Os Dez Mandamentos: E Se?
8 Capitulo 8
Notas iniciais
Mariana e Gabriel se entreolharam intensamente por alguns instantes. Suas respirações estavam ofegantes. Com Gabriel encima da jovem, os seus corações palpitavam de maneira descompensada. Nenhum dos dois tinha plena certeza do que estava acontecendo ali e do que estavam sentindo. Mas sabiam que era muito forte e intenso. Poderia até ser amor a primeira vista, pois assim que se olharam começaram a se sentir de maneira diferente. Nenhum dos dois havia conhecido o amor ainda, então era tudo muito novo e estranho para eles, mas agora que estavam começando a senti-lo não poderiam estar mais felizes. Gabriel acariciou o rosto de Mariana, e, movido pelo impulso, tomou os lábios da moça e os beijou docemente. Mariana ficou surpresa, mas acabou retribuindo o carinho que estava recebendo. Esse beijo estava provocando um turbilhão de sensações em ambos. Até que Mariana pareceu acordar, e se levantou rapidamente.
— Acho melhor eu ir embora. — Ela sussurrou, nervosa, e não se atrevendo a olhar na cara do jovem.
Mariana se virou e preparou-se para ir embora, mas foi parada, que segurou seu braço fazendo um tremor percorrer o corpo dos dois.
— Espere, eu não sei seu nome. — Observou, sorrindo e fazendo ela acabar sorrindo também.
— Me chamo Mariana, e você? — Indagou.
O príncipe sorriu, cada vez mais encantado pela moça. Gostava de Bianca, mas o que estava sentindo por Mariana era muito mais forte e intenso do que sentia pela dama de companhia de sua mãe.
— Me chamo Gabriel. — Respondeu, pegando na mão da jovem e depositando um beijo nela. — Nos veremos novamente? — Perguntou, esperançoso.
— Talvez — Ela respondeu, antes de dar uma olhada nele e ir embora com um enorme sorriso no rosto. Estava muito feliz por finalmente estar encontrando o amor.
Mas, alguém havia visto toda a cena e não estava nada feliz. Era Jéssica, a irmã mais velha de Mariana. A jovem de cabelos loiros poderia ser hebreia, mas não tinha um bom coração como a maioria de seu povo. Jéssica tinha um coração duro e amargurado pelo passar do tempo. Afinal, quem não teria se fosse rejeitada e deixada de lados pelos pais depois do nascimento de sua irmã? A jovem sempre teve ciúmes e raiva de Mariana, mesmo que ela não tivesse culpa de nada. E o que Jéssica havia visto não lhe agradou nem um pouco. Era ela que deveria ficar com o príncipe Gabriel, casar e ser rica, e não aquela sonsa da Mariana. Ah, mas Jéssica iria resolver isso. Assim que perdeu a irmã de vista, a loira foi até onde estava o filho de Safira.
— Me desculpe aparecer assim de repente, príncipe, mas preciso falar com você. — Falou, dando um meio-sorriso.
Gabriel avistou aquela jovem loira e ficou curioso com o que ela teria para dizer.
— Diga. — Permitiu ele.
— Então, não sei como te dizer isso, mas preciso falar. A Mariana é minha irmã, sabe. E como ela vinha ao Nilo lavar roupas resolvi segui-la e acabei presenciando tudo o que houve entre vocês. Peço que não se iluda príncipe, pois Mariana parece ser doce mas na verdade é uma cobra, uma vergonha para nossa família. Não sei se devo continuar, o que vai ouvir é vergonhoso príncipe. — Jéssica abaixou a cabeça, fingindo choro como parte de seu teatro.
Gabriel estava ansioso e curioso. O que será que Mariana havia feito de tão vergonhoso? Logo ela que parecia tão doce.
— Fale logo! — Exclamou, nervosamente.
— Então, é que Mariana vende seu corpo a estranhos, é isso. Ela faz isso desde seus doze anos. A gente não sabe por que, e tentamos convence-la a acabar com essa loucura, mas ela é irredutível. E pelo que vi aqui ela retribuiu seu beijo por que para ela você é apenas mais um a quem ela se entregará sem mais nem menos. Deu para ver pela sua cara que você realmente estava sentindo algo por Mariana, e por isso achei melhor lhe avisar. — Jéssica continuou sua mentira.
Gabriel estava despedaçado. Nunca havia imaginado que uma jovem tão bela e doce pudesse ser tão suja e baixa. O pior era que ele estava mesmo começando a sentir algo pela jovem, e acreditou que o sentimento era recíproco. Mas pelo visto Mariana havia o enganado direitinho com aquele sorriso falso e encantador.
— Obrigado por me avisar, precisava mesmo saber a verdade. — Agradeceu, abraçando a loira.
Jéssica aproveitou o abraço apertado de Gabriel e deu um sorriso triunfante. Havia sido mais fácil do que ela pensara.
......
Bianca e Oseias continuaram se olhando intensamente, até que Calebe, amigo do jovem, chegou desesperado.
— Oseias, vamos. Apuki feriu sua mãe gravemente. — Comunicou com pesar.
Oseias se desesperou.
— O que? Vamos para casa agora mesmo Calebe. — Disse, aflito.
Bianca se sensibilizou com a aflição do rapaz.
— Eu posso ir com vocês? — Perguntou. — Trabalhei algum tempo na ala médica do Palácio. Talvez possa ajudar.
Oseias olhou para a moça e sorriu.
— Claro. Toda ajuda será muito bem-vinda. — Falou.
......
Na casa de Joquebede todos estavam muito aflitos pois o estado de Eliseba só piorava, e nada do que fizessem parecia resultar.
— O, senhor Adonai. Salve minha cunhada. — Orou Joquebede, com as mãos levantadas para cima.
— Eu vou morrer. Vou para junto de Deus. Chegou minha hora, mas saibam que eu amo muito todos vocês. Logo Arão voltará com Moisés e eles irão libertar nosso povo e conduzi-los até a Terra Prometida. Eu amo muito todos vocês. — Disse Eliseba por uma ultima vez antes de fechar os olhos para sempre.
A comoção ali era geral. Todos choravam a morte de uma pessoa querida. Inclusive Bianca estava tocada.
Então, de repente Arão entrou pela porta, e se desesperou ao ver a mulher sem vida.
— ELISEBA! NÃO!! — Gritou.
Voltando-se para todos, falou:
— Moisés veio comigo. Ele foi até o Palácio com sua esposa e sua cunhada! — Exclamou.
.....
Moisés, Zípora e Betânia entraram no Palácio. Ambas estavam maravilhadas com o local. O filho de Joquebede passou pelos corredores que despertavam tantas lembranças nele, inclusive de Safira. Onde ela estaria agora? Será que a veria novamente?
— Realmente tudo aqui é muito lindo. — Elogiou Betânia. — Mas será que minha filha tá mesmo por aqui? — Indagou.
Zípora abraçou a irmã carinhosamente.
— Não se preocupe Betânia. Encontraremos sua filha, nem que tenhamos que revirar este Palácio inteiro. — Falou.
— Sim, Betânia. Encontraremos sua filha. Mas minha missão será muito mais difícil. Terei que enfrentar Ramsés para libertar nosso povo. — Lembrou.
— Moisés? — Indagou uma mulher, que mesmo com o passar dos anos ele sempre reconheceria.
— Safira? — Indagou, sorrindo.
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