Os Elos do Nosso Amor
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Beijos e Boa leitura.
As grossas cortinas encontravam fechadas, não permitindo que alguma iluminação aventurasse no quarto. O local mais parecia uma verdadeira zona de guerra, o que deixava claro que não era arrumado algum dia.
Peças de roupas eram jogadas de qualquer forma, tanto limpa como sujas. As gavetas abertas, armários, a torneira a pia do banheiro aberta o que proporcionava para que a água minasse para o chão. Restos de comida, copos quebrados podiam ser visto... O caos estalado no local.
Porém o que possivelmente mais pesaria a alguém sensível seria sobre o leito. Se existia angústia, tristeza e degradação eram termos que definiram bem Milo de escorpião. Aquele homem — dono de um sorriso contagiante, uma simpatia e disposição invejável — estava no mais profundo poço. Os dias que se seguiram após a partida do décimo primeiro defensor de Athena fora um martírio para o loiro. Milo um dos dozes homens mais forte desmoronara por completo.
O desespero que o tomou o fez derramar em lágrimas, o fez querer ir atrás do ruivo, porém por base do pedido de Kamus, Shion não informou.
O vistoso cavaleiro não comia decentemente, água era muito pouco ingerida, e higiene pessoal quase escassa, apenas o superficial.
As lágrimas pareciam ter secado nenhuma dela mais se precipitava de seus olhos, contudo o cavaleiro não detinha mais vontade de nada. Não cumpria mais com suas obrigações, não atendia quando os demais cavaleiros iam vê-lo, ou os chamados do grande mestre ou a deusa.
O que mais se preocupava com o escorpião era o cavaleiro de peixes, este no começo por diversas vezes ia dar atenção, ver como ele estava, tanto que muitos momentos ficaram ao lado dele enxugando as lágrimas, porém chegaram certos momentos que Milo erguia uma barreira em volta de seu templo com seu cosmo que impedia que qualquer adentrasse.
E era levado por tamanha tristeza, que ele definhava. Seu corpo robusto aparentava mais magro, as olheiras eram profundas, os lábios ressacados e os cabelos loiros tão sedosos, opacos. Sua outrora beleza não tinha nem resíduos dela.
— Por que... Kamus... — Tais palavras eram repetidas constantemente por seus lábios em sussurro, como se esperasse uma resposta audível do francês.
Três semanas era o tempo que estava naquele estado o suficiente para deixar todos no santuário ouriçados e compadecidos.
Todos conheciam a história dos dois: De como o escorpião com seu jeito extrovertido, exagerado e conquistador nutria um imenso sentimento elo frio francês... Ou como ele lutou de todas as formas pela relação deles.
Fora ele que dera o primeiro passo. Ele que pediram para tentar, que se declarava todo tempo, que inventava programas, que entendia as responsabilidades de Kamus, da ausência, que perdoa os descansos com as datas especiais... Milo se doara ao extremo por amor deles, e agora era o loiro que padecia pouco a pouco por aquele amor.
Todos estavam muito preocupados com ele, mas compreendiam os motivos dele para ter se afastado, só não podiam mais permitir que ele continuasse daquela forma.
Seus amigos estavam esperando um momento para conversa, mas sempre revezar em vigília. Aquele que percebesse um bom momento para entrar deveria fazer isso e tirar Milo dali e levá-lo ao grande mestre, para uma conversa.
Há uma semana o cavaleiro de touro vinha esperando um vacilo de Milo, e justo naquela noite o escorpião adormeceu em meio à dor que o entorpecia e não ergueu a barreira. O defensor da segunda casa ocultou seu cosmo adentrado sorrateiramente no oitavo templo, e viu o estado em que tudo se encontrava.
Seus olhos percorreram tudo e uma preocupação enorme tomou conta de si.
Caminhou em meio à bagunça e ao chegar ao quarto de Milo o encontrou dormindo. Havia alguns comprimidos caídos no chão. Aldebaran não pensou duas vezes aproximou-se do loiro e o sacudiu um tanto desajeitado e sem carinho, viu o amigo abrir os olhos e dizer com a voz quase sumida,
— A-acabou Deba! — Primeiro chamou sonolento, mas depois se alterou. — Chega... Não vou mais sofrer...
