Os Dez Mandamentos: E Se?
17 Capitulo 16
Notas iniciais
Ana olhou para Josué fixamente. Era certo que ela amava-o, e não era pouco, mas ela havia saído muito magoada dessa relação ao ser trocada por Bianca para agora ceder assim tão de repente. Não, ela não daria o braço a torcer. Nunca!
— Não temos nada o que conversar, Josué. — Falou ela friamente. — Pode me deixar em paz.
Josué olhou para a moça de forma encantada. O sentimento que havia nutrido por Bianca não chegava nem perto do imenso amor que sempre sentiu por Ana. Infelizmente, ele havia se dado conta disso tardiamente.
Então, Jerusa entrou apressada na tenda, interrompendo os olhares que ambos lançavam um para outro.
— Ana, precisamos de sua ajuda, e rápido. O bebê de Miriã tá nascendo. — Anunciou, eufórica.
Ana correu com a amiga e Josué suspirou, dando um meio-sorriso.
.......
— Força, minha filha. Você consegue. — Joquebede incentivava Miriã.
Os gritos de dor da hebreia eram muito frequentes, ela estava perdendo muito sangue e a criança estava demorando muito para sair. A morena começava a liberar lágrimas do seu rosto, provenientes do esforço que estava fazendo para que seu filho nascesse bem e saudável.
— Salvem meu filho, eu não quero morrer, mas salvem ele. Apenas peço isso. — A irmã de Moisés sussurrava, com voz fraca, quase desfalecia.
— Força filha. Não desista, tudo vai ficar bem. — Joquebede pedia, mas no fundo ela também estava muito preocupada, a situação estava ficando alarmante.
— Miriã ficará bem, não ficará? — Indagou Inês, aflita.
— Rezemos para que sim. — Joquebede tentou dar um meio-sorriso.
E depois de angustiantes minutos de espera, o bebê finalmente veio ao mundo. Ou melhor, os bebês, um menino e uma menina. Todos sorriam, completamente maravilhados com a as novas criaturinhas de Deus na sua frente.
Joquebede pousou os dois cuidadosamente no colo de sua respectiva mãe com um sorriso cheio de orgulho e amor.
— Meus filhos são lindos! — Miriã exclamava, feliz e maravilhada. Ser mãe era a melhor sensação do mundo. Ela não conseguiria medir o tamanho da felicidade que sentia naquele momento. A hebreia soltava lágrimas de pura alegria e emoção.
— São mesmo, é uma bênção de Deus ganhar dois filhos saudáveis ao mesmo tempo. Louvado Seja Ele. — Ana sorriu, completamente emocionada.
Miriã enxugou uma lágrima de seu rosto e suspirou.
— Seria tão melhor se Ramsés estivesse aqui comigo. — Se lamentou.
Solicita, Joquebede abraçou a filha apertado.
— Não pense assim, minha filha. Tenho certeza de que Ramsés olha por vocês de onde ele estiver. E ele estaria orgulhoso de você e dos seus dois filhos lindos. — Acrescentou.
— Já escolheu um nome para eles? — Joana quis saber.
Miriã sorriu.
— Sim! — Exclamou ela, eufórica. — O menino se chamará Ramsés, em homenagem ao pai, e a menina Ester, pois ela é uma estrelinha que chegou para iluminar a minha vida. — Anunciou, acariciando o rosto dos dois filhos maravilhada.
........
Sorrateiramente, Leila olhou para os lados para ver se não havia ninguém vindo e foi até uma tenda afastada do acampamento, com uma bandeja farta de comida que daria para alguém misterioso.
— Sou eu, pode sair. — Sussurrou a hebreia.
— Obrigado Leila. Obrigado por estar me escondendo e me ajudando todo esse tempo. — Proferiu a voz masculina.
Leila sorriu amavelmente e depositou a bandeja nos pés da pessoa.
— Imagina. Faço tudo com o maior prazer. Apesar de não achar certo você estar se escondendo e mentindo para todos. Principalmente sua esposa, que nesse momento tá com seus filhos no colo. — Falou.
Ramsés suspirou.
— Eu sei disso. Morro de saudades de Miriã e estou louco para rever meus filhos, mas ainda não chegou a hora certa de me revelar. Mas logo voltarei pro Egito para desmascarar minha irmã Tyie antes que ela cometa uma loucura. — O egípcio notou.
— Verdade. Não consigo acreditar como Tyie pensou em matar o próprio irmão apenas por poder. Ele deve ter algum parentesco com Yunet. — Leila riu, e Ramsés a acompanhou.
— Tyie é capaz de tudo para alcançar seus objetivos. — O ex-Soberano do Egito notou.
Flashback On
Ramsés passeava pelos corredores do Palácio. Iria fazer uma visita a Tyie para ver como ela estava se saindo sem agua quando ouviu vozes alteradas vindo do aposento onde ela se encontrava.
Curioso, parou para ouvir.
— Pelos deuses! Você ficou louca? Matar seu próprio irmão? — Uma voz, que ele reconheceu como sendo de Bakenmut esbravejou.
