O sol nascia timidamente no horizonte, seus primeiros raios rompendo a escuridão da noite e iluminando as montanhas de Niflheim com um brilho dourado. A neve cintilava como diamantes sob a luz suave da manhã, enquanto o acampamento de *Lysvärn* despertava lentamente para um novo dia.

Lysvärn era o lar das lobas de Niflheim, um lugar isolado e protegido, onde as mulheres-lobas viviam sob a tutela das parceiras dos Alphas. O acampamento estava situado em um vale profundo, cercado por montanhas e florestas densas que ofereciam tanto abrigo quanto isolamento. O caminho até Lysvärn era conhecido apenas pelos membros da matilha, e nenhum estranho jamais ousou se aventurar por aquelas terras. O silêncio ali era sagrado, quebrado apenas pelo som suave das águas de um riacho que cortava o vale, e pelos cânticos matinais das lobas, que reverenciavam os espíritos de seus ancestrais.

As cabanas de madeira, simples mas resistentes, estavam dispostas em um círculo perfeito ao redor de uma grande clareira central. No centro dessa clareira, erguia-se uma fogueira que nunca se apagava, um símbolo da chama eterna que as mantinha unidas. Era em torno dessa fogueira que as lobas se reuniam todas as noites, partilhando histórias, cantando canções antigas e mantendo vivas as tradições que haviam sido passadas de geração em geração.

As líderes de Lysvärn, as parceiras dos Alphas, eram as guardiãs desse lugar. Marta, a parceira de Ephraim, era uma mulher de postura firme e olhar penetrante, cuja presença inspirava tanto respeito quanto temor. Ela era conhecida por sua sabedoria e por ser a principal responsável por ensinar às jovens lobas as artes da sobrevivência e da luta, além dos antigos ritos que regiam suas vidas.

Sarah, a parceira de Billy, era diferente. Mais suave em sua abordagem, mas não menos poderosa, ela era uma figura materna para as jovens lobas, cuidando de suas feridas e oferecendo conforto nas noites mais escuras. Sua habilidade em curar, tanto o corpo quanto o espírito, era reconhecida e admirada por todas. Ela também era conhecida por sua paciência e seu coração generoso, sempre pronta a ouvir e aconselhar aquelas que buscavam sua orientação.

Alisson, a parceira de Joshua Ulley, era uma guerreira de coração, e sua paixão ardente pela batalha era igualada apenas por sua lealdade à matilha. Ela era a mais jovem das três, mas sua habilidade em combate era lendária. Responsável pelo treinamento físico das lobas, Alisson não poupava esforços para garantir que cada uma delas estivesse pronta para enfrentar qualquer ameaça que surgisse. Seus métodos eram duros, mas eficazes, e ela tinha o respeito de todas as lobas, jovens e velhas.

Em Lysvärn, as lobas eram preparadas desde cedo para suas responsabilidades dentro da matilha. Aprendiam a caçar, a lutar e a proteger suas terras, mas também eram ensinadas a manter o equilíbrio entre sua natureza selvagem e seu papel como futuras parceiras dos lobos. Contudo, uma regra se destacava entre todas as outras: era absolutamente proibido que qualquer loba tivesse contato com os lobos da matilha até a chegada da 16ª lua nova após sua transformação, o momento em que os lobos sem parceiras poderiam buscar sua impressão.

Essa era uma tradição sagrada, respeitada por todos. As lobas viviam em isolamento quase total, seus dias preenchidos com treinamentos, rituais e os deveres que lhes cabiam. Mas havia um ar de expectativa que pairava sobre o acampamento, uma tensão silenciosa que aumentava à medida que a lua nova se aproximava. Para as jovens lobas, esse momento era tanto temido quanto aguardado, pois era quando o destino de suas vidas seria selado.

O crepitar da fogueira era o único som que rompia o silêncio denso de Lysvärn naquela noite. As sombras das chamas dançavam nas paredes das cabanas e refletiam nos rostos ansiosos das jovens lobas, que aguardavam, com os corações acelerados, o anúncio que mudaria suas vidas para sempre. A lua cheia, alta no céu, iluminava a clareira, banhando tudo com sua luz prateada. Eu estava sentada ao lado de Claire Yong, a única que se importava comigo e que sempre me tratou como uma delas, mesmo sabendo de onde eu vinha.

