Os Filhos Proibidos

14 Capítulo 14 - Josh


Notas iniciais
Oi galera!!! Tudo bem?

Bom, aqui vai mais um capítulo para vocês. Agradeço muito pelos comentários recebidos e continuem assim!

Esse é o maior capítulo até agora, então, aproveitem ;)
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A BATALHA DO LABIRINTO (PARTE 14)
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BOA LEITURA!!!

– Mamãe! — o menino de apenas cinco anos de idade, corria pela casa, à procura da mãe. — Mamãe, uma carta!

– Dê aqui, querido. — disse a mulher de longos by Text-Enhance\">cabelos negros e pele levemente morena, como o filho. A mulher pegou a carta e sorriu. — Daniel! Venha até aqui!

Um garoto de aparente onze anos de idade, desceu as escadas, curioso.

– É uma vaga para uma renomada... — a mulher parou de falar no instante que leu algo.

Daniel se aproximou da mãe e começou a ler a carta que a mesma, já abrira.

– ...escola de magia? — perguntou Daniel, sorrindo, perplexo.

O pequeno garoto, observando a mãe e o irmão mais velho, continuou em silêncio, embora, contendo uma grande surpresa.
Escola de magia? Seu irmão era bruxo?

– Josh! Querido! — Catherine Stwart, sorria, enquanto pegava o filho mais novo nos braços. — Seu irmão é um bruxo. Ele vai estudar em uma escola de magia.

– Escola de magia, mamãe? — perguntou Josh, confuso, enquanto mexia em um dos cachos da mãe. — Daniel é bruxo?

– Pelo jeito sim, querido. — a sra.Stwart sorria, enquanto balançava o filho em seus braços. — E Daniel vai estudar em Hogwarts.

– E eu? — perguntou Josh, ansioso.

Catherine sorriu-lhe.

– Você será ainda mais talentoso, isso eu posso garantir.

(...)

– Josh! Josh!

O garoto acordou assustado, e olhou para os lados. Ana e Nice estavam de pé, na sua frente.

– Percy, Annie, Grover e Tyson já estão prontos. — Nice indicou os outros, no canto. — Temos que ir, Tomadinha.

Josh assentiu e arrumou suas coisas. Balançou a cabeça e tentou tirar aquele sonho da sua mente, mas era impossível. Justamente pelo fato, de que um dia, sua mãe tinha sido boa com ele. Mas desde o que aconteceu, nada mais foi como antes.

(...)

Não havia manhã no labirinto, mas uma vez que todos acordaram e tomaram um fabuloso café da manhã com barras de granola e suco de caixinha, continuaram a viajar. Josh não mencionou o seu sonho, mesmo com os olhares desconfiados de Ana e Nice sobre ele. O melhor que Josh tinha a fazer naquele momento era esquecer o seu passado e tentar não pensar no fracasso daquela missão suicida.

Os velhos túneis de pedra mudaram para sujeira com vigas de cedro, como uma mina de ouro ou algo assim. Annabeth começou a ficar agitada.

– Isso não está certo – disse ela. – Deveria ser pedra ainda.

Josh sentiu o estômago embrulhar com o que Annabeth disse. Josh estava em um labirinto, — o que já fazia com que ele passasse terrivelmente mal – cheio de monstros e armadilhas. E eles ainda erram o caminho? Josh estava a ponto de ter um colapso nervoso.

Eles foram para uma caverna onde estalactites estavam penduradas baixas no teto. No centro do chão de terra estava uma cova retangular, como um túmulo.

Grover se arrepiou e Josh tentou não demonstrar medo (pois suas pernas teimavam em querer tremer).

– Aqui cheira como o Mundo Inferior.

– Maneiro – murmurou Nice, fascinada.

Então, Josh viu algo brilhar na beira da fenda – um papel de embrulho. Percy iluminou a fenda com sua lanterna e Josh pôde ver um cheeseburger comido pela metade flutuando na imundice.

– Nico – falou Percy. – Ele estava convocando os mortos de novo.

– O que? Ele esta convocando mortos? Mas...Por quê? – perguntou Ana, perplexa.

– É uma longa história, Ana. – disse Annabeth, suspirando.

