Ouço um choro.

O soldado virou-se para mim levantando a sobrancelha como se perguntasse o que era isso. Ignorei-o abrindo a porta do porão entrando e ligando a lâmpada peguei o meu irmão de apenas seis anos no colo e embalei-o tentando o acalmar dizendo que estava tudo bem. Isso acontecia de vez em quando, mas na maioria das vezes colocava fones de ouvido nele para não escutar. Olhando para trás percebi que o homem estava atrás de mim e encarou meu irmão sério fazendo o sinal de silencio fazendo com que Nick parasse de chorar na hora. Meu instinto protetor se fez presente querendo retrucar o que ele fez, mas o seguro a fazer em meio ao combate que eles estavam fazendo logo em cima é ficar quieto.

Então, desliguei a luz. Sentei no colchão e escorei na parede que não tinha prateleiras enquanto observava o soldado avaliar o local em que estava residindo algum tempo.

Não era um hotel cinco estrelas, mas dava pro gasto. Duas paredes eram cheias de prateleiras onde coloquei uma mala contendo duas toalhas que eu roubei de uma casa deserta, algumas roupas minha e de Nick, e tinha uma bolsa de costas com documentos e um Voshod (computador do exercito russo) junto com a minha pistola descarregada para caso um acidente aconteça e por último um porta retrato com a minha mãe quando estava grávida do Nick. Era a única lembrança que ele tinha dela e eu não podia tirar mesmo que toda a vez que eu olhasse sentiria uma culpa terrível por ter deixado as coisas acabarem assim. Por mais que eu fosse muito jovem naquela época, a culpa sempre estaria lá, então voltei quando descobri Nick.

— Aonde você aprendeu a lutar deste jeito? – o soldado perguntou com curiosidade.

— No exercito – respondi, vendo que meu irmão fechou os olhos fingindo dormir.

— Como? Esse lugar, pelo que passaram para gente não tem exercito – rebateu e quando eu olhei para ele estava com a mesma expressão de desdém.

— Que merda você tem haver com isso? Nem sei o seu nome pra você ficar perguntando coisas pessoais – notando que os tiros que tinham parados, mas retornaram – Você não devia está lá fora com os outros?

Ele bufou revirando os olhos.

— Mandaram alguns de nós na frente para ficar com as famílias que restaram de acordo com as suas informações – respondeu ironicamente – O que eu acho ridículo terem me deixado com babá de civis.

Franzi o cenho. Geralmente, aqueles soldados que estavam de castigo por algum erro nas missões ou que eram mais comunicativos eram colocados para vigiar os civis.

— O que você fez de errado? – perguntei, já adivinhando pela postura orgulhosa e pelo leve vermelho que atingiu suas bochechas ele deve te se colocado em risco ou alguém próximo.

— O que você tem haver com isso? Nem sei o seu nome pra você ficar perguntando coisas pessoais – ele repetiu a minha frase com arrogância.

E o Senhor Babaca se faz presente.

Touché— disse. Ficamos em silêncio nos encarando até ouvimos o barulho do seu comunicador. Meu irmão remexeu-se no meu colo e abriu os olhos. O encarei e fiz cafuné.

— Aqui é o Obama sgrhhi sgrhhi precisamos da Jean Gray urgente sgrhhi sgrhhi Base na esculta? sgrhhi srghhi precisamos da Jean Gray urgente sgrhhi sgrhhi Estamos na posição 18-J.

Quando o comunicador foi desligado ele se levantou e começou a tirar uma pistola do uniforme.

— Aonde você indo? Quem é Obama?

— Alguém se machucou, vou ficar no lugar dele. Quem você acha que é Obama? – respondeu ironicamente acabando tirar a arma. Os apelidos dos níveis altos do exército sempre eram ligados a pessoas com poder, então, eu já tinha idéia de quem era “Obama” — Acho que você sabe usar – disse me oferecendo.

Balancei a cabeça.

— Não preciso tenho uma carregada na última prateleira dentro da bolsa – respondi. Ele guardou a dele e foi andando na direção da minha bolsa quando ouvimos sons de passos firmes em cima com tiros em seguida.

Plaf. Plaf. Plaf.

Ele rapidamente tirou a pistola que eu sempre carregava da minha bolsa destravou e me entregou quando cutucou o meu irmão e pediu para ele se levantar fazendo o sinal de silêncio de novo. Nick se colocou de pé e olhou para o soldado serio.

— Quero que você se enrole na coberta e tampe os seus ouvidos com as mãos bem fortes. Espere a sua irmã vir te buscar, okay? – disse segurando seus ombros pequenos. Meu irmão olhou pra mim e eu assenti como resposta. Então ele encarou o soldado e concordou.

O homem fardado olhou para mim e indicou a porta com a cabeça indo em seguida. Levantei do colchão e o segui sabendo que Nick faria o que ele tinha pedido, por causa da vida que ele levava antes de eu o encontrar. Abaixamos quando passamos pela porta quando percebemos que a pessoa estava mais próxima do que pensamos. Ele levantou arma dele e apontou pra minha. Assenti entendendo que era para estar em alerta.

Quando ele se levantou já abrindo a porta nos distrairmos ao ouvir algo caindo lá fora e continuando a sair do cômodo. Tudo foi muito rápido. A sombra se levantou e eu fui tentar avisá-lo, ouvi um barulho de um tiro que atingiu o soldado que estava na minha frente fazendo com que ele saltasse para trás e caísse no chão. Em seguida, lancei-me sobre ele o protegendo com meu corpo. Quando olhei para cima vi uma sombra chegando e atirei duas vezes no homem que ao aparecer na porta que parecia estar surpreso por me ver com uma arma. Ele caiu desmaiado com um baque absurdo no chão. Vendo que ele não estava se mexendo, olhei para o soldado que parecia inconsciente, o agarrei pelos ombros e o puxei seu corpo pesado para dentro da sala.

— Ai! – ouvi o resmungo quando senti algo molhado na minha mão direita. Olhei para ela vi sangue.

A primeira vez eu tive que fazer prática, da aula de primeiros socorros, quase desmaiei quando vi sangue em um soldado de cobaia que tinha sofrido um ferimento de bala de borracha na barriga. Eu não sabia, mas sangue tinha um cheiro enjoativo para mim. Um dia me perguntaram rindo se eu lia livros de vampiros demais. O que foi irônico, porque eu nunca tinha lido livros de adolescente e para saber do que eles estavam falando tive que pesquisar no querido Google, que eu tinha acabado de descobrir também naquele ano por causa do Hani.

Prendi a respiração e fui tirando a camisa do soldado.

— Que eu me lembre – comecei a resmungar abrindo os botões – É obrigatório o uso de coleta a prova de balas, soldado.

— Você se esqueceu de desarmar ele – reclamou ainda com os olhos fechados – E meu nome é Vin, espertinha!

— Agradecer por eu ter salvado sua vida, você não fala, né?! – revirei os olhos.

Mas meu rosto tinha esquentado, porque, droga, ele realmente estava certo. Primeira regra de combate: nunca virar as costas para seu inimigo, mesmo que esteja desacordado. Larguei a minha pistola no chão. Levantei e segui até onde o homem estava e recolhi a armas que ele deixou cair no chão quando foi atingido. Apalpei seu corpo a procura de outro tipo de armas e encontrei uma faca pequena colocando-a no cabo da minha bota e duas pistolas que coloquei nas minhas costas. Sai para puxar seu corpo e escondê-lo dentro do cômodo.

Senti uma mão me parar.

É claro que esse cara tinha um colete a prova de balas.