Não sei de onde vem minha raiva no momento, com uma vontade de usar todo o meu poder em álguem. – se eu conseguisse. Deitar em minha cama e olhar o teto parece minha melhor opção por enquanto.

O que aconteceu? O Sr. D, diretor do Acampamento me puniu por ter derrubado tinta e manchado toda a arena, quando na verdade, fora Clarisse, do chalé de Ares. Ela pode até ser engraçada e cheia de amigos, mas é muito irritante.

–Ei, garota! Está na hora de limpar os restos do jantar! – alguém gritou lá de fora de meu chalé, batendo na porta.

Tive que levantar e ir ao pavilhão de jantar e começar a limpar. Tudo estava silencioso, a lua deixava a noite mais brilhante e todos os campistas estavam em seus chalés preparando suas camas. Vi apenas Mila, do chalé de Apolo arrumando seus arcos ao ar livre.

–Por que você tá aqui? – perguntei – Não devia estar no chalé 7?

–O Sr. D mandou eu ficar aqui arrumando os arcos –seus cabelos voavam enquanto ela juntava os arcos. Ela tinha incríveis cabelos dourados e olhos castanhos. –O que você aprontou dessa vez, Thalia?

–Eu? Nada! Estou aqui por causa da Clarisse! Ela armou tudo pra mim.

–Boa sorte. – ela saiu, dando risadinhas.

O pavilhão de jantar estava imundo! Tinha restos de comida em todas as mesas, copos para lavar e alguém havia derrubado Diet Coke no chão, estava tudo melado, as cadeiras todas espalhadas. As coisas não iam ficar assim, eu iria fazer alguma coisa com Clarisse.

Após uma hora limpando, eu finalmente, fui tomar banho e ir dormir.


Tive um sonho diferente dos outros. Estava na Flórida, no porto e observava o mar da pronta do deque. Estava nublado e muito frio, o vento batia no meu cabelo agressivamente. A cor do mar estava diferente, um azul brilhante, forte e parecia que estava vivo. Talvez fosse Poseidon tentando me passar um recado; mas por qual motivo? Olhei para trás e vi uma garota correndo em minha direção gritando meu nome. Não consegui identificá-la, mas era familiar. Acordei antes mesmo de descobrir.


Isso me deixou incomodada, pois geralmente, meus sonhos são recados, avisos são sempre bem claros, mas esse foi muito diferente. Não conseguia dormir, já devia ter virado de lado umas 15 vezes, finalmente, decidi me levantar.

Era madrugada, nós não temos permissão pra sair dos chalés, mas eu não gosto de obedecer às regras do acampamento. É como sou simplesmente. Decidi pular a janela dos fundos que dava em um bosque, lá havia um salgueiro velho, cheio de galhos, é o meu refúgio pra quando preciso ficar sozinha, como ninguém vai lá mesmo.

Acho que fiquei em cima de um galho por uns 30 minutos, olhando as constelações e esperando o amanhecer.

Quando acordei, estava em um sofá, ainda de pijama, mas como? Não dava pra entender. O sofá cheirava coisa antiga e o tapete também, me levantei e olhei em volta. Foi quando percebi que estava na Casa Grande, um casarão enorme onde ficava o Sr. D, Quíron, e outro pessoal; uma coisa eu sabia: eu estava encrencada – como sempre.

–Srta. Grace, que surpresa! Ou não. – olhei para trás e lá estava Dionísio, diretor do acampamento usando sua camisa de leopardo e chinelos de dedo.

–Bom dia, Sr. D! E que lindo dia! Agora eu acho que vou voltar para o meu chalé, pegar minhas armas e ir treinar! – fui em direção da porta, com esperança que ele deixasse-me sair, mas isso não aconteceu. Folhas de vidreira se agarraram nos meus pés, olhei pra trás e percebi que era Dionísio me segurando, portanto, tive que voltar.

Nós sentamos no sofá, ele me ofereceu uma Diet Coke, mas recusei.