O touro pegou Milo nos braços e descendo as escadas foi até o templo de Áries.
Mu estava dormindo, mas pode ouvir a voz forte de Aldebaran foi ao seu encontro. Ao ver o cavaleiro de escorpião todo mole e desacordado nos braços do outro quase gritou.
— Mas o que... – Começou a falar, contudo o outro o interrompeu.
— Eu não sei... Mas tem uns comprimidos... Mu... Precisamos levá-lo ao hospital. – Ditou rápido o gigante.
— Sim Deba... – Ditou Mu. — Eu vou teleportar-nos para lá.
Dito e feito. Como cavaleiro defensor da primeira casa, Mu tinha o dom da telesinese e por isso foi mais fácil teleportá-los para o hospital da fundação que já estava acostumado a tratar deles.
Dirigiram-se a recepção e todo o socorro foi muito depressa. Levaram o loiro a sala do médico e após Aldebaran ditar o que viu, Milo foi encaminhado à emergência onde passaria por uma desintoxicação, porém antes disso o mesmo pediu um exame de sangue rápido.
O resultado saiu rápido e quando o médico estava com ele em mãos, ele arregalou os olhos, dirigiu-se a enfermaria e pessoalmente junto a outro médico fizeram a desintoxicação e depois refizeram o exame de sangue.
Ambos conversavam baixo o que deixou tanto Aldebaran quanto Mu perturbados. Depois de algum tempo sem notícias, o defensor da segunda casa estava em ponto de entrar na sala do médico e tirar qualquer informação dele a força.
No entanto antes que ele fizesse qualquer coisa, o médico aproximou dos dois e pediu que eles o acompanhassem. Foram calados e apreensivos até o leito onde Milo se encontrava e então o médico olhou para os dois e disse com certo receio.
— O amigo de vocês realmente tomou aqueles medicamentos, mas depois da desintoxicação ele ficará bem. O estado dele inspira cuidados e... – O médico parou de falar e suspirou pesado.
— O que ele tem, além disso, doutor? É grave? – Perguntou Mu.
— Não sei como dizer isso, mas... O cavaleiro de escorpião... Está... Gestante.
— O QUE?! –Falaram Aldebaran e Mu ao mesmo tempo.
— Bem isso eu não sei explicar... Mas fiz vários exames e repeti o exame de sangue mas de duas vezes... Não há duvidas, Ele está grávido.
Mu sentiu-se tonto com aquela afirmação. Mas pela seriedade do médico e por saber quem eles eram ele jamais brincaria com um assunto daqueles.
— E agora Deba?! – Mu falou nervoso.
— Não sei... Eu realmente não sei carneirinho. – Fora a resposta de Aldebaran.
Os dois ficaram realmente sem saber o que fazer. Ouviram todas as explicações do médico, e quando este se retirou os dois cavaleiros ficaram olhando par ao amigo desacordado.
Milo já enfrentava uma barra difícil, mas pelo visto dias piores viriam. Se a cabeça do escorpião não estava bem, imagina agora com aquela novidade.
Ficar ali não adiantaria. O médico havia dito que o grego demoraria acordar por causa dos sedativos, então, Aldebaran ficou para zelar por ele, ao que o santo de Áries se teletransportou para o santuário, precisava arma para quando Milo acordasse e a realidade viesse à tona.
O cavaleiro dono de belos olhos verdes, e curiosas sobrancelhas em instantes chega ao santuário sagrado e o mais depressa rumou para a sala do grande mestre, pois sentia que a presença dos dois seres mais importantes achava lá.
Mesmo sendo sempre regrado, e obedecendo das leis, e educação desta vez ele ao pedira permissão antes para adentrar, simplesmente abriu a larga e pesada porta e com tudo no recinto.
No mesmo instante, Shion, Saga e Saori que discutiam alguns problemas diários do santuário olharam para o cavaleiro de Áries, obviamente todos com as sobrancelhas erguidas.
