Os Filhos de Fenrir
57 Renesmee- O encontro com o conselho ( Parte 1)
Notas iniciais
O dia seguinte amanheceu frio, como se a própria terra de Niflheim estivesse se preparando para o que estava por vir. Eu estava bem, fisicamente, pelo menos. O ombro mal doía mais, mas algo dentro de mim apertava. Jacob havia solicitado uma reunião com o Conselho da tribo, e, embora soubesse o motivo, não conseguia afastar o medo do que eu encontraria lá.
— Estamos prontos — disse Emmett, sério, enquanto ajudava Rana com o casaco. Meu irmão não parecia tão à vontade quanto de costume, e isso só aumentava minha preocupação.
Olhei para meus filhos. Fenrir estava calmo, mas Fay parecia inquieta. Ela sempre foi a mais sensível às mudanças ao redor.
— Eu também estou pronta — disse, mais para mim mesma do que para os outros.
Nós caminhamos até a casa de Ephraim. Jacob já estava lá, parado na frente com uma postura imponente, mas seus olhos amoleceram no momento em que viu Fenrir e Fay correrem em sua direção. Era incrível como ele os havia conquistado em tão pouco tempo. Uma parte de mim se ressentia por isso, mas outra parte... uma parte que eu lutava para ignorar, se sentia aliviada.
Me aproximei, de mãos dadas com Rana, tentando manter o foco. Jacob sorriu para mim, e meu coração disparou como se estivesse tentando me trair. Respirei fundo, mantendo uma expressão fechada. Seu sorriso desapareceu quando percebeu, e ele desviou o olhar, claramente frustrado.
— Emmett — disse ele, estendendo a mão para meu irmão. — Rana, bom vê-los.
— Jake — respondeu Emmett, apertando a mão dele com firmeza.
Rana apenas assentiu, silenciosa.
Jacob se virou para mim, seu olhar voltando ao sério, como se tentasse me ler.
— Eles estão esperando por você, Nessie. — Ele então se dirigiu aos outros. — Vocês três, aguardem aqui fora. Chamarei quando for necessário.
Eu assenti em silêncio, sentindo o peso das expectativas nas palavras dele. Entrei na casa de Ephraim ao lado de Jacob, o cheiro familiar de madeira e ervas secas me inundando com memórias da infância. O velho Ephraim estava sentado ao centro, seu olhar terno me envolvendo. Aquele era o mesmo olhar que ele me lançava quando eu era apenas uma garotinha, correndo entre os anciãos.
— Seja bem-vinda, filha — disse Billy, sentado ao lado de Ephraim. Sua voz soou como uma mistura de alívio e saudade.
— Obrigada — respondi, com um pequeno aceno de cabeça, mas meus olhos se fixaram em outra parte da sala. Os Alteara estavam ali, lado a lado. Meu rosto endureceu ao vê-los. Havia outros presentes, rostos que eu não reconhecia, mas os Alteara... eles sempre seriam um ponto sensível.
O silêncio se instalou por alguns segundos, até que Ephraim falou com a voz grave que sempre demandava atenção.
— Renesmee, por que abandonou o alpha? — Sua pergunta foi direta, e senti o peso de todos os olhares sobre mim.
Respirei fundo, mantendo meu olhar firme. Não podia hesitar agora.
— Apenas segui o desejo do grande Deus Fenrir — comecei. — Se eu não tivesse partido, meus filhos teriam morrido. Eu vi o que o futuro reservava, e não havia outra escolha.
Ephraim me observou por um longo momento antes de inclinar a cabeça, como se já soubesse do que eu estava falando.
— Estou ciente do que aconteceu com os primeiros descendentes do alpha — disse ele, e seu olhar se voltou para Jacob.
Jacob deu um passo à frente, sua presença dominando o espaço.
— Renesmee é minha esposa legítima. O único casamento abençoado por Fenrir e por você, Ephraim. Ela me deu um filho homem, Fenrir, que quando estiver pronto ocupará o lugar que lhe é devido. — Jacob se virou para os anciãos. — Peço ao Conselho que devolva a Renesmee seu lugar de Beta e permita que seu irmão, filho de Bells Swan, e sua irmã sejam aceitos na tribo.
O silêncio foi quebrado por um dos anciãos, sua voz alta e clara ecoando pela sala.
— E Kiara Alteara? — ele perguntou, com um tom desafiador. — Ela é a Beta, o alpha lhe deu esse direito quando a desposou.
Outro ancião, mais velho ainda, sorriu e se inclinou para a frente, como se estivesse se divertindo com a situação.
— Alteara segundo — começou, dirigindo-se a um dos membros do clã. — Você conhece bem os crimes de sua descendente. Tem sido benevolente até então, mas talvez isso tenha ido longe demais. Os Alteara têm usado as leis a seu favor, buscando assumir um poder que nunca será deles. O grande Deus Fenrir os castigou quando protegeu os filhos do alpha e os devolveu a nós adultos. Pela primeira vez, assuma as rédeas de seu clã.
A tensão na sala aumentou, e eu me preparei para o que estava por vir.
