Notas iniciais
Eu voltei com um emocionante capitulo. Queria dizer que falta muito pouco para que essa fase termine e comece de fato a conquista da Terra Prometida. E para quem se pergunta se os hebreus terão de esperar quarenta anos para isso eu respondo que sim. Ja modifiquei muito o contexto bíblico com esta fic, o que nunca foi minha intenção, e n quero modificar mais essa parte essencial. Nos próximos capítulos entenderão como vai ser o castigo dos hebreus.

Aruna limpava a tenda calmamente enquanto cantava. Era sempre ela que fazia todas as tarefas domesticas ali, e Léia sempre implicava com ela para que tudo ficasse absolutamente impecável, contudo a moça não se importava. Fazia tudo de bom grado sem reclamar pois sentia que ela devia isso a Leia e Quemuel por terem-na acolhido em sua casa quando ainda um bebe. Aruna as vezes se perguntava sobre seu passado, quem era seus verdadeiros pais, sua origem, mas era muito grata a essa familia que havia lhe adotado como filha.

Léia e Quemuel estavam discutindo exaltados no quarto, e Aruna sequer havia prestado atenção na conversa, até aquele momento, no qual o grito de Léia podia ser ouvido por todos os vizinhos.

— Você sabe muito bem que eu não gosto, nem nunca vou gostar de Aruna. E também sabe muito bem o motivo. — A mulher berrava, exaltada, nem se lembrava de que Aruna estava em casa e poderia ouvir tudo. — Ou quer que eu lhe lembre que ELA foi a desgraça do nosso casamento? Como acha que eu me sinto Quemuel, ao ter de olhar todos os malditos dias de minha vida para a cara dessa criatura e lembrar que ela é fruto de sua traição com outra mulher?

Afobada com o que acabara de ouvir, Aruna teve que se segurar firme na mesa para que não caísse. A jovem morena estava atordoada e sentia lagrimas se formarem em seus olhos. Era fato que ela sempre quisera saber mais sobre seu passado, mas havia descoberto tudo da pior maneira possível. Agora entendia perfeitamente porque Léia e Samara a desprezavam tanto. Ainda era difícil acreditar. Enxugou suas lagrimas silenciosamente. O que menos queria agora era ser notada. Estava confusa, sem saber o que pensar ou fazer, por isso esse motivo saiu da tenda, se perguntando se tomar um ar fresco melhoraria a sua situação.

......

A jovem hebreia Nina havia ido sozinha lavar roupas ao rio que havia ali perto. Ela sempre ia acompanhada das outras mulheres, mas naquele momento todas pareciam estar ocupadas e ela não via problema em ir sem ninguém. Absorta em sua tarefa sequer percebeu que um homem estrangeiro a olhava com malicia, e depois de alguns minutos fez-se visível e agarrou a jovem pelos cabelos, que olhava aterrorizada para ele.

— Por favor, me solte. — Nina suplicava, ja sentindo lagrimas se formaram em seu rosto enquanto o homem passava as mãos pelo seu corpo. Aquilo não podia estar acontecendo.

— Deixe-me provar um pouco desse corpo, hein sua gostosinha. — Disse ele, com um sorriso maldoso estampado no rosto.

Nina engoliu a seco e fechou os olhos, preparando-se para o pior. Mas surpreendeu-se ao ouvir um grito agudo de dor. Abrindo os olhos ela pode ver que o estrangeiro que a atacara agora estava no chão, havia sido atingido por uma flechada. Nina então olhou para o lado e o viu. Um Soldado Mascarado a encarava de cima de seu cavalo. Essa pessoa misteriosa havia a salvado, constatou a jovem. Ainda meio assustada com tudo que havia acontecido, a hebreia aproximou-se da figura misteriosa para lhe agradecer por lhe ter salvo a vida, no entanto o soldado ja tinha desaparecido.

