Os Doze
2 Sieg l
Notas iniciais
O cap ficou menor comparado ao prólogo, mas prometo que irão ter capítulos tão grandes quanto o prólogo ou maiores
espero que curtam o capítulo
Sieg
Sieghart já tinha vivido bastante para não sentir mais medo de coisas tão banais quanto sonhos.
Contudo, aquele sonho não pareceu apenas um sonho. Ele teve quase uma sensação de dejàvú, estava afundando em meio a um oceano de escuridão, seu corpo estava mole e ele não conseguia mexê-lo, mas não sentia medo. Ele sentia paz.
Já sentira essa sensação uma vez. Quando teve sua batalha final contra a Rainha da Escuridão Cazeaje há 600 anos, os dois tinham morrido naquela batalha, contudo, Seig foi retirado daquela paz pelo Deus Highlander e acabou se tornando um dos seus soldados imortais travando incansáveis batalhas sem descanso. O gladiador amava aquilo
Só que nesse sonho ele conseguia enxergar um pequeno buraco de luz, como se aquilo fosse a fagulha de vida dele que ainda não tinha apagado por completo. Sieg queria poder nadar até lá mas seu corpo não obedecia de jeito nenhum. Chegou um momento que não conseguia mais vê-la.
Seu corpo continuou a cair até que ele finalmente bateu no chão. Era um chão frio e uma sensação triste surgiu em seu coração. Sieg conseguiu se levantar agora.
Pode ver que não conseguia enxergar o chão direito, pois havia uma espeça névoa que se elevava até o infinito do lugar. Mesmo assim o guerreiro pôs se a andar por aquele imenso vazio de escuridão.
A sensação foi que ele andava por horas quando finalmente encontrou algo sem ser névoa naquele lugar. Era uma estátuas de pedra do tamanho de um ser humano, parecia ser uma mulher. Sieg se aproximou para ver melhor quem era. O gladiador sentiu um fio na espinha ao ver de quem se tratava aquela estátua.
Era Mari.
Naquela estátua a calnatiana tinha um expressão de susto e medo. A mesma expressão que estava quando Sieghart há viu pela última vez quando fora sequestrada por Duel.
- Mari... – Sieg sussurrou com tristeza e tocando o rosto da garota.
De repente ele pode perceber que os olhos de pedra da estátua de Mari começaram a tomar o tom heterocromático que a garota tinha. E isso continuou indo para as outras parte do corpo dela que viravam pele e osso.
- Sieghart.... – ela murmurou com um eco que percorreu por aquela vastidão vazia.
A calnatiana o agarrou bem forte nos ombros e dessa vez o olhava com uma cara chorosa e de desespero.
- Sieghart! Você me abandonou! – ela berrava.
- Mari eu não pude fazer nada, estava ferido e Duel era muito poderoso! – Sieg tentou retrucar, mas sabia que ela estava certa.
Ele nem sequer havia tentado lutar contra Duel. Todos seus amigos imortais e seu comandante haviam padecido naquela batalha contra Astaroth.
- Eu... sinto muito... – ele disse.
- Sieghart! Você me abandonou! – Mari berrou novamente.
E continuou a berra isso incessantemente até gladiador não aguentar mais.
- PARE! – Sieg berrou.
Mari parou de berrar, mas não fora por causa do pedido dele. Sieg nem percebera o que tinha feito. Ele havia a perfurado na altura do coração com uma espada que surgira na sua mão.
A garota cuspiu sangue e caiu para traz morta.
Sieghart a pegou em seus braços desesperado. Já havia jogado a espada em sua mão para longe dali.
- Mari por favor, fala comigo! – ele berrava para a garota, mas ela não respondia nada. – MARI!
O som do nome dela ecoou pela escuridão eternamente e de repente tudo se tornou um buraco negro sem mim. E uma voz diferente surgiu no nada.
- Não se preocupe imortal, em breve sua dor irá acabar. – a voz falou dando uma risada sínica.
Sieg acordou com o corpo todo suado. Ele se achava ridículo, tinha mais de 600 anos e estava com medo de um sonho.
Após se trocar e tomar um banho Sieg saiu para fora de seu quarto. Queria caminhar um pouco sozinho afim de acalmar os nervos após aquele sonho perturbador, ele queria se convencer que nada daquilo iria acontecer. Era certo que sonhara com aquilo por causa da sua culpa por ter sido incapaz de ajudar sua amiga Mari a não ser sequestrada.
