Notas iniciais
Voltei! Sentiram saudades? Eu sim, e muita! Eu sei que eu disse que ia excluir e fazer uma nova versão, mas eu n consegui fazer isso, afinal ODMES foi a primeira fic que escrevi da novela e n consegui desapegar, por isso aqui estou para continuar a fic ate o final! Desta vez inseri mudanças, e alguns personagens da ATP farão pequenas participações na fic. Peço que leiam todo esse capitulo, pois apesar do começo parecer igual, eu fiz pequenas alterações e acrescentei cenas.

Sorrateiramente, Nefertari adentrou na tenda de Moisés, com as tabuas em mãos. Olhando para os lados, para certificar-se de que o local estava vazio. Avistou o baú onde certamente Moisés as guardava, e tentou o abrir. No entanto, ouviu passos vindo em sua direção, o que a fez recuar e tremer de medo. Onde se esconderia? Que desculpa daria se fosse pega? Desesperada, a morena largou as Tabuas da Aliança no chão, as pegando logo em seguida após perceber a burrada que estava fazendo, e enfiou-se dentro do baú, tendo tempo de o fechar antes que Moisés entrasse na tenda. Por uma frecha do baú que havia ficado aberta Nefertari podia ver o quão frustrado e triste o hebreu estava.

"O tolinho deve estar assim porque Safira o rejeitou! Que coisa mais patética. — Pensou, rindo para si mesma.

Realmente, Safira era sim o motivo do estado em que o líder hebreu encontrava-se. Amava demais a mulher e lhe doía muito essa rejeição que estava tendo por parte dela. Moisés havia tentado de tudo, mas nada dava certo. Safira estava decidida a voltar para o Egito, e ele teria que aceitar a realidade. Por mais que ela fosse extremamente dolorosa.

Suspirou, sentindo seus olhos ficarem molhados. Permitiu-se chorar. Raramente o viam daquela forma, estando tão frágil e desolado como estava naquele momento. Afinal, Moisés era o líder de todo um povo, nunca poderia desmoronar na frente deles. No entanto ele encontrava-se sozinho naquele instante, ou assim ele pensava. Passou alguns minutos libertando toda a sua dor, enquanto Nefertari revirava os olhos. Estava farta de ficar escondida dentro daquele baú, mas Moisés parecia não querer colaborar com ela. Parecia que ele não sairia daquela tenda nunca. E, realmente se fosse por ele ficaria o resto de sua vida ali. Tudo aquilo estava sendo demais para ele, ter que liderar um povo impaciente para a terra que lhes fora prometida séculos atrás por Deus, a construção do Tabernáculo, o sumiço das Tabuas da Aliança. Além de não poder ficar verdadeiramente com quem amava. Tudo isso estava destruindo Moisés completamente por dentro. Parecia que todas as suas forças se estavam esvaindo aos poucos. Suspirou pesadamente, levantando as mãos e orando ao Senhor, em busca de seu auxilio.

— Senhor, meu Deus. Peço que me ajude a ter o coração confortado senhor, que me ajude a curar todo o sofrimento que nele contém, que me ajude a completar esta jornada, pois eu sinto que não tenho mais forças para nada. Me ajude, meu Deus.

Um silencio pairou pela tenda por alguns segundos, e então uma voz alto, sonora e potente fez-se ouvir.

— Moisés! — A voz exclamou. — Estarei sempre contigo, nunca lhe abandonarei, a não ser que me abandones primeiro. Eu escolhi-te dentre milhares para esta difícil e ardua missão. Mas vais conseguir cumpri-la, Moisés. Apenas tenha fê! — Moisés sorriu largamente ao que o próprio Deus estava lhe confortando. Com isso sentiu-se bem mais fortalecido.

— Obrigado meu senhor! — Exclamou, emocionado.

Enquanto isso tudo acontecia, Nefertari revirava os olhos. A verdade era que a morena acreditava em Deus, mas ela ainda não havia conseguido adaptar-se bem com a vida que levava sendo hebreia, e estando tanto tempo vagando pelo deserto sem rumo, havia começado a perder sua fé. A única coisa que alegrava a ex-egipcia era Miguel. Ela havia genuinamente se apaixonado pelo rapaz, descoberto o amor pela primeira vez. Somente não percebia que a atitude de estar traindo Moisés podia acabar com todo esse amor que estava nascendo.

