Os Filhos de Fenrir

71 Renesmee- Os filhos de Fenrir


O silêncio tranquilo do quarto era quebrado apenas pelo som suave da respiração da minha filha. Nos meus braços, Nala Black estava aninhada, pequena e frágil, mas com uma força que eu podia sentir desde o momento em que a segurei pela primeira vez. Seus olhos ainda fechados, o rosto sereno, e aqueles fios ruivos macios como seda, idênticos aos meus. A pele dela, com o mesmo tom suave e bronzeado, era o reflexo da minha própria. A emoção que eu sentia era indescritível. Eu não conseguia tirar os olhos dela, fascinada por cada pequeno detalhe. Eu sabia que minha vida havia mudado para sempre.

A porta do quarto se abriu e Jacob entrou, apressado, com a respiração um pouco ofegante.

— Eu vim o mais depressa que pude — disse ele, a voz embargada de emoção, enquanto se aproximava da cama.

Sorri para ele, sentindo a felicidade transbordar de mim enquanto continuava a amamentar Nala.

— E chegou na hora certa — respondi, olhando para a nossa filha. — Jacob, quero te apresentar Nala Black.

Ele se aproximou com cuidado, seus olhos fixos na bebê. Quando finalmente a viu, um sorriso largo e emocionado se espalhou pelo rosto dele. Com delicadeza, ele se inclinou e beijou minha testa, depois olhou de novo para a filha, os olhos brilhando com lágrimas contidas.

— Ela é… perfeita, Nessie — Jacob murmurou, ainda surpreso, admirando cada detalhe da pequena Nala.

Eu o observava, sentindo um calor no peito, uma mistura de alegria e paz ao ver o homem que eu amava contemplar a nossa filha.

— Parece comigo, não acha? — brinquei suavemente, ainda maravilhada com a semelhança entre nós.

Jacob riu baixinho, assentindo.

— Sim, igualzinha a você… — Ele olhou para o cabelo ruivo e riu de leve. — Mas acho que ela tem um toque meu também. Talvez no temperamento.

Sorri, sabendo que ele estava certo. Não havia como prever, mas eu já sentia que nossa filha seria forte, determinada, e com o espírito livre que Jacob sempre teve.

— Quer segurá-la? — perguntei, oferecendo a pequena Nala.

Jacob hesitou por um segundo, claramente emocionado, antes de estender os braços com cuidado. Com a maior delicadeza, ele pegou Nala nos braços, como se ela fosse a coisa mais preciosa do mundo. Ele olhou para ela com uma reverência que eu nunca tinha visto antes, como se tudo ao redor tivesse desaparecido, restando apenas eles dois naquele momento.

— Seja bem-vinda, Nala Black — Jacob disse baixinho, a voz embargada, enquanto acariciava a bochecha macia da nossa filha.

Fiquei observando aquela cena, meu coração acelerado e cheio de amor. Ver Jacob com nossa filha nos braços, tão protetor e ao mesmo tempo tão vulnerável, era algo que eu nunca esqueceria. A emoção que me tomou foi avassaladora — um misto de felicidade, orgulho e uma sensação de que, de alguma forma, o mundo agora estava completo.

Tempos depois...

A paz havia retornado a Niflheim, mas todos sabiam que os Asgardheins ainda não estavam satisfeitos com a última derrota. Apesar da ausência de guerra, a tensão pairava no ar como uma sombra. Nala já estava com alguns meses de vida, e a felicidade que eu e Jacob compartilhávamos era evidente em cada risada, em cada momento que passávamos juntos como família. No entanto, hoje, deixei nossa pequena sob os cuidados de Kamy e Fay, confiando que elas cuidariam dela tão bem quanto eu faria.

— Eu tenho uma surpresa para você — Jacob disse, um brilho travesso nos olhos.

— Onde vamos? — perguntei, curiosa.

— Precisamos nos ausentar da aldeia por algumas horas. Confie em mim. — Ele piscou, e com isso, nos transformamos em lobos.

A sensação de liberdade ao correr pela floresta me fez sentir viva. O ar frio cortava meu rosto, e a neve sob minhas patas se acumulava em suaves flocos, formando um tapete branco que refletia a luz do sol, criando um cenário mágico. Jacob corria à minha frente, suas pernas longas e musculosas avançando com agilidade, enquanto eu o seguia, admirando a beleza ao meu redor.

A floresta era um espetáculo. As árvores, cobertas de neve, pareciam imensas, e os galhos pesados se inclinavam levemente sob o peso do frio. Cada movimento meu deixava uma marca na neve fresca, e a sensação de estar em harmonia com a natureza me fazia sentir parte de algo maior.

— Por que estamos indo para as montanhas? — perguntei mentalmente, já ansiosa pela resposta.

— É uma surpresa — Jacob respondeu, sua voz ressoando em minha mente, calorosa e reconfortante. — Mas você precisa confiar em mim.

Ele parou seus passos, e a expressão de seu focinho se tornou suave e carinhosa. Ele se aproximou e passou o focinho em meu pêlo, e não pude evitar sorrir. Era um gesto que me fazia sentir segura, como se estivesse cercada por um amor protetor.

— Tudo bem, eu confio em você — respondi, sentindo meu coração acelerar com a expectativa.

