Notas iniciais
Desculpem-nos a demora, o capítulo mais recente já tinha saído há alguns dias e teve poucos comentários, então decidimos esperar mais para não deixar os leitores atrasados e perdidos na história. Mas finalmente está ai o capítulo, boa leitura.

DIANNA

O silêncio tomou conta do local. Abri os olhos, tendo consciência de que aquilo poderia ser o meu fim. Mas graças aos deuses, não foi. A sala estava sem nenhum sinal de monstro. Medusa tinha ido embora, mas disse algo antes de ir. ''Se não vamos ter vocês por bem, teremos que pega-los por mal'' é claro, eles sem dúvidas estariam planejando algo para nos capturar mais tarde. Talvez ela tivesse ido buscar reforços.

– Certo, abram os olhos. — Falei, respirando fundo. — O jogo de cabra-cega já terminou.

Os outros ainda estavam desconfiados. Percebi isso pelo modo que aos poucos foram abrindo os olhos, como se ainda temessem que Medusa estivesse lá. Lucy já estava com os olhos abertos e sobressaltados, mirando a estátua de pedra do pai de Ethan. O garoto ainda estava sentado no sofá quando o monstro apareceu, então ele apenas abriu os olhos e voltou a chorar silenciosamente sobre o que antes fora seu pai.

– Não podemos perder tempo, Medusa certamente foi chamar seu exército de monstros. — Estralei os dedos e fitei cada um dos jovens. — Vamos partir para Manhattan imediatamente.

Rapidamente, começamos a nos preparar. Alastor, Lara, Ethan e Adam estavam do lado de fora da casa treinando entre si e fazendo vigia. Connor, Lucy e Charlie estavam na cozinha colocando alimentos como biscoito e chocolate numa sacola para levar durante a viagem.

Eu estava sozinha na sala, exceto por Collin.

– Você está bem? — O garoto caminhou até mim. Graciosamente tirei os cabelos cor-de-areia de sua testa e dei-lhe um meio sorriso.

– Ser uma líder não é tão fácil como imaginei. — Respondi.

– Eu sempre vivi com minha vó e Grayer naquela fazenda. — Disse ele subitamente. — Minha mãe passava a maior parte do tempo lá exceto nos solstícios ou quando precisava resolver algo no Olimpo. A primavera sempre era uma data especial: minha meia-irmã, Perséfone, ia até lá, experimentando o pouco de sua liberdade que lhe é dada.

– Quer dizer que... você nunca lidou com monstros e coisas do tipo? — Perguntei, franzindo a testa.

– Não, nunca tive esse problema. — Collin deu um passo a frente, com o rosto quase colado ao meu. — Ficar naquela fazenda me privou de fazer muitas coisas.

– Como enfrentar monstros, ter amigos... — Respondi.

– E fazer isso. — Subitamente, Collin colocou seus lábios nos meus. Por instinto, tive vontade de recuar, mas não o fiz. Senti suas mãos tocarem as minhas e nossos dedos se entrelaçarem. Um fogo reluzente se espalhou em meu corpo. Eu nunca tinha sido beijada.

– Hã-hã. — Pigarreou alguém atrás de mim.

No mesmo instante, empurrei Collin para trás e recuei alguns passos. Joguei minha trança para trás e franzi a testa.

– Qual é, garoto? — Berrei, fingindo estar brava. — Perdeu o juízo? Nunca mais faça isso.

Não esperei para ver a reação de Collin, virei-me para onde tinha vindo o som e avistei Connor apoiado no batente da porta da cozinha e as cabeças de Lucy e Charlie logo atrás tentando ver o que estava acontecendo.

– Já está tudo pronto? — Perguntei, ainda pensando se os três tinham visto o beijo. Engoli em seco e afastei a ideia da minha mente.

Connor assentiu, vindo com uma sacola na mão. Charlie foi atrás. Lucy, ao passar por mim, disse:

– Você está corada, Dianna. — E com um risinho, se afastou.

Logo após essa cena constrangedora, todos nós fomos para fora, onde o sabichão e o garoto-neve estavam tendo uma briga de espada, e o casal de pombinhos idiotas permaneciam sentados na grama do jardim da casa, conversando.

– A tarefa de vocês era vigiar e não bater papo. — Adverti, enquanto transformava minha lança em um pincel e o colocava no bolso de trás da minha calça jeans. – Garoto-neve, está com o dinheiro?

Ethan assentiu, tirando do bolso alguns dólares que serviriam para comprar nossas passagens.

A estação de trem de Miami não ficava muito longe dali, então nossa caminhada até lá foi rápida.

Em menos de 10 minutos compramos a passagem e já estávamos na plataforma aguardando pelo trem. Foram 2 minutos até sua chegada, e então embarcamos. Já era aproximadamente 21h, então o trem estava praticamente vazio, o que garantiu assentos para todos.

Collin sentou do meu lado direito, enquanto Connor ficou do lado esquerdo. Através da janela, vi o sol se pondo, pronto para dar lugar a lua. Mais um dia estava indo embora. Só sobrariam dois.

No dois bancos da frente estavam Charlie, Adam, Lucy e Ethan respectivamente. No fundo do vagão estavam Alastor e Lara, próximos de um casal de idosos.

De repente, ouvi uma voz suave se espalhar pelo local. Ergui os olhos e notei Charlie estralando os dedos enquanto seus lábios — que eram particularmente grandes — se mexiam, produzindo um canto suave. O refrão dizia:

''Porque dizem que o lar é onde o coração se grava em pedra

É onde você vai quando está sozinho

É onde você vai para descansar seus ossos

Não é só onde você encosta sua cabeça

Não é só onde você faz a sua cama

Contanto que estejamos juntos, importa aonde vamos?''

Naquele momento, refleti a respeito da letra da música. Ela tinha razão. As coisas na minha mente começaram a ficar mais claras. Contanto que estejamos juntos, importa aonde vamos? O lar é onde o coração se grava em pedra.

Nós sempre tivemos um lar. O coração de todos nós juntos formavam um lar. Nós éramos nossa própria casa, contanto que estivéssemos juntos.

Mas provavelmente naquela instante em diante não estaríamos. O trem freou com violência, levando-nos para frente, o que nos fez cair um sobre o outro. Levantei a cabeça e vi o casal de idosos se levantaram num pulo, e aos poucos, suas verdadeiras faces se revelaram.

Estávamos presos num trem com duas manticoras.

Notas finais
Coloquei a letra da música em português, pois como eles são americanas, ficaria estranho eles terem falas em português na história e a letra da música for inglês. Mas enfim, a música se chama ''Home'' e pertence a Gabrielle Aplin. Tomara que tenham gostado do capítulo. A fic está próxima ao fim, então digam: o que esperam para os próximos capítulos?