Os Filhos de Fenrir
2 Especial- A batalha dos reinos
A lua cheia reinava soberana no céu, lançando sua luz prateada sobre o campo de batalha, onde a paisagem era dominada por um cenário desolador e aterrador. A neve, outrora pura e imaculada, estava agora manchada de vermelho, com o gelo refletindo o sangue derramado em uma dança macabra de vida e morte. Cada floco de neve que caía parecia se tornar um fragmento do conflito, absorvendo a dor e o desespero que se espalhavam por todos os lados.
O ar estava carregado com o cheiro metálico de sangue e o som ensurdecedor de aço contra aço. O impacto das espadas ecoava como trovões entre as montanhas, enquanto gritos de dor e grunhidos de esforço se misturavam ao lamento do vento gélido que cortava a pele como uma lâmina invisível. Era um cenário onde a esperança parecia não ter lugar, sufocada pelo peso da guerra que se desenrolava implacavelmente.Em meio a esse caos, os dois reinos ancestrais de Niflheim e Asgardheim estavam envolvidos em um confronto que não deixava espaço para misericórdia. De um lado, os descendentes de Fenrir, os lobos imponentes de Niflheim, lutavam com uma ferocidade inigualável, cada movimento carregado com a força e a selvageria herdadas de seu ancestral lupino. Suas garras e presas eram armas tão letais quanto as espadas que empunhavam, e seus olhos brilhavam com um ódio profundo, nascido da necessidade de proteger suas terras sagradas. Niflheim, com suas montanhas majestosas e vales ocultos, era um território impregnado de mistério e poder, temido por muitos, mas desejado por aqueles que cobiçavam o que não podiam ter. As florestas ancestrais, que antes guardavam silêncio absoluto, agora eram testemunhas de um conflito que as transformava em um campo de morte. Os Filhos de Fenrir, conhecidos por sua capacidade de se transformarem em lobos imensos e invencíveis, eram tanto protetores quanto amaldiçoados por essa dádiva, que agora usavam em uma batalha desesperada para manter intacto o legado de seu povo. Do outro lado do conflito, os guerreiros de Asgardheim, os descendentes dos deuses, lutavam com um fervor inabalável. Filhos de Odin, sua ambição era tão vasta quanto o próprio céu que os cobria. Eles vinham de um reino de luz celestial e glórias divinas, e sua força era temperada com a crença de que estavam destinados a conquistar, a subjugar e a governar. A cobiça por Niflheim, com suas riquezas ocultas e poder ancestral, os levou a desencadear essa guerra sem precedentes, onde cada golpe de suas espadas era um passo a mais em direção ao objetivo de submeter os lobos e tomar para si as terras sagradas que tanto desejavam. A batalha que se desenrolava não era apenas uma luta por território, mas uma disputa entre o selvagem e o divino, entre o instinto primal e a ambição celestial. E enquanto o gelo e o sangue se misturavam sob a luz fria da lua cheia, o destino de ambos os reinos pendia na balança, prestes a ser decidido pelo poder brutal e pela força da vontade de seus combatentes. Asgardheim estava decidido a tomar para si as terras congeladas e misteriosas de Niflheim, onde os Filhos de Fenrir, com sua habilidade de se transformar em lobos imensos e poderosos, guardavam segredos antigos e uma força temida por todos. Os guerreiros de ambos os lados lutavam com a fúria de seus ancestrais, e o campo de batalha ressoava com o eco das lendas. Entre os guerreiros de Niflheim estava Bells, uma mulher-loba descendente direta de Fenrir. Seus olhos brilhavam com a ferocidade de seu sangue ancestral, e sua forma lupina, imensa e majestosa, aterrorizava os inimigos. No entanto, seu coração carregava um segredo sombrio, um amor proibido que, se revelado, poderia significar sua ruína. Bells havia se apaixonado por Edward, um humano descendente de Odin, inimigo jurado de seu povo. Apesar das leis e das tradições que os separavam, o