Os Fantasmas de Uchiha Sasuke

3 Capítulo 03: O Fantasma do Passado


Notas iniciais
Gente, feliz natal atrasado!!! Bora pra mais um capítulo. Se divirtam ;)

Sentiu alguém cutucando sua fronte, resmungou se remexendo tentando virar, mas não obteve sucesso, pois um peso estava sobre seu corpo. Novamente foi cutucado na testa, começou a abrir os olhos mas sentiu as pálpebras pesadas e com muito esforço abriu uma frestinha de um dos olhos. Estava tudo embaçado, não fazia ideia de onde estava.

— Oe! Acorda bela adormecida. – Alguém disse, e instantaneamente despertou, virando a cabeça em direção à voz, sentindo tontura fechou os olhos para passar e ao abri-los deu de cara com um menino. Cabelos grandes até o meio das costas, olhos enormes num tom verde-água, bem claro, um sorriso igual ou tão maior que o do Naruto, as bochechas rubras, usava uma espécie de gorro e uma capa. Saltou em uma velocidade impressionante e ficou sentado no chão, olhando para o lugar onde estava deitado, porém não havia mais ninguém lá.

— O que tanto olha? – Girou a cabeça e viu o mesmo menino ao seu lado, fitando o mesmo lugar que ele olhara antes, seus pés não tocavam o chão, nem dava para vê-los, estava flutuando.

— O que é você? – Perguntou Sasuke abismado. Viu o menino fazer uma careta.

— Seu tio não te avisou? – Colocou as mãos na cintura e abriu o maior sorriso. – Eu sou Kon, o fantasma do passado.

Sasuke continuava paralisado, mas que merda estava acontecendo? Aquilo de fantasma de novo? Pensou ter sonhado. Levantou-se de supetão, e começou a andar pela sala em círculos. Tinha que estar sonhando, não podia ser verdade tudo aquilo. Era insano, não existiam fantasmas. Ou existiam? Bufou. Sua cabeça estava ficando dolorida, precisava de descanso para ter um bom rendimento no trabalho, mas parece que sua mente, e seu tio tinham outros planos pra ele.

Maldição.

— Você quer sossegar o facho? – Repreendeu Kon, mas não parecia zangado. – Vai fazer um buraco no chão Sasuke.

— Estou sonhando. – Sussurrou Sasuke abrindo e fechando os olhos, e puxando seus cabelos. Quem sabe assim acordava com as dores dos puxões? – Tudo não passa de um pesadelo. A merda de um pesadelo.

Viu Kon gargalhar segurando a barriga e com pequenas lágrimas no canto dos olhos. Estreitou seus orbes negros para aquele menino. Estava tirando sarro dele, e isso não poderia aceitar. É uma palhaçada, uma puta de uma palhaçada. Seu tio estava brincando com ele. Se não estivesse morto, com certeza o mataria.

— Qual a graça, moleque? – Perguntou irritado com tudo aquilo. Só queria paz e descanso. É pedir muito? Kon enxugou as lágrimas e retornou a Sasuke o olhando, ainda com o sorriso no rosto.

— Você. Com esse drama todo. – Disse se aproximando e rolando os olhos. – Fui designado pelo seu tio para lhe ajudar. E para Kon, missão dada é missão cumprida. – Falou orgulhoso apontando para si mesmo, enérgico. Lembrava muito Naruto.

Rapidamente pegou na mão de Sasuke e antes que ele tentasse se livrar o puxou para a única janela daquele cômodo. Sasuke fechou os olhos esperando ser atingido pelo estilhaço, mas passou direto, como um fantasma. Passou os olhos pelo ambiente, não estavam na rua de seu trabalho, estava em outro lugar, um que ele reconheceu. Nasceu e cresceu ali, naquele bairro. Flutuavam por mais alguns metros e pararam em frente a uma residência. Sasuke constatou ser sua antiga casa. Sentiu um aperto doído em seu coração, lembranças boas e ruins invadiram sua mente e uma lágrima insistiu em cair.

