Os Filhos de Fenrir
50 Jacob- O retorno da Luna
Eu estava em pé diante da nova matilha, os rostos jovens e ansiosos me encaravam, prontos para ouvir as palavras que marcariam sua aceitação como membros plenos da tribo. O sol se punha, lançando um brilho dourado sobre todos nós. O ar estava carregado de expectativa.
— Hoje, vocês se juntam a nós — comecei, minha voz firme e clara. — Esta não é apenas uma cerimônia. É uma promessa. Uma promessa de proteção, lealdade e força. Aqui, vocês não são apenas lobos; vocês são parte de algo maior. Uma matilha que se apoia em cada um de seus membros, que luta juntos, que chora juntos e que celebra juntos.
Pude ver a intensidade em seus olhos enquanto eles absorviam minhas palavras.
— Vocês aprenderão que a força não vem apenas do poder físico, mas da união e do amor que temos uns pelos outros. Lembrem-se de que cada um de vocês tem um papel a desempenhar. Ser um lobo não é apenas ter garras e dentes; é ter coragem no coração e sabedoria na mente.
Terminei meu discurso, e um grito de celebração irrompeu entre os presentes. Sorrisos se espalharam, e a euforia tomou conta do ar.
O pequeno Josh, com seus nove anos, correu até mim, seus olhos brilhando com alegria.
— Papai! — ele gritou, pulando em meus braços.
— E aí meu garoto — disse, apertando-o contra mim. O amor que sentia por ele e por Kamy era a luz que iluminava os dias mais sombrios.
Enquanto a festa começava, observei Kamy dançando com Jason, um sorriso de felicidade em seu rosto. A cena era reconfortante, mas ao mesmo tempo, uma sombra de preocupação passou pela minha mente. Em breve, Jason não seria apenas um amigo para Kamy; ele se tornaria seu lobo, e eu sabia que perderia minha filha para o amor.
Mas não importava. O que importava era que estávamos juntos, que nossa matilha estava forte, e que estávamos prontos para enfrentar qualquer desafio que o futuro nos reservasse. A música ecoava e a alegria envolvia a todos, e naquele momento, eu escolhi focar no presente, aproveitando cada segundo ao lado da minha família e do meu povo.
Enquanto dançávamos, com a música envolvendo nossos corpos, olhei para o grupo de mulheres reunidas. Kiara e Karin estavam entre elas, e a lembrança do passado me assaltou. O que Kiara havia feito nunca seria esquecido por mim, embora o povo parecesse ter deixado isso para trás. Em silêncio, eu havia procurado por Renesmee, mas todas as minhas buscas haviam sido em vão. Com o avanço dos Asgardheim, percebi que aquelas esperanças se esvaíram. Nessie era uma memória que me acompanhava, e eu não sabia se estava segura.
Karin, com um sorriso suave, se aproximou.
— Você dança muito bem, meu Alpha — disse, seus olhos brilhando sob a luz da festa.
— Obrigado, Karin. É bom estar aqui com você e com nossa matilha — respondi, tentando deixar as preocupações de lado.
Ela olhou para mim com um toque de tristeza.
— Você sabe, Josh sente falta de um irmão. Ele nunca mais me procurou como mulher.
Senti um aperto no peito ao ouvir isso.
— As responsabilidades que carrego são enormes, Karin. Não posso pensar em nada além da guerra neste momento. Precisamos estar preparados.
Ela assentiu, mas a expressão em seu rosto mostrava que entendia, mesmo que não concordasse.
— Eu só queria que ele tivesse um pouco mais do que apenas isso. Um dia normal, uma infância completa.
Nesse momento, Jeremy se aproximou, interrompendo nosso momento.
— Jacob! — chamou ele, com um olhar sério. — Precisamos conversar em particular.
Fui imediatamente alertado por sua expressão.
— O que aconteceu?
— Recebi uma mensagem da matilha dos Ulley. Uma nova matilha desconhecida entrou nas terras de Niflheim — informou ele.
— Reúna a matilha — ordenei, com a voz firme. — Partiremos imediatamente.
Karin ficou observando enquanto eu seguia Jeremy, sentindo a pressão da responsabilidade mais uma vez. O futuro da nossa tribo dependia de nossas ações agora, e a guerra estava se aproximando.
Enquanto corríamos pela floresta, o som das folhas sob nossos pés era como um canto de guerra. A adrenalina pulsava em minhas veias, e os pensamentos de cada um de nós se entrelaçavam.
O que será que estamos enfrentando? — pensei, sentindo a tensão no ar.
— Acredito que é melhor manter os novatos na aldeia por enquanto — disse Jeremy, ofegante. — Não sabemos o que esses Ulley estão tramando.
— Concordo. Não podemos nos arriscar — respondi. A cada passo, o cheiro se tornava mais intenso e diferente.
— Esperem! — gritou Jason, parando abruptamente. — Sinto algo... não são lobos conhecidos.
Devemos ser cautelosos. — pensei, sentindo a responsabilidade como Alpha.
Apertei o passo, e logo avistamos quatro lobos surgindo entre as árvores. Um deles, de pelos vermelhos, parecia mais uma raposa gigante.
— O que é isso? Uma raposa ou um lobo? — Jeremy não conseguiu resistir a uma piada, mas o tom sério da situação não permitiu risos.
— Mantenham a posição — disse, minha voz firme. Voltei à forma humana, sentindo que era hora de mostrar que éramos os verdadeiros defensores daquelas terras. — Garota, quem são vocês? O que fazem em nossas terras?
A menina, que estava sobre o lobo de pelos vermelhos, olhou para mim com um semblante curioso. Então, desceu das costas do lobo e disparou para a floresta, enquanto o coração de Jacob parava ao vê-la retornar.
Não pode ser...
— Nessie? — sussurrei, a incredulidade tomando conta de mim.
O mundo ao nosso redor parecia desaparecer, e tudo o que eu conseguia ver era ela, a única lembrança que ainda aquecia meu coração.
— Nessie... — murmurei, ainda tentando processar a visão dela diante de mim. A beleza que sempre lembrava, agora misturada à força e à determinação. Era minha Nessie, os anos haviam a deixado ainda mais linda.
— Jake... — ela respondeu, seu olhar se iluminando. — É bom ver você.
Dois lobos correram para a floresta e retornaram, e meu coração parou ao ver um garoto se colocar ao lado de Nessie.
— É ele, mãe? — perguntou o garoto, olhando para mim com uma mistura de curiosidade e esperança.
— Claro que sim— respondeu a garota mais velha ao lado deles, sorrindo. — Ele é igual a você, Fenrir.
A menção ao nome do Deus fez meu coração disparar. A ligação era mais profunda do que eu imaginava.
— Fenrir... — repeti, olhando para o garoto.
Nessie assentiu, um sorriso emocionado nos lábios.
— Esses são Fenrir e Fay, — disse ela, com um brilho nos olhos. — Seus filhos, Jake.
A revelação atingiu-me como um golpe. Era uma mistura de alegria e dor, um lembrete do que havia perdido e do que ainda poderia ter.
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