Os Dois Lados de Um Espelho
6 Primeiro contato
Notas iniciais
- Mamãe! Papai! Hina! –A garotinha berrava a plenos pulmões; Gargalhadas cruéis são ouvidas.
- Ah! – Miyuki acordara bruscamente. A garota havia dormido em cima do livro de matemática, diante de sua escrivaninha.
A tentativa para escapar da “ameaça” de seu sonho fora tão violenta que Miyuki cai para trás com tudo levando junto cadeira e livro, batendo a cabeça em alguma coisa dura e por fim acaba parando bem no colo de Hiei.
O moreno estava atrás dela, prestes a acorda-la, mas acabou servindo de amortecedor para a queda da garota.
- Ai! Essa doeu. – gemeu a menina, massageando a cabeça dolorida.
- Você sempre tem que agir desse jeito? – perguntou seu “travesseiro”, irritado.
- Docinho! – exclamou Miyuki com um sorriso – Agir desse jeito como? – perguntou inocente
Os dois continuavam na mesma posição. Embora, aquela fosse uma cena constrangedora, Hiei não havia feito uma mínima tentativa de se desvencilhar; Um estranho impulso de não magoa-la o dominou, mas ao ouvir o seu novo apelido o impulso desaparecera tão rápido quanto viera e Hiei se levanta de um salto.
- Ser sempre assim, tão estabanada. É demais até para uma humana. E não me chame de docinho – ordenou ele, agressivamente.
- Tudo bem, fofinho – concordou Miyuki sentando na cama – Mas, porque está aqui?
Hiei a ignorou completamente e se sentou na janela, evitando encara-la.
“Humana idiota e seus apelidos imbecis” – pensou o moreno com raiva.
O silêncio novamente se instala entre os dois. Ao perceber que ele não seria tão facilmente quebrado por Hiei, Miyuki tenta novamente.
- Qual é o motivo de sua visita, Hiei? – Miyuki repete a pergunta.
Em vez de responder de imediato, o rapaz coloca a mão no bolso e de lá tira o livro vermelho; ainda sem olhar para a garota ele o entrega a sua dona.
- Hei! Então ele estava com você? Obrigada por encontra-lo, pensei que houvesse perdido. – comenta Miyuki sem em nenhum momento acusa-lo de tê-lo pego de seu quarto.
Hiei olha diretamente em seus olhos.
Embora, ele preferisse encarar as babaquices frequentes de Kuwabara a admitir que pegara o diário a expressão dos olhos da garota, demonstrando apenas gratidão e nenhuma acusação o deixava desarmado.
- Aquele local que você descreveu aquele laboratório tem ideia onde ele é? – perguntou ele de repente, quebrando o silêncio.
- Então você leu meu diário? – perguntou Miyuki, divertida.
- Hn! – Hiei preferira não comentar o óbvio.
Miyuki nem se alterou com a resposta monossilábica.
- Não, eu não tenho ideia – respondeu a garota.
- E a casa em chamas? Sabe onde fica? – Hiei insistiu
- Também não.
Hiei estava em dúvida se ela estava brincando com ele.
- E aquelas pessoas sendo mortas? Você não as conhece?
- Não... – Miyuki estava perdida em pensamentos – Por mais que eu me esforce não consigo lembrar quem eles são, mas tenho a sensação que sempre os conheci.
- Há quanto tempo você sonha com isso? – perguntou Hiei, impaciente com as respostas negativas.
- Sonho com isso desde pequena. Mas, qual é o seu interesse nisso?
Hiei preferiu não responder. Aquela história toda estava muito estranha, mas antes de assustar a garota com suspeitas sem fundamento era melhor investigar direito o assunto.
- Hiei, tem alguma coisa acontecendo?
- Nada de seu interesse – ele responde evasivamente
- Tem certeza? – a garota olhou diretamente em seus olhos
Hiei desviou o olhar, voltando à atenção para a parede.
A garota suspirou, deitando-se na cama, de barriga para cima, encarrando o teto. Será que ela nunca teria uma resposta direta vinda de Hiei?
Sem dizer nada mais a Miyuki Hiei salta pela janela, desaparecendo em um piscar de olhos.
Encarando o quarto vazio, Miyuki tentou deixar de lado suas preocupações e foi tentar dormir. Amanhã seria outra luta.