–Então, Leneu a encontrou no bosque, exatamente às 4 da manhã, certo?

Assenti, mas expliquei melhor:

–Na verdade eu não estava no bosque, estava em um salgueiro atrás do meu chalé, não consideraria parte do bosque.

–O seu chalé pode até ser o maior, por encostar-se ao bosque, mas isso não é desculpa. Caso você não saiba, no Olimpo, quando está tendo reuniões, o seu pai fica exatamente onde fica seu chalé, o maior, o mais poderoso, mas isso não o faz ser melhor que os outros.

–Mas isso é sobre os Deuses. Aqui eu não estou competindo com ninguém. Fiz aquilo apenas por que não conseguia dormir. – respondi.

–Mas você quebra as regras para poder chamar a atenção. Pensa que eu não sei?

–Eu não quero nada de meu pai, nem de ninguém! Por que todo mundo sempre olha pra mim como uma coitada ou uma doida? Eu não sou uma coitada nem doida! Eu sou somente uma campista sozinha em meu chalé, sendo a única filha dos três grandes, por isso todo mundo me vê assim, eu não posso simplesmente ir embora e dizer para o senhor que não vou mais fugir do chalé?! – me descontrolei um pouco.

Sr. D respirou fundo, me levou até a porta e disse:

–Nós dois sabemos que isso não vai acontecer. Vá.

Sai, como se eu não tivesse acabado de gritar com um deus e voltei para os chalés. Quando estava saindo, ouvi-o comentar para Quíron:

–Precisamos conversar sobre Thalia Grace.

Fiz o de sempre, vesti minha camisa laranja do acampamento, um short preto, um all star, meus braceletes, minha Aegis, e deixei meu cabelo como sempre e fui para o chalé 11.

–Bom dia, Thalia! – disse Travis Stoll do chalé de Hermes após abrir a porta. A bagunça do chalé de Hermes era enorme! Camisetas jogadas no chão, meninos e meninas pulando nas beliches. Havia muita gente lá, mas eu só estava à procura de um.

Antes de eu começar a falar Travis disse:

–Ele ainda não voltou Thalia. Você é tão impaciente!

–Ah, O.K. Avise-me qualquer coisa. – comentei, desapontada.

–Como sempre — ele respondeu e bateu a porta.

Fui direto pro pavilhão de jantar, pra tomar meu café. O café aqui não tem hora, então havia umas meninas do chalé de Afrodite, os dois filhos de Dionísio e uns garotos do chalé de Hefesto. Sentei na minha mesa e comi um pão, que estava duro, aliás, e joguei um pouco no fogo em homenagem aos deuses. “Zeus”, eu disse, mas na verdade, estava pensando: “Papai, você poderia ser mais legal às vezes, ou sempre!”

Quando estava saindo do pavilhão de jantar, estava carregando minha lança e ia tentar afiá-la e ouvi Clarisse, filha de Ares me chamar.

–Essa garotinha pensa que é rebelde e durona, olhe para ela! Patética! – comentou alto com suas irmãs justamente para eu ouvir.

Não aguentei, estava com raiva, sono, saudade e tudo ao mesmo tempo. Virei-me para ela e arremessei minha lança em sua perna que passou de raspão. Ela caiu no chão e começou a gemer. Todos olharam para mim. Eu nunca havia machucado alguém assim, principalmente Clarisse La Rue, ninguém a machucava assim.

–O que houve aqui? – gritou Quíron, o Centauro saindo da Casa Grande e indo em direção a Clarisse para ver a situação dela. – Quem foi o responsável?

Ninguém fez nada, mas as irmãs de Clarisse finalmente me entregaram. Ele olhou para mim.

–Eu não tive a intenção, não sei o que aconteceu, Quíron. – comentei inocente.

Ele me levou de volta a Casa Grande e lá estava Dionísio bebendo vinho.

–Agora, Thalia, você foi longe de mais. – ele disse, seriamente – Violência fora de treinamento é proibida!

