Os Doze
7 O banquete
O homem ajoelhou-se ao lado de um estreito córrego, pegou com as mãos um punhado de água e bebeu, ele não sabia o que estava fazendo ali, não sabia nada, como todos os outros que estavam na ilha. Fazia um dia que ele estava ali, ou pelo menos era o que ele achava.
Ele estava indo em direção à praia, quando chegou bem perto, ele ouviu vozes, um sorriso abriu em seu rosto, mas logo se desfez. Por um momento ele pensou que poderiam ser pessoas que podiam ajuda-lo, mas há cinquenta por cento de chance de não serem, podem ser qualquer tipo de pessoa. Mas a vontade de sair dali é enorme, a vontade de querer respostas que os donos daquelas vozes poderiam lhe dar também é grande, então ele se arriscou e foi até eles.
As vozes pertenciam a um casal, quando o viram, os sorrisos de seus rostos se desfizeram, eles mudaram para uma expressão de medo. O homem sem entender nada perguntou:
– O que foi?
– Saia daqui, Lucas! – disse um homem atrás dele.
Era Americo, ele portava uma arma em suas mãos, que agora estava sendo mirada contra Lucas. O homem sabia seu nome, mas ele não entendia o motivo de eles agirem assim, talvez tenha feito algo de ruim com eles. Lucas mal imaginava que matara um homem a poucos dias.
– Meu nome é Lucas?
– Não se faça de idiota. – disse Americo.
– Eu não sei quem são vocês, acordei neste lugar ontem. Eu não me lembro de nada, nada mesmo, não sabia nem mesmo meu nome...
– Vá embora Lucas, você não lembra, mas nós lembramos. – disse Mayara que estava junto a Alexandre.
Lucas não sabia o que fazer, então resolveu obedece-los, caminhou em direção a mata e desapareceu.
– Será que ele estava falando a verdade? – perguntou Alexandre.
– Não sei, provavelmente não. – respondeu Americo. — Agora vamos voltar para o acampamento.
Bárbara caminhava dentro da densa mata, seguida pelo trio que ela encontrou. Por um momento ela para.
– O que foi? – perguntou Karol.
Ela continuou em silêncio, até que sussurrou:
– É aqui!
Ela correu, e os outros a seguiram, eles agora estavam no antigo acampamento. Barbara vasculhou o local, e fingiu ficar surpresa em achar um rastro de sangue, ela sabia de quem pertencia, mas gritou para os outros:
– É o sangue do Gabriel, tenho certeza, eles foram por aqui!
Barbara logo após de falar começou a chorar, seu choro era tão falso como a de uma criança chantageando sua mãe. Enio sentiu pena e foi até ela, abraçou-a.
– Nós vamos encontra-los, e sairemos daqui, eu prometo. – sussurrou para ela.
– Obrigado! – Barbara engoliu o choro e encarou-o dando um sorriso falso.
Ela se recompôs e eles seguiram viagem.
Americo, Mayara e Alexandre, agora estavam reunidos com resto do grupo e contaram sobre o houve.
– E se apagaram a memória dele de novo? – perguntou Ellen.
– Não seja boba Elli, aposto que ele estava fingindo. – disse Mariana.
– E se ele realmente perdeu a memória, ainda é um assassin... – falava Alexandre, mas fora interrompido por um barulho.
Era a sirene.
Todos colocaram as mãos sobre as suas orelhas, o som vinha da densa floresta, a última vez que tocara, eles encontraram água, foi exatamente o que Mariana pensou.
– Precisamos seguir o som da sirene. – gritou ela.
Os outros concordaram, ela foi na frente, e o restante a seguiu. Não sabiam para onde o som os levaria, mas não tinham muita opção do que fazer. Andaram mais ou menos por uma hora e toda vez que chegavam perto, a sirene parava de tocar e uma outra mais distante começava, eles estavam preparados para uma armadilha, mas sem saber o porquê, eles tinham a esperança de ser algo bom. Meia hora depois, não ouviram mais nada, nenhuma outra sirene começou a tocar, só se ouvia o som natural da ilha.
