Os Dez Mandamentos: E Se?
10 Capitulo 10
Notas iniciais
Safira e Betânia ficaram petrificadas. Gabriel olhava de uma para a outra, pasmo com o que acabava de ouvir. Não, aquilo não podia ser possível. Safira olhou para a expressão fria e dura no rosto do filho e se arrependeu amargamente de ter destilado a verdade assim, de maneira tão abrupta para a cunhada de Moisés. Mas, a verdade era que a mulher havia ficado com muita raiva e cólera, e nunca imaginara que seu filho entraria no aposento justamente naquele momento.
Temerosa com a reação que o jovem poderia ter, a nobre hebreia se aproximou do filho e lhe tocou o braço. Irritado, Gabriel retirou-se de perto da mãe bruscamente. Ele não era bisneto legítimo de Seti, mas, por um instante Safira poderia jurar que estava olhando para ele, e não para Gabriel, seu filho. A dor e a fúria nos refletida nos olhos do jovem era tão visível e viva, que a mulher chegou a estremecer de medo. Mas Safira não poderia se deixar levar por seus temores, ela tinha que falar com o filho e esclarecer tudo, antes que fosse tarde demais. Respirando fundo, ela olhou para Gabriel.
— Filho, temos que conversar. Eu posso lhe explicar tudo. — Falou ela, aflita. Implorava a Deus a de todas as outras divindades que pudessem existir para que o filho lhe desse tempo para explicar tudo. Não suportaria perder Gabriel, seu bem mais precioso.
O jovem bufou, e lutou para que as lágrimas que queriam cair ficassem detidas. Não queria chorar na frente de Safira. Não queria mostrar sua fraqueza diante dela, a mulher que ele pensara ser sua mãe, aquela que supostamente o amava mais que tudo. Mas agora Gabriel via que estava enganado. Quem amava uma pessoa não a traía. E Safira o havia apunhalado pelas costas da forma mais traiçoeira existente. Havia escondido dele sua verdadeira origem, seu verdadeiro pai, seu verdadeiro povo, sua verdadeira essência. Havia sido moldado numa mentira, e isso ele não seria capaz de perdoar.
— Não temos nada para conversar. — Falou, da maneira mais gélida que conseguiu. — Você é uma farsante sem escrúpulos. Não merece ser chamada de minha mãe. Não quero vê-la nunca mais na minha frente. — Acrescentou.
Cada olhada que ele dava para Safira era uma facada em seu coração. Mas, pensando bem, era isso que ele queria. Safira merecia sofrer tanto ou mais ainda do que ele estava sofrendo agora. Deu um sorriso maldoso para aquela que antes chamava de mãe antes de sair porta afora sem olhar para trás. Ainda ouviu ela gritar seu nome, mas não se importou e continuou seu caminho pelos corredores do Palácio.
Assim que se viu sozinho Gabriel pode finalmente chorar e libertar todas as suas emoções. Ele não era um príncipe egípcio. Ele não pertencia a este mundo. Ele era hebreu. Pertencia ao povo escravizado que sofria constantemente injustiças sem poder fazer nada. Ele, Gabriel, era um deles! Era difícil acreditar nisso. Até que lhe veio na cabeça Mariana, a jovem que conhecera a algumas horas atrás na beira do Nilo. Ela era hebreia. Assim como ele. Pensou em Moisés. Não o conhecia de vista, mas já ouvira histórias sobre ele. Ele era seu pai! Atordoado, Gabriel olhou para os portões do Palácio. Ao passar por aquelas portas gigantes ele encontraria o mundo real. Seu mundo. O mundo de seu povo. O jovem não hesitou em sair para fora. Não sabia para onde iria, nem onde pertencia, mas de uma coisa o jovem tinha plena certeza. O Palácio já não era seu lugar!
........
— Tem a certeza de que quer mesmo fazer isso, senhora? — Perguntou Raquel, afoita, enquanto arrumava as coisas de sua senhora como ela lhe havia pedido. Não conseguia acreditar que Henutmire iria mesmo para a vila dos hebreus, iria deixar o Palácio para viver num mundo de miséria e sofrimento. Um mundo completamente diferente ao qual estava acostumada.