Depois de uma hora de conversa ele me entregou um papel com horários extras de tarefas, como: limpar o pavilhão de jantar 3 vezes por semana, limpar os banheiros, retirar as folhas do campo de vôlei, limpar o estábulo de Pégasos e colher morangos todos os domingos.

Depois de receber o papel, fui para a arena, pois era hora do treinamento. Chegando lá, a minha visão era: alguns filhos de Ares e Atena já estavam treinando, filhos de Hefesto preparavam suas armas, filhos de Apolo estavam sentados, citando poesias de guerra, filhos de Deméter estavam retirando magicamente as folhas secas na arena, filhas de Afrodite estavam sentadas observando os fortes lutadores, os filhos de Dionísio estavam sentados bebendo Diet Coke e os filhos de Hermes estavam espalhados correndo pra lá e pra cá.

E aí, tinha eu, a única filha dos três grandes, a esquisita, a doida, e problemática. Quando entrei na arena todos começaram a me olhar e cochichar, sentei no canto e fiquei afiando minha lança, quando finalmente Anne minha amiga, filha de Hefesto veio falar comigo. Ela era alta, bem magra, mas era muito inteligente para construir coisas. Tinha o cabelo castanho escuro curto e os olhos bem negros. Estava aqui no acampamento desde os 10 anos.

–Thalia, você está bem?

–Tirando o fato que eu tenho mais tarefas do que deveria, estou ótima e pronta pra lutar! – respondi confiante.

–Eu sei o que você tem, você está sentindo falta de algo, ou alguém. – ela me disse. Anne era 2 anos mais velha do que eu, ela já tinha 14 e tinha um namorado, o Ric Johnsson, filho de Atena. – Você está crescendo, eu sei o que você está sentindo.

–Como assim? Não tem nada a ver com... – antes de eu terminar de falar ela me cortou.

–Já falei com Travis, ele não aguenta mais, mas querida, ele ainda não voltou. Não fique preocupada, ele é esperto.

–Eu sei. Obrigada Anne. – comentei – Agora, estou preocupada com essa luta também. Todos vão tentar me derrubar.

–Thalia, você é A Filha de Zeus, o Senhor do Céu, ninguém pode te derrubar. Você é mais poderosa do que pensa, e consegue fazer qualquer coisa.

Fiquei orgulhosa do ela havia me dito, mas não fiquei ansiosa de maneira alguma pois, apesar da minha capacidade, eu nunca havia conseguido usar meus poderes.

Hoje iria haver a Batalha a Dois. O líder de um chalé começa e escolhe um chalé para lutar, e este seleciona o melhor naquela categoria pra lutar, e assim, sucessivamente. Esse era o meu treinamento preferido.

Quem começou foi Mila, líder do chalé de Apolo com a categoria “Arco e flecha”.

Mila escolheu o chalé de Hermes. Quem saiu de lá foi Connor, irmão gêmeo de Travis que tinha um pouco de experiência com arco e flecha.

Primeiro começou a fase de pontaria, tiro ao alvo, na qual Mila fez 60 pontos e Connor fez 40. A segunda fase foi de luta, havia pedaços de madeira para se esconder e eles usavam roupas muito grossas para nenhuma flecha perfurá-los.

Connor começou e lançou a flecha de fogo no forte de Mila, que deu um pulo por cima da madeira e atravessou a fumaça com o arco preparado em posição de tiro e lançou uma flecha no braço direito de Connor. Os filhos de Apolo gritaram. Quando Connor foi preparar sua flecha, era tarde de mais, Mila laçou uma direto em seu peito que teria atravessado seu coração e enfim o apito soou. A luta havia acabado.

–O chalé de Apolo vence! – Quíron anunciou e eles comemoraram.

Agora era a categoria de poderes especiais, mas o chalé de Apolo não tinha muitos poderes úteis em batalha, então passaram a vez para o chalé de Deméter.

