Os Exilados de Nothridame
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Julie cegou cedo no seu primeiro dia de aula na faculdade, mas também como não? A família Evans despertou mais cedo do que o sol.
A Sra. White bateu na sua porta, mas isso não foi o suficiente para acordá-la. Por sorte, Julie tinha programado seu celular para despertá-la. Só assim ela acordou. Levantando da cama forçadamente, por causa do sono, foi para o banheiro tomar banho e se arrumar. Como já tinha separado suas roupas, não foi necessário todo aquele drama de o que vestir no primeiro dia de aula.
Ao descer as escadas, encontrou todos sentados na mesa, menos Henry.
– Bom dia, senhorita Milles. – disse Sr. Evans.
– Bom dia a todos. – respondeu.
– Nervosa com o seu primeiro dia? – perguntou Art, num tom de brincadeira.
– Até que não.
– Qual é! Todo mundo fica um pouco assustado. – defendeu.
– Vamos, Henry! Ou vai chegar atrasado! – avisou Sra. Evans, se dirigindo às escadas.
– Henry trabalha? – Julie perguntou para Art, que santava ao seu lado, silenciosamente.
Ele sorriu de lado.
– Não. Ele está no quarto simestre de faculdade. Ele faz música. – respondeu.
Ela assentiu, refletindo sobre o duplo sentido da frase.
Alguns segundos depois, Henry apareceu, descendo as escadas com uma maçã na mão e vestindo a mesma roupa quando Julie o vira pela primeira vez. E, é claro, usando seus óculos escuros.
Primeiro, deixaram Art na sua escola, que ficava dois quarteirões atrás da biblioteca. Julie e Henry seguiram viajem, indo em direção ao campus enquanto Dante e Nathalie iam trabalhar.
O Sr. Evans era marceneiro. Ele tinha sua própria loja e seu próprio negócio que, por sinal, fazia muito sucesso na cidade. Lá, vendia-se de tudo um pouco. Vale ressantar que o Sr. Evans era muito criativo na confecção de móveis para decoração e afins. Já Nathalie tinha uma profissão muito diferente da de seu marido. Ela era infermeira. Na verdade, uma das melhores infermeiras que o Hospital Municipal de Charlotte tinha. Como os pacientes costumam dizer, a Sra. Evans é uma mulher muito delicada e amigável.
Durante todo o caminho, nem Julie ou Henry trocaram uma palavra. Chegando em frente a faculdade, os dois tomaram caminhos diferentes: ele parou no segundo prédio, o de música, e Julie seguiu adinte, entrando no terceiro prédio. Ela foi direto para a diretoria, pois precisava passar por toda aquela burocracia de pegar o papel dos seus horários, calendários, avisos e etc. Ao entrar na sala, via que a senhora que, provavelmente, era a diretora do prédio estava conversando com uma garota.
– Presumo que a senhorita seja Julie Milles. – disse a diretora notando a aparecimento dela.
– Ahn, sim. – respondeu.
– Por favor, junte-se a senhorita Taylor e poderão ir juntas para a aula.
Julie se aproximou da menina que parecia ser novata também.
– Prazer. Meu nome é Mary, Mary Taylor. – falou ela, estendendo a mão para comprimentá-la.
– O prazer é meu. Sou Julie Milles.
– Bom, garotas, — começou a diretora. — a maioria das suas aulas vai ser no segundo andar, já que vocês estão no primeiro simestre ainda. O auditório é apenas usado em aulas especiais, geralmente nos sábados. A cantina fica aberta das 7:00 da manhã às 5:00 da tarde. Não toleramos trotes e brincadeiras de que possam prejudicar, em algum aspecto, qualquer pessoa que frequente o campus. Vocês têm alguma pergunta?
Ambas negaram com a cabeça.
– Em caso de alguma dúvida, compareçam à minha sala para esclarecê-la. – finalizou a diretora. – Agora, podem ir para suas aulas.
Enquanto descia as escadas, Julie analizava o que tinha recebido: uma lista com os nomes dos livros do simestre, seu código do armário e os horários das aulas.
– Qual sua primeira matéria? – Mary disse ao pararem no meu do corredor, observando os fluxos dos alunos .
– Ahn... História da poesia inglesa. – falou. – Sala 209 e você?
– Interpretação livre. – respondeu ela, lendo o papel. – Então, a gente se vê por ai.
– Ok. Tchau. – disse Julie, mas a garota já tinha ido embora.
Por um momento, sentiu-se muito nervosa e ansiosa. Estava sozinha no meio daquela multidão de alunos, sem ao menos conhecer ninguém. Respirou fundo e começou a andar em direção à sala, que já estava repleta de pessoas. Ela escolheu se sentar na terceira fileira, do lado oposto ao da porta.
– Veja se não é a garota a qual eu devo um celular! – alguém exclamou atrás dela.
Na mesma da hora, Julie se virou para ver. Era Harry. Ele estava sentado em cima da mesa, com um grupo de meninos ao redor dele. Não que ele tivesse jeito para ser popular, mas parecia conhecer muita gente. Todos foram em direção a ela.