O ancião Alteara manteve-se em silêncio, seus olhos baixos, sem fazer qualquer comentário. O ar na sala parecia pesar, até que Billy Black, sempre com sua presença imponente, desviou o olhar para mim, sua voz firme quebrando o silêncio.
— Este conselho cometeu muitas injustiças nos últimos dezesseis anos — começou ele, cada palavra carregada de significado. — Vocês acreditaram que, por ter sangue de Asgardheim, Renesmee não era digna de estar entre nós. No entanto, o líder maior é supremo, e deu a ela o alpha. Deu a ela um dos seus filhos mais amados, um dos poucos com quem ele se comunica. Na história de toda a existência, apenas Ephraim Black teve essa regalia. E agora, ela foi dada a Jacob Fenrir Black.
Eu senti meu coração acelerar. Aquelas palavras, embora verdadeiras, traziam consigo uma carga pesada. Eram acusações que eu mesma carregava comigo, mas, dessa vez, eram ditas em voz alta, diante de todos. Não podia ficar calada.
— Eu gostaria de falar. — Interrompi, com um tom firme que nem eu sabia que possuía naquele momento.
Billy fez um leve gesto com a cabeça, indicando que eu tinha a palavra.
— Vi o grande Deus Fenrir assim que retornei — comecei, observando a expressão de surpresa que se espalhava pelo rosto de todos no conselho. Sussurros atravessaram a sala, e o murmúrio crescente entre os membros do conselho era inconfundível. Até Jacob me olhava com uma surpresa genuína.
— Tem certeza do que está dizendo? — ele perguntou, a voz cautelosa, mas com um toque de curiosidade.
Antes que eu pudesse responder, uma risada alta e sarcástica ecoou pela sala, chamando a atenção de todos. Um dos Alteara, Caleb, que estava no canto da sala, inclinou-se para frente, rindo ainda mais.
— Blasfêmia! — exclamou ele. — Uma sangue sujo jamais veria Fenrir. Isso é uma mentira descarada!
O silêncio na sala explodiu de repente com a fúria de Jacob. Em um movimento rápido, ele avançou sobre Caleb, segurando-o pelo pescoço com uma força que fez o ancião se calar instantaneamente.
— Retire o que disse — rosnou Jacob, seu tom grave e baixo, mas ameaçador o suficiente para que todos na sala soubessem que ele não estava brincando.
Eu imediatamente me aproximei, tentando acalmar Jacob antes que ele cometesse algo do qual pudesse se arrepender.
— Jake, por favor, não faça isso — pedi, colocando uma mão em seu braço. Senti os músculos dele tremerem sob meus dedos.
— Filho, solte-o — ordenou Billy, com a autoridade de um pai e líder.
Jacob hesitou por um segundo, mas então, com um último olhar de desprezo para Caleb, soltou-o. O ancião caiu de joelhos, ofegante, enquanto Jacob o encarava, sem desviar o olhar.
Um homem que eu não conhecia se levantou lentamente, revelando sua idade avançada, mas com uma postura firme.
— Sou Harry Clearwater — disse o velho, sua voz tão forte quanto sua presença. Ele se aproximou de mim, seus olhos gentis, mas curiosos. — O que você viu, Renesmee?
Eu respirei fundo, sentindo todos os olhares novamente voltarem para mim. Mesmo Jacob parecia curioso, seus olhos presos nos meus enquanto eu revivia aquele momento.
— Quando retornei, vi Jacob em sua forma de lobo — comecei, a voz mais tranquila agora, enquanto mergulhava nas lembranças. — Ele estava diferente, mais imponente, mais forte. E então, de repente, senti como se o tempo tivesse parado. Havia uma conexão... algo profundo que eu nunca havia sentido antes. Fenrir estava lá, sua forma de lobo, imponente. Eu sabia, naquele momento, que Jacob era o meu destino. O grande Deus o escolheu para mim, e a conexão entre nós foi restaurada, mais forte do que nunca. Naquele momento a voz dele explodiu com o próprio Fenrir reafirmando o laço que sempre existiu entre nós. Foi mais que um simples reencontro... foi o imprinting.
Jacob me olhava fixamente, seus olhos se suavizando ao ouvir minhas palavras. Um sorriso lento começou a se formar em seus lábios, como se finalmente estivesse entendendo algo que antes lhe escapava.
— Eu sabia que havia algo diferente — murmurou ele, olhando para mim com um brilho nos olhos. — Mas você estava conseguindo esconder isso de mim.
Eu desviei o olhar, sentindo minhas bochechas esquentarem. Tinha tentado ao máximo esconder isso dele, não estava pronta para que ele soubesse, para que ele entendesse.
Harry Clearwater, ao ouvir meu relato, balançou a cabeça em concordância, voltando-se para os outros membros do conselho.
— A esposa do alpha não está mentindo — disse ele, com a voz forte e convicta. — O grande Deus Fenrir a escolheu, e isso não pode ser contestado.
O silêncio que se seguiu foi diferente de antes. Não era de dúvida ou desprezo, mas de aceitação. O conselho sabia que não havia como contestar a verdade, e o peso daquela revelação pairava sobre todos nós.
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