– Mas o que posso dizer, é que Nico está tentando trazer sua irmã de volta. Ela morreu há alguns meses. – disse Percy.

Tyson choramingou.

– Fantasmas estiveram aqui. Eu não gosto de fantasmas.

– Nós temos que encontrá-lo. – disse Percy e logo, começou a correr.

Josh teve vontade de gritar “ô retardado, volta aqui!”, mas segurou esse impulso.

– Percy! – Annabeth chamou.

Eles começaram a correr atrás de Percy. Logo, eles o alcançaram. Josh viu uma luz e notou que era a do dia. Eles estavam sob uma grade de aço feita com canos de metal. Josh podia ver árvores e o céu azul, o que o deixou mais tranqüilo.

– Onde estamos? – indagou Percy.

Então uma sombra passou pela grade e uma vaca olhou para eles. Ela parecia uma vaca normal salva pela cor estranha – vermelho brilhante, como uma cereja. Josh não sabia que vacas vinham nessas cores.

A vaca mugiu, pôs uma pata tentativamente nas barras, então se afastou.

– É uma guarda de rebanho – disse Grover.

– Uma o quê? – perguntou Josh.

– Eles as colocam nas porteiras dos ranchos para que as vacas não saiam. Elas não podem andar sobre elas. – respondeu Grover.

– Como você sabe disso? – perguntou Percy.

Grover bufou indignado.

– Acredite em mim, se você tivesse cascos, você saberia sobre guarda de rebanho. Elas são irritantes!

Percy se virou para Annabeth e Josh teve esperança de que ele dissesse “vamos embora”. Infelizmente, não foi isso que aconteceu.

– Hera não disse algo sobre um rancho? Nós precisamos checar isso. Nico pode estar lá.

Annabeth hesitou.

– Tudo bem. Mas como saímos?

Tyson resolveu esse problema ao bater na guarda de rebanho com as duas mãos. Ela estalou e saiu voando para fora do campo de visão. Ouvimos um CLANG! e um Muuu!

Tyson ficou vermelho.

– Desculpe, vaca! – ele gritou.

Então Tyson deu um impulso e eles foram para fora do túnel.

Eles estavam em um rancho, tudo bem. Colinas ondulantes se estendiam até o horizonte, pontilhadas com carvalhos e cactos e rochas. A cerca de arame farpado corria do portão para qualquer direção. Vacas cor de cereja vagueavam em volta, pastando pela grama.

– Gado vermelho – Annabeth disse. – O gado do sol.

– O quê? – perguntou Ana.

– Elas são sagradas para Apolo.

– Vacas sagradas? – perguntou Percy.

– Exatamente. Mas o que elas estão fazendo...

– Espere – disse Grover. – Ouça.

Inicialmente tudo parecia tranquilo... mas então Josh ouviu: os distantes latidos de cães. O som ficou mais alto. Então a vegetação rasteira farfalhou, e dois cães apareceram. Mas não eram dois cães. Era um cão com duas cabeças. Parecia um galgo inglês. Longo, sinuoso e marrom lustroso. Mas o seu pescoço dividia-se em duas cabeças, ambas mordendo e rosnando e de forma geral, não muito felizes em vê-los.

– Mau cachorro Jano! – Tyson gritou.

– Au! – Grover disse a ele, e levantou a mão em saudação.

O cachorro de duas cabeças mostrou seus dentes. Josh achou que não estava impressionado que Grover pudesse falar animalês. Então o seu dono se arrastou para fora do bosque, e o garoto percebeu que o cão era o menor dos problemas naquele momento.

Ele era um cara grande com cabelo branco, um chapéu de caubói de palha, e uma barba branca emaranhada – como uma espécie de Papai do Céu, se Papai do Céu fosse caipira e totalmente musculoso. Ele estava vestindo jeans, uma camiseta NÃO MEXA COM O TEXAS, e uma jaqueta de brim com as mangas arrancadas de forma que dava pra ver seus músculos. Em seu bíceps direito havia uma tatuagem de espadas cruzadas. Ele segurava um porrete de madeira do tamanho de uma ogiva nuclear, com espinhos de quinze centímetros na ponta da coisa.

– Junto, Ortro – disse ao cão.

