Os Elos do Nosso Amor
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Como ficaram as coisas entre eles? Será que Kamus realmente vai tirar as meninas de Milo? Só lendo para descobrir.
Boa leitura!!
Aquela noite o cavaleiro de aquário estava desesperado. Não sabia o que dizer, o que pensar. Agora que sabia a verdade, um misto de raiva e arrependimento tomava conta de si. Havia voltado a fim de reconquistá-lo, mas sentia-se traído e enganado, ao mesmo tempo em que sentia o peso da culpa invadi-lo também. Não era perfeito, mas seu erro era imperdoável.
Não sabia o que sentir, o que pensar.
Trancou-se em sua biblioteca e não conseguia dormir. Tentava entender, mas realmente estava confuso.
— Por que Milo... Por que não me disse? Por que não deu um jeito de eu saber? Por que escondeu de mim? Eu tinha o direito de saber... — Falava ao vento, procurando uma resposta. Foi quando sentiu dois cosmos e os ignorou. Ficou ali por um tempo, mas os donos dos cosmos não se afastaram. Suspirou pesado, e contrariado abriu a porta. — Vieram expulsar-me? — O ruivo perguntou frio e olhou nos olhos daqueles dois.
— Claro que não Kamus! Somos seus amigos ainda, podemos falar com você? — Saga de gêmeos falou com sua voz altiva. A seu lado, outro loiro, Shaka de Virgem estava ali e esperava que o amigo os recebesse.
Kamus não falou nada, apenas se afastou dando caminho aos dois. Depois que entraram o Francês fechou a porta atrás de si e escorou nela cruzando os braços.
— Então, a que devo a honra de suas visitas a essa hora? — Ele perguntou frio e um tanto impaciente.
Os dois loiros ali não eram os mais pacientes e mais carinhosos, mas não iriam ser rudes.
Saga sentou-se em uma poltrona e Shaka encostou-se na parede. Mas foi mesmo o indiano que começou.
— Por que voltou Kamus? O que queria? Reconquistar ele? Olha! Não tenho nada a ver com sua vida, mas aqui somos amigos, somos uma grande família, nós deixamos tudo, nós morremos, e recebemos uma segunda chance e o que temos? Um ao outro! Você e Milo sempre foram os opostos, contudo sempre se amaram. Posso não aceitar suas atitudes ao deixá-lo, mas não tenho o direito de julgá-lo, mas como seu amigo, se ainda nos considera assim, nos achamos no dever de tentar conversar e tentar ajudar, se precisar e se quiser claro. — O indiano dizia tudo com calma.
— Shaka tem razão... — Saga disse sério. — Kamus, deixe o passado no passado... Vocês erraram, cada um tem seus defeitos, mas podem mudar o futuro... Vocês têm três filhas lindas. Se não quiserem fazê-las sofrer, acho melhor parar e repensar tudo! Você perdeu o melhor delas... Não perca mais. Trouxe Mia de volta e pode ter uma família Kamus, e está sendo cabeça dura! — A sabedoria sempre regia Saga, por tudo que tinha passado, lhe cedeu isso. — Onde está o Kamus que eu conheço?! Aquele que sabe ponderar, que sabe reconhecer suas falhas? Ninguém aqui está pedindo para você pedir perdão ou implorar qualquer coisa, só achamos que devia repensar e aproveitar a chance e recomeçar... Reconquistar...
O defensor da décima primeira casa mantinha-se calado, todavia sabia que eles tinham razão, se fosse fazer um balanço de tudo, com certeza veria que o maior culpado fora ele.
— Se já terminaram... Gostaria de ficar sozinho! — Falou da mesma forma impassível de sempre, mas sentia-se abalado com aquilo. Viu os dois se entreolharem e depois se dirigirem a porta, mas antes que os loiros saíssem, ele se pronunciou. — Merci...