— Vejo que choras. – Disse o garoto. – Parece que tem um coração aí, afinal. – Sasuke bufou disfarçando pra limpar a lágrima teimosa que caiu.

— Não sei do que esta falando. – Resmungou.

Kon o puxou mais devagar, até passarem pela porta. A casa era simples, e estava enfeitada para o natal, no andar térreo tinha uma sala mediana, com dois sofás de dois e três lugares, uma lareira, a Tv em cima desta, uma mesinha de centro com algumas revistas. Era conceito aberto, porque logo estava a sala de jantar, com a mesa retangular de quatro cadeiras, de madeira rústica. À direita se encontrava a cozinha, com os armários em madeira clara e uma ilha, não muito grande. Sorriu, sua mãe estava no fogão preparando o jantar, enquanto cantarolava uma música natalina. Ouviu passos rápidos e dois meninos entraram na cozinha, o primeiro, com dez anos, tinha os cabelos até a altura dos ombros, não chegava a encostar, os olhos grandes e negros, duas marcas embaixo deles e um sorriso pequeno para as coisas que estavam na bancada, já o menor, com seus sete anos, estava mais agitado, os cabelos rebeldes, os olhos na mesma cor que o outro, mas com um brilho de expectativa. Sentiu-se nostálgico, e com saudades dessa época.

Era ele, e seu irmão. Sempre foi muito próximo de Itachi, no fundo queria ser como ele. Otimista com a vida, gostaria de ter se reerguido como seu irmão mais velho tinha feito. Mas não conseguia, não podia, o medo tomava conta sempre que tentava.

— Sasuke, para de lavar a mão na comida. – Ralhou MIkoto. – Desse jeito não vai sobrar nada para a janta. – Virou-se para o fogão para terminar o que estava fazendo. Se viu fazer um bico em desagrado, e riu.

— Dá pra sentir o cheiro lá de fora Mikoto. – Olhou para o lado e lá estava seu pai. Pelo uniforme acabara de chegar do trabalho. Foi até ela e beijou-lhe o topo da cabeça. – Estou faminto.

— A janta esta quase pronta. Porque não sobe para tomar um banho? – Disse empolgada. Sasuke estava no canto observando tudo, com o sorriso pequeno e sincero. Sua mãe era maravilhosa, nunca a vira reclamar de nada, sempre olhava para o lado positivo, e levava tudo como um aprendizado. Itachi herdou esse lado dela. – Meninos, porque não vão lá pra sala jogar algum jogo? – Perguntou se aproximando dos pequenos. – Como foi no trabalho querido? – Enquanto os empurrava delicadamente perguntou ao marido sobre o dia, passou por Sasuke e Kon, atravessando eles. O moreno fechou os olhos, tentando sentir um pouco do calor de sua progenitora, mas frustrou-se. Não sentiu nada além de um ar gélido. Queria uma última vez, sentir o calor de seu corpo, seus abraços cheio de amor e carinho.

— Foi estressante e cansativo, mas o julgamento daquele traficante finalmente saiu, e ele ficará preso por um bom tempo. – Respondeu a sua esposa com o semblante cansado, viu sua mãe dar um selinho rápido em seu pai ao pé da escada, falar novamente pra ele tomar um banho e voltar para a cozinha. Sorriu com aquele gesto, não era incomum pra ele.

— Você e seu irmão eram muito apegados neh? – Balançou a cabeça concordando, voltando-se para o fantasma enquanto observavam os outros dois ali no tapete da sala jogando algum jogo que ele não se atentou. – Ele me parece ser um ótimo irmão. – Comentou Kon.

— Ele é. – Sorriu, mas logo desfez seu sorriso. Sentiu-se péssimo agora, o pior irmão do mundo. Suspirou. Sentia muita falta de Itachi, o amava muito. Mas não sabia como se reaproximar, não saberia lidar se o perdesse.

— Sabe, deveria falar mais com ele, passarem mais tempo juntos. – Sugeriu Kon. — Itachi se preocupa com você. Ele sente sua falta. – Observou o garoto em silêncio, estava certo, não retrucaria, mas tinha um medo absurdo de se aproximar e sofrer depois. – E convenhamos que você também sente a falta de seu irmão. – Sasuke bufou com o comentário, mas não estava zangado, realmente sentia.

