquela frase. Não era uma vitória completa, mas era a primeira vez que o pai recuava diante dele. Sem dizer mais nada, deu meia-volta e saiu da sala, o coração acelerado, mas consciente de que havia estabelecido limites e mostrado que não se curvaria.
Do lado de fora, respirou fundo, tentando organizar os pensamentos e a adrenalina. Sentia uma mistura de alívio, raiva e vitória. Pela primeira vez, ele sabia que havia igualado o jogo, sem abrir mão de quem era e nem de quem amava.
◄☼►
Eduardo chegou ao apartamento exausto. O peso do dia ainda pressionava seus ombros, e a mente estava fervilhando com cada palavra dita e cada gesto do pai. Mas o que mais sentia, naquele instante, era vontade de abraçar Leo, de beijá-lo, de sentir a segurança e o calor dele depois de um dia tão horrível.
O problema era que Leo não estava lá. Ele ainda estava em um dos eventos que fotografava, completamente absorvido pelo trabalho. Eduardo suspirou, jogando-se no sofá, tentando aliviar o estresse de alguma forma, mas sem conseguir relaxar de verdade. O coração dele pulsava com ansiedade, a necessidade de ter Leo por perto apertava o peito.
Duas horas se passaram. Leo finalmente chegou, vindo de um dos eventos. Ele entrou silenciosamente, carregando a câmera no ombro, mas ao ver Eduardo no sofá, a tensão e a saudade apareceram instantaneamente em seu rosto.
Eduardo, sentado, com os olhos fixos na TV, percebeu a chegada de Leo e se levantou rapidamente. Caminhou até ele, encostou um selinho rápido nos lábios de Leo e o envolveu em um abraço forte, quase sufocante de tanta vontade acumulada.
— Ei… o que foi? — perguntou Leo, surpreso, sentindo o calor do corpo de Eduardo e a urgência daquele abraço.
— Senta aqui comigo — Eduardo respondeu, puxando Leo para o sofá. — Eu preciso te contar tudo que aconteceu hoje.
Leo hesitou por um instante, percebendo que havia algo sério, mas confiando na maneira como Eduardo sempre lidava com os momentos delicados. Ele se sentou ao lado dele, e Eduardo segurou a mão dele com firmeza.
E então ele contou. Contou cada detalhe do encontro com Frederico, a pressão, a ameaça de desligamento da empresa, a tentativa de manipulação sobre seu relacionamento com Leo. Eduardo falava de maneira calma, mas firme, e Leo escutava atentamente, absorvendo cada palavra. O relacionamento deles agora era assim: tudo era dito, tudo era compartilhado. Não havia espaço para segredos.
Quando Eduardo terminou de contar, suspirou, o corpo ainda tenso, mas a voz suavizada pelo alívio de ter desabafado:
— E… eu me sinto muito mal pelo jeito que você foi tratado pelo meu pai no hospital. Eu sinto muito.
Leo pegou a mão dele, entrelaçando os dedos com cuidado, e o puxou para mais perto, envolvendo-o em um abraço que dizia mais do que qualquer palavra. A força do toque, a proximidade, o calor compartilhado, tudo isso trouxe conforto imediato.
— Não precisa se sentir mal, Edu — murmurou Leo, a voz baixa contra o cabelo dele. — Eu tô aqui com você. É só isso que importa.
E ali, no sofá, entrelaçados, os dois permaneceram por alguns minutos em silêncio, absorvendo o conforto mútuo, como se aquele abraço pudesse dissolver todo o peso do dia.
◄☼►
No dia seguinte, Eduardo trabalhava de casa, cercado por relatórios e planilhas, tentando retomar o ritmo das decisões e pendências que se acumulavam. Leo estava ao lado, concentrado nas edições de fotos, ajustando cores e enquadramentos, a presença dele trazendo uma calma que Eduardo ainda não sabia como mensurar.
O interfone tocou de repente, interrompendo a concentração de ambos. Eduardo franziu a testa, surpreso, pois não estava esperando visitas.
— Oi? — atendeu o interfone, a voz um pouco desconfiada.
— Olá. O senhor tem uma visita. O nome dela é Helena Castilho — informou a portaria, com aquela formalidade típica. — Ela disse que gostaria de falar com o senhor.
Eduardo piscou, surpreso. Sua mãe quase nunca aparecia, e o fato de que estava ali naquele momento soou estranho. Ele hesitou por um instante, mas decidiu aceitar.
— Ok, pode mandar subir.
Alguns minutos depois, ouviram batidas na porta do apartamento. Eduardo abriu, e lá estava Helena, com um sorriso tímido e sem jeito.