O indiano e o grego saíram dali, no entanto conheciam o amigo Francês e sabiam que ele não era um monstro, era calado, parecia frio, mas era uma pessoa sensível e coerente. Não precisava de muitas palavras para entender, logo aquela raiva passaria e ele poderia ver tudo de forma mais clara. Seguiram em silêncio para seus templos.
Gêmeos chegaram em casa e encontrou Kanon o esperando ansioso.
— E ai? O que ele disse? Olha Saga, não se atreva a ficar do lado daquele abusado! Ele não...
O Gêmeo mais novo não pode concluir sua fala, pois o mais velho tomou seus lábios em um beijo apaixonado, sua língua explorava a boca tão igual a sua, mas ao mesmo tempo tão diferente, suas mãos habilmente foram cuidando de despi-lo e aquela noite o amou, o possuiu e demonstrou todo amor e afeto que tinha por ele.
Depois de ver como Milo e Kamus estavam sofrendo e pensando em seu passado e no tempo que teve de ficar separado dele, sentiu medo e agradeceu aos deuses poder estar ali com ele novamente.
Já Virgem passou direto para a primeira casa, procurou seu amado que se surpreendeu por não esperá-lo ali àquela hora.
— O que houve? Shaka? Está tudo bem? — O ariano perguntava preocupado, mas o loiro apenas o olhou apaixonado.
— Senti uma necessidade enorme de dizer que te amo! — Ele falava tocando o rosto de pele alva e olhando nos olhos dele continuou. — Não sei o que faria no lugar do Kamus e do Milo, mas sei que não quero ter perder! — O indiano falou amoroso, não que não fosse, mas normalmente era calado.
Todos sabiam com o francês e o grego eram apaixonados um pelo outro, e sentiam por aquela separação. Tinham visto Milo sofrer, mas podiam ver que Kamus ainda sentia algo por ele, mesmo debaixo daquela frieza toda.
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— Agora já chega, as três vão escovar os dentes e para cama! — Para Milo ouve um júbilo tão grande ao pronunciar “três”. Claro, que era feliz com Danita e Fahir, mas saber que ele tinha Mia junto, era especial, sentia-se pela primeira vez em anos completo.
— Ah queria brincar mais... Vai... — Fahir pediu fazendo beicinho, e piscando os cílios.
— Nem tente me chantagear com essa expressão fofa! — Milo disse não conseguindo fazer uma expressão dura.
— Vai papaizinho... E a primeira vez que durmo com minhas irmãs, deixa a gente fazer festa de pijama... Ehhhhhh... — Ser Fahir sabia apelar, Mia então...
Milo ficou olhado para três, em seus pijamas de algodão, mas cada um, de uma cor diferente, os grandes olhos brilhando, e os beicinhos adoráveis. Seu coração comoveu, e a palavra “sim” estava pronta para sair de sua boca, quando seus olhos caíram sobre o relógio, e viu que passava das dez da noite.
— Não! Olhem por esse lado, o quanto mais rápido dormirem, mais cedo acordarão amanhã, e mais tempo terão para brincar. Agora as três escovar os dentes, e cama! — Disse estreitando os olhos.
— Ok! Vamos meninas. — Danita disse. Pelo visto a líder do grupo.
Elas encaminharam para o banheiro que ficava no corredor. Sempre rindo, e falando alguma besteira passaram a se aprontarem para dormi.
Milo balançou a cabeça, e com um sorriso radiante passou a ajeitar a cama. Como tinha apenas duas camas no quarto delas, optou que elas dormissem todas consigo na sua espaçosa cama. Na verdade uma desculpa para tê-las juntas a si.
— Ehhhh... Cama de papai é fofa... — Disse Fahir quando saiu correndo pela porta, e se jogou sobre o colchão, quicando.
As outras duas caíram na gargalhada, e Mia tímida apenas correu sentado ao lado da ruiva, sem pular.
— Duas crianças. — Danita a mais séria disse quando subiu graciosamente na cama.
— Parece père Kamus falando! — Disse Mia ao que jogou um travesseiro na cara da loira mais séria, mas nem por isso fria.