O cão rosnou para eles mais uma vez, só para tornar claros seus sentimentos, em seguida circulou de volta para os pés do dono. O homem os olhou de cima em baixo, mantendo o seu porrete pronto. Josh mantinha a mão na sua pulseira prateada, caso precisasse usá-la.

– O que temos aqui? – indagou. – Ladrões de gado?

– Só viajantes – disse Nice e Annabeth a encarou, com certa indignação. Estava claro que ela quem gostaria de dizer a frase. – Estamos em uma missão.

O olho do homem se contraiu.

– Meio-sangue, é?

– Como você sabe... – começou Percy.

– Eu sou Annabeth, filha de Atena. Este é Percy, filho de Poseidon. Grover o sátiro. Tyson o...

– Ciclope – o homem terminou. – Sim, eu posso ver isso.

– E esses aqui são Ana Salvatore, indeterminada. – Annabeth apontou para Ana. – E Josh Stwart, também indeterminado.

– E eu sou Nicolle Lenhart, filha de Hefesto. Mas se sabe o que é bom para você, me chame apenas de Nice. – disse a garota, com um sorriso.

Josh revirou os olhos. Bela saudação amistosa. Nice estava quase escrevendo na própria testa: “Venha lutar comigo se quiser morrer!”.

– Uma filha de Hefesto, hein? Muito interessante. E dois indeterminados? Hum...– Ele olhou pra Josh, como se avaliasse mais uma de suas vacas e notasse que a mesma, não era vermelho berrante. Era evidente sua repugnância para com Josh, o que o garoto achou muito injusto, já que ele não disse nenhuma palavra sequer. Felizmente, Josh não fora o único a ser encarado daquela forma. Ana também não tinha conseguido um “muito interessante” do vaqueiro.

Quem parecia ter conseguido pontos com o homem, foi justamente Nice, a “burladora de regras e que chama qualquer um para brigar”.

O vaqueiro voltou seu olhar para Percy ameaçadoramente.

– E eu conheço meio-sangues porque eu sou um filhinho. Sou Eurítion, o vaqueiro deste rancho. Filho de Ares. Vocês vieram através do labirinto como o outro, eu presumo.

– Outro? – perguntou Percy. – Você quer dizer Nico di Angelo?

– Recebemos uma leva de visitantes do Labirinto – disse Eurítion, sombriamente. – Poucos partem.

– Uau – murmurou Josh. – Eu me sinto bem-vindo.

O vaqueiro olhou para trás como se alguém estivesse olhando. Então ele abaixou a voz.

– Eu só vou dizer isso uma vez, semideuses. Voltem para o labirinto agora. Antes que seja tarde demais.

Josh adorou a idéia, mas infelizmente, Annabeth e Nice não ficaram nada contentes com aquilo.

– Não voltaremos – Annabeth insistiu. – Não até vermos esse outro semideus.

– Por favor. – pediu Nice, com sua melhor cara de anjo (o que Josh considerou uma grande idiotice, pois nem de longe, Nice tinha cara de anjo).

Eurítion grunhiu.

– Então vocês me deixam sem escolha, mocinhas. Tenho que levar vocês para o chefe.

(...)

Josh não sentia como se fossem reféns ou algo assim. Eurítion caminhou ao lado deles com o seu porrete no ombro. Ortro, o cachorro de duas cabeças, rosnou bastante e cheirou as pernas de Grover e disparou para os arbustos de vez em quando para perseguir animais, mas Eurítion o mantinha mais ou menos sob controle.

Eles desceram por um caminho de terra que parecia nunca terminar. Devia estar perto dos cem graus, o que era um choque depois de São Francisco. Calor tremeluzia do chão. Insetos zumbiam nas árvores. Antes que tivessem ido muito longe, Josh estava suando como um louco. Moscas os cercavam. Várias vezes eles viam um curral cheio de vacas vermelhas ou mesmo animais ainda mais estranhos. Uma hora passaram um curral onde a cerca era revestida de amianto. No interior, uma manada de cavalos que exalavam fogo circulava. O feno no seu cocho estava queimando. O terreno fumegava em torno das suas patas, mas os cavalos pareciam bem mansos.

