Os Fantasmas de Uchiha Sasuke
5 Capítulo 05: O Fantasma do Futuro
Notas iniciais
Abriu os olhos sentindo seu corpo latejar, olhou ao redor e estava de volta em seu escritório. Estalou o pescoço tentando se sentir mais confortável, mas em vão. Olhou o relógio que marcava 17h:00m. Suspirou. Estava tendo um dia insano, sua mente estava cheia, seu coração dolorido. Sentou no sofá e pensou nos seus pais, no seu irmão, Naruto e em Sakura. Sorriu ao pensar nela, mas logo desfez o sorriso, Sakura estava seguindo em frente, e esse simples pensamento o apavorou. Se levantou para por em prática o plano que ele teve.
Andou até a porta de sua sala, ao abrir e por o pé pra fora, caiu num lugar profundo e escuro. Olhava para os lados tentando ver se conseguia se agarrar em alguma coisa, mas tudo estava um breu. Ele estava caindo e não sabia onde iria parar. Quando a queda cessou, Sasuke arquejou de dor, suas costas e braços estavam doloridos pela queda que teve. Levantou olhando ao redor, e tudo que via eram árvores, o céu estava claro, parecia um dia de sol.
— Eu sei o que vai vir agora. – Bradou com os braços abertos, e rodando em volta de si mesmo. – O fantasma do futuro. – Olhou pra cima rindo com escárnio. No fundo estava atemorizado, com muito medo de saber o seu futuro. Seu passado era horrível, seu presente lamentável, o que poderia esperar de seu futuro? – Vamos, apareça. – Ordenou em zombaria. Um vento começou a rodeá-lo, as folhas caídas no chão se levantaram com a força da ventania, as árvores balançaram agitadas. Sasuke cobriu o rosto para se proteger dos galhos que batiam em seu rosto. Quando tudo se acalmou, abaixou os braços e pode ver em sua frente o fantasma do futuro. Tinha a aparência de uma velha, baixa, corcunda, usava um manto na cor cinza, seus cabelos da mesma cor, que eram curtos na altura dos ombros, e uma faixa em sua testa amarronzada. As linhas de expressões eram muito visíveis, e seu semblante era sério e carrancudo. Engoliu em seco, aquele não inspirava confiança, e mais uma vez o medo do que estava por vir assolou seu interior, mas dessa vez de uma forma mais brusca e dolorosa.
— Você é o fantasma do futuro? – Perguntou tentando inutilmente disfarçar o assombro que estava sentindo. A velha ergueu o seu dedo e começou a escrever no ar.
Chyio.
— Seu nome? – Perguntou Sasuke e ela confirmou balançando a cabeça. Deu as costas a ele e saiu andando, e o moreno viu aquilo como um chamado para ir. E foi o que fez.
Enquanto andava o lugar foi mudando a paisagem, estavam num lugar aberto, não havia mais árvores, tinha uma pequena igreja e era para lá que estavam indo. Viu muitas pessoas sentadas nos bancos, inclusive Naruto e Hinata, Itachi, Izumi e seus sobrinhos. A igreja estava enfeitada, com flores brancas com arranjos prateados nas laterais dos bancos. No altar podia ver o padre e Sasori, de terno preto com a camisa cinza e a gravata num tom prateado.
Ouviu a tão famosa música que tocavam em todos os casamentos e olhou para trás, e pode ver Sakura entrando, com o vestido de noiva deslumbrante, sorrindo emocionada. Seguia ela com o olhar até esta chegar ao altar e dar a mão ao ruivo.
— O que? – Perguntou incrédulo. – Sakura esta casando com ele? – Olhou para Chiyo, que confirmou e apontou o dedo para o casal. — Não. – Saiu de onde estava e ficou ao lado de Sakura, tentando ter sua atenção. – Sakura, estou aqui. – Falava enquanto abanava as mãos na frente da mulher, inutilmente. – Por favor, me perdoe, não se case com ele. Eu prometo não te abandonar mais, eu posso te fazer feliz. Não se case com ele. – Implorou em vão. – Eu vou mudar Sakura, eu prometo. – Tentou em vão tocar nela.
— Se não há ninguém contra a união dessas duas pessoas, eu vos declaro marido e mulher. – Ouviu o padre falar. – Pode beijar a noiva. – E mais uma vez viu sua amada ser beijada por outro.