— Aconteceu algo Mu de Aires? – Quem indagou fora o grande mestre, porém quando a jovem deusa Athena colocara a mão no ombro do grande mestre este entendera que ela tomaria a frente.
— Como ele está? – Pelo visto nada poderia se escondido dela. A verdade, Saori, ou Athena vinha percebendo a variação que o cosmo do seu oitavo cavaleiro vinha sofrendo, a grande magoa e dor que ele emanava. Queria ajudá-lo, mas sabia que não poderia invadir assim a privacidade dele, e sabia que os demais cuidavam, mesmo que indiretamente, dele.
— O encontrei muito mal minha senhora, acho que pecamos em deixá-lo chegar ao tal estado. O levamos ao hospital, o médico disse que está com anemia, desnutrido e bem fraco, mas que ficara bem... Porém o maior problema e outro. – Disse medindo as palavras. Não sabia como contaria aquilo. Não era normal, bem até então era irreal um homem grávido, porém essa era a realidade.
— E tão grave assim o que Milo tem? – Quem indagou dessa vez fora Saga. O cavaleiro de gêmeos de todos era o mais responsável, e sereno. Após ter sido perdoado, e finalmente o controle de Ares sobre si lacrado por Athena, novamente passou a ser o braço direto do grande mestre, e o mais indicado no futuro assumir o posto do mesmo.
Áries parecia aflito, algo bem incomum para ele.
— Minha deusa. Grande mestre. Acho que devemos pedir Kamus para voltar, pois o que o médico disse na certa interessara ele por igual. — Agora tinha lembrado. O santo aquário tinha sumido há três semanas, e agora o estado de Milo, aquele fato era envolvia ele por igual.
— Creio que não seja possível, Kamus deixou claro que se não fosse assunto sobre o santuário ou a deusa não queria saber.
—Mas... – A verdade estava com medo de falar e ele os achar doido.
— Diga logo Mu. – Shion disse autoritária, a demora do outro estava agoniando a todos.
Aires respirou fundo como se preparasse mentalmente, pois o que falaria não seria fácil. Olhou para todos os presentes, e por fim replicou a novidade.
— Sei que acharão absurdo, porém segundo o médico da fundação, Milo ele... E... Está grávido. — Soltou no final de uma vez vendo os presentes paralisados como se a informação não demorasse a chegar no celebro.
— Mu! Pensei quem de todos fosse o mais centrado, e não faria esse tipo de brincadeira imbecil. Aonde se viu um homem grávido. — Quem ser pronunciou primeiro fora Saga, cavaleiro de gêmeos.
— Eu não... Saga. Não sou alguém infantil para brincar com algo assim, nem eu mesmo ainda acredito, mas juro foi o que o Sr. Palites disse. — Falou fazendo uma faceta contrariada por ter sido chamado de irresponsável.
— O QUE? — Um grito ecoou e de trás da porta principal da sala foi possível ver uma manada de cavaleiros boquiabertos com a novidade.
Todos estavam ali com exceção de Aldebaran que estava com o loiro no hospital. Kanon irmão de Saga logo se pronunciou:
— Mas como? Então o safado do Milo era quem leva... — Não terminou de falar, pois recebeu um tapa no topo da cabeça de Afrodite.
— Se não vai falar algo realmente inteligente Kanon, fique calado! — Voltando-se para Mu Afrodite perguntou aparentemente calmo.
— Mu... Se o que disse é verdade, o Milo vai ficar arrasado... — Afrodite parecia muito triste com aquilo.
Então Saori se pronunciou:
— Preciso entender o que houve. — Olhou para Shion e ordenou. — Mande preparar um quarto... Milo ficará aqui quando sair do hospital. — Ele precisará de todos nós, então peço a vocês que me ajudem a cuidar dele.
Todos concordaram em silêncio, estavam perplexos com aquilo, mas a preocupação maior era com a saúde do amigo.
— Mu venha comigo, preciso vê-lo! — Athena ordenou ao cavaleiro de Áries.
— Senhora mas e se... — Começou Hyoga e todos se voltaram para ele. — Eu conheço o meu mestre e sei que ele não perdoará se escondermos a verdade dele. Porém... — Hyoga parou com receio de continuar.