– Eles são pra quê? – perguntou Percy.

Eurítion fez uma carranca.

– Nós criamos animais para vários clientes. Apolo, Diomedes e... outros.

– Como quem? – perguntou Ana.

– Sem mais perguntas. – Josh notou que Eurítion lançou um olhar de quem precisava de ajuda, para Nice.

Josh, se possível, desconfiou ainda mais. Ele tinha certeza que Nice escondia alguma coisa. O problema seria descobrir o que era.

Finalmente eles saíram do bosque. Encarrapitada numa colina acima deles estava uma grande casa de fazenda – toda de pedra branca e madeira e grandes janelas.

– Parece uma Frank Lloyd Wright! – comentou Annabeth.

Josh notou o silêncio de Nice e viu sua expressão séria. Será que ela estava com medo, raiva ou planejando alguma coisa?

– Não quebrem as regras – alertou Eurítion enquanto caminhavam para o alpendre. – Sem lutas. Sem sacar armas. E não façam qualquer comentário sobre a aparência do chefe.

– Por quê? – perguntou Percy. – Como ele se parece?

Antes que Eurítion pudesse responder, uma nova voz disse:

– Bem vindo ao Rancho Triplo G.

O homem na varanda tinha uma cabeça normal, o que foi um alívio para Josh. Seu rosto estava encharcado e moreno por causa dos anos no sol. Ele tinha cabelo preto gorduroso e um fino bigode preto como os vilões em filmes antigos. Ele sorriu para eles, mas o sorriso não era amigável. Era divertido, como Oh cara, mais pessoas para torturar!

Josh não considerou aquilo por tanto tempo, porque acabou notando seu corpo... ou corpos. Ele tinha três deles. Seu pescoço conectava com o tórax do meio normalmente, mas ele tinha mais dois tórax, um para cada lado, conectados nos ombros, com poucos centímetros entre eles. Seu braço esquerdo crescia do seu peito esquerdo, o mesmo no lado direito, de modo que ele tinha dois braços, mas quatro axilas (se isso faz algum sentido). Os peitos todos conectavam em um enorme tronco, com duas pernas normais, mas muito musculosas, e ele vestia o par de Levis mais largo que Josh já vira. Cada um de seus peitos usava uma camisa de cor diferente – verde, amarelo, vermelho, como um semáforo. Josh imaginou como ele vestia o tórax do meio, uma vez que esse não tinha braços.

O vaqueiro Eurítion cutucou Josh.

– Diga olá para o Sr. Geríon, também.

Percy murmurou um “fala logo. Esqueça a piada. Faça como eu!”.

– Olá – disse Josh, tentando conter o riso. – Belo rancho que você tem e belos tênis também.

Ana deu um beliscão em Josh.

Antes que o homem de três corpos pudesse responder, Nico di Angelo saiu das portas de vidro para o alpendre. Josh notou que Ana ficou quieta e muito, muito vermelha mesmo.

– Geríon, não vou esperar por...

Ele congelou quando os viu. De primeiro momento, encarou Ana. Então sacou sua espada, como se quisesse disfarçar sua cara de bobo. Geríon rosnou quando viu aquilo.

– Guarde isso, Sr. di Angelo. Eu não terei meus convidados se matando.

– Mas é... – começou Nico.

– Percy Jackson – Geríon disse. – Annabeth Chase. Um par de seus amigos monstros, uma garota filha do feioso e dois que não sabem que tem pais.

– Amigos monstros? – Grover disse indignadamente.

– Esse homem está vestindo três camisas – disse Tyson, como se tivesse acabado de perceber isso.

– Garota filha do feioso, Geríon? – indagou Nice, com um tom de voz como se dissesse “repense no que disse!”.

Geríon calou-se. Josh e Ana se entreolharam e encararam Nice, perplexos.

– Eles deixaram minha irmã morrer! – a voz de Nico tremia de raiva. – Eles estão aqui para me matar!

– Nico, não estamos aqui para matar você. – Percy levantou suas mãos.

– O que aconteceu com Bianca foi...

– Não fale o nome dela! Você não é digno sequer de falar sobre ela!

– Espere um minuto – Annabeth apontou para Geríon. – Como você sabe os nossos nomes?