Nina franziu a testa, sem entender nada

— Que estranho. — Falou para si mesma e logo encaminhou-se de volta para a sua tenda.

.........

Em outra tenda, Ana e Josué conversavam. O rapaz amava muito a hebreia e ainda não havia desistido de pedi-la em casamento, por mais que ela sempre o rejeitasse por ressentimento causado pelo curto envolvimento dele com Bianca quando ainda se encontravam escravizados no Egito. Para Josué aquilo era passado. Ainda sentia um imenso carinho por Bianca sim, e estava preocupado agora que ela havia sido capturada pelo inimigo, mas era nada além disso. Quem ele amava de verdade era Ana, e tinha de haver alguma forma de faze-la entender isso.

— Ana, meu amor. Eu te amo demais. O que senti por Bianca foi uma paixão que veio de repente e avassalou completamente meu coração, mas ja passou. Quem eu sempre amei e sempre amarei ta aqui na minha frente neste momento. Eu te amo muito, Ana. Nunca duvide disso. Quero passar o resto de meus dias a teu lado, quero construir uma familia. Enfim, quero que sejas minha mulher. Mais uma vez te peço, quer casar comigo? — Disse, emocionado.

A filha de Apuki encarou o amado calada. Refletia sobre o assunto. Ainda estava ressentida por ter sido trocada pela Bianca, no entanto Josué ja havia dad varias provas de amor, e ela não poderia mais desperdiçar a oportunidade de ser feliz ao lado do homem a quem amava, e que retribua este sentimento.

— Claro que aceito, meu amor. — Sorriu e enxugou suas lagrimas com as mãos. O casal se abraçou, completamente feliz pela reconciliação e logo em seguida se beijaram, momento que foi interrompido por uma Samara furiosa irrompendo para dentro da tenda.

— Que bonito hein. — A adolescente esbravejou. — Sera que estou atrapalhando o casalzinho? — A morena encarou Josué furiosamente e segurava-se para não avançar no pescoço de Ana. Samara podia ser muito nova, tinha quinze anos, mas havia desenvolvido uma paixão um tanto quanto obsessiva pelo guerreiro hebreu. Para ela Josué era seu, de mais ninguém.

Josué afastou-se de Ana e suspirou. Estava ficando cansado da insistencia da moça em lhe perseguir e cortejar.

— Samara, pare com isso por favor. Ja conversamos sobre isso diversas vezes e não me casarei contigo. Eu amo Ana. — Ele tentou falar com toda a calma possível enquanto as duas mulheres ali presentes praticamente se fuzilavam com o olhar.

— Porque, Josué? — A moça berrou, um tanto quanto descontrolada. — Queria apenas entender o porque me rejeita tanto. Posso ter apenas quinze anos, mas sou uma moça de bem, moça prendada, sei fazer todos os deveres de casa e te amo. Posso ser a esposa ideal.

Ana bufou. O show daquela garota estava lhe irritando ao máximo.

— Escuta aqui, garota. — Ela apontou o dedo para Samara, sem se importar com os lamurios de seu noivo para que parasse. — Josué me ama. Vai casar comigo. Procure alguém de sua idade e deixe meu marido em paz.

Samara respirou fundo. Lagrimas de raiva se formavam em seus olhos. Ana e Josué pagariam muito caro por terem-na humilhado. Saiu da tenda os fuzilando com o olhar sem pronunciar sequer uma palavra, mas ja preparando sua vingança.

No caminho esbarrou em Jonay, o aleijado que não podia andar e que se locomovia se arrastando pela areia suja do deserto. Preparou-se para lhe xingar, mas então lembrou-se que ele era apaixonado pela tonta da Ana. Iria usar o imprestável em seu plano, mas para tal acontecer precisava ser o mais gentil possível com ele.

Abaixou-se, pondo-se então de joelhos e o encarou

— Shalom, Jonay. — Samara deu seu melhor sorriso falso para o rapaz.

........