Num estalar de dedos de Kon todo o lugar foi se transfigurando, era a mesma casa, só que alguns móveis tinham sido trocado de lugar e outros até substituído.

Olhou para o sofá e viu ele e Itachi, sentados assistindo algo, sua mãe estava na cozinha, e seu pai na mesa lendo o jornal e conversava ao mesmo tempo com a esposa. Tudo parecia calmo, como qualquer outro dia normal, mas Sasuke sabia que era aquele fatídico dia, e estava com medo de reviver aquilo tudo. Sentiu um calafrio sinistro subindo pela sua espinha e seu estômago deu um solavanco, fazendo com que a bile subisse até a garganta. Olhou ao redor procurando Kon para levá-lo embora, mas não o encontrou em lugar nenhum. Entrou em desespero, ficou ansioso e pensou que ia sofrer um ataque cardíaco de tão rápido que seu coração batia em seu peito.

De repente um estrondo foi ouvido, a porta da frente foi arrombada com violência, Mikoto apareceu pegando seus dois filhos e os levando até os fundos. Fugako pegou a arma na gaveta do armário, mas não teve tempo, os marginais foram mais rápidos, e atiram nele sem remorso. Mikoto levou Sasuke e Itachi para uma espécie de oficina que tinham no quintal dos fundos, e implorou para que ficassem escondidos até as coisas se tranquilizarem, saiu dali pra procurar ajuda, mas foi surpreendida, e antes que fizesse mais alguma coisa foi morta com um tiro na cabeça, tudo foi visto por Sasuke, num pequeno buraco que tinha na casa de madeira. Ele começou a soluçar desesperado e sentiu sua boca ser envolvida pela mão de Itachi, que sussurrava para ele fazer silêncio. Dois daqueles homens estavam se aproximando cada vez mais de onde estavam, porém, antes que entrassem, foram chamados com urgência pelos outros, para irem embora. Os vizinhos tinham alertado a policia por conta do tiroteio.

Sasuke observava tudo sem poder ajudar, sem poder fazer nada, o moreno tremia de raiva, de tristeza, reviver aquele dia, daquela forma estava sendo doloroso. Sentiu-se um inútil, covarde. Não estava aguentando tamanha dor em seu peito, e começou a chorar. Queria fugir dali, sentia que não aguentaria, porém, algo quente envolveu sua mão, olhou para o lado e Kon a segurava e o olhava firme com alento. Suspirou, recebendo o conforto, mas a dor continuava ali, seu coração continuava sangrando.

O lugar novamente mudou, estava agora no departamento de policia, o mesmo onde seu pai trabalhava. Todos estavam tristes e pasmos pelo que havia acontecido com o sargento e delegado Uchiha Fugako. A assistente social chamou Obito e agora estavam esperando ele vir buscá-los. Sasuke repousava a cabeça no colo de Itachi e tinha adormecido, ele saiu devagar para não acordar o caçula, e foi até o banheiro. Kon puxou o moreno para irem atrás, e quando atravessaram a porta, Itachi estava escorado no ladrilho frio da parede, chorando. Chorava copiosamente, segurando um bolo de sua blusa na altura de seu coração. Sasuke se sentiu um crápula, egoísta, seu irmão sofreu tanto quanto ele. Em sua frente sempre se mantinha forte, mas por trás sofria em silêncio. E ver seu irmão chorando tão desesperado daquela maneira o destroçou por dentro, e a culpa parecia mais pesada sobre seus ombros.

Foi puxado novamente, não tirava os olhos do mais velho enquanto o via diminuir devido a distancia que estava tomando. Quando saiu lá fora, já estava em outro lugar.

“Tinha que ser.”