— Não, não, não...- Sasuke fazia de tudo para separá-los, mas a única coisa que acontecia era passar direto por eles.
Sakura sorriu para Sasori e este a guiou até a saída da igreja. Lá fora muitos jogavam arroz em cima do casal desejando felicidades.
— Sakura.- Sasuke sussurrou seu nome enquanto a via partir com seu marido.
Logo toda a paisagem mudou, olhou ao redor e via algumas poucas árvores, as folhas amarronzadas caiam no chão tapando a grama verde. Deixando um ar sombrio e de pesar.
— Onde estamos Chiyo? – Perguntou à velha ao seu lado. Ela apenas apontou o dedo para um local. Seguiu onde ela mostrava e ao longe viu Naruto, Hinata, Itachi, Izumi e seus sobrinhos já crescidos, todos vestidos de preto. O fantasma começou a andar até lá e ele apenas a seguiu, conforme foi chegando mais perto notou os semblantes tristes e desolados de todos. – O que esta acontecendo aqui? – Perguntou temeroso. Chiyo apontou para uma lápide no outro lado da ponta do caixão. Seus olhos arregalaram, o ar faltou nos pulmões, a boca ficou seca, estava petrificado ao ler as letras garrafais no mármore preto.
Seu nome escrito na lápide, a data de seu nascimento, e a data de sua morte. 25 de Dezembro.
— Não pode ser. – Murmurou desolado. – Eu morri no dia do natal? – Perguntou pra si mesmo, aquilo era irônico.
Sasuke olhou em volta, somente aquelas pessoas estavam ali, nem mesmo Sakura aparecera no seu funeral. Isso é ridículo. Ouviu Naruto dar os pêsames para seu irmão, pegar na mão de sua esposa e sair dali, com algumas lágrimas nos olhos. Izumi tomou a mãos dos filhos e partiu deixando Itachi sozinho para se despedir do único irmão.
— Sentirei sua falta irmãozinho. – Suspirou o moreno deixando mais lágrimas caírem. – Eu gostaria de ter feito mais por você. Me perdoe, não fui um bom irmão mais velho. – Mas um soluço saiu da boca dele e Sasuke não acreditava no que estava ouvindo. Ele era um péssimo irmão, não Itachi. Ele é quem devia desculpas. Itachi era um ótimo irmão, sempre o protegendo, sempre buscando o melhor para ele, mas Sasuke não deu o devido o valor. Arrependia-se amargamente de ter deixado a amargura e o medo tomar conta da sua vida, e hoje ele via as consequências de não ter deixado Itachi, Naruto e Sakura se aproximar para ajuda-lo.
— Itachi, a culpa foi minha. – Tentou falar, mas sabia que seu irmão não o ouviria. – Eu te peço perdão irmão. Você fez e faz de tudo por mim, pra me ver bem. – Sasuke começou a chorar, não aguentava ver seu irmão se culpar por coisas que ele próprio era culpado. – Irmão, por favor...por favor... Me perdoe. – Pediu num sussurro, ansioso para que o irmão pudesse ouvir.
O caixão começou a ser abaixado, Itachi pegou um punhado de terra e jogou em cima.
— Adeus irmãozinho. – Sussurrou ainda com lágrimas nos olhos. E aquilo doeu profundamente em Sasuke.
Se virou para implorar a Chyio que o retirasse dali, mas ao fazer isso, sentiu ser empurrado para dentro daquela cova. Bateu as costas no caixão e arquejou de dor, antes que pudesse se levantar a terra começou a ser jogada em cima dele, viu Itachi olhando para baixo chorando desolado.
— Não, parem com isso. – Clamava Sasuke lá em baixo tentando inutilmente tirar a terra de cima de si. – Itachi me ajuda por favor. Eu vou mudar, eu prometo, eu vou mudar. – Lá em baixo, Sasuke fazia promessas de mudança, a terra estava o soterrando. Não sabia quanto tempo tinha ficado ali. A respiração ficou pesada, o ar começou a faltar, desespero e ansiedade tomou conta de seu ser. – Me tirem daqui. – Dizia abafado pela terra, que já o cobria por inteiro e insistia entrar em sua boca. – Eu vou mudar. – Num último sussurro, apagou.
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