— Ah é!? Então se prepare... Guerra de travesseiros. — As três começaram a pegar seus travesseiros, e com risos cristalinos nos lábios começaram a atacar.
— Meninas! Parem com isso. Ei... Estou falando aqui. Pai falando, filhas obedec... — Mas as falas de Milo pararam no meio quando ele recebeu uma travesseada na cama.
As três caíram na gargalhada com a expressão perdida do escorpião.
— E... Cavaleiro fraquinho, sendo derrotado por três lindas meninas. — Disse Mia batendo as mãos.
— Vamos ver quem é fraco aqui. Preparem-se amazonas, pois sou um santo dourado, e acabarei com vocês. — Milo disse entrando na brincadeira. Rapidamente pegou seu travesseiro, e passou revidar, claro, ele controlava bem sua força, pois jamais machucaria suas filhas de verdade.
— Socorro... Quem nos salvará. — Fahir gritou encenando.
Os quatro passaram a se divertirem, rindo, gritando, correndo... Na pequena guerra, penas começaram a voar pelo ar, como tal travesseiros... Uma alegria tão viva e contagiante.
Perderam a noção do tempo, e tudo que importava naquele momento era a oportunidade de se sentirem uma família completa pela primeira vez, claro que ainda faltava alguém ali, mas somente o tempo poderia dizer.
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Timidamente o sol nascia no horizonte, tocando cada canto graciosamente. Algumas pessoas já levantavam para cumprir seus deveres, desde pessoas normais como guerreiros que lutava pela paz no universo.
Nas arenas do santuário já se via cavaleiros, treinadores e aprendizes buscando aperfeiçoa na arte de lutar, a fim de proteger não só Athenas, mas o mundo das forças do mal.
Nas doze casas, alguns dos dourados encontravam-se em pé, ou cumprindo seus deveres, ou tomando café, e alguns ainda aconchegados aos seus amados.
Contudo na décima casa existia alguém que não havia conseguido dormir. Kamus de Aquário varrera a noite em seu escritório, com um copo e garrafa de Uísque escocês. A bebida amarronzada descia como fel, mas tão amargo que simulava a sua angústia e dor.
Dor de anos perdidos. De sua eterna racionalidade, ou da traição que sentia...
Kamus desejava voltar no tempo, modificar suas decisões, ter ido um pouco por seu coração, mas o ruivo era ciente que isso jamais poderia acontecer... Pois com a linha do tempo e espaço não se brincava.
Suspirou jogando o copo ainda com um pouco do líquido contra a parede em sua ascensão de raiva, na verdade aquilo era pouco diante da destruição em seu escritório.
O mesmo cambaleando levantou seguindo para o quarto, quem sabe dormir ajudaria, mas antes que concluísse isso parou, uma ideia, ou melhor, sem pensar direito em seus atos, ele se moveu saindo apressado, mas com passos em falso de sua casa, descendo alguns lances de escadas.
Um cavaleiro tinha um grau alto de resistência quanto bebidas alcoólicas, não era fácil fica bêbado. Logo, Kamus havia ingerido muito, não se diria que realmente estava nesse estado, mas um pouco alterado.
Ao chegar a seu destino vou entrando, e não sendo nada discreto
— Milo, cavaleiro de escorpião, traga essa sua bunda gostosa aqui agora! — Gritou sem reservas, e diria que pela primeira vez sem importar se alguém ouviria os tipos de palavras que saiam de sua boca.
Ele abriu os braços quase perdendo o equilibro.
— Qual é? Não sou digno de sua presença? Roubou-me a gestação e nascimento de minhas filhas, não deixou ver duas crescer e agora me rouba Mia... Venha cá agora. Sou seu homem e estou mandando.
Ele sentiu um cosmo, e este se achava bem agressivo.
— Quer calar sua boca de merda?! Se acordar minhas filhas com suas besteiras, lhe mato. — Milo disse. Sua expressão era dura, os braços cruzados em frente ao corpo mostravam sua agressividade.