Reconheceu o ambiente, era sua faculdade. Enquanto flutuavam pelo campus, pode notar o quanto era enorme, tinha os blocos de economia, administração e medicina por ali, e outros mais a leste, passaram por eles e foram até o campo, onde se reuniam com os amigos. Havia ali algumas barracas, mesas com refeições deliciosas. Alguns dançavam, outros bebiam, outros estavam se pegando em algum canto. Ouviu um qualquer dizer para procurarem um motel, e sorriu com aquilo, trazendo uma nostalgia. Foi uma boa época, tinha que admitir. Olhou para frente e se viu, com Naruto e outros amigos. Estava com a carranca de sempre, não queria estar ali, mas Naruto insistiu tanto que acabou cedendo, no fundo não se arrependera de ter ido.

— Olha ela lá teme. – Apontou o loiro, e junto com os dois se voltou para o lugar que ele estava mostrando. E a viu, tão linda. Trajava um vestido bordô até a altura dos joelhos, no busto era justo e depois da cintura se abria, uma meia-calça preta grossa e sapatos de salto da mesma cor, por sobre o vestido um sobretudo com pelugem na gola. Olhava para os lados procurando algo. – Sakura. – Berrou Naruto. Ela se virou sorrindo, maquiagem leve, brilho labial rosado, os cabelos soltos indo até sua cintura e as pontas com leves ondulações. Observou seus lábios carnudos, como gostaria de prova-los mais uma vez. Balançou a cabeça espantando esses pensamentos. Viu ela se aproximar de onde estavam. Deu um beijo no rosto de Naruto e o olhou. – Sakura esse é o teme de quem eu te falei.

— Teme?— Ouviu o som melodioso de sua voz. – Prazer, sou Sakura. – Sasuke a observou por alguns segundos, admirado pela mulher a sua frente. Nunca vira alguém tão bela. Sentiu-se imediatamente atraído por aquela mulher de cabelos exóticos, olhos grandes e brilhantes, e de sorriso sincero.

— Sasuke. –Respondeu ao cumprimento com sua voz rouca e sorrindo de canto. Algo mínimo, pequeno, porém sua marca registrada. Mas que fez a rosada corar, tímida e morder os lábios.

Naquela noite fria se conheceram, depois de alguns goles da cerveja que Naruto trouxera, ela estava mais solta. Conversava com ele tendo certa liberdade, ela era a que mais falava, às vezes respondia uma pergunta ou outra.

— Neh! Sasuke. – Cutucou Kon ao seu lado. – Ela é muito bonita. – Elogiou. Olhou pra baixou levantando uma de suas sobrancelhas, e deu de ombros. Não era necessário falar o óbvio.

Viu ela se levantar e dizer que estava em sua hora. Não era de galanteios e gentilezas, mas realmente tinha se interessado pela rosada. Convidou-se para acompanha-la até seu dormitório, que aceitou constrangida, despediram-se dos amigos e rumaram para os dormitórios. Naruto gritou alto para ser gentil com a amiga e não ir rápido demais. Ouviu-a soltar um palavrão em resposta, apenas ignorou se divertindo. Iam andando em silêncio, ela estava com as mãos para frente, e vez ou outra o olhava de soslaio mordendo o canto da boca. Ele continuava andando, com a expressão séria, mãos no bolso, andar imponente. Kon e Sasuke os seguiam, em silêncio observando suas atitudes. Era estranho, ver ele próprio ali.

— Ela esta nervosa. – Falou rindo. – Você parece um cubo de gelo, coitada da menina. Esta assustando ela. — Sasuke ignorou, estava centrado em observa-la. Pararam em frente ao quarto dela, a viu pegando as chaves de sua bolsa, vagarosamente, como se não quisesse sair da companhia do seu eu. Sorriu com aquilo.

— Bom, obrigada por me acompanhar Sasuke. – Agradeceu sorrindo e um pouco decepcionada. Quando estava prestes a se virar sua cintura foi entrelaçada e sua boca foi tomada. Sasuke não era muito de palavras, e sim atitudes. O beijo já começou quente, passado o susto, viu Sakura subir suas mãos até o pescoço do moreno e juntando ainda mais seus corpos.

