Os Filhos de Fenrir
67 Renesmee- A prece
Notas iniciais
A guerra era real agora. Em poucas horas, todos nós estaríamos lutando por Niflheim, por nossas famílias, por nossa terra. Sentada diante da grande fogueira, observando os membros da tribo dançando, uma mistura de emoções me invadiu. Medo, por pensar na possibilidade de perder Jacob naquela batalha, e esperança, de que, de alguma forma, tudo ficasse bem.
Ao meu lado, todas as Betas das diferentes tribos de Niflheim estavam reunidas. O brilho das chamas dançava nos olhos delas, mas meus pensamentos estavam em outro lugar. Meus olhos se encontraram com os de Jacob do outro lado da fogueira. Ele me encarou por alguns segundos, e senti um aperto no peito. Dividida entre o amor que ainda o tinha e a mágoa que carregava, não sabia como lidar com aquilo.
Claire, que estava sentada ao meu lado, notou minha inquietação.
— Ainda não se acertou com ele, não é? — perguntou ela, sua voz suave, mas firme.
Suspirei, balançando a cabeça negativamente. — Não... — respondi. — Ainda há tanto entre nós, Claire. E com a guerra chegando, sinto que tudo se tornou ainda mais difícil.
Claire me olhou de forma compreensiva e disse: — Todos estamos vivendo tempos difíceis, Nessie. Mas se o grande Alpha for para a guerra feliz por ter feito as pazes com sua Beta, todos terão mais chances de vitória.
As palavras dela me atingiram com força, e não pude deixar de sorrir. Mas havia um medo profundo em mim, um medo de que Jacob achasse que eu só o estava perdoando por causa da guerra.
— E se ele pensar que estou fazendo isso só por causa da batalha? — perguntei, um pouco insegura.
Claire balançou a cabeça com confiança. — Ele não pensará nisso. Confie em mim. Aliás, aí vem ele.
Olhei para frente, e meu coração deu um salto quando vi Jacob se aproximando. Ele parou diante de mim, seu olhar intenso, mas suave.
— Luna, aceitaria dançar comigo? — perguntou ele, sua voz cheia de emoção e respeito.
Olhei para Claire, que me lançou um olhar de incentivo, como se dissesse “não perca essa chance”. Respirei fundo e respondi com um sorriso suave:
— Seria uma honra.
Jacob segurou minha mão com delicadeza e me conduziu até o centro da roda de dançarinos. Quando começamos a dançar, eu sentia o calor de sua presença e a força de seu toque. Estávamos tão próximos, e, ao mesmo tempo, ainda distantes. Mas enquanto dançávamos, nossas conversas fluíam. Falamos sobre nós dois, sobre as dores que compartilhávamos, e também sobre o que poderia ser diferente.
Eu não sabia exatamente quando, mas de repente percebi que os lábios de Jacob estavam junto aos meus, num beijo suave e profundo. Senti naquele instante que o perdão que ele buscava e o amor que ainda existia em mim estavam prontos para encontrar seu caminho de volta. Quando nos afastamos, eu soube que era o momento de dar uma nova oportunidade a ele. Depois da guerra, talvez, pudéssemos viver nosso amor sem as barreiras que construímos.
Jacob abriu a boca para falar algo, mas antes que pudesse dizer qualquer palavra, toquei suavemente seus lábios com meus dedos, impedindo-o de falar. — Não agora... — sussurrei, não queria que acontecesse ali, isso merecia um momento especial, só nosso.
Ele assentiu, compreendendo o que eu queria dizer, e me puxou mais perto por um breve instante antes de nos separarmos. Voltei para o grupo das Betas, e todas me sorriram, sabendo o que havia acontecido. Dei um leve sorriso, ainda sentindo o calor do momento, e disse:
— Acho que vou me ausentar um pouco... tenho alguns assuntos pessoais para resolver.
Claire sorriu e piscou para mim. Eu retribuí com um olhar de cumplicidade.