— Nossas filhas! Que eu saiba não as fez sozinho, e você bem que gemeu quando transamos e as concebemos. — Kamus disse andando em falso tentando chegar no loiro.
— Pelos deuses Kamus, você fede! — Milo disse virando a face quando Kamus encontrava a um passo de si. — Aonde está o controlado homem de aquário, que nada abala?
— Isso... — Abriu os braços. — É o que você faz comigo. Destroça-me, tira toda minha sanidade ou controle... Abala-me de maneira descomunal... Mas me deixa as traças... Deve está feliz, com sua vingança.
Milo lamentava ver quem tanto amava naquele estado. Mesmo que as atitudes de Kamus o despedaçaram no passado, e ainda surtia efeito em si, jamais queria ver ele naquele estado. Mesmo que tivesse tido desejo de se vingar.
— Eu não fiz nada... Agora já chega! Quer que nossas filhas o vejam nesse estado lamentável?! — Milo disse segurando os braços do aquariano.
Ouvir a palavra “Nossa”, mexeu com Kamus. Uma corrente de alegria e êxtase nunca experimentada antes.
— É nossas? Diz de novo, gosto desse som... — Balbuciou.
— Por Zeus, você bêbado e uma desgraça! — Milo lamentou ao que moveu o ruivo para dentro de sua casa. — Fica calado, não quero acordá-las.
— Sim! Meu escorpião, me dê seu veneno doce e viciante. — Kamus disse abraçando Milo.
— Pare com isso! Não sou seu.
Milo o levou para um dos quartos de hóspedes, despejando Kamus sobre a cama como um pacote qualquer.
— Vê se dorme... Depois trarei um café amargo para você, e roupas para se trocar. E se curar dessa bebedeira.
Kamus ficou ali e logo dormiu.
As meninas levantaram-se cheias de energia! Era domingo e elas queriam aproveitar juntas.
— Bom dia papai! — As três disseram ao mesmo tempo. Sentaram-se a mesa onde havia bolo, pães, suco, leite e queijo. Milo sabia o que Danita e Fahir comiam, mas Mia devia ter uma alimentação diferente, afinal vivera com Kamus e ele era diferente de si.
— Bom dia meninas! Dormiram bem? Por que acordaram tão cedo? — O loiro perguntara, embora já soubesse a resposta. — Olha Mia, não sei o que prefere no café da manhã, mas tem bolo e pães, queijo e geléia, suco e leite! — Falava carinhoso e vez ou outra olhava de canto para o corredor onde estava Kamus. Esperava que ele não levantasse ainda e não dissesse besteiras.
As pequenas estavam eufóricas por estarem juntas, mas nenhuma delas esquecerá o que o pai ruivo falou sobre tirá-las do loiro.
— Papai... — Mia chamou baixo. — Por favor... Posso ver como está mon Pére? Ele deve estar triste! — Ela disse abaixado o rosto.
— Podemos ir? — Fahir perguntou mordendo os lábios e Danita permaneceu em silêncio. A loirinha ainda estava pensando em como fazer aqueles dois pararem de brigar.
Milo respirou fundo e não sabia bem o que dizer. Podia entender a preocupação de Mia, afinal tudo ali ainda era novo para ela e o ruivo foi à figura de pai que tinha, mas as outras duas achava que não iam se interessar por Kamus. Suspirou e olhando naqueles rostinhos, falou vencido.
— Kamus não está em Aquário... Está no quarto de hóspedes, mas deve está dormindo, vão brincar e eu prometo chamá-las quando ele estiver acordado.
As meninas arregalaram os olhos e correram para os braços do loiro.
— Obrigada papai! — Saíram correndo e Milo as chamou de volta.
— Parem! E voltem para tomar café! Não podem sair sem comer nada! — Sentia o coração apertar... Ver elas juntinhas e lembrar do que o ruivo dissera era o mesmo que matá-lo lentamente.