Mais fortalecido, Moisés preparou-se para sair da tenda, e ela suspirou aliviada ao perceber que finalmente poderia sair do dentro de seu esconderijo. No entanto comemorou muito cedo, pois Zípora adentrou na tenda, com um semblante tenso no rosto, o que prontamente deixou Moisés extremamente preocupado.

— Desculpa, Moisés. Sei que queria ficar sozinho, mas precisamos conversar, sobre um assunto muito importante. — Disse a midianita, extremamente nervosa.

.......

— Desista, Amen. Miriã nunca vai ser sua, meu irmão. Ela ainda ama muito o marido, ainda mais agora com o nascimento dos gêmeos. Não cometa nenhuma loucura, eu lhe peço. — Nina tentava colocar algum juízo na cabeça do irmão Amenhofis, que estava decidido a fazer tudo que fosse preciso para desposar a irmã do líder hebreu.

— Chega, Nina. Cansei dessa conversinha boba sua. Miriã vai ser minha sim, nem que pra isso eu tenha que obriga-la a casar-se comigo! — O rapaz berrou, enfurecido. Saindo da tenda em passos largos logo em seguida.

Nina suspirou. Desde que Amenhofis havia conhecido Miriã no Egito e encantado-se por ela, seu irmão havia posto na cabeça que a mulher seria dele.. De uma maneira ou de outra, e isso preocupava extremamente a jovem.

— Ilumine a cabeça de meu irmão, Meu Deus. Para que ele pare de ter esses pensamentos perversos que não lhe ajudarão em nada, lhe trarão apenas dor e sofrimento. — A jovem orou, com as mãos levantadas. Acreditava em Deus, e que ele operaria uma mudança no coração de Amenhofis. Estivera tão distraída em seus pensamentos e orações, que acabou demorando para perceber o movimentação toda dentro do acampamento. Apenas agora Nina conseguia ouvir os gritos de pavor das pessoas, e barulho de coisas sendo quebradas.

— O que significa isso? — Perguntou a si mesma, abismada. Estava a ponto de sair da tenda para verificar o que estava acontecendo, quando uma amiga sua, Yarin irrompeu para dentro da mesma. Estava completamente pálida, e tremia da cabeça aos pés.

— O que houve, Yarin? — Nina agora estava assustada e exasperada.

— Os amorreus invadiram o acampamento amiga. Estão levando ouro, mulheres e crianças. Além disso estão matando friamente todos que tentam impedir. — Yarin revelou.

........

Chibale e Bianca não podiam estar mais radiantes. Haviam acabado de confirmar a gravidez da moça, fato pelo qual estavam completamente contentes e emocionados. Chibale acariciava a barriga da esposa ternamente, enquanto chorava e Bianca sorria.

— Vamos ter um filho! Um filho, meu amor! Eu te amo muito, Bianca. Te amo demais. — Declarou-se, beijando a esposa apaixonadamente logo em seguida.

— Felicidades ao cas.. — Leila começou a falar, mas foi interrompida por um soldado amorreu, que haviam conseguido entrar desapercebido no local e agora agarrava a mulher, tampando sua boca. Leila se debatia, sem conseguir se soltar. E todos desesperaram-se ao ver o estado em que ela se encontrava.

— Larga minha mãe, seu desgraçado. — Bezalel tentou se aproximar, mas foi derrubado por outra amoritta que também entrava na tenda.

Leila sentiu uma lagrima cair de seu rosto enquanto o soldado que a segurava passava a mão por todo seu corpo.

— Você é bonitinha, madame. Mas é muito velha. — O homem resmungou, soltando-a logo em seguida, e indo em direção a Bianca, que tremia de medo e gritou ao ver o marido ser atingido pela faca do outro homem.

— CHIBALE! — Bianca gritou, em completo desespero. Pondo a mão em seu ventre, como que para proteger a criança que ali se encontrava.

Os dois amorittas seguraram-na com dois sorrisinhos perversos nos rostos. — Essa sim serve. — Falaram em uníssono, começando a empurrar Bianca para fora da tenda. Leila, num ato de coragem tentou impedi-los de levarem sua amiga, mas levou uma facada em cheio no peito e caiu.