Henutmire suspirou. Nem mesmo ela tinha a certeza seria queria mesmo se mudar para a vila. Seus pensamentos estavam confusos, embaralhados. Nunca sequer havia pisado naquele lugar, ou cogitara o fazer. Sua vida sempre fora no Palácio, presa por esses muros e paredes que a impediam que explorar o mundo lá fora. Ela estava confusa, e não sabia se seria sensato abandonar toda uma vida para viver em um lugar onde ela não saberia o que esperar. No entanto, seu coração dizia que ela não conseguiria viver sem Hur. E, se seu marido iria voltar para suas origens com sua família, era dever dela acompanha-lo.
— Sim, Raquel. Pode não ser a decisão mais sensata a se tomar, mas é a mais acertada. Nunca, em hipótese alguma, abandonarei meu marido. — Henutmire falou, convicta e severa.
Até que uma tontura acometeu seu corpo, e ela viu sua cabeça girar e seu corpo ir de encontro ao chão.
— Senhora! — Raquel exclamou, desesperada.
A mulher não sabia qual era a coisa mais acertada a se fazer naquele momento, mas correu chamar Paser, o sumo-sacerdote.
— Paser, a Princesa Henutmire. Ela desmaiou. — Exclamou.
— Pelos Deuses! — Falou o pai de Nefertari, e correu até o quarto da nobre princesa.
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— Pelos Deuses, senhora! Acha mesmo que será possível o Deus dos hebreus existir e querer libertar seu povo? — Indagou Karoma, exasperada com tudo que Nefertari lhe contava.
— Olha, sinceramente Karoma. Estou começando a achar que sim. O cajado de Moisés se transformou em uma cobra gigantesca em instantes, e ela comeu as duas dos nossos melhores feiticeiros! Além do mais, Moisés parecia tão convicto de que o tal Deus vai libertar seu povo que é até difícil não acreditar. Mas, ao mesmo tempo isso tudo é muito absurdo para ser verdade! — Confessou Nefertari. — Não sei o que pensar Karoma, estou muito confusa, mas algo me diz que algo muito grave acontecerá com o Egito se Ramsés não libertar esses escravos. — Confessou.
— Bem, que tal dar um mergulho na piscina? Quem sabe assim clareia um pouco as ideias e se acalma? — Sugeriu a dama de companhia, solicita.
— Boa ideia! — Sorriu Nefertari.
......
Moisés conversava com Arão. Com a recusa de Ramsés em libertar o povo hebreu, os dois haviam ido até o Nilo e cumprido as ordens de Deus. A primeira praga já estava em andamento, e, em poucos minutos toda a agua do Egito, menos a da vila, estaria transformada em sangue!
— Pois é, meu irmão. O embate de Deus com o faraó irá começar, e adianto que não será nada divertido para ele. — Notou Arão.
Até que ouviram uma batida na porta. Moisés a abriu e se surpreendeu ao ver Safira na sua frente. Ela parecia desesperada, e o abraçou fortemente assim que o viu.
— Preciso de sua ajuda, Moisés! — Exclamou, aflita.
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Mariana chegava em casa sorridente. Não tirava de sua cabeça o jovem Gabriel, nem muito menos o beijo que trocaram. Era mais que certo. Ela estava apaixonada. Suspirou, e se surpreendeu ao ver sua irmã Jéssica, sua mãe e seu pai com feições nada boas. O que teria acontecido?
— Ah, finalmente a vergonha da família chegou. — Bradou Jéssica, sorrindo maldosamente.
Mariana abriu a boca em completo espanto. Não estava compreendendo coisa alguma.
— O que hou.. — A jovem começou, mas foi interrompida por sua mãe, que lhe um forte tapa no rosto que a jogou ao chão, e seu pai, que pisou na sua cara.
— Porquê fazem isso? — Suplicou, com voz abafada e lágrimas nos olhos. — O que lhes fiz de errado?
— O QUE FEZ? De verdade tem a ousadia de perguntar isso? — Bradou o pai da moça, furioso. Seus olhos refletiam o ódio. Coisa que Mariana nunca vira nele.
— Não se faça de sonsa, minha irmã! Já lhes contei tudo. Você se esfregando com o príncipe Gabriel. Você é uma vergonha para nossa família. Deshonrou a si mesma, mas principalmente a nos quando se entregou a ele na beira do Nilo. Não tem vergonha? — Jéssica indagou, chutando a irmã.