Caminhei em meio aos moradores, sentindo uma leveza que não havia experimentado há muito tempo. Sorri para todos que encontrei, cumprimentando-os com um aceno ou um olhar gentil. Ao me aproximar de Fay, vi que ela estava conversando com Kamy, Seth e Fenrir. Fenrir, que parecia estar num mundo à parte, veio em minha direção e me abraçou.
Beijei o rosto dele e sussurrei: — Tenho um favor para pedir a vocês.
Todos me olharam, curiosos, esperando que eu dissesse mais.
Expliquei meu pedido para Fay, Kamy, Seth e Fenrir. À medida que as palavras saíam da minha boca, vi os sorrisos iluminando seus rostos, especialmente o de Fay e Kamy, que pareciam mais aliviadas e felizes do que eu esperava.
— Então, vocês se acertaram? — Kamy perguntou, com os olhos brilhando de animação.
Assenti com um sorriso. — Sim, finalmente. Ainda temos muito para conversar, mas... já demos o primeiro passo.
Fay se aproximou e me abraçou forte. — Estou tão feliz por vocês, mãe. Isso significa muito para todos nós.
Kamy concordou. — Sempre soubemos que vocês ainda se amavam. Era só uma questão de tempo. Tenho certeza de que tudo vai ficar bem depois da guerra.
Antes que eu pudesse responder, Fenrir, que até então estava quieto, olhou para as irmãs com uma expressão de determinação.
— Tenho um plano — disse ele, atraindo a atenção de todos. — Mas vou explicar para vocês duas depois. Acho que vão gostar.
— Um plano? — Seth arqueou uma sobrancelha, curioso.
— Vai ser algo para garantir que nossos pais tenham sua noite — Fenrir respondeu com um olhar misterioso. — Depois conversamos, agora precisamos deixar nossa mãe respirar um pouco.
Eles se afastaram, discutindo o tal plano de Fenrir, e eu os observei com um sorriso no rosto. Era bom vê-los unidos e, de certa forma, prontos para o que estava por vir.
Continuei circulando pela festa, cumprimentando as pessoas com um aceno e palavras gentis, mas, em algum momento, decidi que era hora de partir. Sair sem ser notada era o que eu precisava, e o momento para isso parecia perfeito. Aos poucos, me distanciei da multidão, caminhando na direção de nossa casa.
Assim que entrei, fechei a porta atrás de mim e suspirei, sentindo o peso do silêncio. Caminhei até a janela e olhei para a lua nova que brilhava suavemente no céu. A luz prateada parecia quase mágica, e ali, naquele momento de solidão, fiz uma prece ao Deus Fenrir.
— Proteja todos os deus filhos durante essa guerra — murmurei, minhas mãos pousadas sobre o parapeito da janela. — Que eles voltem para casa em segurança.
O silêncio tomou conta de mim, e perdi a noção do tempo enquanto observava a lua. A brisa suave que entrava pela janela parecia sussurrar algo, mas meus pensamentos estavam longe, presos na incerteza do futuro.
De repente, o som suave da porta se abrindo atrás de mim me trouxe de volta à realidade. Virei meu corpo lentamente e me encostei na mesa ao ver Jacob entrar. Ele estava com uma expressão séria, mas havia algo nos olhos dele que dizia mais do que palavras.
Ele começou a se aproximar, e sua voz saiu num sussurro rouco. — Nessie...
Mas antes que ele pudesse continuar, levantei minha mão, interrompendo-o.
— Eu não posso deixar você ir para a guerra sem que tenhamos essa noite, Jake.
Nossos olhares se encontraram, e senti a intensidade crescer entre nós. Dei alguns passos à frente, me aproximando mais e mais até estar a poucos centímetros dele. E então, sem dizer mais nada, me inclinei para frente e o beijei.
A princípio, o toque foi suave, mas rapidamente se transformou em algo mais profundo e apaixonado, como se todo o tempo que estivemos distantes se dissolvesse naquele momento. Era um beijo de despedida, de amor, de desejo e, acima de tudo, de reconciliação.
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