— LEILA, CHIBALE! POR FAVOR, AJUDEM! — Bianca gritava, enquanto era arrastada pelos bandidos.

...........

Fora das tendas o caos também estava montando. Milhares de mulheres e crianças estavam sendo arrancadas sem piedade de suas tendas, sendo levadas para longe de suas familias, que quando tentavam impedir isso de acontecer eram esfaqueados. Era um momento de dor e terror total naquele acampamento.

Micaela, uma hebreia morena que estava em seus vinte e poucos anos, amparava seu irmãozinho de seis anos, Hiru, que estava aterrorizado.

— Estou com medo. — A criança chorava nos braços da irmã, enquanto eles estavam escondidos atrás de uma carroça. Mica confortava o irmão como podia, sendo que na realidade ela também estava com muito medo do que poderia vir a acontecer. Vendo que uma de suas amigas estava sendo levada, Mica entrou em desespero, e num ato de coragem, ou de insanidade, decidiu que iria correr para ajudar ela. Gentilmente, tirou o pequeno Hiru de seus braços, e beijou sua testa.

— Fique aqui. Em hipótese alguma saia daqui entendeu. — Foi firme e autoritaria. — A mana te ama muito.

E Hiru, que estava aterrorizado com os acontecimentos, ficou ainda pior ao ver a irmã, a única familia que tinha, ser morta. Em completa agonia, o menininho gritou e tentou ir em direção da sua maninha, no entanto foi parado por Bakenmut, que compadeceu-se com a situação do garotinho. A verdade era que após ter decidido partir com os hebreus o ex-oficial egípcio não era o mesmo frio, arrogante e sem coração de antes. Havia mudado muito.

Pegou Hiru no colo e o abraçou, para tentar conforta-lo.

— Eu vou te ajudar campeão, prometo. — Baken deu um sorriso genuino para o menino.

......

— Pode falar, Zípora. — Moisés perguntou, curioso.

No entanto, a movimentação e os gritos de todos interromperam a conversa.

— Os amorreus invadiram o acampamento. — Jerusa avisou, ofegante enquanto entrava no recinto. — Levam mulheres e crianças, além de ouro. Matam qualquer um que tenta impedir.

— Fiquem aqui. — Moisés disse para as duas mulheres antes de sair.

— Ah, mas eu não irei ficar aqui parada sem fazer nada. — A midianita mais velha falou. Jerusa tentou impedir, mas acabou tendo de seguir a irmã para fora da tenda, para impedir alguma tragedia de acontecer.

Com a tenda vazia, o baú abriu-se, e Nefertari saiu dele. Alongou-se, pois seu corpo estava dolorido e suspirou.

— Finalmente!

Foi surpreendida por dois bandidos amorreus, que entraram no local e a levaram, sem dar-lhe tempo de sequer protestar.

.........

Henutmire acordou assustada com os gritos e barulhos que ouvia de fora da tenda. Sua cabeça latejava e ela estava meio desorientada. Olhou para os lados. Estava sozinho. Pousou a mão no ventre, podendo sentir que seu filho ainda estava ali com ela. Aquilo a animou, mas de repente desesperou-se por não saber onde estava Hur. Uma dor acometeu seu coração, como se pudesse sentir que algo de muito grave estivesse acontecendo com seu marido.

— HUR! — Gritou, assustada sem obter uma resposta.

Naquele momento, lembranças boas a acometeram

FLASHBACK ON

Sentindo a brisa do vento e das aguas, a jovem filha de Seti e Tuya não poderia se sentir mais renovada e de bem com a vida. Entrou no Nilo e começou a banhar-se. Então Yunet aproximou-se sorrateiramente e começou a afoga-la, sem mais nem menos, mantendo a cabeça da nobre submersa em baixo da agua por alguns minutos e se deleitando com aquilo.

— MORRA, HENUTMIRE! — Esbravejava a louca.

Saiu da Piscina rindo, certa de que havia matado sua rival.

Minutos depois, Hur, o filho do joalheiro Real, passava pelo local e desesperou-se ao avistar o estado da jovem egípcia, que ele amava em segredo. Seu coração bateu forte, e ele não pensou duas vezes antes de pular na Piscina e prestar auxilio a Henutmire.

Olhou para ela desmaiada em seus braços.