O homem de três corpos piscou.

– Faz parte do meu negócio me manter informado, querida. Todo mundo aparece no rancho de tempos em tempos. Todo mundo precisa de algo do velho Geríon. Agora, Sr. Di Angelo, ponha essa horrível espada para longe antes que eu mande Eurítion tomá-la de você.

Eurítion suspirou, mas ele levantou seu porrete cravado de espinhos.

Aos seus pés, Ortro rosnou. Nico hesitou. Ele parecia mais pálido e magro do que no dia que ajudou a resgatar Ana, Josh e Nice do internato St.Metropolitan Haven. Suas roupas pretas estavam empoeiradas de viajar no labirinto, e os seus olhos escuros estavam cheios de ódio. Ele era muito jovem para parecer tão zangado. Mas Josh não poderia julgá-lo. Afinal, quando mais jovem Josh também tivera seus ressentimentos e principalmente, ódio.

Relutantemente, Nico embainhou sua espada.

– Se você chegar perto de mim, Percy, vou convocar ajuda. Você não quer conhecer meus subordinados, eu garanto.

– Eu acredito em você – Percy disse.

Geríon bateu no ombro de Nico.

– Pronto, nós todos nos comportamos bem. Agora venham, pessoal. Vamos dar um passeio pelo rancho.

(...)

Geríon tinha um tipo de carrinho – como um desses trens infantis que levam para passeios em jardins zoológicos. Era pintado em preto e branco em um padrão bovino. O carro do condutor tinha um conjunto de longos chifres preso ao capô, e a buzina soava como um berrante. Josh achou que talvez fosse assim que Geríon torturava as pessoas. Ele as envergonhava até a morte passeando no mugido-móvel. Nico se sentou bem atrás, provavelmente para poder manter um olho em neles.

Eurítion subiu próximo a ele com seu porrete espinhoso e puxou seu chapéu de boiadeiro sobre os olhos como se fosse tirar um cochilo. Ortro saltou no banco da frente ao lado de Geríon e começou a ladrar feliz em duas diferentes harmonias.

Annabeth, Tyson, Grover e Percy ficaram nos dois carros do meio. Ana, Josh e Nice, ficaram em outro, logo atrás.

– Temos uma grande operação! – Geríon alardeou enquanto o mugido-móvel balançava em frente. – Cavalos e rebanho na maioria, mas também todos os tipos de variedades exóticas, também.

Fomos ao longo de uma colina, e Annabeth arquejou.

– Hipaléctrions? Pensei que estivessem extintos!

Na base do morro estava uma pastagem cercada com arame com uma dúzia dos animais mais estranhos que Josh já vira. Cada um tinha a metade da frente de cavalo e a metade de trás era um galo. Suas patas traseiras eram enormes garras amarelas. Tinham caudas emplumadas e asas vermelhas. Enquanto Josh olhava, dois deles começaram uma briga por uma pilha de sementes. Eles erguerem as asas um para o outro até que o menor galopou para longe, suas pernas traseiras de pássaro pulando ao caminhar.

– Pôneis-galo – disse Tyson espantado. – Eles põem ovos?

– Uma vez por ano! – Geríon sorriu no espelho retrovisor. – Muito procurado para omeletes!

– Isso é horrível! – murmurou Ana. – Eles devem ser uma espécie em perigo de extinção!

Josh não respondeu, pois estava aturdido demais com tudo aquilo. Por alguma razão, ele pressentia que não deveria confiar em Geríon (e não era o seu medo, falando mais alto, que fique bem claro).

Josh saiu de seus pensamentos, quando Geríon acenou sua mão, se dirigindo a Ana.

– Ouro é ouro, querida. E você ainda não provou os omeletes.

– Isso não é certo – Grover murmurou, mas Geríon apenas se manteve narrando o tour.

– Agora, aqui – disse ele, – nós temos nossos cavalos-que-exalam-fogo, os quais vocês devem ter visto no caminho. Eles são criados para a guerra, naturalmente.

– Que guerra? – perguntou Percy. Josh notou que Nice ficou desconfortável com aquela questão.

Geríon sorriu astutamente.