Começou a caminhar pela mansão dos Siegharts. Desde que ele fundara a ordem dos Cavaleiros Vermelhos que defendiam Canaban ela crescera bastante. A ordem se localizava nas fronteiras do Reino. Era uma pequena vila que tinha uma casa de três andares no centro onde ficavam os Siegharts, os líderes da organização e onde também eram as reuniões do clã.
Mas o gladiador preferia um lugar naquela casa em particular. O telhado, lá se sentia bem próximo do céu e não era perturbado por ninguém, até porque ninguém pensa em procurar no telhado de uma mansão de três andares. Para o azar dele já havia alguém lá.
Era uma garota ruiva. O vento fazia seu cabelo preso em um rabo de cavalo voar. Sieghart a conhecia muito bem, sua descendente Elesis.
A garota fora a líder da expedição da Grand Chase nas terras de Arquimidia na caçada de Astaroth. Sieg sabia muito bem que ele deveria estar se sentindo tão mal quanto ele por tudo que aconteceu.
- Nossa, parece que me roubaram até meu lugar pra pensar. – disse debochando da garota.
Ela se virou para ele. Sieg pode perceber pela expressão da menina que ela estava chorando até alguns minutos atrás, mas claro, uma Sieghart jamais admitiria que estava chorando.
- Essa casa pelo que eu saiba agora e minha velhote, você é apena um convidado meu. – Elesis fala forçando um sorriso.
- Olha só que falta de respeito pelos seus antepassados, quem lhe ensinou esses modos. – Sieg rebateu.
- Acho que é mal de família. – Elesis falou quase rindo
O clima havia dado uma aliviada entre os dois. Mas não durou muito tempo, não bastou os dois ficarem se entreolhando por uns 20 segundo para lembrarem que estavam depressivos.
- Como pode aguentar isso? – Elesis disse para ele. – Como aguentou por tantos anos ver as pessoas que ama morrerem ou desaparecerem e ainda consegue ser assim.
Era uma boa pergunta.
- Bom, com o tempo você se acostuma. Com o tempo acaba conseguindo repelir suas tristezas e mágoas usando sua espada. – foi a melhor resposta que ele conseguiu arranjar, mas a verdade era que, nem ele sabia como fazia isso.
Talvez não passasse de um cretino egoísta. Mas não era bom dizer isso para a menina depressiva.
Elesis enxugou os olhos.
- É um pensamento de guerreiro, acho que eu deveria aprender um pouco contigo.
-Não, você é uma pessoa muito melhor que eu. Não queira ser uma pessoa solitária porque os que estão perto de você estão fadados a morrer e você continuará vivo. — Mas Sieg apenas se limitou a sorrir.
- Vou pegar um pedaço de torta na cozinha, quer me acompanhar? – Sieg tentou mudar o assunto.
- Por que não? – disse Elesis sorrindo. – Mas se continuar a comer tantos doces aqui vamos precisar expandir os cavaleiros por toda Ernas.
Sieg já estava na metade da torta de chocolate com avelã quando um dos mensageiros da ordem apareceu com um envelope na mão. O homem parecia meio suado, provavelmente deve ter vindo correndo até a casa principal.
- Comandante Elesis... – ele falou arfando. – Trouxe para a senhora uma carta da Comandante da Guarda de Serdin, Lothos. Parece que ela quer falar com você e com o Senhor Ercnard.
O gladiador se limitou a olhar de relance para o mensageiro e depois pôs-se a voltar a devorar a torta novamente.
Ele viu Elesis pegar a carta e agradecer ao mensageiro. Enquanto ela lia a carta, Sieg finalmente acabara com a torta inteira.
- E ai? Alguma notícia da Mari? – Sieg perguntou ainda com um pedaço de doce na boca.
Elesis se limitou a balançar a cabeça.
- A comandante nos convocou, parece que conseguiram desvendar aqueles fragmentos da Bíblia das Revelações que Grandiel deixou para nós.
Sieghart olhou franzindo a testa e levantando um olho mais que o outro.
- E sobre o que se trataria isso?
- Não sei, parece se algo relacionado com uma profecia, algo que envolver nós de alguma maneira.
Sieghart sentiu um frio na espinha que ia até os dedos dos pés. Aquele dia finalmente chegara. Finalmente aquela profecia estava começando, Os Doze Discípulos iriam ter que se reunir.
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