— Viva, Henutmire. Por favor, não posso lhe perder se ao menos ter tentado lhe declarar o meu amor. — Sussurrou.

Como que por mágica, a jovem abriu os olhos lentamente, e Hur deu um meio-sorriso. Como era possível ela ter acordado tão rapidamente?

— Princesa, você tá bem. — Falou.

Henutmire olhou para o homem que a carregava e o reconheceu como sendo o Hur, filho do Joalheiro. Nunca havia reparado no quão lindo ele era. Sentiu uma pontada forte na cabeça.

— Pelos Deuses! — Exclamou. — O que houve? Como vim parar em seus braços? — Indagou, confusa.

Hur sorriu.

— Não sei ao certo, Princesa. Quando cheguei a senhora estava se afogando no Nilo, desacordada e eu lhe salvei. — Explicou ele. — Lembra de algo?

Outra pontada na cabeça.

— Ai, como dói. — Reclamou. — Não, infelizmente não lembro de nada. — Entristeceu-se.

— Bem, acho que não interessa. O que importa é que nada de grave aconteceu a Princesa. — O jovem notou.

Henutmire sorriu largamente. Estava ficando encantada pelo homem, seu herói.

— Graças a você, não é mesmo? — Riu de maneira fraca.

Hur ousou acariciar o rosto da jovem mulher suavemente, ato que ela não impediu. Pelo contrário, estava gostando muito da sensação de calmaria e o carinho que o rapaz estava lhe proporcionando. Os dois se olharam intensamente, e os olhos do hebreu desceram até a boca da Princesa. Mordeu os lábios, nervosamente. Não poderia beija-la, poderia? Henutmire continuava sorrindo alegremente para ele. O jovem não estava aguentando mais. Ter Henutmire tão perto dele era demais para sua sanidade.

— Em que pensa? — A egípcia inquiriu, curiosa.

— Posso lhe beijar? — Hur perguntou por impulso, mas repreendeu-se. Como ele perguntou uma coisa dessas para a filha do Rei? Ela poderia achar a atitude dele ultrajante, e nunca mais querer vê-lo.

Pegando-o completamente de surpresa, foi ela quem aproximou-se e tomou a iniciativa de começar o beijo, beijo que Hur logo correspondeu.

......

Haviam se passado semanas desde seu beijo com Hur, e mesmo que nunca mais houvessem se Faldo, apenas se chocaram duas vezes pelos corredores, sem proferirem uma palavra sequer um para o outro. Henutmire não conseguia se esquecer do que sentiu ao ter seus labios contra os dele. Fora algo magico, inexplicável. Algo que nunca sentira, nem mesmo com Disebek, seu noivo. A princesa tinha a sensação de que nunca esqueceria esse beijo, e que tinha se apaixonado perdidamente por aquele joalheiro. Um amor que ela sabia muito bem ser proibido. Suspirando, Henutmire passou as mãos pelo labio inferior, ainda podendo sentir a boca de Hur contra a dela.

— Ainda pensando naquele joalheiro, minha filha? Pelos Deuses! — Indagou Tuya, com um semblante tenso no rosto ao entrar no aposento da filha e ve-la encostada ao parapeito da janela, perdida em pensamentos. — Ele não é o ideal pra você, Henutmire. Vai ser melhor esquece-lo o quanto antes. — Tuya aproximou-se e segurou nas mãos da filha, que afastou-se bruscamente, irritada.

— Pensei que ao menos a senhora se importasse com minha felicidade, mas agora percebo que pensa igual ao meu pai. Querem me casar com o general Disebek porque é o melhor para o reino. O melhor para mim sequer interessa! Quer saber, eu odeio a senhora e meu pai Odeio! — Henutmire esbravejou, para completo espanto de Tuya, que nunca havia visto a filha agir daquela maneira.

— Henutmire. — Chamou, mas a princesa não mais encontrava-se em seu quarto.

Henutmire corria pelos corredores ressentida com a mãe. Nem ela nem seu pai importavam-se com seu bem-estar. Ela era apenas um objeto que poderiam manipular quando bem quisessem para o bem do reino. Somente agora Henutmire percebia isso. E estava muito triste. As vezes desejava não ser uma princesa, para poder ser feliz com quem quisesse.

Chocando e distraída, chocou com Hur que sorriu ao ve0la mas logo preocupou-se.