– Oh, qualquer uma que vier. E mais além, naturalmente, as nossas vacas vermelhas premiadas.

Claro o suficiente, centenas de vacas-cor-de-cereja do rebanho estavam pastando do lado da colina.

– Tantas – disse Grover.

– Sim, bem, Apolo está muito ocupado para vê-las – Geríon explicou, – então ele subcontrata para nós. Nós as criamos vigorosamente por que há muita demanda.

– Para quê? – perguntou Josh.

Geríon levantou uma sobrancelha.

– Carne, claro! Exércitos têm de comer.

– Você mata as vacas sagradas do deus do sol para hambúrguer de carne? – Grover disse. – Isso é contra as leis antigas!

– Oh, não fique nervoso, sátiro. Eles são apenas animais.

– Apenas animais!

– Sim, e se Apolo se importasse, tenho certeza que ele nos diria.

– Se ele soubesse – murmurou Percy.

Nico se sentou mais à frente.

– Eu não ligo para nada disso, Geríon. Temos negócios a discutir, e isso não faz parte!

– Tudo a seu tempo, Sr. di Angelo. Olhe por aqui, alguns de meus jogos exóticos.

O próximo campo era rodeado de arame farpado. Toda a área estava lotada de escorpiões gigantes.

– Rancho Triplo G – falou Percy. – Sua marca estava nas caixas no acampamento. Quintus arranjou os escorpiões com você.

– Quintus... – Geríon pensou. – Cabelo cinza curto, musculoso, espadachim?

– É. – concordou Ana.

– Nunca ouvi falar dele – disse Geríon. – Agora, aqui estão meus estábulos premiados! Vocês precisam vê-los.

Josh não precisou vê-los, porque logo que estavam a trezentos metros de distância, ele começou a sentir o cheiro deles. Perto das margens de um rio verde havia um estábulo do tamanho de um campo de futebol. Cocheiras se alinhavam de um dos lados. Cerca de cem cavalos estavam na imundície – e quando ele dizia imundice, era cocô de cavalo mesmo. Foi a coisa mais repugnante que Josh já tinha visto, como se uma nevasca de cocô tivesse vindo e despejado mais de um metro da coisa durante a noite. Os cavalos estavam realmente nojentos por vadearem por ali, e os estábulos estavam tão ruins quanto. Cheirava pior que os barcos de lixo no rio East. Josh desejou não ter lembrado que tinha tomado café naquela manhã. De repente, seu estômago embrulhou novamente, só que não de medo, dessa vez.

Mesmo Nico engasgou.

– O que é isso?

– Meus estábulos! – Geríon disse, com certo orgulho. – Bem, na verdade eles pertencem a Aegas, mas nós cuidamos deles por uma pequena taxa mensal. Eles não são adoráveis?

– Eles são nojentos! – Annabeth disse.

– Um monte de cocô – observou Tyson.

– Como você pode manter animais desse jeito? – Grover lastimou.

– Vocês estão todos me dando nos nervos – disse Geríon. – Esses são cavalos-comedores-de-carne, vê? Eles gostam dessas condições.

– Além disso, você é muito muquirana pra mandar limpá-los – Eurítion murmurou debaixo do seu chapéu.

– Quieto! – Geríon cortou. – Tudo bem, talvez os estábulos sejam um desafio para limpar. Talvez eles me deixem enjoado quando o vento sopra pro lado errado. Mas e daí? Meus clientes continuam me pagando bem.

– Que clientes? – exigiu Josh.

Nice pareceu desconfortável, novamente, mas Josh ignorou. Como ele, Percy parecia tão curioso também.

– Ah, você ficaria surpreso com quantas pessoas pagariam por um cavalo-comedor-de-carne. Eles dão excelentes trituradores de lixo. Maravilhosa maneira de amedrontar seus inimigos. Ótimos em festas de aniversário! Nós os alugamos o tempo todo.

– Você é um monstro – decidiu Annabeth.

Geríon parou o mugido-móvel e se virou para olhar pra ela.

– O que me entregou? Foram os três corpos?

– Você tem que deixar estes animais irem – disse Grover. – Isso não é certo!

– E os clientes de quem vocês falam – falou Ana. – Um deles é Cronos, não é?

