Os Descendentes
62 What's my name
Notas iniciais
Konan, filha da vilã Úrsula e do, seja lá que criatura fosse, Rumpelstiltskin, estava trabalhando no restaurante da mãe, que servia frutos do mar, quando o namorado dela, Yahiko, filho da vilã Madame Medusa, entrou pela porta da frente a surpreendendo. O garoto dificilmente entrava pela porta da frente porque sabia que irritava a mãe da namorada. Mas o que mais a surpreendeu foi o largo sorriso que ele tinha no rosto.
O que havia acontecido para que ele ficasse tão feliz?
É claro que, nos últimos dois anos, as coisas na Ilha dos Perdidos andavam muito melhores, já não sofriam com a falta de água e comida, mensalmente vinham barcos e barcos carregados de comida e água para toda a população da Ilha, mas agora o controle era rigoroso, sabiam quem estava na Ilha, quem tinha filhos e quem não tinha.
A barreira já não era mais nublada e acinzentada, como se fosse sempre chover, agora tinha sol também e o céu tinha vários tons de azul, desde os mais claros durante o dia até os tons mais escuros a noite, com uma visão recheada de estrelas que a maioria dos jovens só escutavam falar em histórias... A energia era sempre presente também, dia e noite e nunca faltava, as televisões de todos ficavam ligadas durante o dia, inclusive no restaurante da mãe que vivia em um canal de música do mar que ela adorava, o que surpreendeu e muito Konan, não sabia que sua mãe sequer gostasse de cantar.
Mas as coisas desandaram no último mês.
Os barcos não tinham vindo como era o esperado e a Ilha começou a se tornar escassa mais uma vez, a energia piscava durante o dia e já tinham pifado vários eletrodomésticos e eletroeletrônicos.
Aparentemente o rei e o príncipe não estavam mais cumprindo o que havia prometido.
Além disso, Konan queria mais. Queria sair da Ilha.
— O que aconteceu para você estar tão feliz? – ela perguntou quando se aproximou dele no balcão.
— Os barcos vieram – ele a informou e Konan respirou aliviada pela informação, mas logo se irritou. Não tinha porque ficar aliviada, aquilo era um direito deles. – Além disso – ele acrescentou –, você tem visitas.
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— O que ela está fazendo aqui? – vociferou Konan irritada ao reconhecer a garota de cabelos cor de rosa ao longe.
— Ela é uma das pessoas que vieram trazer o carregamento – explicou Yahiko dando de ombros.
Sakura não tinha ido sozinha, o príncipe Naruto, que normalmente acompanhava o príncipe Sasuke na viagem, estava presente também. Mais uma equipe de trabalhadores. Suigetsu e Juugo estavam com eles além de uma jovem de cabelos pretos, aquela era alguém que Konan não conhecia.
Sakura parecia irritada, o que Konan achou ótimo.
— Isso não é minha função! – exclamou Sakura para um dos moradores.
— É claro que não – alguém ironizou. – É do seu príncipe.
— Queremos ele, onde está o príncipe Sasuke? – outro dos moradores questionou.
— Calma Sakura – pediu a garota ao lado dela. – Eles não sabem.
— Não sabemos do quê? – alguém perguntou desconfiado.
Quando Sakura não fez menção de responder, a jovem de cabelos pretos se manifestou:
— O príncipe Sasuke está um tanto ocupado.
— Eu peço perdão pelo atraso em nome dele – disse Naruto, se curvando para o povo, o que surpreendeu e muito Sakura, o garoto era um príncipe, não precisava se curvar para ninguém e nem agir daquele jeito.
— Faz o que você tem que fazer – disse Sakura para Naruto.
O loiro se adiantou para os moradores.
— Onde está a lista? – ele perguntou para o Capitão Gancho.
— Que lista? – Sakura estranhou.
— De pedidos dos moradores – Naruto respondeu dando de ombros.
— Pedidos? – a voz de Sakura soou vazia.
— Sim – Naruto respondeu enquanto o Capitão Gancho lhe entregava a tal lista.
Sakura olhou por cima vendo os pedidos, coisas simples como uma comida especial, algum tipo de tecido ou utensílios básicos, mas também havia pedidos estritamente pessoais como remédios para os ossos, ou algum tipo de bálsamo e se lembrou de algumas vezes em que Sasuke lhe pediu tais coisas ou para que ela fizesse e o ensinasse.
— Ele fazia isso? – Sakura perguntou, a voz embargada. – Tudo isso?
As vezes Sakura se esquecia em quão gentil Sasuke era, principalmente para pessoas que não mereciam. E desviou o olhar tentando controlar as lágrimas, quando se acalmou, percebeu que Konan a observava de longe junto a Yahiko e Nagato, que se juntou a eles logo depois e acenou para que eles se aproximassem.
