Os Filhos de Fenrir
35 Capítulo especial, Kiara- O retorno do Alpha
Cinco anos haviam se passado, e a ausência de Jacob Black se tornara uma ferida aberta no coração da tribo. O conselho já não podia mais esperar; tinham dado um prazo de um mês para que o Alpha retornasse, ou David, o marido de Leah Clearwater, seria anunciado como o novo líder. A única justificativa para essa decisão era o fato de David ter dado à tribo um herdeiro homem, enquanto eu, com Kamy, nossa filha de cinco anos, não cumprira as expectativas que todos tinham de mim.
Leah, claro, se tornaria a nova Beta. Ela sempre fora ambiciosa, e seu caminho até o poder parecia cada vez mais seguro com a proximidade da ascensão de David. Eles tinham um filho homem, o menino chamado Seth Black, e isso bastava para que toda a tribo depositasse neles suas esperanças de continuidade. Enquanto isso, eu me isolava, criando Kamy sozinha, na esperança cada vez mais distante de que Jacob ainda estivesse vivo.
Eu estava em casa quando ouvi uma agitação incomum no vilarejo. O sol começava a se pôr, pintando o céu de laranja e roxo, quando os sons de passos apressados, vozes altas e frenéticas me tiraram do silêncio. Lá fora, os habitantes corriam em uma mesma direção, como se estivessem vendo algo inacreditável.
Kamy, sempre curiosa e atenta, puxou a barra do meu vestido.
— Mamãe, o que está acontecendo? — perguntou ela, os grandes olhos castanhos tão semelhantes aos de Jacob.
Eu sorri, tentando disfarçar o súbito aperto no meu peito.
— Eu não sei, querida. Talvez alguém esteja chegando.
Segurei sua pequena mão e caminhei em direção à movimentação. As pessoas pareciam perturbadas, como se tivessem visto um fantasma. Meu coração começou a bater mais rápido, e, à medida que nos aproximávamos da clareira central do vilarejo, senti algo diferente no ar.
E então eu o vi.
Jacob Black havia voltado.
Meu coração disparou ao vê-lo. Ele estava mais magro, os cabelos longos e desgrenhados, e uma barba espessa que quase escondia seus traços. Mas não havia dúvida. Era ele. O Alpha, meu Jacob. O homem que eu esperara durante tanto tempo, o pai de Kamy.
Um sorriso involuntário surgiu em meus lábios, e eu apertei a mão de Kamy com mais força. Mas algo na postura de Jacob, na forma como ele caminhava, fez meu sangue gelar. Ele não parecia feliz em estar de volta. Sua expressão não era de alívio ou de saudade. Era de fúria.
Ele passou por entre as pessoas que se reuniam ao redor, seus olhos duros como pedra. Quando Sarah o viu, correu para ele e o abraçou, lágrimas de alívio nos olhos. Jacob mal retribuiu o abraço, seus olhos fixos à frente. Quando ele me viu, todo o calor que eu esperava encontrar naquele reencontro foi substituído por um olhar que parecia cortante como uma lâmina.
Meu sorriso vacilou, e eu senti um calafrio percorrer minha espinha. O que havia acontecido com ele nesses anos? Por que ele me olhava assim?
E então, notei algo que me fez prender a respiração. Atrás de Jacob, estava Leah Clearwater.
Ela também estava ali, com o olhar fixo em mim, mas seu semblante era frio e calculado. A presença dela ao lado de Jacob me alarmou. **O que aquilo significava?** Meu estômago revirou, e uma sensação de pânico começou a subir.
Jacob se aproximou, seus olhos nunca deixando os meus. Quando finalmente parou diante de mim e de Kamy, eu tentei falar, mas minha voz não saiu.
— Jacob... — murmurei, tentando entender o que se passava em sua cabeça.
Ele olhou rapidamente para Kamy, e então seus olhos voltaram para mim, carregados de uma ira contida, como se ele estivesse prestes a explodir.
— O que você fez, Kiara? — Ele rosnou baixinho, sua voz quase irreconhecível.
Meu coração afundou. O que ele sabia?
Eu respirei fundo, tentando manter a calma diante da fúria nos olhos de Jacob. Ele parecia um homem que havia retornado de uma longa e amarga jornada, mas a intensidade de seu olhar me deixava confusa. Ele sabia algo. Mas o quê?
Eu tentei me fazer de desentendida, mantendo a voz suave.
— O que eu fiz? — perguntei, meu coração disparando.