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Longe dali e do templo, Akane não queria acreditar. O ruivo voltou? E trouxe a filha perdida do loiro? Era muita falta de sorte. Andava de um lado para o outro e pensava em como separá-los, Milo não a quis e por isso mesmo queria fazê-lo sofrer.
— Vou tirá-las de você Milo! Você não as merece! Não mesmo! — Falava ao vento e seu ódio era tanto que chorava baixinho. — Nunca será feliz com ele, nunca deixarei que fiquem juntos! Nunca... — A mulher gritava e quebrava alguns objetos jogando-os contra a parede.
— Eu odeio-o! Odeio aquele ruivo... Por que Kamus? Para que voltou? Para tirá-lo de mim?! Desista seu francês de merda! Ele é meu e se não for meu não será de mais ninguém!
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Kamus ficou dormindo.
O escorpião foi até o quarto e ainda o olhou ali, dormindo. Como ele estava arrasado, mas continuava lindo, levou a mão até os fios ruivos, mas deteve-se.
— Não Milo... — Dizia para si mesmo, refreando sua ânsia de tocá-lo. — Por que Kamus? Me diz? Por que não podia ter sido diferente? Por que não me ouviu? — Sentiu uma dor absurdamente grande e saiu do quarto antes que cedesse a saudade que sentia dele, e aos sentimentos que sabia agora que não haviam morrido.
Milo não podia e não queria ficar ali esperando por ele. Foi ao encontro de Afrodite, precisava conversar. Mas antes de sair, deixou uma muda de roupa, toalhas limpas e café forte na garrafa. E um pequeno bilhete.
Kamus acordou pouco antes do almoço e ao abrir os olhos, tentou levantar e sentiu tudo girar. A cabeça doeu numa pontada só e o ruivo voltou a deitar-se. Levou as mãos à testa e respirava fundo. Sentiu-se perdido e aos poucos as lembranças iam voltando.
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— Não acredito que fugiu.
— Não fiz isso! Só tinha que pegar as mochilas que elas deixaram aqui... — Milo deu uma desculpa, mas estava na sua cara que era mentira, que no fundo ele fugia de está na presença do ruivo.
— Pelos deuses Milo, vocês foram amantes por anos, além de amigos... Tem três lindas filhas juntos, sentem e conversem. Kamus errou, eu no seu lugar o mataria, mas você o ama tão loucamente que por anos manteve celibato sonhando com ele.
Os dois encontravam no jardim da casa de Peixes. Enquanto Afrodite cuidada de suas amadas rosas, os amigos conversavam.
— Ele... Abandonou-me, e tratou meu amor como se fosse nada, como posso aceitar isso? — Milo indagou. Sua expressão era sofrida, deixando claro o quanto encontrava confuso e inseguro.
— Conversarem? Perdoar? Pedir desculpas? Vocês dois tem uma história linda juntos, ficarem separados seria estupidez. Kamus foi fraco em não confiar, e fugir, mas, por favor... Vai continuar sofrendo por quanto tempo mais? Você ama esse homem, e jamais ficara com outro. — As palavras de Afrodite eram sábias.
— Eu... Preciso pensar, agora preciso ir... As meninas devem logo está de volta, e deixei um bêbado dormindo. — Disse dando beijo na face do amigo. — Obrigado.
Milo fez questão de descer lentamente cada degrau da escada. Somente quando se achava na frente de sua casa, puxou a respiração com força. Tinha tentado ficar o máximo possível longe dali, boas horas, mas aproximando do horário do almoço, não tinha escapatória. Por um lado torcia para que Kamus tivesse partido, mas como não sentiu o cosmo dele na décima primeira casa, tal desejo poderia não ter se cumprido.
— Seja homem Milo, afinal és o dourado de escorpião. — Murmurou para si mesmo puxando o ar com força para seus pulmões.
Empurrou a porta da cozinha, mas deu somente dois passos, antes de parar. Seus olhos cresceram de tamanho, para em sequência um tremor tomar conta de si.