– Gente, lembra que eu falei com vocês que conheci uma aluna nova, então, esta é Julie. – Harry disse para o grupo. – Julie, estes são Nicholas, George, Charles e Edward. – falou à medida que apontava para a respectiva pessoa.
– Prazer, todo mundo. – comprimentou um pouco envergonhada.
Logo depois, apareceu uma garota ruiva de olhos verdes e ficou ao lado de Charles. Eles se abraçaram e se beijaram.
– Ah – exclamou Harry, notando o que ocorrerra. – Essa é Melanie, namorada de Charles. Melanie, esta é Julie.
– Prazer em te conhecer. – falou ela muito amistosa. – Harry não parava de comentar sobre você.
Houve um couro de zoação entre os rapazes, o que deixou Harry constrangido.
– Bem, eu quebrei o celular dela. – se justificou, mas não foi o suficiente para que os outros parecem com a pertubação.
– Bom dia, galerinha. – uma voz grave se sobressaltou dentre as outras. – Por favor, todos em suas carteiras. – era o professor. – Bom dia, meu nome é Roger e, como vocês já devem saber...
A partir daí, Julie parou de ouvir. Estava concentrada em Harry, mas claro, o observava sem que ele percebesse, o que não evitou que outra pessoa o fizesse. Ela viu um aviãozinho de papel pousar na sua mesa. Sem saber de quem tinha vindo, olhou para trás. Com certeza, não tinha sido Harry, pois este prestava atenção na aula, mas ao lado de Charles, alguém acenava discretamente para ela. Era Melanie. Quando Julie desdobrou o papel, estava escrito: “Ficar observando-o de longe não vai adiantar nada. Venha almoçar com a gente.” Sua bochechas coraram imediatamente, sem que ela quisesse. Queria virar a cabeça de novo, para confirmar sua presença, mas, nesse exato momento, percebeu uma coisa. Alguém a encarava e esse alguém era Harry.
[...]
Na hora do almoço, Julie foi em direção ao refeitório, que possuía duas áreas: uma coberta e uma descoberta. A área descoberta era a mais povoada, pois os estudantes gostavam de ficar na grama, em cima de toalhas de piqueninque. Como tinha trazido seu próprio lanche de casa – um sanduíche -, Julie não precisou ir para a cantina.
Quando ela se aproximou da área descoberta, logo avistou o grupo de Harry, só que dessa vez havia mais garotas além de Melanie.
– E ai, Julie? – falou Harry, chegando um pouco para o lado, dando espaço para ela se sentar. – Essas aqui são Hazel, Sarah e Nora.
A última estava compartilhando um cigarro com Nicholas e, quando ouviu seu nome, tirou-o da boca para falar.
–Ouvi falar que você é intercambista. – começou a puxar assunto, mesmo parecendo um pouco grossa.
– É verdade. Sou de Nova York. – respondeu ela.
– E o que você veio fazer nesse fim de mundo? – retrucou Hazel. – Sem querer ofender, mas eu não trocaria NY por nada nesse mundo.
– Acho que não tenho muito a ver com cidade grande. – Julie deu de ombros.
– E onde você mora? – perguntou Harry.
– Eu estou na casa dos Evans.
– A Sra. Evans é uma pessoa muito boa, sabe? – comentou Melanie, que até agora tinha permanecido calada. – Eu costumava tirar sangue com ela quando era pequena e ela sempre me dava um pirulito por me comportar bem.
– Se eu não me engano, eles têm dois filhos, não é? – disse Harry.
– Sim. – respondeu Sarah. – Ali um deles. – lançou um olhar certeiro em direção a Henry.
Quando Julie o notou centado em baixo de uma árvore a alguns metros de distância, seu coração palpitou, pois não esperava vê-lo. Ele continuava com seus óculos escuros, mesmo lendo um livro. Por um minuto, ela pensou que ele era louco. Devido a todos os acontecimentos, tinha direito. Mas, uma coisa não se encaixava: Henry não era filho do Sr. e Sra. Evans. Queria perguntar para alguém por que ele não tirava aqueles óculos e por que achavam que ele era irmão de Art, mas permaneceu quieta.
– Ele faz que curso? – Julie indagou, mesmo sabendo da resposta, só para não deixar o assunto morrer.
– Música. – respondeu Hazel.
– Se ele não fosse tão esquesito, eu ficaria com ele, até porque ele é super-gostoso. – comentou Nora.
– Ei! – retrucou Nicholas, se sentindo incomodado.
Julie olhou para Henry e tentou vê-lo como um cara atraente. Bem, ele tinha ombros largos, braços fortes, sua boca eram bem desenhada, mas seus olhos... A parte de que ela julgava ser a mais importante era inacessível.
O sinal bateu logo depois de ter concluído seu pensamento. Harry se levantou rapidamente e ofereceu ajuda a Julie para levantar.
– Obrigada. – ela agradeceu.
– Ahn, eu estava pensando... – começou ele. – Você vai precisar de um celular, quer dizer, você precisa. – ficou em silêncio por um tempo. — Amanhã, depois da aula, eu te levo para escolher o que vai querer.
– Está bom, quer dizer, obrigada. – disse, embaraçada.
– Então, a gente se vê. – falou ele, tentando esconder o sorriso.
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