– Estão sentindo esse cheiro? – perguntou o homem sem nome entusiasmado.
– Que cheiro? – questionou Americo.
– Eu também estou sentindo! – disse Mayara.
O homem sem nome começou a andar em direção de uma moita alta que não tinha passagem para o outro lado, ele quebrou as galhas com as mãos abrindo caminho, e o que havia lá o deixou boquiaberto e a expressão de espanto se transformou em um largo sorriso, por um momento ele estava feliz, se virou para o grupo e disse:
– Este cheiro!
O grupo se aproximou, e descobriram o motivo da felicidade dele. Uma mesa enorme de forma retangular, de uma madeira velha, parecia daquelas que tinham em mansões antigas, deveria valer uma fortuna. Mas o importante era o que havia sobre ela, um banquete. Um leitão assado, com direito a maça na boca, filé mignon recheado, arroz, batatas fritas, croquetes de vários sabores, pizzas, panquecas, bolo de chocolate, mousses, peixes assados e fritos, macarrão com queijo, havia também uma porção de frutas, uvas, bananas, mamões, melancias, morangos, tinha sucos e refrigerantes. Havia de tudo um pouco. Toda a comida parecia ter sido feito a pouco tempo, ainda estavam quente e as bebidas ainda estavam geladas. Para eles, estavam no paraíso, desde quando chegaram ali. O homem sem nome foi o primeiro a correr em direção à mesa, e com as mãos sujas agarrou uma coxa de frango assada e devorou sem pensar duas vezes, mas Mariana bateu em sua mão e o pedaço do frango caiu no chão.
– Está maluco? Não podemos comer isto! – gritou ela.
– Por que não? – perguntou ele.
– Está delirando? Seja quem for que nos trouxe aqui, não iria dar toda essa comida à toa. Pode estar envenenada, não sei. É perigoso, não posso deixar que mais alguém morra.
– Mariana, a morte do Gabriel não é sua culpa. – consolou Ellen.
– Galera, tem um celular aqui. – chamou Alexandre interrompendo-as.
Todos foram em direção a ele e formaram uma roda, de uma forma que todos podiam ver o celular. Era um smartphone.
– Por que ele nos daria um celular? – perguntou Americo.
– Tem algo escrito no papel de parede do celular. – alertou Mayara.
Um ótimo momento para se ouvir uma música!
– E o que isso quer dizer? – perguntou Ellen.
Alexandre logo entendeu o significado da frase, ele manuseou o celular como se fosse dele e sabia onde clicar, e entrou na pasta Músicas, e ele estava certo, havia algo lá, apenas um áudio. Ele então colocou para tocar, no começo era o barulho da sirene e logo depois uma voz, a mesma que ouviram quando chegaram ali, dizendo “Hora de acordar”, mas agora ele estava falando outra coisa.
“Não tenham medo da comida, meus amigos! Eu mesmo que fiz, aliás, está uma delícia, claro que tirei um pouco para mim. Esperam que comam tudo, quero que estejam fortes para o nosso jogo, ele irá começar em breve, quando todos estiverem aqui, apenas se deliciem e aguardem.”
– Todos estiverem aqui? Será que está falando do Lucas e da Barbara? – se perguntou Mayara.
– Não estou preocupada com isso, de que jogo ele está falando? – questionou Mariana.
Ficaram uma hora observando o homem sem nome e nada acontecia com ele, talvez não há nada de errado com a comida mesmo, então resolveram comer. Comeram tanto que estavam quase botando tudo para fora, não cabia nem mais um grão de arroz em seus estômagos.
De repente o homem sem nome começou a ficar sem ar, e a gemer.
– Droga, fomos idiotas, é claro que estava envenenado. – desesperou-se Mariana.
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