Os Dias escuros de Peeta

18 A Garota Em Chamas


Notas iniciais
Eu voltei :3 Por favor leiam com atenção, não se esqueçam de mim. Eu não me esqueço de vocês.

O ânimo dos cidadãos do Distrito 13 se elevou consideravelmente na semana que se transcorreu.

Pude ouvir algumas vezes música tocando em algum lugar. O tipo de música que costumava tocar em casamentos no Distrito 12.

Lembro-me de um casamento que presenciei, foi dois meses antes da Septuagésima Quarta edição. Dois colegas de escola se casaram, os dois da Costura estavam com medo de não haver mais chance depois do sorteio, então decidiram se casar antes. Eu me lembro de ter transportado para a casa deles clandestinamente uma torta que meu pai fez na padaria, grande e com confeitos em tom perolado. No Distrito 12 não se costuma dar presentes na cerimônia, eles somente queimam um pão na nova lareira e se tiverem uma boa renda, servem um pedaço de bolo. Fico feliz em dizer que naquele dia eu ajudei o mais novo casal do Distrito 12 a ser feliz. Por mais que agora temo que estejam mortos.

****

Minha perna mecânica foi posta novamente ao meu lado. Alguns tubos retirados. E fico feliz em dizer que os guardas disseram “Tchau”.

Agora posso andar para lá e para cá. Posso pintar em pé e não sentado. Isso realmente melhorou minha autoestima. Música, perna, um pouco de liberdade.

Pensei que os dias que se transcorreriam seriam repletos de paz. Apenas pensei.

****

–Toc, toc?

Não preciso me virar para saber quem é.

–Annie está se casando hoje.

–Felicidades ao casal.

Haymitch suspira.

–Se você me pedir pode sair dessa cela.

–EU NUCA VOU PEDIR NADA PARA VOCÊ!- grito já cansado desse jogo- Você me traiu! Ela me traiu! Todos me traíram.

–Você sabe que nã... — começa Haymitch, mas o interrompo.

–EU NÃO SEI O QUE? Que isto tudo é para o meu bem? Que a maldita da Katniss e a escória dela querem ser meus amiguinhos? EU JÁ CANSEI DO SEU JOGO.

–Acalme-se. — diz Haymitch.

–Me acalmar?- bufo – Toda a minha vida eu tenho sido iludido. Pela garota que julgava amar, pelos meus amigos. Por toda Panem.

–VOCÊ ACHA Q. — começa a gritar Haymitch.

–EU NÃO ACHO NADA!- interrompo-o- Eu já não sei de mais nada! Eu não tenho ideia de quem mente e de quem não mente! De quem é amigo ou inimigo! VOCÊ ME ABANDONOU PARA MORRER NAQUELE LUGAR MISERÁVEL! VOCÊ E A CATNIP!

A expressão de Haymitch suaviza.

–Catnip?

Eu passo a última sentença em minha mente.

–Catnip.

–Haymitch franze o cenho.

–Mas c... Como você sabe deste apelido?

Como?

–Ela me contou. No trem. Em uma das noites. — expulso as palavras de mim.

–Você se lembra de mais alguma coisa?- pergunta ele.

Sim. O pão. O pão que dei a ela. Quando ela estava passando fome.

E também... Ela tinha pesadelos. Eu tinha pesadelos. Pesadelos sobre... Perdê-la.

–Não. — minto.

Ele se senta em uma cadeira próxima a porta. A única no local.

–Você quer conversar com ela?- ele suspira.

Uma onda de tremores passa por mim, tão forte que tenho que me apoiar na parede.

–Conversar? Com ela?

Haymitch assente.

–Não. Não. Não.

Coloco as duas mãos sobre os ouvidos.

Eu a amava.

Ela mentiu para mim.

Mas quem está mentindo? Preciso descobrir.

–Tem certeza?- ele pergunta.

–Não. –respiro fundo. — Chame-a, por favor.

****

Passadas horas ela aparece.

Um segundo antes de decidir se podia encará-la decido levar para o fundo de minha mente todos os meus sentimentos. Quero saber quem ela realmente é.

Ela suspira.

–Olá.

–Olá. – digo de volta.

Ela respira fundo.