Mariana chorava. Não conseguia acreditar no tamanho da falsidade de sua irmã Jéssica. A jovem sabia que ela nunca gostara dela, mas como ela tinha coragem de inventar um absurdo desses para seus pais? O pior era que eles haviam acreditado.
— Que blasfêmia! — Amélia, sua mãe disse, chorando. — O que vão dizer de nossa família agora? Quem vai querer casar seu filho com uma desonrada como você?
— Não falarão nada, Amélia, porquê ela não é mais nossa filha. — Ricardo, o pai, bradou batendo mais uma vez em Mariana. Suma daqui, e não apareça nunca mais. — Gritou, empurrando a jovem para fora e fechando a porta na sua cara.
Jogada no chão, Mariana desabou em choro. O que ela havia feito para merecer tanto sofrimento? Nunca havia pecado contra Deus, sempre fora honesta e humilde, ao contrário de Jéssica. A jovem não entendia por que a castigada era ela.
Gabriel andava pelas ruas da vila dos hebreus, ainda completamente atordoado, até que avistou uma jovem caída no chão em um estado deplorável. Se aproximou e percebeu ser Mariana. Uma dor invadiu seu peito ao vê-la assim.
— Mariana? O que houve? — Indagou, se agachando e ajudando a jovem a se por em pé.
Havia ficado com raiva ao ouvir o que a irmã dela lhe contara, mas no caminho para o Palácio havia refletido e percebido que a loira estava mentindo. Lhe doía pensar que Mari poderia estar naquele estado por culpa dela.
Mariana apenas o olhou e o abraçou fortemente.
...
Paser estava atônito. Era praticamente impossível de ser verdade, mas havia examinado Henutmire minuciosamente e aquela era a única explicação plausível. Era um milagre dos Deuses!
— O que eu tenho, Paser? Fale logo, estou ficando aflita. — Falou Henutmire, nervosa.
Paser respirou fundo e engoliu a seco.
— Bom, princesa. Respire fundo, por que o que tenho para lhe dizer é algo inacreditável. A senhora espera um filho, carrega uma criança em seu ventre! — O sacerdote anunciou, maravilhado.
— Como? — Henutmire indagou, perplexa. — Eu grávida?
Não podia ser verdade! Como isso era possível? Nunca mais gerara nenhum filho após Sara. Paser havia até a examinado e dito com toda a certeza que seu ventre havia se tornado seco. E agora, essa noticia assim de repente? Meio assustada e incrédula, Henutmire pousou a mão na barriga e sentiu lembranças a invadirem.
FLASHBACK ON
— Que significa isso? Eu sou uma nobre, não podem me tratar desta maneira. — Esbravejou, mas calou-se ao ver quem estava no local. Eram Henutmire, Disebek, Tuya, Seti, Ramsés, Nefertari e uma família hebreia.. Que ela conhecia muito bem.
— Eu que pergunto, Yunet. O que significa isto? — Indagou Henutmire, olhando para sua dama com frieza.
— Eu não sei a que se refere, senhora. O que esta família hebreia faz aqui? — Perguntou, tentando disfarçar sua tensão.
— Foi ela! — Gritou a hebreia mais velha chamada Raquel, apontando para Yunet. — Foi essa víbora que trocou nossas filhas no dia do nascimento delas, Princesa! — Disse.
Yunet ficou pálida. Isso não podia estar acontecendo.
— Pelos Deuses! Como esta pestilenta ousa inventar blasfêmias sobre mim? — Esbravejou Yunet nervosamente. — Claro que eu não troquei bebês nenhuns. Nunca faria algo assim com a Princesa! — Mentiu, fingindo chorar de revolta.
— Cale-se, sua ordinária. — Bradou o faraó, assustando a todos.
— Não adianta disfarçar. Sua farsa acabou Yunet! A Sara, filha adotiva desta família hebreia, é idêntica a mim quando tinha a idade dela, e você sabe muito bem disso. Esta mais que óbvio que ela é minha filha biológica, o que não entendo é porquê fez uma coisa dessas comigo? Pensei que fôssemos amigas, Yunet. — Falou Henutmire, ressentida. A princesa estava prestes a chorar.
Yunet poderia ter sido descoberta, mas não iria desistir assim tão facilmente. Seu plano não tinha acabado. Ainda tinha muita coisa pela frente até que sua filha se tornasse a Soberana do Egito. Henutmire sempre fora uma tola, e acreditara cegamente nela. Agora não seria diferente.