— Tudo bem princesa? Porque chora? — Perguntou, com voz suave mas alarmante.

Henutmire apenas atirou-se no braços do filho do Joalheiro Real e chorou. Sentia-se protegida nos braços de Hur, e Hur sentia vontade de sempre protege-la de tudo que lhe fazia mal. Ficaram assim por longos minutos, junto um do outro. Então, beijaram-se novamente.

FLASHBACK OFF

Henutmire sorriu com as lembranças. Mesmo sendo proibido, ela lutou por esse amor ao lado de Hur, sem se arrepender de nada. Se tivesse que escolher ela faria tudo novamente, sem medo algum. Pois ela sabia desde aquela época que Hur era o amor de sua vida, e sempre seguiria sendo. Sentiu braços fortes envolvendo-a num abraço. Sorriu ao ver que era Hur, seu amado, seu marido. Acariciou o rosto dele levemente.

— Te amo, Hur. Mais do que a mim mesma. Nunca me abandone. — Pediu, com voz embargada.

Hur sorriu encantado.

— Nunca irei, meu amor. Se te abandonar estarei abandonando metade de mim. Te amo demais Henutmire. E a essa criança também. — Declarou-se.

Beijaram-se avidamente. Demonstrando todo o amor e a paixão que sentiam um pelo outro.

Foram interrompidos por um soldado egípcio que entrava na tenda, surpreendendo o casal.

— Ikeni? — Henutmire indagou, abismada com a presença daquele velho conhecido ali no acampamento hebreu.

O soldado sorriu com ternura.

— Como vai, princesa?

— Bem, mas, o que faz aqui? — Henutmire perguntou, ainda sem entender.

— Vim lhe buscar, princesa. Sua irmã Tyie solicita sua presença no Egito. Ela diz que é muito importante que a senhora volte para suas terras o quanto antes. — Ikeni revelou.

...........

O ataque ainda estava acontecendo do lado de fora, e parecia que nunca teria fim. Zípora estava perdida em meio a multidão, procurando seu marido ou alguma de suas irmãs, para que pudesse as protegesse. Então avistou Safira tentando lutar contra um amorreu, sem sucesso. Podiam ter uma certa rivalidade, mas Zípora nunca deixaria alguém sem ajuda, e por esse motivo foi ajudar.

— SOLTE-A! — Exigiu, puxando o amorreu, que sorriu maquiavelicamente ao ver a midianita, soltando Safira de imediato, que olhava assustada para a cena, sem saber o que deveria fazer. — Mulherzinha atrevida metida a heroína. — Rosnou. — Pois agora vai pagar! — Em seguida preparou-se para esfaquear a midianita enquanto Safira olhava tudo, assustada mas sem nada poder fazer. Então, tudo mudou quando o amorreu foi atingido mortalmente pela flecha de um soldado mascarado, que encima de seu cavalo protegeu a vida das duas mulheres. Abismadas, Safira e Zípora se entreolharam, tentando descobrir a identidade deste misterioso ser que logo em seguida foi-se embora, tão, ou mais rapidamente do que tinha aparecido ali.

— Sa..fira. — Zípora foi na direção da outra, entre arfadas e gemidos de gemidos de surpresa. Uma nunca gostara da outra, isso era mais que evidente, no entanto estavam gratas por estarem vivas, tudo graças a aquela figura misteriosa que ali tinha aparecido. Se abraçaram, emocionadas, podendo vir a selar ali o inicio de uma grande amizade.

— Posso não saber quem é esse tal Soldado Mascarado, mas sempre serei grata a ele. — Safira falava, com voz embargada ainda pelo medo.

Zípora moveu a cabeça em concordancia.

— Eu também. Mas agora, eu sinto necessidade de lhe contar toda a verdade — A filha mais velha de Jetro falava — Safira, eu menti. Nunca estive gravida. — Revelou, surpreendendo a mulher. — Eu menti, Safira. E tudo para te separar de Moisés por conta de minha insegurança. Espero que um dia consigam ser felizes um com o outro, pois se tem alguém que merece isso são os dois. E desculpa por tudo. — Zípora tirava agora um peso de cima de seu coração por ter revelado a verdade.

Enquanto isso, Safira olhava surpreendida para a outra, sem saber o que dizer.

.......