Dessa vez, Nice parecia a ponto de ter um colapso nervoso ou a ponto de sair dali. Josh encarou a amiga perplexo. O que ela tinha?

– Você está suprindo seu exército com cavalos, alimento, seja o que for que eles precisem. – continuou Ana.

Geríon deu de os ombros, o que foi muito estranho, pois ele tinha três conjuntos de ombros.

– Eu trabalho para qualquer um com ouro jovenzinha. Eu sou um empresário. E eu vendo a eles qualquer coisa que eu tenha a oferecer.

Ele desceu do mugido-móvel e caminhou para os estábulos como se estivesse desfrutando o ar fresco. Teria sido uma bela vista, com o rio e as árvores e colinas e tal, exceto pelo atoleiro de imundice de cavalo.

Nico saiu da parte de trás do carro e se lançou até Geríon. O vaqueiro Eurítion não estava tão adormecido quanto parecia. Ele avaliou o peso do seu porrete e foi atrás de Nico.

– Eu vim aqui para negociar, Geríon – disse Nico, impaciente. – E você não me respondeu.

– Hmmm. – Geríon analisou um cacto. Seu braço esquerdo se esticou e coçou seu peito do meio. – Sim, você terá um acordo, tudo bem.

– Meu fantasma me disse que você poderia ajudar. Ele disse que você poderia nos guiar até a alma de que precisamos.

– Espere um segundo – falou Percy. – Achei que eu era a alma que você queria.

Nico o olhou como se Percy fosse louco.

– Você? Por que eu iria querer você? A alma de Bianca vale mil vezes a sua! Agora, você pode me ajudar, Geríon, ou não?

– Ah, imagino que possa – disse o fazendeiro. – Seu amigo fantasma, a propósito, onde está ele?

Nico parecia desconfortável.

– Ele não pode aparecer em pleno dia. É difícil para ele. Mas ele está em algum lugar por aí.

Geríon sorriu.

– Tenho certeza. Minos gosta de desaparecer quando as coisas ficam... difíceis.

Nice se levantou, como se de repente, tivesse acordado de sua hibernação.

– Minos? – perguntou ela, ao mesmo tempo que Percy.

– Você quer dizer aquele rei maligno? Esse é o fantasma que tem lhe dado conselhos? – indagou Percy.

– Não é da sua conta, Percy! – Nico se voltou para Geríon. – E o que você quer dizer sobre coisas ficando difíceis?

Nice ainda estava de pé, com o olhar distante, como se refletisse sobre algo.

O homem de três corpos suspirou.

– Bem, você vê, Nico...Eu posso te chamar de Nico?

– Não.

– Você vê, Nico, Luke Castellan está oferecendo muito dinheiro por meio-sangues. Especialmente meio-sangues poderosos. E tenho certeza que quando ele descobrir seu segredinho, quem você realmente é, ele vai pagar muito, muito bem.

Nico sacou sua espada, mas Eurítion a golpeou para fora de sua mão. Antes que Josh pensasse em levantar, viu Ortro avançar no peito de Percy e rosnar, suas faces a centímetros da do garoto.

– Eu ficaria no vagão, todos vocês – advertiu Geríon. – Ou Ortro cortará a garganta do Sr. Jackson. Agora, Eurítion, seja gentil, segure Nico.

O vaqueiro cuspiu na grama.

– Tenho que fazer isso?

– Sim, idiota!

Eurítion pareceu aborrecido, mas ele envolveu um enorme braço em volta de Nico e o levantou como um lutador.

– Pegue a espada, também – disse Geríon com repugnância. – Não há nada que eu deteste mais que aço do Estígio.

Eurítion pegou a espada, tomando cuidado para não tocar na lâmina.

– Agora – Geríon falou alegremente, – tivemos o tour. Vamos voltar para a casa, almoçar, e enviar uma mensagem de Íris aos nossos amigos do exército Titã.

– Seu demônio! – gritou Annabeth.

Geríon sorriu para ela.

– Não se preocupe, minha cara. Depois de ter entregado o Sr. Di Angelo, você e seus amigos podem ir. Eu não interfiro em missões. Além disso, fui bem pago para dar a vocês passagem segura, o que não inclui, temo, o Sr. Di Angelo. Ah, todos podem ir, menos Josh Stwart, Ana Salvarote e claro, Nicolle Lenhart.

