Os Doze
4 A caixa
O céu estava nublado e a escuridão da noite começava a tomar conta da ilha e do mar que parecia ser infinito. Quase todo o grupo já estava reunido no acampamento, só faltava Mariana e Ellen.
– Será que aconteceu algo com elas? – perguntou Gabriel.
– Elas devem ter se perdido – sugeriu Americo.
– Antes era uma, agora são três? Era só o que me faltava. Vamos perder mais tempo. – reclama Barbara. – Temos que pensar na água que não temos, até o lago aqui perto está contaminado, sabe Deus com o quê!
– Você é fria, garota. – diz Alexandre.
–Garota não, meu nome é Barbara. E eu não sou fria, nós vivemos sem elas, mas não vivemos sem água.
Alexandre não rebate, pois sabia que era uma perda de tempo. Ele estava preocupado com a Mayara e com as duas mulheres que foram atrás dela, e ainda não voltaram. Ele se sentia culpado, elas não teriam saído dali se ele tivesse impedido que Mayara fosse raptada.
Um barulho os interrompe, era uma sirene. Agora ela não vinha de todas as direções, vinha só de uma. Era um som ensurdecedor, todos eles tiveram que colocar as mãos sobre seus ouvidos. Lucas se encoraja e segue o som da sirene. Depois de ele se afastar do acampamento improvisado, ela para de tocar, mas na direção que ela vinha Lucas encontrou algo. Uma caixa quadrada de metal, ela era grande, um metro de altura, talvez. Ela era protegida por um cadeado. “As chaves, claro!”, pensou ele. Pegou as chaves que estavam no bolso da sua calça e começou a testá-las, uma por uma. Quando testou a última, o cadeado se abriu. Havia quatro coisas nela, três galões de água que ocupava quase todo o espaço, e uma caixinha de munição. O sorriso que se abriu no rosto de Lucas era enorme, mas ninguém deveria saber delas, Barbara, talvez.
– Lucas? – disse uma voz feminina.
Ele logo escondeu a caixa sobre suas vestes e se levantou para ver quem era.
–Mariana? Achávamos que estavam perdidas, cadê a Ellen?
– Ela ficou com a Mayara, nós a achamos. Eu vim buscar ajuda.
– Ajuda para quê?
– A Mayara, nós a encontramos, mas ela está presa por correntes e há cadeados. Não sabemos como soltá-la.
– Eu acho que sei como.
Os dois voltaram ao acampamento, Mariana explicou toda a situação e Lucas contou sobre a caixa:
– Eu e a Barbara encontramos esse chaveiro pendurado em uma árvore, não sabemos como ele fora parar lá. Nos desculpem, esquecemos de falar.
– Talvez uma das outras cinco chaves podem soltar a Mayara. – disse Alexandre. – Precisamos ir até lá.
– Precisamos ter cuidado, alguém me perseguiu, usava uma touca de esquimó, não sei se é um homem ou uma mulher. Por causa dele eu fiquei perdida, por isso demorei a chegar, o que me ajudou a voltar foi o barulho daquela sirene. – alertou Mariana.
Todos se assustaram com o que houve com ela, talvez seja ele que trouxe a água. Mas isso não importa, eles têm água agora, pouca, mas têm. Eles sabiam de uma coisa, não poderiam mais andar desacompanhados.
Depois de levarem a água até o acampamento, o grupo decidiu ir atrás das outras garotas. Mesmo à noite, pois agora eles sabiam onde ir.
– Eu irei ficar para vigiar as coisas, pode ter mais alguém na ilha, alguém pode tentar roubar a água. — ofereceu-se Lucas.
– Também ficarei, afinal, não devemos ficar sozinhos. – disse Barbara ao redor das cinzas da última fogueira acessa, tentando revivê-la.
Depois que o resto do grupo se afastou, Lucas foi até uma moita e pegou algo, se aproximou de Barbara e sussurrou:
– Olha só o que eu encontrei! – mostrando a caixinha de munição. – Estava junto aos galões de água.
Barbara sorriu.
Algum tempo depois o grupo que fora atrás das garotas, as encontrou. Alexandre se espantou em ver Mayara naquele estado. Ele logo foi tentar abrir os cadeados, logo na primeira tentativa ele abriu um, já o segundo, somente na terceira tentativa ele conseguiu. Quando a soltou ele a abraçou forte.
– Me desculpa! Me desculpa! Eu poderia ter evitado! – sussurrava Alexandre no ouvido dela.
– Você não teve culpa. – ela tentou acalmá-lo.
– Agora vamos embora, elas precisam comer e beber alg... – dizia Américo, mas fora interrompido por um grito masculino.
De repente o dono do grito aparece onde eles estão, estava suado e sem fôlego.
– Me ajudem! Ele está atrás de mim.
– Quem? – perguntou Ellen.
– O homem com touca de esquimó.
– Espera, como sabe que é um homem? Ele também me perseguiu, mas não consegui identificar. – surpreendeu-se Mariana.
– Eu vi o rosto dele, nós lutamos, tirei sua touca. Ele ia injetar algo em mim, então eu apenas corri, em seguida gritei. Logo depois ele desapareceu. – se explicou o homem. – Achei que o problema era aquele casal que eu encontrei.
– Que casal? – perguntou Gabriel.
– Quando acordei aqui, tinha uma arma comigo, mas eu nem sei sabia manuseá-la. Também havia um chaveiro. Mas fiquei com tanto medo que apontei a arma pro casal que encontrei logo que acordei, mas a arma era inútil, não havia balas. Eles pegaram a arma e o chaveiro de mim, e me amarraram em uma árvore com minha camisa. Mas me soltei com facilidade e fui para o lado oposto de onde eles tinham ido.
– Lucas e Barbara chegaram no acampamento com um chaveiro, mas não portavam nenhuma arma. Será que são eles? – disse Americo.
– Isso! Lucas! Foi assim que a mulher o chamou.
– Só podem ser eles. Se eles têm uma arma, eles estão mentindo para nós. – disse Gabriel.
– Se for verdade, teremos que bani-los do acampamento, somos a maioria. O que eles podem fazer com uma arma sem munição? – disse Américo. – Você quer vim conosco? – se dirigiu ao o homem.
– Claro! Mas como vocês sabem seus nomes?
O grupo o explicou tudo que sabem, que era muita pouca coisa, enquanto caminhavam até o acampamento. Depois de um tempo eles já estavam quase chegando. Quando chegaram, o homem os reconhecera. Era o casal que encontrou mais cedo. Lucas não estava enxergando muito bem na escuridão, que estava sendo pouco iluminada pela pequena fogueira. Demorou um tempo para ele e Barbara identificarem quem estava com o grupo, mas quando viram de quem se tratava, eles se espantaram.
– É verdade? Vocês têm uma arma? – perguntou Americo.
– Qual? Esta? – disse tirando uma arma da cintura.
– Vocês mentiram para gente, vocês não devem continuar no acampamento. – disse Américo.
–Me desculpe querido Americo, você não manda aqui. Aliás, quem está armado?
– Sabemos que não há munição. – intrometeu-se Gabriel.
Quando Lucas ouviu isto, mirou a arma para o céu, e atirou.
– Desculpe, não entendi o que você disse. – zombou Lucas. – Junto com a água havia uma caixa de munição.
Ele mirou a arma no grupo e ordenou:
– Vocês que irão sair daqui, mas a água e o chaveiro ficam.
Americo entrega as chaves e sai dali com o resto das pessoas. Agora estavam sem nada. Mas eles eram a maioria, só precisam de um plano. Eles tinham certeza de algo. Eles irão voltar para aquele acampamento.
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