— O que está fazendo?
— Aprontando almoço para minhas filhas. — Kamus disse como se tudo fosse algo corriqueiro, e que ele fosse acostumado fazer.
Aquário encontrava vestidas a blusa de malha branca, e a calça moletom cinza que Milo deixara para ele. Seus cabelos tinham o fresco de lavados, encontravam presos, com alguns fios soltos.
— Seu... — Milo perdeu o rumo do que ia dizer, quando Kamus aproximou-se de si. O charme dele fazia todas suas forças minarem. Mesmo depois de anos o ruivo mexia consigo de maneira única.
— Prova?! — Kamus levou à pequena colher a boca do escorpião.
— Uhh... É seu famoso molho? Mesmo após anos continua maravilhoso.
— E não e a única coisa que contínuo fazendo bem. — Kamus disse sussurrando contra a orelha de Milo. Mordiscou o lóbulo para se afastar em sequência, justo no exato momento que as três pentelhas entraram pela porta.
— Pai... Pére?! — As três indagaram juntas, claro que vibraram em ver seus dois pais no mesmo lugar.
— Vai morar conosco aqui? Seremos uma família completa? — Fahir indagou com os olhos brilhando de esperança.
— Não. — Milo disse automaticamente, mas no instante seguinte se arrependeu, pois viu a carinha triste de suas filhas, e por elas seria capaz de tudo.
— Princesas... Eu e Milo temos muito que conversar, mas uma coisa que desejamos e estar presente na vida das três. Por que não deixamos os detalhes para depois, e simplesmente não aproveitamos esse momento? A comida já está quase pronta, por que não vão tomar um banho? — Kamus disse com sua irresistível voz rouca, mas que agora carregava um tom carinhoso que surpreendeu a Milo.
Será que realmente conhecia esse Kamus diante de si?
As meninas saíram correndo para o banheiro. Estavam felizes com aquilo. No caminho brincavam, embora Danita tenha ficado um tanto apreensiva.
— Não está feliz Dan? – Mia perguntou preocupada.
— Estou preocupada... Eu conheço o pai Milo, ele deve esta achando que o pai Kamus está fazendo isso para tirar a gente dele, e não estou gostando nada! — Ela disse pensativa. — Mas vamos tomar banho e fazer esses dois ficarem bem juntinhos!
Assim as três tomaram banho. Na cozinha Milo olhava para Kamus desconfiado e confuso.
— O que pensa que está fazendo Kamus? Eu não pedi para fazer almoço algum, eu mesmo faço! Então...
Milo ia dizer mais alguma coisa, mas o ruivo colocou o indicador na frente dos lábios dele.
— Não quero nada... Bem, não é verdade, quero ter a chance de estar com vocês... E você conhece bem Danita e Fahir, e eu conheço a Mia, acho que poderíamos trocar um pouco de informação. — Kamus disse se aproximando perigosamente de Milo que por estar encostado ao armário não tinha para onde fugir, já que as mãos do francês estavam escoradas no móvel atrás de si e ao redor da cintura do escorpião.
Milo se sentiu estremecer por inteiro, mas mantinha firme. Aquela boca tão perto da sua era um perigo, além de muita tortura. Levou as mãos ao peito de Kamus e o empurrou devagar.
— Certo! Por elas... — Ele disse ignorando que o ruivo tinha dito “vocês”. Afastou-se dele e foi tomar um banho, tinha que se acalmar e colocar os pensamentos em ordem.
Quando voltou às meninas estavam sentadas e o ruivo terminava de colocar a louça na mesa. Milo respirou fundo e sentou-se junto às meninas. Kamus aproximou-se e começou a servi-los, quando terminou, sentou-se e se serviu, e vez ou outra olhava para Milo, ele estava lindo! E aquário ansiava por tê-lo novamente em seus braços.
Almoçaram e logo as meninas começaram a conversar e antes que os dois se dessem conta, estavam todos conversando e rindo.
Continua...
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