Os Filhos de Fenrir

26 Renesmee- Frustração


Nos últimos três mesas, depois da perda do bebê, as coisas haviam voltado ao normal, pelo menos superficialmente. A dor ainda estava ali, em algum lugar, mas, segundo Ephraim, aquela perda havia sido um teste de Fenrir, e eu deveria confiar no grande deus. As palavras dele ecoavam em minha mente de tempos em tempos, especialmente nos momentos em que a saudade do filho que não cheguei a conhecer apertava mais.

Jacob movia-se dentro de mim de uma forma prazerosa, minhas pernas envolveram a cintura dele e eu arranhei suas costas fechando os olhos enquanto ouvia seis gemidos em meu ouvido.

— Eu amo você Ness, amo foder você meu amor...ele gemeu girando na cama e deixou meu corpo sobre o dele.

Me sentei sobre ele e apoiei as mãos em seu peitoral duro rebolando e joguei a cabeça para trás, as mãos dele apertaram minha cintura ditando o ritmo que meu corpo se movimentava sobre o dele subindo e descendo de forma rápida

— Jake eu te amo— Gemj sentindo meu corpo estremecer sobre o dele.

— Ahh, Ness...ele gemeu apertando minha cintura e liberou seu líquido dentro de mim. Meu corpo desabou sobre o dele e eu sorri sobre seu peito.

Agora, eu estava nos braços de Jacob, sentindo seu corpo quente ao meu redor, depois de passarmos algumas horas fazendo amor. Ele me abraçava com firmeza, mas com uma ternura que só ele tinha.

— Talvez já tenhamos um novo bebê a caminho — disse Jacob, quebrando o silêncio, sua voz cheia de esperança. Eu ri, de leve, e o encarei.

— Precisamos esperar, Jake. Ainda é cedo pra saber. — Eu sorri para ele, vendo o brilho de expectativa nos seus olhos.

Ele suspirou e beijou minha testa. — Eu sei... Mas, mesmo que demore, não quero te pressionar. Sei como ficamos frustrados da última vez, e não quero passar por isso de novo. O importante é que estamos juntos, e vai acontecer no tempo certo.

— No tempo de Fenrir. — Repeti as palavras que tantas vezes me acalmavam quando sentia que o peso de tudo era demais. Jacob assentiu, concordando.

— Exato. — Ele acariciou meu rosto com carinho, seus dedos deslizando pela minha pele, enquanto um pequeno sorriso se formava em seus lábios. — E quando acontecer, vai ser no momento perfeito, como tudo o que Fenrir planeja.

Jacob suspirou e se mexeu, começando a se levantar. — Preciso ir. A matilha vai fazer uma ronda perto do acampamento das mulheres.

Franzi o cenho, preocupada. — Algum problema por lá?

— Não, é só uma ronda de rotina. Preciso checar se está tudo certo, nada demais.

Ele se vestiu rapidamente, sua postura firme e decidida como sempre, mas ainda carregava o carinho de cada gesto. Antes de sair, ele se inclinou para mim e selou nossos lábios num beijo suave e doce.

— Te amo, Ness. — Ele disse, seus olhos encontrando os meus com aquela intensidade que sempre me fazia sentir amada.

— Também te amo, Jake. — Respondi, meu coração se aquecendo com o amor que compartilhávamos.

Ele saiu, e eu suspirei, voltando a deitar na cama, sozinha agora. Acariciei levemente a minha barriga, pensando na possibilidade que começava a se formar em minha mente. Já fazia um tempo que eu não sangrava, e a esperança de que talvez um novo bebê estivesse crescendo dentro de mim florescia, mesmo que eu soubesse que precisava esperar um pouco mais antes de dar a notícia a Jacob.

Deitei a cabeça no travesseiro, ainda sorrindo ao pensar no futuro que poderia estar mais perto do que imaginávamos.

Acordei cedo na manhã seguinte. O sol mal havia despontado no horizonte, mas eu já estava de pé, pronta para cumprir minhas tarefas matinais. Vesti-me rapidamente, ainda sentindo o calor reconfortante do cobertor, e saí de casa. O ar fresco da manhã me fez respirar fundo, e comecei a caminhar pelo vilarejo, como fazia todos os dias.

Algo, no entanto, parecia diferente. Havia uma movimentação estranha, algo nos olhares e murmúrios das mulheres que passavam por mim. Elas nunca me aceitaram completamente, pelo menos não algumas delas, e hoje os sussurros pareciam mais intensos. Tentei ignorar, focando no que precisava fazer, mas o incômodo estava lá, no fundo da minha mente.

Quando cheguei à tenda onde sempre tomávamos café da manhã, estranhei ainda mais a cena. A mesa já estava posta, e para minha surpresa, vi Kiara sentada ali, servindo-se de uma xícara de chá. Franzi o cenho, lembrando que Sarah havia mencionado que ela deveria estar no acampamento das mulheres. Algo não batia.

— Bom dia, Kiara — cumprimentei, tentando não demonstrar minha confusão.

Ela sorriu para mim, com uma doçura habitual. — Bom dia, Nessie. — Respondeu com naturalidade, como se sua presença ali fosse completamente normal.

— Estou surpresa em te ver. Achei que já estivesse no acampamento. — Falei, enquanto me aproximava da mesa e me sentava.

— Pediram para que eu ficasse mais um pouco. — Disse, oferecendo-me uma xícara de chá. — Um pouco de chá para começar o dia?