— Uou! – exclamou Kon. – Você não perde tempo ein? – Soltou uma gargalhada. O beijo cessou, de um breve aceno pra ela e foi embora. Sakura ficou um tempo ali, olhando por onde Sasuke passou, se recuperando. Viu-a respirar fundo, pegar a chave no chão que caíra sem ela perceber colocar no trinco girar, abrir a porta e entrar. Sorriu, como gostava de provar daqueles lábios.

De repente a paisagem mudou novamente, estavam na sala do departamento onde trabalhavam. Sakura foi indicada por Naruto para trabalhar ali fazia alguns meses. A rosada estava sentada no sofá de sua sala com as mãos cobrindo o rosto, chorando. Os soluços dela eram altos, seus ombros subiam e desciam por causa dos soluços, usava uma calça jeans, sapatilha, uma camisa de manga longa e o jaleco branco, mas não escondia suas curvas. Os cabelos num coque frouxo com alguns fios soltos. Olhou-se, e viu que sua expressão estava séria, como se tudo aquilo não o afetava. Sabia que era fachada, lembrava-se que por algum momento queria desfazer o que tinha feito. Mas não podia, sua dor não permitia, seu medo era maior.

— Porque Sasuke? – Perguntou Sakura rosada, olhando pra ele. Seus olhos estavam inchados e vermelhos. Suas bochechas com traços de suas lágrimas e sua boca tremia. Sua voz quase não saíra. – Porque esta fazendo isso? Eu dei tudo de mim. Eu me entreguei a você, eu dei o meu coração... – Ouviu um suspiro, fechou os punhos fortemente. Sakura soluçou alto. – Porque pisa em mim dessa forma? Eu te amo tanto.

— Kon, me leve embora. – Ordenou olhando aquela situação. Mas não obteve resposta. O procurou e não viu o menino ali novamente. Entrou em desespero, não poderia reviver aquilo, não poderia reviver mais um momento de dor em sua vida. Terminar com Sakura foi doloroso para si, apesar de ninguém saber desse fato. Foi até a porta, mas sua mão passou sobre a maçaneta, por um momento sentiu raiva, mas lembrou de que poderia passar facilmente, e foi isso que fez, mas voltou à sua sala de novo, com ele em pé recostado à mesa e Sakura no pequeno sofá chorando. Não tinha como escapar dali. Seria obrigado a reviver aquele momento.

— Sakura, não podemos levar isso adiante. – Disse ele, a encarando, não moveu sua postura um centímetro. Ficou ali, com a face séria, inalcançável. – Eu tenho que me dedicar ao trabalho, me focar em descobrir quem matou meus pais, e você só vai me atrapalhar. – Ouviu que Sakura ofegou, desesperada. Mais lágrimas caíram de seus olhos. Ela não se importava em se derramar ali, agarrou a barra do seu jaleco, tentando se envolver nele, formar um casulo para se proteger. Observou seu eu mais novo forçar o maxilar. – É melhor sair, tenho trabalho a fazer e você também.

— Você é um idiota. – Xingou a rosada num rompante de raiva, mágoa e desespero. – Desprezível. Como eu pude ser tão burra...

Sakura levantou-se enxugando as lágrimas, e tentando inutilmente não deixar que outras voltem a cair. A passos curtos foi até a porta, passando pela figura fantasmagórica de Sasuke, que tentou segura-la. Antes de sair, olhou para trás mais uma vez, talvez na esperança do moreno desistir, mas o que viu terminou de lança-la para o fundo do poço, um olhar gélido e suas costas quando ele virou-se para a mesa enquanto recolhia alguns papéis sobre esta.

Sasuke se sentiu arrasado ao reviver aquela cena novamente, despedaçado, arrependido. Queria bater em si mesmo, queria ir até ela e a consola-la, dizer a verdade e que não queria a longe. Mas lembrou-se da morte de seus pais, não poderia se dar ao luxo de amar alguém, de trazer alguém para a sua vida e vê-la sendo arrancada de si, temia se envolver, se abrir, preferia a dor da distancia à dor da perda. Quando se deu conta estava somente ali, naquela sala, vazia, sombria.