amor entre eles floresceu como uma chama no meio do caos, queimando intensamente, mas fadado a consumir tudo ao seu redor. Na escuridão da guerra, os dois se encontravam em segredo, tentando proteger um ao outro da inevitável destruição. Naquele dia fatídico, enquanto a batalha rugia ao redor, Bells e Edward lutavam não apenas contra os inimigos, mas contra o destino cruel que parecia determinado a separá-los. Bells, em sua forma lupina, atacava os guerreiros de Asgardheim com a força que só os descendentes de Fenrir possuíam, enquanto Edward, com sua espada brilhando sob a luz da lua, defendia sua amada com uma fúria que desafiava até mesmo os deuses. Mas o destino, implacável como sempre, não os pouparia. No calor da batalha, Bells foi gravemente ferida, uma lança perfurando seu flanco, e Edward, desesperado, correu para protegê-la. Mas os deuses não mostraram misericórdia; ele também foi atingido, sua vida esvaindo-se rapidamente. Em seus últimos momentos juntos, Edward segurou a mão de Bells, seus olhares se encontrando uma última vez enquanto a vida se esvaía deles. — Você precisa salvá-la, Bells – Edward sussurrou, sua voz fraca, mas determinada. – Salve nossa filha. Bells, sentindo suas forças diminuírem, olhou para o horizonte onde as colinas nevadas de Niflheim se erguiam como testemunhas silenciosas de seu amor proibido. Ela sabia que não sobreviveria, mas sua filha... ela tinha que sobreviver.
Com a última força que lhe restava, Bells se arrastou para fora da batalha, carregando nos braços a pequena Nessie, sua filha, fruto de um amor condenado. Ela sabia que não poderia contar com ninguém mais além de Ephraim, o Alpha dos Filhos de Fenrir, um lobo cujos olhos revelavam uma sabedoria antiga e uma bondade raramente vista em sua espécie. Quando Bells finalmente encontrou Ephraim, ele estava no alto de uma colina, observando a batalha com olhos severos. Ao vê-la se aproximar, seu olhar endureceu, mas quando viu a criança em seus braços, uma expressão de choque passou brevemente por seu rosto. — Bells, o que você fez? – sua voz era grave, cheia de uma autoridade que não admitia questionamentos. — Por favor, Ephraim... – Bells sussurrou, sua voz fraca enquanto se ajoelhava diante dele. – Ela é minha filha... e a de Edward. Ela tem o sangue dos dois... Salve-a, por favor... mostre misericórdia. Ephraim, com sua postura rígida e seus olhos brilhando sob a luz da lua, olhou para a criança. Ela era pequena, frágil, mas ele podia sentir o poder latente dentro dela, uma combinação perigosa do sangue de Fenrir e de Odin. Era uma criança que nunca deveria ter existido, uma ameaça ao equilíbrio de seus mundos. Mas também era uma criança inocente. O Alpha ficou em silêncio por um momento que pareceu uma eternidade, antes de finalmente se ajoelhar ao lado de Bells. Ele pegou a criança de seus braços com uma suavidade que ninguém esperaria de um guerreiro tão temido. — Eu a criarei como uma das nossas, Bells. Eu juro que ela será protegida – ele disse com firmeza. Com essas palavras, Bells soltou um suspiro de alívio, suas forças finalmente a abandonando. Ela olhou para sua filha uma última vez, lágrimas enchendo seus olhos. — Obrigada... Ephraim... – ela sussurrou, antes de sua vida se extinguir. Ephraim permaneceu ajoelhado ao lado do corpo de Bells, segurando a pequena Nessie nos braços, enquanto a batalha continuava a rugir ao redor deles. Naquele momento, ele sabia que o destino de Niflheim havia mudado para sempre, e com ele, o futuro da criança que agora dormia em seus braços. Nessie, a mestiça, seria criada entre os lobos, mas seu sangue misturado sempre seria um lembrete das leis quebradas e do amor proibido que a trouxe ao mundo. E, embora ele prometesse protegê-la, Ephraim sabia que a vida de Nessie em Niflheim seria tudo menos fácil.
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