— Melody, estes são Nagato, filho de Hades; Yahiko filho de Madame Medusa – apontou para os garotos. – E por fim, Konan, filha de Úrsula e uma das minhas meias irmãs por parte de Rumpelstiltskin.
Isso elevou a fúria de Konan.
— Não somos meias irmãs coisa nenhuma! — exclamou a garota de cabelos roxo, irritada.
— Não dá para negar as raízes – Suigestu apontou para a garota de cabelos roxo, que o ignorou. Não se surpreendia por ele ficar do lado da garota de cabelos cor de rosa. Tinha sido assim desde sempre.
— Nossa, eu tinha me esquecido do seu temperamento – Sakura somente olhou para a garota, como se ela não fosse nada. E isso irritou Konan ainda mais.
— Olha aqui sua... – Konan ia xingar Sakura, mas o namorado a impediu. – Me solta Yahiko!
Sakura olhou ao redor observando que tinham uma plateia. Olhou para Suigetsu e Juugo e apontou para que eles ficassem com o príncipe Naruto, não achava que os moradores fariam alguma coisa contra o príncipe, mas Sakura queria ser cautelosa mesmo assim.
— Vamos conversar em um lugar mais tranquilo – Sakura olhou para Nagato que acenou com a cabeça.
— Vamos até a sua antiga casa – disse o filho de Hades.
— Ninguém mora lá? – Sakura perguntou surpresa.
— Rá – Yahiko riu. – Ninguém quer morar lá, então tomamos o lugar – ele arqueou uma das sobrancelhas em desafio.
Mas Sakura não se importou, apenas acenou com a cabeça. E quando chegaram até lá e viram o estrago que tinham feito com o lugar, a apatia de Sakura irritou Konan.
— Qual o problema com você? – soltou sem se segurar, queria brigar.
Mas Sakura não respondeu, apenas se virou para Melody e disse:
— Você tem certeza disso?
— Sim – Melody respondeu como se fosse óbvio.
Konan já estava se sentindo no ponto de ebulição e apertou as mãos em punhos pronta para atacar a garota de cabelos cor de rosa.
— Dá para você falar alguma coisa? Já está me dando nos nervos!
— O Sasuke foi sequestrado – Sakura respondeu por fim. – Por isso o atraso dos barcos – suspirou, tirando um papel de um dos bolsos e leu: – “Konan, filha de Úrsula, Yahiko, filho de Madame Medusa e Nagato, filho de Hades, vocês estão convidados para frequentar a Academia Konoha e integrar a sociedade dos Reinos Unidos de Konoha, por decreto do rei Itachi, por sua bravura e entendimento da necessidade de serem os últimos jovens a sair da Ilha, eu príncipe Sasuke, lhes concederei o desejo de cada um em ter sua própria casa em uma de nossas terras no Reino de Konoha, a rainha Ino já está de acordo com isso. Agradeço pela espera”.
Os três ficaram em silêncio por um tempo.
— Bem, não vão falar nada, ficar felizes? – Sakura perguntou, estranhando o silêncio.
— O príncipe foi sequestrado? – Nagato foi o primeiro a perguntar. – Por que você não falou nada?
— Porque tudo tem estado uma grande bagunça – Sakura suspirou colocando as mãos na cabeça e a massageando. – E talvez não tenha um reino para onde nós possamos morar, graças ao Doutor Facilier, a Gothel e agora o ex-rei Stefan.
— Isso sem falar da Karin e do Neji – acrescentou a jovem de cabelos pretos.
— O Neji não conta – Sakura refutou. – Sabe-se lá que tipo de feitiço está nele e a Karin... Acho que é só uma vítima.
— Estou surpresa por você não culpar a Karin, afinal, ela é filha da rainha Aurora – disse a jovem.
— Quem é você? – Konan perguntou para a garota de cabelos pretos.
— Oh, desculpe-me por não ter me apresentado antes, eu sou Melody, filha de Ariel e Eric – ela estendeu a mão em cumprimento.
Isso fez Konan olhar para a garota com outros olhos, aquela era a filha dos inimigos de sua mãe. Ela parecia... normal.
— Sou metade sereia – Melody confidenciou, reconhecendo o olhar da filha de Úrsula. – Você sabe nadar?
Que pergunta estúpida era aquela?
— É claro que sei – respondeu Konan, indignada.
— Ótimo – Melody bateu as mãos, empolgada. – O que você sabe sobre o Oceano Profundo?
Konan vasculhou em sua memória as notícias que via pela televisão de como o lugar andava agitado e também... como sua mãe tinha um certo carinho pelo local.
— Não muito – respondeu dando de ombros.
— Isso não vai funcionar – suspirou Sakura.