— Eduardo, meu filho… você tá bem? — disse ela, aproximando-se. — Fiquei sabendo só agora que você estava internado.
Foi então que Eduardo percebeu, com uma pontada de incredulidade, que o pai dele nem havia contado à mãe sobre a internação. Um misto de surpresa e leve ressentimento passou por sua mente, mas ele se conteve.
Helena entrou e, ao ver Leo, parou por um instante. O olhar dela se iluminou com reconhecimento, misturado com surpresa e uma ponta de constrangimento.
— Você é… o Leo? — perguntou, a voz vacilante, mas firme.
Leo assentiu, meio sem graça, segurando os olhos dela por alguns segundos antes de desviar levemente.
— Sim.
Helena respirou fundo, como se estivesse tentando organizar pensamentos antigos. Fazia mais de sete anos que não via Leo, e o passado escandaloso envolvendo os dois ainda parecia pairar no ar, embora disfarçado por aquele sorriso cauteloso.
Ela olhou de Leo para Eduardo, levantando uma mão como se apontasse para os dois, os olhos buscando confirmação.
— Então… vocês estão… — começou, a voz baixa, mas firme, sem terminar a frase.
— Namorando? — Eduardo completou, simples, direto, com firmeza e um brilho de orgulho discreto nos olhos. — Sim.
Helena piscou, digerindo a revelação. O sorriso ainda estava lá, mas agora havia surpresa. Ela olhou novamente para Leo, e depois para Eduardo, como se estivesse tentando reconstruir aquela memória antiga e pesada, transformando o choque em curiosidade e cuidado materno.
Enquanto Helena se acomodava no sofá, ainda sorrindo sem jeito e trocando algumas palavras com Eduardo, Leo se afastou um pouco, olhando para o namorado com uma mistura de emoções que mal sabia como nomear. Ele se sentou na poltrona próxima, cruzou os braços e respirou fundo, tentando colocar em ordem os pensamentos.
Ele pensou em tudo que tinha acontecido nos últimos dias: a internação, Frederico tentando controlá-lo, o embate no escritório, as palavras duras e a ameaça de expulsá-lo da empresa. E, no meio de tudo isso, Eduardo havia se mantido firme, havia defendido não só sua própria vida e dignidade, mas também o relacionamento deles.
Leo sentiu o peito se encher de uma admiração silenciosa. Ele não queria que nada fosse tão extremo, não queria que Eduardo precisasse se colocar em posição de confronto com a própria família por causa dele. Mas, ao mesmo tempo, sentia-se profundamente honrado e tocado pelo que Eduardo havia feito.
Ele observou Eduardo conversando com Helena, explicando calmamente como se sentiu durante a internação, e Leo sentiu um orgulho silencioso crescer dentro de si. Cada gesto firme, cada palavra direta do namorado refletia coragem, independência e amor, não apenas por Leo, mas por ele mesmo e por sua própria vida.
Enquanto Helena e Eduardo conversavam, alternando entre assuntos do dia a dia e pequenas preocupações com a saúde dele, o clima no apartamento começou a ficar mais leve. Helena falava com curiosidade sobre viagens, sobre o trabalho de Eduardo, sobre detalhes que Eduardo nem lembrava de ter mencionado antes. Leo apenas observava de canto.
De repente, Helena se virou para Leo, um brilho nostálgico nos olhos, e perguntou:
— E… sua mãe, Leo? Como ela está?
O tom inesperado fez ambos, Leo e Eduardo, congelarem por um instante. Não esperavam que a mãe de Eduardo se dirigisse daquela maneira para Leo. A surpresa se refletiu no olhar de Eduardo, que olhou de Helena para Leo, curioso e ligeiramente surpreso.
Leo respirou fundo, sentindo um leve rubor nas bochechas, e respondeu com um sorriso contido:
— Ela está muito bem — disse, firme, mas caloroso.
Helena assentiu, sorrindo, visivelmente contente com a resposta.
— Fico feliz em ouvir isso. Eu tenho boas lembranças de São Tomás… da fazenda, das visitas que fiz… — disse, e seu olhar se perdeu por um momento em memórias antigas, como se estivesse revivendo aqueles dias com uma certa saudade.
Eduardo e Leo trocaram um olhar rápido, ambos tocados pela sinceridade e pela suavidade daquele momento. Era raro para Eduardo ver Helena tão aberta. A lembrança do passado parecia derreter a rigidez que normalmente cercava suas interações.
Leo se sentiu mais à vontade, percebendo que aquele interesse sincero, ainda que inesperado, era um gesto de abertura da mãe de Eduardo, que finalmente começava a aceitá-lo, mesmo depois de todo o histórico complicado do passado.
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