Os Filhos Proibidos

35 Capítulo 35 - Ana


Notas iniciais
Hey, hey, hey!!! *---* E aí? Tudo bem??? Bom, com este capítulo início a antepenúltima fase da fic!!! Espero que gostem ;) ********************************************************************************************************* O ÚLTIMO OLIMPIANO (PARTE 01) *********************************************************************************************************** BOA LEITURA!!!

– Querida – Susan Salvatore colocou a cabeça para dentro do quarto da filha, sorrindo de forma carinhosa. Ana voltou seu olhar para a mãe, demonstrando cansaço nessa simples ação. – Ahn... Vou dar uma saída rápida. Você quer vir comigo ou...

– Pode ir – Ana voltou sua atenção para a TV à sua frente, passando os canais sem realmente prestar atenção em algum. – Sei me cuidar.

– Ana... – Susan procurou algo para dizer, mas depois do que acontecera na noite anterior, faltava-lhe as palavras certas.

– Mãe – Ana tinha os olhos marejados pelas lágrimas, um indício de que sua paciência se esgotara e que as emoções poderiam ser despejadas a qualquer momento em palavras nada amigáveis. – Vai embora... Por favor...

Susan fechou os olhos por um instante, buscando algum motivo para tentar. Mas não havia nenhum em mente.

Não mais.

Ana estava magoada demais para permitir que sua mãe tentasse. Estava em pleno luto.

Susan fechou a porta do quarto da garota, sem emitir qualquer som. Ana permaneceu na mesma posição, mudando de canais sem parar em nenhum deles.

Lembrar do que acontecera era... Insuportável. Lágrimas brotaram em seus olhos, enquanto apertava o controle remoto com força extrema. O lançou contra a parede, enfiando a cabeça nos travesseiros.

Havia perdido uma das poucas pessoas que realmente se importavam com ela, apesar de tudo.

Ficava imaginando como Josh estaria. Como James, Brian, Karen e Silas estariam. Como Hefesto estaria – embora deuses não se preocupassem com seus filhos – e como Annelize estaria.

A morte era algo difícil de aceitar. Ana nunca experimentou a sensação, e desejava nunca ter conhecido tal sentimento.

A foto dos três continuava em cima da cabeceira, mostrando uma amizade que durou por apenas três meses.

Três amigos, três meses...

Parecia que o número três sempre estaria presente na vida daqueles jovens. Sempre... Até certo dia, em que o destino interferiu.

Ana sentia a culpa, e provavelmente Josh estava a sentir o mesmo.

A experimentar sua própria dose de dor.

Seu celular tocou. Ana forçou seu corpo a corresponder àquele toque, imaginando quem seria.

Fazia exatos dois meses que ninguém lhe ligava.

Atendeu sem nem ao menos olhar o visor.

“Ana?”, a voz de Josh Stwart soou, praticamente irreconhecível perante a seriedade da mesma.

“Oi”, a garota passava as pontas dos dedos pela cômoda, lentamente.

“É hoje”, avisou Josh, e Ana olhou para o calendário de imediato. “Você... Vai?”.

“Claro”, Ana suspirou. “Josh...”.

“Nos vemos depois. Tenho que desligar, minha mãe está fazendo nachos”, Josh colocou um pouco mais de energia na voz, provavelmente tentando aparentar alegria ou animação. Entretanto, não funcionou... Não mesmo.

“Josh... Espera...”, tentou Ana, mas o irritante bipe soava incansalvemente, indicando que Josh desligara.

– Eu não merecia isso — sussurrou a morena, respirando lentamente. – Ou talvez eu merecesse. – Sorriu diante de sua própria frase, como que achando graça na situação.

Ana tomou um banho rápido e colocou um vestido preto, que caía até a altura de seus joelhos. Pegou uma bolsa qualquer e saiu de casa, apressada.

Por sorte, o trânsito estava tranqüilo. Nenhum sinal de monstros ou coisa do gênero. Tudo estava bem no final das contas.

Ana pagou o motorista do táxi e se dirigiu até os portões do local, vagarosamente. Sentiu um frio percorrer seu corpo e alcançar sua espinha. Sentiu suas mãos suarem e a necessidade de água tornou-se insuportável.

Odiava aquele lugar. Odiava aquele cheiro. Odiava aquela sensação asqueroza.

Felizmente, localizou seu amigo a alguns metros. Ele estava com um terno preto e calças jeans – nada elegante, como sempre -, e os tênis encardidos de sempre. Seus cabelos estavam bagunçados e sua expressão era de alguém que não dormira muito nos últimos dias.

– Ei – murmurou Josh, logo que Ana ultrapassou os portões e passou a caminhar, sendo acompanhada pelo amigo.

A paisagem não era nada agradável. Mesmo com as árvores altas, as folhas verdejantes, os diversos cantos dos pássaros e a leve brisa em seu rosto, Ana não estava contente e muito menos deslumbrada com a paisagem.

– Olá – murmurou ela, em resposta. Encarou Josh. – Ela...