— Está ansiosa, Nessie? — sussurrou Claire, enquanto seus olhos acompanhavam o movimento das figuras que se aproximavam da fogueira.

Antes que eu pudesse responder, Marta, Sarah e Alisson, as três figuras mais importantes entre as mulheres-lobas, surgiram do outro lado da fogueira, imponentes e serenas. O murmúrio entre as jovens foi imediatamente silenciado. Sarah, com sua habitual gentileza, ergueu a mão, pedindo que todas permanecessem quietas. Sua voz era suave, mas carregava uma autoridade inquestionável.

— Minhas queridas, o momento que todas aguardam chegou. A 16ª lua nova se aproxima, e com ela, a passagem para a idade adulta. — Ela fez uma pausa, seus olhos percorrendo cada uma de nós, até que finalmente assentiu para Alisson, que deu um passo à frente.

— A partir dessa lua, vocês não serão mais apenas lobas, mas também companheiras em potencial para os Alphas de nossa matilha. Ser escolhida como a Beta de um Alpha é tanto uma honra quanto uma responsabilidade. — A voz de Alisson era firme, cortante como uma lâmina. — Vocês foram treinadas para isso desde o momento em que puseram os pés neste acampamento. Não é apenas uma questão de força física, mas de lealdade, sabedoria e coragem. Um Beta não é apenas uma parceira; ela é a conselheira, a guerreira ao lado do Alpha, e a mãe dos futuros líderes de nossa matilha. Vocês deverão ser o escudo e a espada de seus Alphas, e eles, por sua vez, devem ser dignos de sua obediência e respeito. Estejam preparadas, pois em três dias, os futuros Alphas estarão à espera de vocês em seu acampamento. E lembrem-se de tudo o que aprenderam. Não há espaço para fraquezas. Vocês devem ser impecáveis.

Marta, que até então mantinha-se em silêncio, tomou a palavra. Sua voz era mais suave, mas carregava o peso da responsabilidade que todas sentíamos em nossos ombros.

— Vocês têm três dias para se preparar. Os Alphas escolherão suas Betas, e as escolhidas terão o dever de honrar a posição para a qual foram designadas. Vocês sabem o que isso significa. Vocês sabem o que isso exige. Não se esqueçam de que o destino de Niflheim depende de cada uma de vocês.

Eu senti um arrepio percorrer minha espinha. O peso do que estava por vir me oprimia como uma montanha sobre meus ombros. Suspirei, tentando acalmar o turbilhão de pensamentos que me atormentava. Claire, percebendo meu desconforto, virou-se para mim e sussurrou:

— Você está bem, Nessie?

Eu a encarei por um momento, meu coração pesado, e finalmente deixei escapar as palavras que vinham me atormentando há dias.

— Eu não quero ir ao acampamento dos lobos.

Os olhos de Claire se arregalaram em surpresa.

— Você tá maluca? — sibilou ela, sua voz carregada de incredulidade.

— Claire, eu sei o que vai acontecer. Nenhum deles vai olhar para mim. — Minha voz falhou, e eu me obriguei a continuar. — Eu sei o que sou. Meu sangue é metade Odin, e isso nunca vai mudar. Sou uma pária para eles.

Antes que Claire pudesse responder, os olhos atentos de Sarah pousaram sobre nós. Ela sabia que algo se passava e, mesmo à distância, seu olhar era o suficiente para nos fazer calar. Com sua voz firme, ela reforçou a ordem que já havia sido dada.

— Todas vocês deverão estar prontas em três luas. Sem exceção.

Engoli em seco, sentindo a pressão aumentar ainda mais. O futuro parecia mais incerto e assustador do que nunca. Eu sabia que não havia como escapar do que estava por vir, mas o medo do que me aguardava crescia a cada batida do meu coração. E, por mais que Claire tentasse me tranquilizar, a verdade era que eu estava apavorada com o que o destino reservava para mim.