Lucy Calie, líder do chalé de Deméter não era uma campista muito legal, bem, não comigo, então tinha certeza que ela iria me escolher. Era baixinha, mas esperta, tinha cabelo loiro liso e olhos verdes cor de grama. Quando começou a andar muito com Clarisse ficou bem irritante para uma filha de Deméter e queria me ver falhar não importasse como. Escolheu-me, obviamente.

Nós tínhamos que nos preparar, e assim eu fiz, vesti minha bota, por causa da grama, e coloquei meu capacete de batalha. Armas não eram permitidas nessa categoria, apenas escudo.

Acionei Aegis, meu escudo e fui para a Arena. Lucy estava com um galho de bambu que começou a se estender e transformar-se em um escudo em forma de barra. O apito soou. Senti o chão tremer, não sabia que ela ia tomar o primeiro passo. O grama ficou densa e quando fui andar, tropecei e caí. Ouvi muitas risadas e comentários do tipo: “Que otária”.

Quando me levantei, Lucy controlou os galhos das árvores e enrolou um cipó em mim. Fiquei presa e as risadas voltaram. Não estava mais sentindo minhas pernas, alguns minutos mais ali, estaria no chão, sem me mexer, se não fizesse alguma coisa. Foi quando me lembrei do que Anne havia me dito sobre eu poder fazer tudo que quiser.

“Eu sou A Filha de Zeus, eu posso fazer tudo!” – repeti para mim mesma.

O cipó começou a tremer e fios de luz começaram a sair dele, ou de mim. Lucy fechou o sorriso e olhou para mim, assustada. Eu podia sentir a energia, a eletricidade. De repente o cipó estourou e ondas de raios começaram a pular para o céu, o chão, todos saindo de mim. Quando finalmente controlei, fui em direção de Lucy que tentou jogar um tronco em mim, mas desviei com o escudo, ela tentou puxar meu pé com folhas, mas eu pulei, quando cheguei perto dela, a uns 10 centímetros, rosto frente a rosto, toquei meus dois dedos em seu peito dizendo:

–“Bum”. – E ela foi arremessada para trás com um raio. Caiu o chão e não coseguiu levantar, pois a eletricidade deixou seus músculos dormentes.

Olhei para trás, com um sorriso, esperando Quíron apitar, mas ele estava paralisado. Finalmente, me viu de pé olhando para ele e apitou dizendo que eu era a campeã.

Fui até Lucy, passei a mão por cima de suas pernas e sua barriga, e ela voltou ao normal, ajudei-a a levantar, sorri e fui embora para o lavatório.

Não conseguia acreditar que finalmente tinha conseguido usar meus poderes! E eles eram incríveis! Não fiquei muito ansiosa, nem fui comemorar por que eu não sou esse tipo de pessoa.

Após tomar meu banho, fui para o campo de vôlei, começar minha primeira tarefa extra. Peguei uma vassoura grande, um saco e comecei e pegar os galhos o chão. Ainda não acreditava no que eu tinha feito, na minha capacidade. “Talvez Clarisse goste de mim agora.” – pensei.

De repente, ouvi um barulho lá de cima da colina, que ficava ao lado do campo de vôlei. Vi uns arbustos se mexeram, peguei uma adaga que estava no banco e me posicionei a espera de uma ameaça.

–Quem está aí? – gritei para as árvores.

O barulho se dispersou ao meu redor, me virei para o outro lado. Quando tudo silenciou, percebi que havia alguém atrás de mim, parado. Fiquei um pouco assustada, mas percebi que não era nenhum tipo de monstro por causa da respiração normal. Finalmente me virei rapidamente e arremessei a adaga.

–Ai! — ele gritou segurando a faca na mão – Você ta muito assustada, querida.

Uma sensação de alivio chegou; não pelo fato de não ser um mostro, mas pelo fato de ser ele, que eu havia esperado 1 mês pra voltar, ele quem eu amava muito, Luke.