–Haymitch disse que você precisava falar comigo.

Respiro fundo também.

–Olhar para você, para começar.

Olho-a. De cima a baixo. A trança que ela sempre usa (1-Não tem criatividade), as roupas de festa um pouco simples a deixam simples (2- Não é grandes coisas), tem estatura baixa e o olhar inquisitivo perguntando “Já acabou?” (3- É impaciente e mal educada).

–Você não é muito grande, não é? Ou particularmente bonita?- digo por fim.

Ela bufa.

– Bem, você já pareceu melhor.

Isso. Observação três confirmada.

–E nem mesmo remotamente bondosa. Para me dizer isso depois de tudo pelo que passei.

–Sim. Nós todos estivemos atravessando por algo. E você é quem era conhecido por ser bondoso. Não eu. — ela me encara.

4- Eu era bondoso.

–Olhe, eu não me sinto tão bem. Talvez eu decida visitar amanhã. — ela me encara com olhos tristes. Ou fingindo tristeza nos olhos.

Ela se vira para porta. Mas não posso deixa-la ir. Não antes de terminar esta conversa.

–Katniss. Eu me lembro sobre o pão.

–Eles te mostraram a gravação de mim falando sobre isso.

Gravação? Prontopop’s?

–Não. Há uma gravação de você falando sobre isso? Por que a Capital não usou isso contra mim?

–Eu fiz no dia que você foi resgatado. -ela responde. Respira fundo, tomando forças, eu acho. — Então o que você recorda?

–Você. Na chuva Buscando na nossa lixeira. Queimando o pão. Minha mãe batendo em mim. Levando o pão para o porco, mas dando-o para você em vez disso.

Ela assente.

–É isso. Isso foi o que aconteceu. No dia seguinte, depois da escola, eu deveria agradecer você, mas eu não sabia como.

–Nós estávamos do lado de fora no fim do dia. Queria que você olhasse para mim. Você olhou para o outro lado. E então... Por alguma razão, pensei que você apanhou um dente-de-leão. — continuo a história.

Fecho os olhos. Passando cada momento que julgo ser verdadeiro.

–Eu devo ter te amado muito.

Os olhos queimam, mas não vou chorar. Não na frente dela.

Reabro os olhos para ver ela também com os olhos cerrados.

–Você amou. — ela engasga.

Engulo em seco.

–E você me amou?

Ela parece ao ponto de chorar.

–Todos dizem que eu amei. Todos dizem que foi por isso que Snow torturou você. Para me arruinar.

Fecho os olhos novamente e os abro.

–Isso não é uma resposta. Eu não sabia o que pensar quando eles me mostraram algumas das gravações. Naquela primeira arena, pareceu como se você tentasse me matar com aquelas teleguiadas.

Ela volta os olhos para mim.

–Eu estava tentando matar todos vocês. Você tinha me posto em dificuldades.

–Depois houve um pouco de beijos. Isso não pareceu muito genuíno de sua parte. Você gostou de me beijar?

–Algumas vezes – ela olha para trás. -Você sabe que pessoas estão nos assistindo agora?

–Eu sei. E Gale?- pergunto. A última coisa que quero saber de verdade.

Ela bufa novamente (5-Katniss ama bufar).

–Ele não é um mau beijador tampouco. — ela dá de ombros.

Estamos chegando á algum lugar. Eu lembro de uma vez que s vi se beijando. Mas foi somente uma. Ao menos, uma que me recordo.

–E isso estava ok com ambos de nós? Você beijando o outro?- pergunto.

–Não. Isso não estava ok com qualquer um de vocês. Mas eu não estava pedindo suas permissões.

(Observação três mais uma vez confirmada).

Rio. Sem vida. Mas rio.

–Bem, você é uma peça, não é?

Ela me fuzila com o olhar, se vira e sai correndo da sala.

Um bom avanço. Agora sei alguns pontos fantásticos sobre ela. Agora sei como sair deste transe. Agora sei o mais importante: Qual a minha opinião. E quem diria, eu sei que eu posso derrotar a Garota Em Chamas.

Notas finais
Gostaram? Favoritem, comentem, recomendem. Eu sou grata. _l l l_
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.