– Pago por quem? – Annabeth disse, ignorando a última frase de Geríon. – O que você quer dizer?

– Não importa, querida. Vamos embora, vamos?

– Espere! – falou Percy, e Ortro rosnou. – Geríon, você disse que é um homem de negócios. Faça um acordo comigo e com Ana.

Geríon estreitou os olhos e Ana pareceu surpresa.

– Que tipo de acordo? Você tem ouro? – perguntou Geríon.

– Eu tenho algo melhor. Uma troca. – disse Percy.

– Mas Sr. Jackson, você não tem nada. – zombou Geríon.

– Você poderia fazê-los limpar os estábulos – sugeriu Eurítion inocentemente.

– Nós faremos isso! – disse Percy, rapidamente. – Se nós falharmos, você fica com todos nós. Pode negociar todos nós com Luke por ouro.

– Se os cavalos não comerem vocês – Geríon observou.

– De qualquer forma, você obtém os meus amigos – falou Ana, parecendo entender alguma coisa.

– Mas se nós tivermos êxito, você tem que deixar todos nós irmos, incluindo Nico. – completou Percy.

– Não! – Nico gritou. – Não me faça favores, Percy. Eu não quero sua ajuda!

Geríon riu.

– Percy Jackson, aqueles estábulos não têm sido limpos em mil anos... mas é verdade que eu poderia vender mais espaço nas cocheiras se todo aquele cocô for retirado.

– Então o que tem a perder? – perguntou Ana.

O fazendeiro hesitou.

– Tudo bem, eu vou aceitar a oferta de vocês, mas os dois tem que fazê-lo até o pôr do sol. Se vocês falharem, seus amigos serão vendidos, e eu ficarei rico.

– Fechado. – concordou Percy.

Ele assentiu.

– Ficarei com seus amigos, de volta para a casa. Nós vamos esperar por vocês lá.

Eurítion assobiou, e o cão pulou de cima de Percy para o colo de Annabeth. Ela ganiu. Josh sabia que Tyson e Grover nunca tentariam algo enquanto Annabeth estivesse refém e é óbvio, que Josh e Nice também não poderiam tentar nada.

Ana saiu do vagão e encarou Josh e Nice.

– Tome cuidado. – disse Josh, calmamente.

– Obrigada. – Ana encarou Nice, que parecia estar pensando em algo extremamente importante. – Nice? Você ainda está aqui?

– Falem com a náiade. – disse Nice, ignorando a pergunta de Ana. – Ela vai dizer o que devem fazer.

Ana não teve tempo de perguntar nada. Geríon foi para trás do volante. Eurítion rebocou Nico para o banco de trás.

Josh encarou Ana, que parecia refletir no que Nice dissera. O garoto encarou a morena ao seu lado, e ficou pensando o que mais ela sabia.

– Pôr do sol – lembrou Geríon, se dirigindo a Ana e Percy. – Sem atraso.

Ele riu deles mais uma vez, soou a sua buzina berrante, e o mugido-móvel se deslocou ruidosamente trilha abaixo.

Ana e Percy ficaram para trás. Josh encarou Nice, que mexia em sua chave de fenda. A garota o encarou. Por um instante, Josh pensou que Nice estava pronta para chorar. Mas notou que fora apenas impressão. Logo, uma idéia surgiu em sua mente. Uma idéia que não poderia ser ignorada.

– Eu tenho um plano. – disse Josh, para Nice, que o encarou novamente, como quem dissesse “você não está falando sério”. – Vamos fazer como nos velhos tempos.

Nice sorriu marotamente, parecendo entender o que Josh dizia.

Notas finais
Espero que tenham gostado.

Para quem shippa Josh/Nice, acreditem, vai demorar um tantinho ainda para eles começarem a gostar um do outro (e quando digo "um tantinho" quero dizer daqui umas duas temporadas :D).

Mandem comentários pessoal. 24 leitores e, no mínimo, 3 comentários para eu postar o próximo capítulo ;)

Até outro dia. Beijoos!!!!!