A Rainha Mariana estava em seus aposentos deitada em sua cama descansando. A fase avançada de sua gravidez lhe deixava muito cansada ultimamente. Estava muito contente de finalmente ter se acertado com seu amado Gabriel. Havia se sentido muita magoada quando o flagrou com Talita. Um rei podia ter suas concubinas e ela sabia muito bem disso, no entanto seu marido havia lhe prometido que sempre seria fiel a ela, então ve-lo com outra havia lhe partido o coração em mil pedaços. Mas agora estava tudo bem. Gabriel a amava e ela tinha plena consciência disso. Lembranças invadiram a mente da jovem.

FLASHBACK ON

Mariana e Gabriel se entreolharam intensamente por alguns instantes. Suas respirações estavam ofegantes. Com Gabriel encima da jovem, os seus corações palpitavam de maneira descompensada. Nenhum dos dois tinha plena certeza do que estava acontecendo ali e do que estavam sentindo. Mas sabiam que era muito forte e intenso. Poderia até ser amor a primeira vista, pois assim que se olharam começaram a se sentir de maneira diferente. Nenhum dos dois havia conhecido o amor ainda, então era tudo muito novo e estranho para eles, mas agora que estavam começando a senti-lo não poderiam estar mais felizes. Gabriel acariciou o rosto de Mariana, e, movido pelo impulso, tomou os lábios da moça e os beijou docemente. Mariana ficou surpresa, mas acabou retribuindo o carinho que estava recebendo. Esse beijo estava provocando um turbilhão de sensações em ambos. Até que Mariana pareceu acordar, e se levantou rapidamente.

— Acho melhor eu ir embora. — Ela sussurrou, nervosa, e não se atrevendo a olhar na cara do jovem.

Mariana se virou e preparou-se para ir embora, mas foi parada, que segurou seu braço fazendo um tremor percorrer o corpo dos dois.

— Espere, eu não sei seu nome. — Observou, sorrindo e fazendo ela acabar sorrindo também.

— Me chamo Mariana, e você? — Indagou.

O príncipe sorriu, cada vez mais encantado pela moça. Gostava de Bianca, mas o que estava sentindo por Mariana era muito mais forte e intenso do que sentia pela dama de companhia de sua mãe.

— Me chamo Gabriel. — Respondeu, pegando na mão da jovem e depositando um beijo nela. — Nos veremos novamente? — Perguntou, esperançoso.

— Talvez — Ela respondeu, antes de dar uma olhada nele e ir embora com um enorme sorriso no rosto. Estava muito feliz por finalmente estar encontrando o amor.

FLASHBACK OFF

Sorriu. Ali naquele momento ela soube que ele era seu primeiro amor e seria seu único. E por mais que eles houvessem sofrido com as armações de sua irmã Jessica ela e Gabriel haviam reencontrado um jeito de viver o amor deles.

Sentindo-se sonolenta, Mariana então começou a fechar suas pálpebras, mas ainda conseguiu escutar o barulho das portas de seu aposento abrindo-se. Era Tyie.

A nobre egipcia andou até a cama da jovem hebreia e sorriu maquiavelicamente. Ja que seu plano para que Talita seduzisse o rei Gabriel havia dado errado, a irmã de Ramsés resolveu tomar medidas drásticas. Iria acabar ela mesmo com Mariana, que estava em seu caminho.

— MORRA! — Tyie gritou, logo em seguida dando uma facada certeira no peito de Mariana.

Deleitou-se com a cena da jovem rainha agonizando e começou a rir histericamente.

— Chame Gabriel. — Mariana implorou com a voz fraca. Sabia que estava indo para junto de Deus e queria ter uma chance de se despedir de seu amado.

Tyie apenas a encarou, sem parar de rir por um instante sequer.

Saiu do aposento deixando a jovem sofrendo. Dentro de poucos minutos Mariana ficou sem forças e fechou os olhos por ultima vez. Sem ter chances de dizer adeus a Gabriel partiu para os braços do Senhor.