Jacob virou-se e continuou a correr, e eu o segui de perto, sentindo a adrenalina da corrida pulsar em minhas veias. Após alguns minutos, avistamos uma gruta escondida entre as rochas das montanhas. A entrada era estreita, mas a curiosidade me empurrou para dentro.

Assim que adentrei a gruta, fui recebida por um espetáculo deslumbrante. As paredes eram cobertas de cristais que refletiam a luz que entrava pela entrada, criando um caleidoscópio de cores que dançavam ao nosso redor. Os cristais brilhavam em tons de azul, verde e roxo, como se o próprio arco-íris tivesse se alojado ali.

— Uau! — sussurrei, maravilhada.

— Eu sabia que você ia gostar — Jacob respondeu, seus olhos brilhando de felicidade ao me ver tão impressionada.

— É lindo! Como você encontrou este lugar?

— Um amigo me contou sobre ele — ele explicou, olhando ao redor com a mesma admiração que eu. — Queria que você visse isso. É especial, assim como você.

Sorrindo, deixei que a beleza do lugar me envolvesse. A paz e a tranquilidade ali dentro eram palpáveis. Sentia que este lugar era um refúgio, um espaço apenas nosso, onde as preocupações do mundo exterior não poderiam nos alcançar.

— É perfeito, Jake. Obrigada por trazer-me aqui — disse, passando o focinho por seu ombro, um gesto de afeto que eu sabia que ele apreciava.

Ele se virou para mim, e a conexão que compartilhávamos era forte, um laço inquebrável que não poderia ser rompido, não importa o que acontecesse lá fora. E ali, em meio aos cristais e à magia da natureza, percebi que o amor que nutríamos um pelo outro só se tornaria mais profundo com o tempo.

Assim que chegamos ao centro da gruta, onde os cristais brilhavam mais intensamente, Jacob e eu nos transformamos de volta em nossas formas humanas. O ar estava fresco e a sensação de estar no meio de um lugar tão sagrado me envolvia com uma paz indescritível. No entanto, uma presença surgiu de repente, quebrando a tranquilidade, mas não trazendo medo.

Um grande lobo surgiu da escuridão. Seu porte era imenso, majestoso, com um olhar que emanava sabedoria e poder. Eu já o havia visto antes, em visões e histórias antigas. Era o grande Fenrir.

Jacob sorriu ao vê-lo e disse:

— Fenrir.

O lobo gigante se aproximou, seus passos pesados ecoando pela gruta. Ele nos olhou, e senti seu poder e sua ancestralidade vibrando no ar ao nosso redor. Fenrir, o grande deus-lobo, estava diante de nós. Eu mal conseguia respirar com a grandiosidade daquele momento.

— Meus filhos — a voz grave de Fenrir ecoou em nossas mentes, poderosa, como o rugido de uma tempestade distante. — A união de vocês me traz grande satisfação. Vocês são a nova força de Niflheim, e eu vejo em vocês o futuro da nossa terra.

Jacob apertou minha mão, seus olhos cheios de emoção e reverência.

— O caminho à frente será longo e cheio de desafios — Fenrir continuou. — Muitas guerras ainda virão, e seus inimigos serão poderosos. Mas agora vocês têm descendentes fortes para proteger Niflheim.

Senti um arrepio percorrer minha espinha enquanto Fenrir falava. A menção aos desafios futuros me fez lembrar que, mesmo em tempos de paz, o perigo sempre espreitava. Mas ao mesmo tempo, suas palavras sobre descendentes fortes me encheram de esperança. Eu pensava em Nala, nossa pequena, e no futuro que estávamos construindo.

— Vocês terão uma velhice feliz, e sua passagem para o outro lado será tranquila — disse Fenrir, seu olhar penetrante pousando sobre mim e Jacob. — Eu os abençoo, meus filhos. A linhagem de vocês será eterna, e Niflheim prosperará sob sua proteção.

Fenrir se inclinou, aproximando-se mais de nós. Suas palavras soavam como uma promessa, uma garantia de que estávamos no caminho certo. Então, com um último olhar, ele desapareceu como se nunca tivesse estado ali, deixando a gruta em um silêncio profundo e sagrado.

Jacob virou-se para mim, seus olhos fixos nos meus, brilhando com uma intensidade que só ele tinha.

— Eu te amo, Nessie. E vou te amar por toda a eternidade — ele disse, sua voz baixa e cheia de emoção.

Meu coração acelerou com suas palavras. Senti o amor dele me envolver como um cobertor quente, e naquele momento, não havia mais dúvidas ou incertezas. Ele era meu, e eu era dele, para sempre.

— Eu também te amo, Jacob, para sempre — respondi, com a voz trêmula de emoção.

Nos aproximamos um do outro, e nossos lábios se encontraram em um beijo longo e apaixonado. Era como se o mundo ao nosso redor desaparecesse, e tudo o que restasse fosse o amor que compartilhávamos. Um amor abençoado por Fenrir, forte como as montanhas e eterno como as estrelas.

E naquele momento, enquanto estávamos envolvidos em nosso beijo, percebi que, não importa quais desafios estivessem por vir, enquanto estivéssemos juntos, afinal de contas éramos os filhos de Fenrir.

FIM

Notas finais
Obrigada a todos que acompanharam essa história. Obrigada pelos comentários e recomendações. Nos vemos nas demais histórias desse casal que amo.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!