— Arrependido Uchiha? – Uma voz soou atrás de si. Não precisou se virar pra saber quem era. – Porque afasta as pessoas que te ama e querem o seu bem? Porque a repeliu dessa forma? Ela é uma mulher bonita, inteligente e, eu não sei por que, te ama. – Voltou-se para Kon, que agora o olhava sério. –Você a ama e sabe disso. Mas preferiu ser um covarde...

— Eu não sou um covarde. – Rosnou interrompendo o espírito, se iludindo. Era um homem feito, vacinado, tinha seu próprio emprego, mas não aguentava ouvir a verdade, não era capaz disso. – Foi melhor assim...

— Pra quem? – Perguntou se aproximando do moreno. – Admita que essa vida que leva não esta te fazendo feliz. Admita que você não consegue sozinho, que você precisa do seu irmão, do seu amigo e principalmente dela para se ver livre dessa dor, desse medo irracional, para alcançar o que realmente deseja. – Fitou-o, era pequeno, mas por ser um espírito e flutuar conseguia ficar cara a cara com ele. – Você se gaba por aí dizendo que ajuda as pessoas, que cuida de todos, mas está fazendo sofrer aqueles que são próximos de você. Que dariam a vida por você.

— Você não sabe de nada. Não entende. – Esbravejou. – E se aqueles desgraçados viessem e tirassem a vida dela como fizeram com meus pais? – Gritou nervoso pensando nessa possibilidade.

— Pessoas morrem todos os dias Sasuke. – disse Kon, com certo pesar na voz. – Não podemos controlar. Por isso temos que aproveitar cada minuto com quem amamos. Não devemos perder a oportunidade de ser feliz. – Chegou perto do moreno e colocou a mão em seu ombro.

— Eu sou feliz no meu trabalho. Eu sou feliz ajudando as pessoas. – Falou num sussurro, tentando se convencer e tentando tirar a voz de Kon de sua mente. Era orgulhoso demais.

— Claro, minta pra você mesmo e continua se afundando mais nessa sua vidinha medíocre e solitária. – Kon estalou os dedos, e o ambiente ficou escuro. – Esta na hora de você aceitar o que acontece aqui. – Disse apontando para seu peito, para seu coração. – Permita-se Sasuke, permita-se sentir. – Imagens começaram a passar em volta de ambos, imagens dos momentos em que Sasuke parecia feliz, leve, sereno, com seus pais, com seu irmão, Naruto e Sakura. Desde sua infância, até o momento. – Precisa tomar uma atitude meu caro, já fazem dois anos que você chutou Sakura pra fora da sua vida. Ela não vai esperar por muito tempo. – De repente todas as imagens focavam em Sakura. E aquele sorriso dela mexia demais com o moreno. – Permita-se perdoar e pedir perdão, amar e ser amado, senão, outro irá tomar o seu lugar. Outro irá formar uma família com ela, ter filhos. – Dizia ele. — Outro irá tomar o seu lugar. – Repetiu tentado convencê-lo. — E você vai acabar sozinho, sem ninguém...

— Cala a boca. – Rosnou Sasuke. Tudo a sua volta era a Sakura, lembrou-se de seus toques, seus sussurros, seus carinhos, seus beijos. E foram nesses raros momentos que Sasuke percebeu que se sentira completo, feliz. A voz de Kon o alertando que outro poderia estar em seu lugar entrou em seus ouvidos, fechou suas mãos em punhos. Tinha medo de ter Sakura, mas descobriu que não queria vê-la com outro, era um egoísta.

— Ela não irá esperar pela sua pessoa o resto da vida. – Alertou Kon.

Raiva, tristeza e medo tomaram conta de seu ser. O arrependimento de ter abandonado Itachi, de ter largado mão do amor de Sakura se apoderou de seu ser, e doía reconhecer aquilo. E a dor que ele mais teme em sentir, se apossou de seu coração. A dor da perda ao pensar em Sakura com outro homem. Quando notou estava com o rosto no chão, sentiu faltar o ar, seus pulmões ardiam como se ele tivesse corrido uma maratona, uma tontura o abateu e de repente, tudo escureceu.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Até o próximo!!!