— Porém... — Completou a deusa. — Você não acha que ele mereça saber... Não é isso que ia dizer cavaleiro de cisne?!
O rapaz abaixou a cabeça, sempre tivera orgulho de seu mestre Kamus, mas agora não sabia entender a atitude do ruivo.
— Quem decidirá se Kamus deve ou não saber será Milo! — Dando a conversa por encerrada Saori e Mu foram para o hospital e Shion foi ordenar as servas deixarem tudo pronto para que o santo de Escorpião pudesse ali se hospedar.
Os demais que ficaram para trás começaram a especular a situação. Todos curiosos como aquilo fora acontecer, pois até então gravidez masculina nunca havia sido cogitada. Mas nem pro isso deixaram de se preocupar com o estado do amigo.
-oo0oo-
Via-se em um local escuro. Paredes não parecia existirem. Seus pés se afundavam na água gélida. Frio, sentia muito, uma solidão muito grande e uma amargurar preencher seu peito. As lágrimas quentes desciam por sua face.
Por que estava sozinho ali? Por que o abandonara?
Eram indagações que perambulava em sua mente. O loiro sentia como se desmanchasse ao poucos. Com dificuldade se erguera do chão. Seu corpo parecia pesar toneladas, e cada passo, menor que fosse era extremamente difícil.
Foi enquanto que os olhos azuis caíram sobre uma figura ruiva ao longe. Estava de costas para si, seguindo passos a passos que se distanciava de si. Cheio de angústia e desespero passou a gritar.
Porém nenhum som saía de sua voz, e nem conseguia andar até ele, e isso era aterrorizante. Os joelhos se dobraram, e correntes de lágrimas saiam das janelas de sua alma, seus olhos... Não queria ficar só, não queria ficar sem ele, mas isso parecia irremediável.
Soltando um suspiro fundo, como se tivesse se afogando, Milo abrira os olhos, e percebeu que tudo fora um pesadelo, mas somente acordara de um para mergulha em outro. As lágrimas brotavam de seus olhos e tal logo um soluço passou a perambula pelo recinto.
— Milo? Milo? Calma... — Somente quando ouviu a sonora voz de Aldebaran deu por si aonde encontrava o que tudo indicava um quarto de hospital
— Deba? Aonde? — Tentou levantar quando viu que um soro estava interligado a si, e que estava em um quarto de hospital, não mais em sua casa. Não queria que ninguém se penalizasse de si, queria apenas ficar só, era pedir demais?
— Espere Milo... O médico disse para não se levantar, está fraco... E ainda sua g... — Mas parou antes de dizer a verdade. Não queria se o portador de tal informação que na certa acabaria mais ainda com o estado emocional do escorpião.
— Meu o que? Eu não preciso de cuidados, só quero fica sozinho... Deixa-me. — Disse ao que retirou o soro e empurrou o outro, porém sem dificuldade o cavaleiro de touro o impediu.
Estava tão fraco assim? Tudo bem que Aldebaran era quase seu dobro, mas ainda assim era um dos cavaleiros mais fortes, assim não deveria se imobilizado tão facilmente.
— Eu quis dizer... Está fraco, desnutrido... Tem ideia o estado que o encontramos? Milo você ingeriu calmante demais, se fosse um humano normal há essa hora estaria morto. — O cavaleiro disse tentando convencer o outro a cooperar.
— Não... Saia... Deixa-me. — Do nada Milo começou descontrola. Queria que o deixasse em paz. — Será que nem morrer posso? — Gritou enfurecido não negando que realmente queria ceifar sua própria vida.
Touro ficou paralisado. Será que o estado de Milo era tão lastimável que ele optara pela morte? A deusa havia conseguido uma segunda chance para eles viverem, e ele queria destruir isso.
O gigante não sabia o que dizer e nem como consolar ou tirar aquelas idéias burras da cabeça do amigo. Porém quando estava procurando uma palavra de conforto para o amigo, então os deuses o socorreram, pois nesse instante Mu retornava com Saori.