Assenti, aceitando a bebida. Peguei a xícara e dei um gole, sentindo o sabor familiar e reconfortante.

— Sentirei falta do seu chá quando você for — comentei, tentando trazer leveza à conversa, mas no fundo sentia o nó apertando em meu peito.

Kiara sorriu, quase tímida. — Eu já te ensinei a fazer, Nessie. Não é difícil.

— Sim, você ensinou... — suspirei. — Mas nunca fica com o mesmo sabor.

Ela riu suavemente, e por um momento, senti uma amizade genuína ali. No entanto, a realidade sempre voltava à tona como uma sombra sobre nós.

— Preciso ir agora. — Disse Kiara, se levantando da mesa. — Minha família me chamou para uma conversa. Talvez seja a despedida final antes de eu ir para o acampamento.

Assenti, observando-a se afastar. — Que tudo corra bem, Kiara.

Ela sorriu de volta antes de sair da tenda, e eu fiquei ali, sozinha, segurando a xícara de chá entre as mãos. Meu coração apertou. A presença dela ali, tão calma e gentil, não deveria me incomodar, mas a verdade era que incomodava. Sabia que, se eu não conseguisse dar filhos a Jacob, Kiara teria essa missão. A aldeia já tinha sua decisão e, por mais que tentasse evitar pensar nisso, a realidade me cercava a cada olhar que recebia.

Suspirei, deixando o chá esfriar na xícara. Não sabia se estava pronta para enfrentar essa situação.

Passei o dia me ocupando com as tarefas diárias ao lado das outras mulheres da aldeia. Dividimos o trabalho como de costume, mas havia algo diferente no ar, uma sensação estranha que pairava entre nós. As conversas eram mais curtas, os olhares evitavam se cruzar, como se estivessem escondendo algo de mim. Eu tentei ignorar, focando no que havia por fazer, mas o incômodo crescia a cada minuto.

Durante o almoço, notei a ausência de Jacob. Isso não era comum, e me preocupou. Perguntei a Sarah se ela sabia onde ele estava, e ela mencionou que os lobos haviam se reunido com Ephraim para uma reunião importante. A explicação me tranquilizou um pouco, mas ainda assim, algo dentro de mim não estava bem.

Já era final de tarde quando, finalmente, as tarefas foram concluídas. As mulheres se despediram, cansadas, e eu estava prestes a fazer o mesmo quando senti uma forte dor no abdômen. Parei imediatamente, colocando uma mão na barriga enquanto me sentava em um banco de pedra próximo.

Sarah, que estava por perto, veio até mim com o rosto cheio de preocupação.

— Nessie, o que houve? — perguntou, se abaixando ao meu lado.

Antes que eu pudesse responder, senti um arrepio passar por todo meu corpo e percebi, com horror, que estava sangrando de novo. As lágrimas brotaram instantaneamente, enquanto a sensação de perda me envolvia mais uma vez.

— Não... — murmurei, o choro já sufocando minha voz. — Não de novo...

Sarah me amparou, abraçando-me com firmeza, tentando me consolar.

— Querida, calma. — Sua voz era suave, mas carregava a seriedade da situação. — Seu corpo precisa de tempo. Você precisa dar um descanso para si mesma antes de tentar de novo.

Eu apenas assenti, sem conseguir parar de chorar. Sabia que ela estava certa. Eu estava mais magra, sem cor, e meu corpo parecia estar me dizendo o que minha mente teimava em ignorar. Não era o momento certo.

— Nessie, você precisa se cuidar. — Sarah me olhou com doçura, mas também com firmeza. — Se não der esse tempo ao seu corpo, ele não vai conseguir suportar outra tentativa.

Antes que eu pudesse responder, ouvi passos e, ao levantar os olhos, vi Jacob se aproximando. Assim que me viu chorando, correu em minha direção, claramente preocupado.

— O que aconteceu? — Ele se abaixou ao meu lado, seus olhos passando de mim para Sarah, em busca de respostas.

Eu não consegui falar. Apenas encarei Sarah, esperando que ela explicasse por mim. Ela suspirou levemente, olhando para o filho.

— Nessie... Ela anseia muito pela gravidez, Jake. E isso está deixando tudo mais difícil. — Sarah falou suavemente, escolhendo as palavras com cuidado.

Jacob me olhou com ternura, seus olhos suavizando ao entender o que estava acontecendo. Ele sorriu timidamente, como se quisesse me consolar sem tornar a situação ainda mais pesada.

— Vamos para casa, Nessie. — Sua voz era calma e reconfortante. — Você precisa descansar.

Ele se abaixou e me pegou nos braços com cuidado, como se eu fosse algo frágil que ele temia quebrar. Encostei minha cabeça em seu peito, sentindo seu coração bater forte e constante, e deixei que ele me carregasse pelo vilarejo.

Enquanto caminhávamos, eu não conseguia parar de pensar no que Sarah havia dito. Talvez eu estivesse forçando demais, ansiando tanto por um filho que meu corpo simplesmente não estava preparado. Jacob apertou sua mão em volta de mim, como se soubesse o que eu estava pensando, e me beijou suavemente no topo da cabeça.

— Vai ficar tudo bem, Nessie. — Ele sussurrou, com uma confiança que eu queria tanto ter também.

Deixei escapar um suspiro, fechando os olhos enquanto seguíamos em direção à nossa casa.