— Não estou louca. Estou bem sã, para sua informação. Matar Ramsés é minha única alternativa para que torne a Soberana do Egito. Cargo que deveria ser meu por direito. Sou muito melhor que o bobo de meu irmão que deixou-se levar pela paixão e casou-se com uma hebreia imunda, ferindo as leis naturais do Egito. — Aquela era Tyie, constatou Ramsés.
Ainda estupefato com tudo que ouvia, continuou com seu ouvido colado na porta, muito atento. Ouvir Bakenmut suspirar.
— E se algo der errado? — Indagou.
Ramsés quase conseguiu vislumbrar o sorriso irônico e soberbo que sua irmã devia ter espantado no rosto naquele momento.
— Nada dará errado, meu caro. Os Deuses irão me favorecer. Eu me tornarei Soberana do Egito hoje mesmo, e mostrarei aos escravos o seu devido lugar.
O ambiente ficou silencioso. Então, ouviu o general ceder a Tyie e ouviu um barulho que lhe pareceu ser de beijos intensos. Revirou os olhos e afastou-se chocado. Sua irmã queria lhe matar para usurpar o Trono? Ramsés não pode evitar chorar, apesar de tudo amava Tyie e Henutmire com todo seu coração, e o que acabara de descobrir doía.. E muito!
Flashback Off
— Deve ter sido muito duro para você descobrir que sua irmã querida planejava seu próprio assassinato. — Leila falou, sensibilizada.
Ramsés respirou fundo e sorriu para a hebreia.
— Foi sim. Mais duro do que imagina, Leila. Agora que foi engraçada a cara de susto de Paser e você quando lhes pedi que me ajudassem a forjar minha morte, foi. — O homem riu.
— Sim. Fiquei muito chocada naquele dia. Mas, espero sinceramente que consiga fazer Tyie pagar e que você possa voltar a se reunir com sua família em breve. — A morena lhe desejou, sorrindo. — Agora tenho de ir. Mais tarde voltarei.
Ramsés pegou Leila de surpresa e a abraçou fortemente.
...........
Henutmire começou a sentir-se tonta, e com uma pontada forte na barriga. Levou as mãos até o local, e, quando viu o sangue escorrendo por suas pernas, gritou histéricamente. Não, não poderia estar perdendo mais um filho. Não outra vez. Ela não merecia mais sofrimento em sua vida.
— Não! Não! Não! Não! — Repetia ela, incessantemente. Ajoelhou-se aos prantos, inconsolável.
Hur correu para dentro da tenda, extremamente preocupado, e abraçou Henutmire o mais fortemente possível. Os dois choraram juntos essa terrível perda.
.......
— E esses são Os Dez Mandamentos esculpidos pelo próprio Senhor nas Tábuas da Aliança. Devemos segui-los e honrar a nosso Senhor sempre. — Discursava Moisés para o povo, abraçando a esposa Zípora de lado. Ao ver a cena Safira deixou uma lagrima lhe cair pelo rosto. Doía lhe ver a felicidade de seu amado, e ele nos braços de outra, mas foi assim que Deus quis. Ela havia visto o brilho nos olhos do libertador ao receber a noticia de que seria pai novamente, e ela não seria um empecilho para que tal felicidade se concretizasse.
O povo orou fervorosamente ao Senhor, e Safira juntou-se a eles, mesmo abatida. Arriscou olhar para a frente e viu Moisés e sua esposa beijando-se apaixonadamente. Fechou os olhos e engoliu a seco.
.......
— Então realizaremos dois casamentos? — Arão indagou ao irmão, sorrindo.
Moisés assentiu.
— Gahiji e Leila e Miguel e Nefertari desejam casar. Nunca imaginei que veria a filha de Yunet feliz e devota ao nosso Deus. — Brincou.
Os dois irmãos riram.
— Mas, e Safira? O que fará em relação a ela?
Moisés suspirou.
— Pretendo conversar seriamente com ela. Estou imensamente feliz com a gravidez de minha esposa, mas amo Safira, e não pretendo abrir mão dela. — Falou.
Bezalel entrou no local, completamente eufórico.
— Moisés, as Tábuas da Aliança sumiram. — Contou o filho de Leila, exasperado.
........
Amenhofis entrou na tenda para ver Miriã e sorriu largamente ao constatar que ela dormia de forma serena. Parecia um anjo. Ficava mais linda do que já era, pensava o jovem.
Aproximou-se da cama a passos lentos e não-barulhentos. Acariciou o rosto da morena suavemente, apreciando a amada.
— Ah, Miriã. Como te amo. — Sussurrava. — Se ao menos olhasse para mim com outros olhos, teríamos uma chance. — Passou as mãos pelos lábios delicados da mulher. Até, que, sendo um pouco ousado do que deveria, o jovem egípcio encostou seus lábios aos dela. Saboreou essa sensação por alguns segundos e se afastou. — Irei te conquistar, Miriã. — Pensou. — A qualquer custo!
.......