A deusa aproximou-se de Milo que já estava mais uma vez tentando levantar e não percebeu a presença dela. Mas parou o que fazia ao sentir as mãos delicadas da deusa em seus cachos loiros.
Levantou a cabeça olhando-a como a pedir perdão pelo que fizera. Athena sentiu toda a dor que envolvia aquele coração machucado. E então se sentou na cama ao lado do rapaz e com um carinho de uma irmã ou mãe ela o abraçou e deixou que ele chorasse.
Saori olhou para Mu e Aldebaran e pediu delicadamente que os dois saíssem deixando ela e Milo a sós. Sentindo que já era hora de falar com ele, a Deusa o fez escorar nos travesseiros e olhando nos olhos azuis do escorpião, começou a ditar com calma.
— Milo... Precisamos conversar. É muito importante.
Milo a olhou desconfiado, será que ela iria falar da atitude dele? Mas porque Aldebaran havia dito aquilo a Deusa? Abaixou a cabeça sentindo-se envergonhado, mas ao mesmo tempo invadido, será que ele não tinha o direito de decidir o que fazer de sua própria vida? Ouviu a voz de Saori o tirando de seus pensamentos.
— Milo eu não sei o que houve entre você e Kamus e nem sei o porquê dele ter decidido ir embora... Mas sei que você está sofrendo e acredito que não tenha feito nada para magoá-lo, como alguns andam falando.
— Falando? Como assim? — Milo perguntou em confusão.
— Isso não vem ao caso. Temos algo muito mais importante para falar agora. — Athena ditou sem deixar Milo se pronunciar. — Parece que a minha prima a deusa Ceres andou ouvindo suas preces...
— Minhas preces? Mas... Eu não fiz prece alguma... — Milo falou a interrompendo.
— Milo... Algo aconteceu sim, mas o que eu quero dizer a você meu habilidoso cavaleiro de escorpião é que você está esperando um filho.
Milo a olhou perplexo e em seguida soltou uma sonora gargalhada. Mas vendo que a sua amada deusa permanecia seria, porém com um olhar muito sofrido para si, o cavaleiro defensor da oitava casa parou de rir e começou se sentir invadido por um desespero ainda maior.
— Eu? Grávido? — A realidade pareceu pesar como uma balança sobre si. Em sua memória fatos pareciam ser retidos. Foi impossível não lembrar de quando fora amado pelo seu ruivo a última vez. O pedido. Sim! Havia implorado ao Olímpio que descesse a ele uma lembrança, um elo que o unisse para sempre ao seu amado gelado...
— Mas?
Nada coerente saia de seus lábios. Aquilo não poderia ter acontecido. Não era isso que havia pedido. Por todos os deuses era um homem, homens não ficavam grávidos tirando claros os camarões, mas não era um ser marinho...
— Sabe que nada e impossível... Que deusa da fertilidade pode isso e muito mais. Claro que foge todas as regras da natureza, pois isso não deveria suceder, mas aconteceu...- Como deusa buscava usar toda sua sabedoria, e calma para ajudar seu cavaleiro, aquele que deveria a vida diversas vezes pro si, mas como humano, Saori, estava abismado demais.
— Isso não pode acontecer... Sou um homem, homens não engravidam.. Por todos os deuses o que será de mim? Kamus me abandonou, meu corpo não... — Tudo parecia ter vindo como uma bomba sobre o loiro, que desenfreadamente passou a ditar tudo. As lágrimas jorraram de seus olhos. Estava se tornando muito comum a presença das mesmas, ao passo que uma hora iriam se secar.
— Milo calma... — Tentou pedir. Ele não poderia vida descontrolado, não naquele estado delicado.
— CALMA! COMO POSSO TER CALMA? EU NÃO TENHO VAGINA PARA FICAR GRÁVIDO? SOU UM CAVALEIRO QUE PODE MORRER A QUALQUER MOMENTO EM UMA BATALHA, COMO POSSO ESTÁ GRÁVIDO? — Sim! Perdera totalmente a sanidade, passara a gritar em angustia, pronto a ter um colapso.
