Os Dias escuros de Peeta

12 É apenas o começo


Notas iniciais
Demorou kkkkk, desculpinhas.

Fecho os olhos. Finalmente terminou.

Percebo que os pacificadores estão com uma rígida postura. Mais rígida que o normal.

–Assim está bom. Terminamos o trabalho depois do pronunciamento.

Estou sendo carregado novamente para a sala onde fora feita minha maquiagem da última vez. Vamos para o mesmo andar da última vez. E enquanto o mesmo homem e mulher me preparam, sou informado do que tenho que fazer e falar.

–Você tem de falar sobre o cessar-fogo. — repete pela quarta vez o assistente.

Assinto, e esse pequeno movimento faz os meus olhos arderem pela dor das injeções.

Assim que terminam me levam ao lugar onde será gravado o pronunciamento. O presidente também está lá. Incomum.

Ninguém repara em mim, Snow está conversando rapidamente com um de seus generais e uma conselheira. Sei disto pois lembro deles nas transmissões que vimos durante a Turnê da Vitória. Katniss. O nome causa pavor e tristeza.

–Não temos tempo! As bombas no Distrito 13 estão quase prontas para o lançamento! — quase grita o general. A algazarra é tanta que somente eu reparo no teor das palavras.

Vejo a menina que amei no doze, distante e em meio as chamas. A garota em chamas está queimando e isso me entorpece. Não, não, não... Tenho que salvá-la. Tenho? Ela se importa comigo?

As imagens que vi no telão passam novamente na minha mente.

Um bestante.

–Um, dois, três e... No ar!- diz o câmera.

Respiro fundo e começo.

–Temos de ter um cessar-fogo. As florestas foram destruídas, os mares poluídos e o que restou de nossa população? Nós. E estamos nos destruindo no momento presente. Descarrilamentos. A infraestrutura nos distritos pode não aguentar...

–Cortaram a transmissão!- grita um assistente.

Snow começa uma conversa tensa com um pacificador. Katniss aparece em uma das telas. Estão passando os seus vídeos.

Bestante.

–Voltamos! Peeta!

–Ela matou... Ah não, desculpe. A infraestrutura pode não aguentar nos distritos mais emergentes e tudo indica que...

–Cortaram de novo!

–Façam com que isso pare!- Snow diz em uma calma assustadora que somente ele exala.

O rosto de Katniss está na tela novamente, e agora o selo da Capital seguido pelo meu rosto. Está horrível. Não consigo ver o antigo eu em minha face. Fico inebriado pela visão.

–Pronto temos pouco tempo!- sussurra um câmera.

Desperto do torpor.

–E tudo indica que se não pararmos agora os Distritos serão retalhados. A Capital não quer isso ela...

Vejo que a tela ficou preta e os pronto-pops dos rebeldes voltaram a passar. Então volta para a Capital. O Presidente Snow me empurra e começa a falar:

– Os rebeldes estão agora tentando interromper a disseminação de informações que acham incriminatórias, mas a verdade e a justiça reinarão. A transmissão integral será retomada quando a segurança for restabelecida. –ele para e se volta para mim sorrindo. -Dada manifestação de hoje à noite, você tem todos os pensamentos de despedida para Katniss Everdeen?

Despedida? Retorno à realidade. Eles vão matá-la. Tenho que impedir.

Bestante. Bestante. Bestante. Amante.

Amante.

– Katniss... Como você acha que isso vai acabar? O que vai sobrar? Ninguém está a salvo. Não na Capital. Não nos distritos. E você... No Treze... — olho para Snow e respiro fundo.- Morta pela manhã.

Um pacificador me joga no ladrilho e me deixo levar. Está feito.

–Acabe com isso!- diz um voraz presidente.

Pacificadores batem fortemente em mim. Berro de dor. Minha cabeça vai e volta no ladrilho. Por mais que seja repugnante, consigo ver o sangue respingando. Um Pacificador me arrasta de volta para a minha cela. Não é a minha cela. Estou em uma sala clara e branca.

–Você tem idéia do que fez?- pergunta o Presidente Snow entrando logo em seguida.

Fico calado.

O Presidente me avalia de cima á baixo. E pensa por instantes.

Katniss provavelmente deve ter visto aquilo. Então eu dei tempo para ela e todo o distrito fugir se esconder. Provavelmente o Presidente Snow vai me matar. Não consigo achar a ideia ruim.

–O senhor vai me matar. — digo como se fosse uma verdade absoluta.

Ele sorri.

–Não.

Cerro os olhos.

–Me mate. –digo.

–Não. – ele sobrepõe. – Leve ele de volta para celas. As coisas vão mudar por aqui.

Dois Pacificadores me arrastam, minha perna mecaânica produz um som horrível ao ser arrastada pelo ladrilho. Atravessamos um corredor e estamos de volta para a sala das celas. A porta é aberta com um estrondo. E sou amarrado em uma cadeira.

Johanna emite faíscas com o olhar. Ela está de pé, mesmo após tudo o que lhe foi infligido...

Snow olha para um dos Pacificadores, que por sua vez assente vagarosamente.

–As coisas vão mudar por aqui. — grita o pacificador.

Notas finais
Se gostarem favoritem e se não concordarem com algo comentem. Eu realmente gosto de ler os comentários. Obrigada se você não desistiu de esperar esse capítulo.