Completamente alarmado, Gabriel largou Talita e correu atrás de Mariana. Nunca pensaria que ela iria flagrar ele a traindo. Nem queria a trair. Talita que se aproveitou do estado de bêbado dele e o seduziu. Gabriel amava demais Mariana, e jurou a ela que mesmo com o Rei pudesse ter direito a outras esposas e concubinas, nunca se deitaria com nenhuma outra que não fosse ela. Havia quebrado sua promessa, e Mariana havia descoberto da pior maneira.

— Mariana, espera. — Gritou, correndo o mais rápido que podia para alcança-la. Logo conseguiu alcançar a amada, e a pegou pelo braço.

— ME SOLTA, GABRIEL! — Gritou, chorando endurecida.

Gabriel negou com a cabeça.

— Eu não vou te soltar. Precisa me deixar explicar Mariana.

— Eu entendi tudo, sem precisar de explicação nenhuma. Me deixa em paz e volte para sua amante! — Mariana falou, ressentida.

Mas, Gabriel não desistiu, e puxou Mariana para um beijo apaixonado. No começo Mariana tentou resistir, mas não conseguiu, o amor que ela sentia por Gabriel era maior que todo o ressentimento. Se beijavam apaixonados selando a reconciliação, mas quem não estava gostando nada daquela cena era Tyie. Seus planos estavam dando errado. E ela tinha que fazer algo para mudar isso.

......

Do outro lado do acampamento hebreu, na tenda do líder de Efraim Quemuel, Leia e Samara brigavam com Aruna, que acabava de chegar toda afobada ao local.

— Onde estava, sua imprestável? — Leia berrava, indignada. — Minha filha Samara correu um grande perigo, alias, todos corremos, e você por ai passeando. — Esbravejou, enquanto a jovem suspirava. Era sempre assim.

— Eu havia ido buscar mais agua, tia Leia, como a senhora havia me pedido. — Aruna respondeu, o mais calmamente possível.

Samara sorriu com desdém para a irmã emprestada.

— Mais valia que tivesse sido pega pelos inimigos. Nem pra isso serve — Destilou seu odio, coisa com a qual Aruna havia aprendido a se acostumar, por isso nem ligava, ou pelo menos fingia muito bem. — A minha sorte é que Josué, um guerreiro forte e valente como sempre me salvou. — Samara abriu um sorriso sonhador. — Ele me ama, um dia ainda me casarei com ele.

— Me poupe Samara. Todo mundo sabe que Josué tem olhos somente para Ana, e mais ninguém.

— Cala a boca, Aruna. Ninguém pediu a sua opinião. — Samara irritou-se.

.......

Enquanto isso, em Jericó, a cidade das palmeiras, a senhora da luz e das sombras, a recém coroada Rainha Kalesi dava a luz a seu primeiro filho com Marek, o primeiro herdeiro do trono. Naquele momento todas as suas entranhas estavam doendo, parecia que ela iria morrer, mas Kalesi sabia que tido valeria a pena quando tivesse seu filho em seus braços.

Depois de um tempo os esforços terminaram, e a parteira tirou uma criança do ventre da mulher. Nenhum choro conseguia ser ouvido, no entanto Kalesi nem estranhou, achando que a criança havia nascido enquanto dormia.

A parteira a olhou com pena, e ela ficou sem entender.

— Meu filho, quero logo meu filho aqui comigo! — Esbravejou.

— Me desculpe, senhora das sombras, mas a criança nasceu morta.

Ao ouvir isso, Kalesi sentiu seu coração se despedaçar e deixou com que uma única lagrima caísse de seu rosto.

.......

Moisés encontrava-se dentro de sua tenda, aflito pelas perdas que o povo hebreu havia sofrido por conta daquele ataque inesperado vindo dos inimigos. Milhares de mulheres e crianças indefesas haviam sido arrancadas sem piedade para longe de suas familias, milhares de hebreus estavam sofrendo naquele momento, e querendo ou não Moisés sentia que aquilo havia sido sua culpa. Afinal, ele era o líder, deveria ter tido mais sabedoria e posto mais segurança no acampamento. Suspirou.

— Moisés, precisamos conversar. — Safira entrou na tenda dele, aflita e nervosa.

Notas finais
Bem, me digam o que acharam, e feliz ano novo. Prometo tentar n demorar para atualizar..