Assustada, Saori tomou a faceta de deusa, e acendeu seu cosmo. A aura dourada passou a emanar, e com um doce carinho, quente fora guiando para o escorpião, e isso contribuiu para que aos poucos o corpo dele fosse relaxando. As pálpebras pesaram, até que se fecharam e com delicadeza o corpo tombara para trás. Assim, graças ao poder da deusa Milo adormecera. Fora necessário, do contrário, acabaria tendo uma síncope ou algo parecido.
A jovem de fios castanhos ficara ali por tempo indeterminado zelando por seu guerreiro. Compadecia dele. E não gostara de saber que mais uma vez os deuses brincavam com a vida humana. Ele havia feito muito por si, e agora era sua vez de retribuir, cuidaria dos dois, do escorpião e do ser que estava sendo gerado dentro dele.
Aldebaran e Mu estavam no corredor à espera da deusa. Claro! Haviam percebido como o cosmo de Milo alterara, mesmo que este estivesse fraco isso havia sido bem visível. Até cogitaram em entrar, mas ao sentir o segundo cosmo, cálido, tiveram ciência que Athena tomava conta de tudo. Pelo visto havia contado para o tinhoso escorpião a novidade, e fora normal a alteração dele.
Ao sair do quarto chamou o cavaleiro de Áries e ordenou que ele permanecesse ali com Milo pois ela precisava resolver algumas coisas para que Milo pudesse ao menos ter uma gravidez saudável.
-ooOoo-
Voltou para o templo e chamou Afrodite, pois Shion já tinha a deixado a par de tudo. Quando o cavaleiro de peixes chegou, Saori pediu que ele sentasse e então começou a falar.
— Afrodite, por favor, me diga o que aconteceu exatamente antes de Kamus ir embora.
O defensor da décima segunda casa sentiu-se muito mal por isso, era sabido que ele gostava de fofocas e tudo mais, mas jamais contava nada verdadeiramente sério a ninguém. Sentiu-se um traidor, mas ainda assim explicou a deusa tudo o que havia presenciado desde a festa até aquele dia.
Athena ouviu tudo com atenção e sua sabedoria de deusa dizia que tanto Milo quanto Kamus foram enganados. Porém como pessoa humana ela achou o cavaleiro de aquário um canalha por ter deixado Milo sem ao menos esclarecer os motivos, ainda que ele tivesse razão.
Decidiu que o escorpião passaria a ser vigiado, não sentia segurança em Milo e temia pela vida dele e da criança que agora ele trazia dentro de si.
-ooOoo-
No hospital Mu não deixava Milo sozinho, seu coração estava apertado demais. Estava distraído quando sentiu um cosmo que não esperava sentir ali. Saiu de perto de Milo e quando se aproximou da porta, ela já estava sendo aberta e o cavaleiro mais próximo de Deus adentrava por ela.
— Como vai Shaka? — Mu perguntou embora não esperasse resposta. Eram raras às vezes em que o loiro realmente falava com o ariano. E o tibetano sequer sabia o motivo.
Shaka olhou os verdes olhos de Mu e sentiu-se sem chão, era sempre assim o tão seguro cavaleiro de virgem não sabia como agir na presença daquele que embora não soubesse, detinha seu coração.
— Como ele está? -Perguntou referindo-se a Milo.
— Não! — Mu ditou triste. — Acho que ele não vai aceitar o filho muito bem. — Olhando para o loiro em pé o moreno ditou abatido. — Por que Kamus fez isso Shaka? Como alguém pode dizer que ama e abandonar essa pessoa?
Shaka de Virgem nada ditou, apenas o olhou e tomado de uma coragem que não soube de onde vinha, aproximou-se do defensor da primeira casa e o abraçou.
Mu sentiu o rosto corar, mas aquele abraço tinha sido bom. Era bom sentir aqueles braços, não queria que acabasse, e não estava entendendo por que ele estava sendo tão gentil.
— Não sei, mas sei que Milo precisa muito de nosso apoio, e terá... — Disse com a voz suave ao que estreitou os braços. Rodeava agora a cintura do cavaleiro de Áries, ao que o loiro mergulhava na terra dos sonhos, sem sono dessa vez, obra da deusa.
Continua...
Fale com o autor