— Me perdoa, Princesa. Eu juro que nunca quis cometer uma atrocidade dessas, mas Disebek me obrigou. — Mentiu Yunet, falsamente.
— Mentira. — Falou Saulo, o marido de Raquel. — Foi esta víbora que fez tudo isso sim. Eu a conhecia da Casa de Senet. Paguei por seus serviços muitas vezes. Eu gostava de ficar com ela, mesmo sabendo do caso que ela e o general mantinham. Quando ela veio para o Palácio nunca mais a vi. Mas, no dia do nascimento de minha filha, ela bateu na minha porta. Me seduziu novamente, e me convenceu a trocar as meninas sem que minha esposa soubesse. Ela queria se vingar da Princesa e do General. Sara é sua filha biológica, Henutmire. E Safira é a nossa. — Saulo terminou sua explicação com a voz embargada, e abaixou a cabeça, envergonhado.
Vendo que não tinha mais como negar a verdade, Yunet resolveu mudar de estratégia e mostra sua verdadeira face. A vilã começou a rir de maneira histérica.
— Quer saber a verdade? Eu troquei as bebês sim! E não me arrependo. Você tinha que sofrer, afinal você me tirou Disebek, o homem que eu amava, e que me amava também. Ele me tirou daquela vida por amor. Eu estava grávida de Nefertari. Iríamos nos casar e eu seria uma nobre. Mas aí chegou quem? A Princesinha estúpida e estragou tudo. Você me tirou tudo, era justo eu te tirar tudo também. No começo pensei em dizer que sua filha havia morrido, mas pensei melhor e decidi trocar sua linda filhinha por uma pestilenta. Você é uma tola Henutmire. Sempre foi. Acreditava cegamente que eu era sua amiga. Mas afinal quem seria amiga de uma imprestável como você? Nem mesmo Disebek te amou. O casamento de vocês foi por puro interesse. Todas as noites enquanto ele estava na cama com você era em mim que ele pensava, somente em mim. — Yunet terminou seu discurso e riu mais uma vez.
Henutmire estava aos prantos. Como poderia ter sido tão ingênua? Como não percebeu a cobra que tinha ao seu lado. Safira e Nefertari eram outras que não conseguiam parar de chorar. Elas nunca foram muito amigas, mas agora que compartilhavam da mesma dor se abraçaram, tentando buscar conforto uma na outra.
— Apodreça no Mundo dos Mortos, Yunet! — Henutmire exclamou.
E então, todas as mulheres ali presentes pegaram os panos de linho com agua e deram uma boa surra em Yunet. Uma que ela não esqueceria tão rapidamente.
— Prendam esta mulher! — Ordenou Seti, com fúria. — E os dois hebreus também! Todos serão condenados a morte por enforcamento. — Anunciou.
— Não! — Exclamaram Nefertari e Sara ao mesmo tempo. As duas se entreolharam, envergonhadas.
— Fale uma de cada vez. — Sussurrou Tuya, tentando apaziguar a situação. — Diga o que deseja, Sara. — A Rainha sorriu para a nova neta.
— Por favor, eu lhe imploro Soberano. Perdoe a minha mãe. Raquel tem um bom coração, é honesta e inocente. Ela não tem culpa de nada. — Soluçou ela, lágrimas caindo de seu rosto.
FLASHBACK OFF
O mesmo sentimento de incredulidade lhe invadiu tanto quanto quando descobriu Sara, sua verdadeira filha, quanto agora? Seria mesmo possível ela estar esperando um filho?
— Raquel, pegue agua para a Princesa, por favor. — Pediu Paser, notando sua palidez.
Raquel deu um berro estridente ao ver a jarra com sangue ao invés de agua!
— Senhora, a agua transformou-se em sangue! — Ela gritou, assustando Henutmire e o sumo-sacerdote.
....
Ao ver o estado pálido e nervoso de Safira, Moisés a sentou numa cadeira, enquanto Arão pegava um copo de agua para tentar acalmar a mulher.
— Calma, Safira. O que aconteceu? — Ele indagou, pegando nas mãos da mulher.
Os dois se olharam intensamente e lembranças antigas vieram a tona.