......

Moisés encontrava-se dentro de sua tenda, aflito pelas perdas que o povo hebreu havia sofrido por conta daquele ataque inesperado vindo dos inimigos. Milhares de mulheres e crianças indefesas haviam sido arrancadas sem piedade para longe de suas familias, milhares de hebreus estavam sofrendo naquele momento, e querendo ou não Moisés sentia que aquilo havia sido sua culpa. Afinal, ele era o líder, deveria ter tido mais sabedoria e posto mais segurança no acampamento. Suspirou.

— Moisés, precisamos conversar. — Safira entrou na tenda dele, aflita e nervosa.

O líder hebreu encarou a amada com curiosidade e uma pintada de aflição. Tinha medo de que mais alguma tragedia houvesse acometido seu povo. Respirou fundo e preparou-se para a pior noticia.

— Diga, Safira. — Encarou-a.

Safira engoliu em seco. Nem sabia ao certo o que dizer.

— Queria conversar sobre a gente. — Pausou sua fala, e como Moisés nada dizia presumiu que poderia continuar falando. — Eu sei que o nosso amor sempre foi um pecado, desde o Egito quando nos conhecemos e nos apaixonamos perdidamente. Nos entregamos a esse amor cometendo um grave erro. Erro esse que resultou em Gabriel, nosso querido e amado filho que hoje governa o Egito com plena sabedoria. Depois de anos nos reencontramos, e eu tentei realmente frear este sentimento, afinal você estava casado mas sequer foi possível. Olha, eu refleti muito Moisés, e mesmo que nosso amor seja um pecado eu quero pecar porque te amo demais. Eu nunca mais quero te perder. Eu aceito sim me casar contigo.

Moisés se aproximou, eufórico e emocionado com as palavras da amada. Sabia muito bem que Safira tinha razão em muito do que falava. Realmente eles tinham pecado, no entanto era impossível resistir. O amor que os unia era mais forte do que todo o resto.

— Te amo, Safira. — Declarou-se o libertador. — Nunca mais vou te largar. — Se beijaram apaixonadamente como nunca antes. Entao, uma fortíssima voz ecoou pelo local, os assustando.

— Moisés e Safira! — A voz entoou. Se encararam abismados. Deus estava falando com eles. — Para viver o vosso amor proibido os dois pecaram contra minhas leis mais sagradas. Quebraram a promessa que me fizeram de sempre servir aos Dez Mandamentos. Cometeram adulterio sem pensar no quanto a esposa de Moisés sofreria. Me decepcionaram. Permitirei que vivam este amor, porque apesar de tudo o sentimento que os une é mais forte que qualquer outra coisa. No entanto receberão um castigo. Safira vai pegar contraindo lepra, a qual vai durar sete dias e ela tera que ser afastada do acampamento. E tu Moisés, ja não es mais digno de ser líder de meu povo. Israel ganhara outro líder muito em breve. — Deus ditou e em seguida Safira percebeu que estava leprosa. O casal se encarou, assustado. Tinham pecado e agora teriam de arcar com as consequências.

Notas finais
Josuana se resolveu mas Samara n gostou nada disso e quer se vingar. A proposito, nessa fase ela e a Aruna estão sendo interpretadas pelas atrizes Mariana Lessa e Marina Moschen respectivamente pelo fato de terem quinze anos. Apenas na próxima fase que elas serão interpretadas pela Paloma e Thais como foi na novela. Tyie matou a Mari. Doeu em mim essa cena mas prometo que a megera vai ter o que merece. Safires foram castigados por Deus pelos seus pecados. O amor deles pode ser lindo sim, e confesso que amo o casal mas n podia deixar passar que eles erram e muito e teriam que pagar de alguma forma. Próximo capitulo teremos o desfecho da conversa entre o casal Mirises, prometo. Espero que tenham gostado.