– Veio. – O garoto adivinhou seus pensamentos, sorrindo amarelo. – Ela e os outros. Só o James resolveu faltar.

– Ah... – Ana ficou em silêncio, segurando sua bolsa à frente do corpo. – Será que ela está bem? A Nice?

– Está – Josh tinha o olhar distante. – Tenho quase certeza.

– O que quer dizer? – Ana mal pôde esconder sua curiosidade. – Não me diga que você foi visitá-la?

– Eu não perderia meu tempo indo vê-la – Josh balançou a cabeça. – Apesar de tudo, Nice nos traiu.

– Então? – questionou Ana, arqueando uma das sobrancelhas.

Josh suspirou.

– Seu namorado, o Nico – o garoto deu de ombros. – Eu perguntei e ele disse que ela estava bem.

– Ah... – Ana sentiu-se ofendida. Por que Nico não dissera isso a ela? – Engraçado que eu não sabia disso.

Josh não falou mais nada. Ana também preferiu apreciar o silêncio, enquanto caminhava lentamente.

Alcançaram o topo de um pequeno morro, onde, debaixo de uma macieira, estava à pedra que marcava a sepultura.

Karen, Silas e Brian estavam ali, tal como Annelize, que os encarou com os olhos vermelhos e cheios de repulsa.

– Não deveriam estar aqui – falou, sem nenhum pingo de pena dos dois.

– Temos tanto direito quanto eles – Josh indicou os três amiguinhos de Nice, que apenas observavam a situação.

Todos eles estavam de preto e apenas os jeans de Josh se destacavam naquela paisagem deprimente. Ana baixou os olhos para seus próprios sapatos pretos, sentindo uma péssima sensação.

Era saudade misturada à dor.

Lembrava-se das confidências que fizera a ela, das piadas e até mesmo das briguinhas constantes nos tempos de amigas.

Nem mesmo nos últimos minutos, a morena fez-se de boa. Provavelmente suportou Ana e Josh por saber que nenhum dos dois a deixaria ali, no campo de batalha, sem velarem por ela antes.

Passos foram ouvidos e ao se virar, Ana avisou Sophia, igualmente vestida de preto, caminhando lentamente até eles. Seus cabelos haviam crescido e sua expressão continuava a mesma desde o último mês; triste.

Sophia não disse nada e apenas entrelaçou suas mãos à de Josh, cumprimentando Ana em seguida com um aceno de cabeça.

O silêncio era algo bom naquele instante. Por uma hora ou mais, o grupo ficou ali, imerso em seus próprios pensamentos e dores, lembranças e tristezas.

Annelize foi à única que chorou, que parecia demonstrar mais dor. Fora quem permaneceu diante da pedra por mais tempo, mesmo depois de Brian, Karen, Silas e Sophia terem ido embora.

Foi ela quem velou o sono da filha, por horas a fio.

E Ana não soube ao certo porque permaneceu ali. Porque, como Josh, preferiu aquele silêncio duradouro.

Annelize levantou-se, depois de duas horas. Os encarou.

– Por que ainda estão aqui? – sua voz estava embargada, mas ainda sim demonstrava frieza.

– Eu não sei – respondeu Josh, e Ana assentiu timidamente.

Annelize os encarou, balançando a cabeça. Entretanto, surpreendentemente, não foi contra a permanência de ambos.

Josh aproximou-se da pedra, logo que Ana o fez. O garoto levou as mãos aos bolsos, enquanto Ana agachava-se, fechando os olhos por um segundo.

Passou a ponta dos dedos pela gravura.

Nicolle Lenhart

* 23. 03. 1997

+ 13. 07. 2013

– Pensei que James viria – confessou Ana, encarando Josh. – Realmente pensei.

– É – Josh manteve o olhar distante. – Estranho, né? Eles estavam juntos e tal... E ele é um filho de Hades. Deve gostar da morte.

Ana não o repreendeu pela ironia, por não querer irritá-lo. Sabia que Josh estava frustrado e que ir contra o que ele dizia seria algo que o deixaria ainda pior.

Resolveu permanecer em silêncio.

E lembrar...

Lembrar dos bons momentos e dos tempos em que ela estivera viva. Lembrar da amizade e das tramóias de Nice... Até os ataques da garota eram divertidos agora, que o perigo passou, e tudo estava bem.

Seus pensamentos foram para longe. Foram para o dia em que chegou ao Acampamento Meio-Sangue e recebera a notícia de que Charles Beckendorf morrera. Vagou pelo tempo de guerra, quando esteve preparada para destruir o reinado de Nice.

Ana estava longe dali, apenas relembrando antigos fatos...

Notas finais
E então, qual foi a primeira impressão para essa fase? Triste? Gostaram da morte da Nice? Bom, tecnicamente ainda não aconteceu mas, para quem a odeia, fiquem sabendo que ela morre :) Para quem gosta dela, apenas aproveitem os capítulos FlashBack com as narrações dela ;) Não deixem de comentar, ok??? Prometo tentar responder os reviews que vocês mandarem :D Beijocas!!! Até o próximo (que provavelmente sai depois de amanhã!).