FLASHBACK ON
Me solte! — Safira gritava e se debatia enquanto um soldado do exército, que estava completamente embriagado lhe beijava todo o corpo e rasgava suas roupas. A jovem chorava e sentia nojo ao sentir que iria ser abusada por aquele homem que era muito mais forte que ela. Mas logo chegou alguém no corredor
— SOLTE-A IMEDIATAMENTE! — Bradou Moisés, olhando para o soldado com fúria.
— Ou o que? — Riu o egípcio, debochando do hebreu.
Moisés sentiu tanta fúria e ódio ao ver aquele homem tentando abusar da mulher que amava que, não medindo as consequências de seus atos, cravou uma faça no peito do egípcio, o matando logo em seguida.
Safira e Moisés se entreolharam estáticos por alguns minutos, então a moça se levantou e abraçou Moisés fortemente, chorando.
— Você me salvou, Moisés, me salvou. — Falava, emocionada.
— Salvei, mas por causa disso terei que fugir daqui o mais rápido possível. — Refletiu, olhando para o corpo do soldado morto. — Não demorará muito para que descubram o corpo, e mesmo que não encontrem provas que me incriminem o faraó me irá me acusar de qualquer jeito. Ele me odeia. — Falou Moisés, triste.
— Se você fugir irei com você. — Safira anunciou, decidida.
Moisés suspirou. Amava Safira e adoraria que a jovem fugisse com ele, mas sabia que seria pior ainda se isso acontecesse. Além do mais, por mais que a amasse profundamente não tinha o direito de estragar a vida da moça.
— Não, Safira. Seu lugar é aqui no Palácio com sua mãe. — Tentou convence-la enquanto acariciava seu rosto e sentia lágrimas brotando nos seus olhos,
Safira também estava chorando.
— Não, Moisés. Meu lugar é onde você estiver. Você é o amor da minha vida. Não quero te perder. Eu irei com você sim. — Falou ela, firme.
Moisés não sabia se ficava feliz por saber que Safira o amava também, ou triste pela despedida ser inevitável. Até que então o hebreu tomou coragem para fazer algo que já queria fazer a muito tempo. Ela se aproximou de Safira e a beijou!
Foi um beijo doce mas cheio de amor e paixão, que expressava tudo o que um sentia pelo outro. Se deixaram levar pelo momento mágico para depois de alguns minutos Moisés se afastar.
— Eu também te amo, Safira. Demais. Nunca se esqueça disso. — Declarou-se o hebreu, voltando a beija-la antes de sair do Palácio para nunca mais voltar. Mas Deus ainda reservaria muitas surpresas para aqueles dois.
FLASHBACK OFF
Safira e Moisés suspiraram. Aquela lembrança era muito dolorosa para ambos. Estando assim tão perto um do outro não podiam negar que o que sentiam antes estavam revivendo dentro de seus corações, e estava ficando mais forte do que antes.
— Moisés, eu preciso te contar algo muito importante. — Safira falou, respirando fundo e preparando-se para contar toda a verdade. — Eu tenho um filho, Gabriel, e ele também é seu filho! — Revelou.
Moisés, Arão, e Zípora, que acabava de entrar no aposento, ficaram estupefatos com o que ouviram da boca de Safira.
.....
— Estou falando sério, Ramsés. Você deveria libertar meu povo, Deus não tá de brincadeira. — Miriã tentou argumentar com o marido mais uma vez.
A volta de Moisés e o anúncio da libertação de seu povo havia mexido muito com ela.
Ramsés bufou.
— Pelos Deuses, meu amor! Já falei que não vou libertar ninguém. Os hebreus nasceram para servir o Egito, e será assim até o fim dos tempos. Não tenho medo desse Deus invisível de vocês. E você não ouse sequer pensar em ir até a vila, senão terei que tomar as devidas providências. — O faraó ameaçou, e deu um selinho na esposa. — Vamos dar um mergulho na Piscina?
Meio contrariada, e sabendo que não deveria irritar o marido ainda mais, Miriã levantou-se e seguiu Ramsés.
Mas, o que os dois presenciaram ao chegar na Piscina Real foi um horror. A agua estava completamente transformada em sangue, e Nefertari estava toda encharcada do liquido vermelho, dos pés a cabeça!
— NÃO! — Nefertari gritou.
Seu grito pode ser ouvido no Egito inteiro.
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