- Droga! O que está acontecendo? – Hiei questionava o vento enquanto acelerava o passo para encontrar os amigos. Ele precisava investigar o caso mais a fundo e o único modo de fazer isso era ir atrás de novas informações.
*
A noite cairá e com ela uma chuva viera sem aviso algum. Sua força e intensidade era tanta chegando a ponto de obstruir quase que completamente a visão de cinco metros a frente do corpo.
Pegos de surpresa, Yusuke, Kuwabara e Botan são obrigados a correr rápido para atingir o objetivo.
- Será que não podemos diminuir o ritmo? – pergunta Botan, já ofegante.
- Com essa chuva? Está louca, menina? – perguntou Kuwabara sem diminuir o ritmo — Se demorarmos nós não vamos chegar lá nunca.
- Rapadura é doce, mas não é mole não, menina. Não aguenta vai para casa tirar um cochilo – diz Yusuke, debochado.
- Ora, seu... – a guia esbraveja e tenta aumentar o ritmo só para ter uma chance de bater no detetive.
Os dois rapazes caem na gargalhada ao ver a expressão irritada da garota, porém param no ato quando sentem duas fortes energias espirituais se aproximando.
- Ei, Urameshi sentiu isso? – pergunta Kuwabara, atento.
- Nem precisa dizer duas vezes – o rapaz já procurava a localização das energias.
- Yusuke, CUIDADO! – alerta Kuwabara
- Droga! – Yusuke esbraveja.
Kuwabara e Yusuke saltam para o lado, a fim de desviarem do corpo arremessado em direção a eles.
- Mas o que?
O corpo jogado era de uma adolescente; estava completamente ensanguentado, as roupas em frangalhos; hematomas cobriam cada centímetro de seu rosto...
Botan correu para a garota, inerte. Procurou a pulsação, mas nada sentiu. Yusuke e Kuwabara as rodeavam.
- Ela está morta – informou Botan com um fio de voz
- Quem são vocês, malditos. Apareçam! – ordena Kuwabara com tom raivoso.
- Nossa não é que o idiota é bem perspicaz. – comenta uma voz, debochada.
- Apareçam, covardes – Yusuke ordena.
Logo, as figuras de dois rapazes se destacam da escuridão. Ambos possuem estatura mediana.
O que debochara tinha olhos verdes, cabelos verde-claros, presos em um rabo de cavalo alto. O segundo rapaz era muito pálido, olhos azul-claro e cabelos louros bem curtos.
- Porque estão fazendo isso? – pergunta Yusuke avançando um passo.
- Estamos apenas procurando uma coisa, nada demais.
- Vocês mataram um monte de garotas e acham isso nada demais? – Pergunta Kuwabara a voz tremendo.
- Exatamente – confirma o rapaz – Algum problema?
- Kai, já chega – ordena o rapaz que ate agora estava em silêncio.
- Certo, Ryu.
- O que querem com todas essas mortes? – pergunta Botan, revoltada.
- Se nós contarmos não teria a menor graça, não concorda querida? – pergunta Kai, sorrindo.
- Vamos já te mostrar a graça, seus cretinos – rosna Yusuke, começando a correr na direção deles, acompanhado de Kuwabara.
- Yusuke!Kuwabara! – chama Botan
O detetive e o amigo avançam em alta velocidade em direção a Ryu e Kai, mas, antes sequer de tocarem os inimigos os dois rapazes desaparecem de seus campos de visão e antes de Kuwabara e Yusuke pensarem em uma maneira de contra atacar já sentem um forte golpe em suas colunas.
- KUWABARA!YUSUKE! – Botan chama novamente, dessa vez alarmada ao ver os amigos no chão.
- É parece que não são humanos comuns – comenta Ryu, seco.
- São do mundo espiritual não são? – pergunta Kai inocente – Mas terem caído com um ataquezinho desses, o mundo espiritual parece estar entrando em decadência. – termina ele, zombateiro.
- Miseráveis! – exclama Kuwabara se levantando
- Apenas um aviso – diz Ryu, secamente – Não nos atrapalhem na nossa busca. Porque se insistirem nisso teremos prazer de mata-los.
- Vem tentar então, seu... – Yusuke se levanta e novamente tenta acerta-los.
- O aviso foi dado – repete Ryu, e ele e Kai desaparecem tão rápido, encobertos pela pesada chuva.
- Agora o bicho vai pegar – comenta Yusuke em voz baixa.
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