— Você não pode desistir sem antes tentar! – Melody exclamou.
— Melody espera que você seja capaz de nos guiar pelo Oceano Profundo – Sakura se virou para Konan, com a voz irônica que irritava a filha de Úrsula.
Mas a informação a deixou confusa.
— Guiar vocês em que?
— Até a ilha onde está o vulcão onde os vilões estão se escondendo – respondeu Melody. – Eles têm causado o maior estrago tanto no Oceano Profundo quanto na Enseada onde vive o Povo do Mar.
— Não é só isso, eles estão mais ousados – acrescentou Sakura. – A magia que eles usam não é desse mundo e isso está causando danos nos animais que são com quem eles estão fazendo experimentos, além disso, de acordo com Shizune, essa tal ilha onde está o vulcão é o local onde Chernabog foi visto pela última vez.
Agora Konan estava entendendo tudo.
— Então, agora que eu sou útil, sou digna de sair desta Ilha? – disse Konan, o tom de voz vazio. – Que conveniente.
— Não é nada disso! – Sakura exclamou indignada.
— Ah, é mesmo? – dessa vez Konan é quem foi irônica. – Então porque nunca entrou em contato.
— Eu tentei – exclamou Sakura. – Mas você desligou na minha cara, todas as vezes! – enfatizou.
— Devia ter tentado mais! – gritou Konan.
— É, talvez eu devesse – concordou Sakura, o que fez Konan ficar surpresa. Elas nunca tinham concordado em nada. – Mas sabe, uma hora cansa. Você me odeia por uma coisa que eu sequer tenho culpa. Rumpelstiltskin não vale tudo isso.
Isso fez Konan erguer o punho e socar Sakura que ficou surpresa.
— Cala a sua boca — Konan cuspiu em cima da garota de cabelos cor de rosa.
Sakura podia não estar tão forte como antes, mas ainda sabia dar um soco e foi o que fez.
— É isso mesmo então? Você sentia raiva de mim... inveja... — provocou Sakura.
— Cala a boca, cala essa maldita boca! — Konan tentou socar mais uma vez, mas Sakura estava preparada e derrubou Konan a imobilizando rapidamente.
Aquela era uma briga que não tinha mais sentido.
— Dá para você aprender a se comportar? Há uma princesa presente – Sakura não conseguiu evitar a alfinetada.
Konan chutou e esperneou, mas Sakura a segurou firme.
— Se tinha alguém que devia ficar com raiva aqui esse alguém sou eu, você sabia há anos que éramos irmãs e nunca me falou nada! Nenhum de vocês! – disse se referindo a Suigetsu e Juugo.
— Para que eu ia falar? – revidou Konan. – Para você ficar jogando na nossa cara como era escolhida do papai?
Sakura virou Konan para si, os braços dela imobilizados.
— Rumpelstiltskin é um pai de merda, ele podia ter tirado a gente daqui há muito tempo, a gente podia ter crescido livres, mas ele não fez isso porque ele não quis — disse Sakura soltando Konan por fim. – A única razão de eu ser a “escolhida” é porque eu sou a única que herdou os poderes dele e sequer foi um método natural, ninguém devia herdar o poder que ele tem, é uma maldição.
Sakura se afastou dela e foi em direção a cozinha em busca de água. O rosto dela já estava começando a inchar, mas o rosto de Konan não estava muito melhor.
— Estão mais calmas? — Melody perguntou, ainda surpresa pela violência que havia acabado de presenciar.
Sakura olhou para Konan, que ainda tinha uma expressão de raiva no rosto.
— Olha, a gente não precisa se dar bem – disse Sakura. – Konoha é grande, a gente nem vai precisar se ver. Mas nesse momento eu quero saber se você é capaz de nos ajudar a salvar o Sasuke.
— E os Reinos Unidos de Konoha – acrescentou Melody.
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— Ela concordou? – Suigetsu perguntou surpreso. – Você concordou? – se virou para Konan.
— Essa é a limosine? – Yahiko perguntou animado.
Konan não queria, mas se sentia animada também. Sempre via os outros indo embora nela, mas não ela e sempre se perguntava se a sua vez um dia chegaria.
— O transporte particular que vai levá-los até Konoha – disse Juugo. – Há doces, lanches e bebidas especiais para vocês aproveitarem a viagem. Este é Jiraya – apontou para o senhor de cabelos brancos.
Konan já tinha o visto antes, era o motorista que sempre levava as outras crianças.
— Olá – o senhor os cumprimentou. – É prazer enorme levar os últimos jovens da Ilha dos Perdidos para Konoha.
— Só está feliz porque vai se aposentar – Suigetsu o provocou.
— E estou mesmo – o senhor concordou. – Vamos?
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