Jacob, sem responder, abaixou-se diante de Kamy, seus olhos suavizando por um breve momento. Ele tocou os cabelos da menina, os dedos passando pelos fios castanhos que tanto lembravam os dele. Aquele pequeno gesto me deu esperança, mesmo que por apenas um segundo.
— Qual é o seu nome? — perguntou ele, em uma voz baixa, mas gentil.
Kamy, tímida, olhou para mim antes de responder, como se estivesse buscando aprovação.
— Kamy Black.
Jacob sorriu levemente, um sorriso que não alcançou os olhos. Ele assentiu e acenou para sua mãe, que vinha se aproximando lentamente, obviamente percebendo a tensão no ar.
— O que está acontecendo, Jacob? — perguntou Sarah, com preocupação. Seus olhos passavam de mim para ele, sem entender o que se desenrolava ali.
Jacob se levantou, os olhos escurecendo de novo, e falou com firmeza:
— Mãe, leve Kamy com você. Eu preciso conversar com a mãe dela.
Sarah hesitou por um segundo, mas ao ver o olhar sério de Jacob, assentiu e pegou a mão da neta.
— Venha, querida, vamos dar uma volta — disse Sarah, tentando disfarçar o nervosismo na voz enquanto conduzia Kamy para longe.
Quando a porta se fechou, Jacob olhou para mim novamente, o rosto endurecido pela raiva que ele segurava a tanto custo.
— Vamos para casa — disse ele, sem deixar espaço para discussão.
Eu assenti em silêncio, meus pensamentos girando enquanto o seguia. A presença de Leah atrás dele, a maneira como ele me olhou — algo estava profundamente errado, e eu precisava saber o que ela havia contado a ele.
Ao chegarmos em casa, Jacob caminhou diretamente para o quarto. Parou por um segundo no corredor e disse, sem sequer me encarar:
— Preciso de um banho. Me espere no quarto.
Eu engoli em seco. Aquela ordem, seca e direta, me deixou inquieta. Ele não era assim. Não comigo. E aquela ausência de respostas apenas aumentava a pressão no meu peito.
— Jacob... Onde você esteve todos esses anos? — perguntei, tentando romper a barreira de silêncio entre nós.
Ele não respondeu. Simplesmente entrou no banheiro, deixando-me sozinha com minhas dúvidas e temores.
Subi as escadas lentamente, com o coração acelerado, meus pensamentos fervilhando. O que Leah teria dito a ele?Havia algo de muito grave pairando no ar, e eu sabia que não demoraria a descobrir.
As horas se arrastaram enquanto eu esperava. O sol já havia desaparecido completamente no horizonte, e a luz fraca da lua iluminava o quarto através da janela. Eu olhava para fora, tentando manter a mente sob controle, mas a ansiedade me consumia. Quando finalmente ouvi os passos de Jacob atrás de mim, meu corpo ficou tenso.
Ele estava diferente. Com a barba raspada e os cabelos curtos, parecia o mesmo homem que havia deixado o vilarejo cinco anos atrás. O mesmo Jacob que eu amava. Por um breve instante, meu coração acelerou de uma forma familiar, e eu sorri, esperando algum gesto de carinho.
Mas não foi o que recebi.
Antes que eu pudesse reagir, Jacob agarrou meus pulsos, sua força me imobilizando. O sorriso que eu tentara forçar desmoronou no mesmo instante quando vi a fúria em seus olhos. Sua respiração estava pesada, o corpo tenso.
— Eu sei o que você fez, Kiara — ele rosnou, aproximando-se de mim, cada palavra saindo com um peso que parecia me esmagar. — Eu vi na mente de Leah. Ela me mostrou tudo quando estávamos conectados como lobos. Você assassinou meus filhos. Os filhos que eu teria com Renesmee.
Minha mente ficou em branco, e por um segundo, o mundo pareceu parar. Eu sentia o suor frio escorrer pela minha nuca, enquanto seus olhos furiosos queimavam sobre mim. Tudo o que eu havia planejado, cada mentira, cada manipulação, tudo estava agora exposto.
— Jacob... — tentei falar, mas ele apertou meus pulsos com mais força, me calando.
— Não se atreva a negar. — Sua voz era um sussurro cheio de ódio. — Você matou meus filhos antes que eles pudessem nascer, destruiu a única chance que eu tinha de ter uma vida com Renesmee. Você sabia o que estava fazendo desde o começo.
Minha respiração estava acelerada. Leah havia contado tudo.Tudo o que eu havia tentado esconder, tudo o que eu fiz para afastar Renesmee e garantir que Jacob fosse meu. E agora, ele sabia.
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