— Que barbaridade que tá dizendo Henutmire? — Hur indignou-se com as palavras da esposa. — Nunca que eu arrumarei outra esposa. Eu te amo, mais que tudo nessa vida. — Declarou.
Henutmire afastou-se o mais que podia do marido e chorava.
— Eu estou seca, Hur. Não posso lhe dar filhos, portanto não sirvo para você. — Falava.
Hur pegou nas mãos da esposa e enxugou suas lágrimas.
— Nunca mais ouse falar isso, Henutmire! — Gritou, irritado. — Eu te amo, entendeu? Não me importa se não teremos filhos, meu amor.
A egípcia se afastou bruscamente.
— Mas eu me importo Hur! — Esbravejava ela, afoita. — E se você não pode ter filhos comigo faça por onde ter. Nosso casamento terminou. Talvez eu volte para o Egito, lugar de onde eu nunca deveria ter saído. — Falou, e saiu da tenda, deixando Hur atônito.
......
No Palácio egípcio, Tyie e o príncipe Amon se beijaram calorosamente.
— Aí, você me enlouquece, Amon! — Gemia ela, com as carícias do amante. — Mas agora chega. Já tá tudo pronto pro plano? — Indagou.
Amon sorriu maldosamente e voltou a beijar o pescoço da nobre.
— Claro que sim. Minha irmã Talita tá nesse momento dançando sensualmente para o Rei. Mariana logo vai vir para o jardim abalada, eu a consolarei e lhe oferecerei um vinho envenenado e ela morrerá. Adeus, Rainha do Egito. — Riu o vilão.
— E então damos um jeito de Talita casar com Gabriel e assumimos o controle do Reino. — Completou Tyie.
Os dois cúmplices riram e voltaram a beijar-se.
........
De fato, Talita estava dançando para o faraó, uma dança sensual, e não poupava seu charme para seduzir Gabriel, que sorria largamente. Ele amava Mariana, mas a luxúria e o desejo que Talita despertava nele eram maiores do que esse amor.
— Venha dançar comigo, Soberano. — A morena convidou, sedutora.
O Rei prontamente aceitou, e logo estavam roçando seus corpos, dançando coladinhos enquanto bebiam vinho.
— Você me enlouquece, Talita. Eu te quero. Muito. — Gabriel exclamou, e beijou-a vorazmente.
Como estavam no quarto do Soberano, continuaram se beijando intensamente e deitaram-se sobre a cama. Então, Mariana entrou, pretendendo fazer uma surpresa ao marido, mas quem ela foi quem acabou surpreendendo-se.
— O QUE SIGNIFICA ISSO? — Gritou a Rainha, em meio a lágrimas que brotavam em seus olhos.
........
Arão estava em sua tenda, debatendo sobre quem poderia ter roubado as Tábuas da Aliança, e porque, quando seus pensamentos voltaram-se para Joana. A jovem era linda e encantadora, e despertou sentimentos muito fortes nele quando eles se esbarraram mais cedo. Amava Eliseba profundamente, e sempre amaria, mas não fugiria do que estava sentindo.
Decidido, procurou Joana até a encontrar. jovem corou levemente ao avistar o sacerdote.
— Arão, eu.. — Foi interrompida pelo dedo dele em sua boca, a calando.
— Não diga nada, por favor. — Pediu.
Joana e Arão se olharam intensamente e logo ele a beijou, com vontade.
.......
Safira sentiu alguém a abraçar por trás. Estremeceu. Com certeza só podia ser ele. Se afastou bruscamente.
— Estou ocupada, Moisés. Se veio perguntar das Tábuas da Aliança, eu não sei delas. — Foi ríspida e deu graças a Deus que estava de costas, para ele não vê-la chorando.
Mas, a alegria da morena durou pouco, pois o pai de Gabriel agarrou seu braço, a virando, e forçando-a a encara-lo nos olhos. Aproximou-se e enxugou suas lágrimas.
— Não vim falar de roubo nenhum. Sabe muito bem por que estou aqui. Eu te amo, Safira. Demais. E eu não irei aceitar este seu afastamento. — Afirmou, decidido.
Safira suspirou e abaixou o olhar. Tudo que a mãe de Gabriel mais queria naquele momento era agarrar Moisés e enche-lo de beijos. Mas, não podia. Prometera a Zípora, e principalmente, a si mesma que se afastaria e era isso que faria.
— Não insista mais, Moisés. — Sussurrou. — Fique com Zípora e esse filho que estão esperando. Eu voltarei para o Egito, e para junto de Gabriel assim que a comitiva que eu solicitei chegar ao acampamento. — Anunciou, com dificuldade para manter a voz o mais normal possível.
Moisés chocou-se com o que ouviu. Safira voltar para o Egito? Deixa-lo para sempre? Não, não poderia acontecer.
Ele levantou o queixo da hebreia, olhou fixamente para seu rosto, e a beijou urgentemente sem aviso. Precisava fazer isso. Safira tentou resistir, mas acabou sucumbindo. O beijo tornou-se intenso e apaixonado.
— Não desistirei de você, Safira. Nunca! — Moisés exclamou.
Fale com o autor