Os Corona-Khoury - Lembranças
1 Introdução - Quem diria?
Notas iniciais
15 anos...
Quanta coisa pode mudar nesse período?
Para Niko que se encontrava em plena madrugada sentado no chão do quarto, em meio aos álbuns de família, muita coisa.
Observou a foto que tiraram quando estavam ainda se acostumando com a casa, que hoje era um pedestal de tantas lembranças.
Jonathan e Ana estavam na foto. Quem diria que terminariam pouco tempo depois, quando ela decidiu fazer intercâmbio. E quem diria mais ainda, que se reencontrariam 3 anos depois, que se casariam e que teriam um lindo menino, orgulho de vovô Félix.
E aquele pequeno moreno? Jaiminho, que cresceu e aboliu o apelido. Agora o "só Jaime", estava muito longe. Depois de trocar a bola de futebol pela de basquete, e logo depois drasticamente pela medicina. Já formado, Jaime decidiu partir em busca de novidades, viajou bastante até que ancorou em Miami, onde hoje trabalha como cardiologista.
Voltar?
Nem pensar, como abandonar a nova paixão? Uma jovem morena, estilista, que Niko apenas conhecerá pelo computador e telefone.
"Quando menos esperar, estarei batendo ai na porta". Prometia com o mesmo sorriso que tinha aquele pequeno Jaiminho da foto.
Mas a tristeza não era presente, sempre que podia Jaime fazia contato. E como permanecer choroso, com Fabrício, que era a graça da casa? Mini-carneirinho, cresceu e aos 17 anos, se tornou um belo adolescente de madeixas loiras, não mais enroladas por causa dos alisamentos. "É difícil demais arrumar cabelos cacheados. Só não raspo tudo porque eu ficaria igual a um palmito!". Atrapalhado e de grande ingenuidade, tamanha que impressionava até mesmo o loiro. "Ele é você em dose dupla, carneirinho! Por todos os apóstolos, o que tem de lindo, tem de lerdeza!", Félix dizia em momentos de raiva, sempre seguido de uma bronca do carneirinho.
Mas era isso mesmo que fazia todos gargalhar com as histórias absurdas que vivenciava.
Apesar de ter a cara de Niko, era agitado, piadista, irônico, brincalhão, sem papas na língua e não tinha vergonha alguma de chamar a atenção. Adorava festas e sair, e a maioria das vezes que se encrencava era por bobagens como ciúmes ou birra. Podia ter a aparência do pai, mas a personalidade viera muito de Félix.
Realmente eles mudaram. Apesar de que naquela foto não estavam todos, da família. Quem diria que eles teriam mais filhos?
Quando Fabrício tinha seus 2 anos, o casal decidiu realizar um sonho: Ter uma filha.
De início queriam adotar, até que a visita inesperada da irmã gêmea de Niko, Marina, criou uma idéia.
E se Niko e Félix pudessem ter um filho com a genética dos dois?
Quando a irmã, aceitou ser doadora, foi irresistível. Alguns problemas se seguiram, mas lutaram bravamente.
E depois de 9 meses, o resultado foi magnífico: Uma linda menina, (presente de Deus, pensou o loiro), de cabelos encaracolados e negros, não tão negros quanto seus olhos. Mas o sorriso, os olhos redondinhos e brilhantes, e as bochechas rosadas não escondiam a presença de Niko nela.
Hoje, aos 15 anos, era ao mesmo tempo brincalhona e tímida, malandra e atrapalhada, vaidosa e descontraída, doce e rebelde, morre reclama de todos, mas adora a família, arquiteta planos geniais e estraga-os sempre por ser muito boba. Ela é a mistura perfeita, a "ovelhinha negra", o sonho realizado, a estrela da casa: Stefany.
Pararam por ai? Claro que não.
Após 9 anos do nascimento de Ster, Jaime, comemorava o aniversario de 18 anos, e ganhou de presente um sonho antigo; viajar com os amigos. O casal sentiu falta do filho, afinal como ser diferente?
Mas e quando o filho fosse embora para construir a própria vida?
A cadeira vazia na mesa, parecia perturbadora.
Mas não queriam mais filhos.
Decidiram viajar também, foi até a casa de Mami poderosa rever a família.
Foi quando um acontecimento mudou tudo e surpreendeu a todos.
Enquanto Niko foi até o restaurante antigo, ver como estava tudo de perto, o moreno fazia uma visita a tête para choque-para- lama.
Na volta, o moreno quebrar o carro, e não vê saída a não ser esperar o reboque. A rua estava escura, quase meia noite, e fazia frio, perto um barzinho terrível. Começou a se lembrar da noite em que fizera a maior estupidez de sua vida, quando ouviu um choro.
"Deve ser um delírio", pensou. Mas o choro aumentava cada vez mais até que o moreno, deixando se levar, começou a procurar de onde vinha.
Em um beco perto, avistou no chão sujo e molhado uma caixa de feira, largada no beco. Felix se aproximou ainda incrédulo e a viu: uma bebezinha, nua e ainda suja. Chorava como alguém que ele lembrava. "Paulinha", balbuciou. Procurou por todos os cantos, mas estavam sozinhos, e óbvio que foi abandonada ali a própria sorte.
E a sorte lhe sorriu, a pegou no colo enrolada no terno, chamou o táxi e foi direto para San Magno.
O choro cessou no carro, e a pequena o encarava, de olhos grandes e castanhos, e em alguns mas mentos parecia sorrir.
No hospital, foi descoberto que nasceu a pouco tempo, foi cuidada, limpa, e graças a Deus nada no exame do pezinho.
Félix acompanhou todos os dias que a menina ficou no hospital, e Niko ao seu lado, compreendendo o que tudo aquilo significava. Logo depois ela foi entregue ao concelho tutelar, seus pais não foram encontrados, ela não continha registro, e ninguém presenciou o abandono. Ninguém procurou por ela na polícia, e todos os casais que procurava pela filha desaparecida com suas características, e a viram, confirmaram não ser a sua.
Enquanto isso o moreno sonhava com a bebê da caixa...
"Da onde veio?" "Como chegou lá?"
Não voltaria nem importava. Félix queria adotar a menina a todo custo, seu coração exigia isso, e carneirinho não poderia ser mais sorrisos.
Três meses de luta, e a adoção foi confirmada...
Restava escolher um nome. Não foi registrada por hora durante sua estadia no abrigo.
Félix e Niko queria algo diferente para a pequena guerreira. Tão esperta, já escolhia o que queria ou não, quando queria ou não. Tão nova, já era uma "pequena soberana". Era forte, era sábia, era Sófia.
Agora a menina, com seus 6 anos se tornara uma jovem moreninha, de cabelos rebeldes e castanhos, sorriso sapeca, e olhos negros, alertas e curiosos.
Sofia fazia jus a seu nome, e surpreendia a todos: vivia na internet, aprendeu a falar inglês, espanhol e francês. Aprendeu a tocar piano e violino. Tinha resposta para tudo, e sempre na ponta da língua. Argumentos, ironia, não lhe faltava, e a inteligência transbordava sempre que abria a boca. "Pois não é mais o mais inteligente da família, papi", provocava o moreno.
Seu jeito bruto, grosso as vezes, fazia a todos ver um pouco nela de César, algo que surpreendia já que não houve muito tempo para os dois se conhecerem... Assim, ganhou o apelido de "pequena soberana", o que não deixava de ser.
Por falar em soberania, Dr. César não estava na foto. Mas ele também mudou muito. Depois da declaração de amor de pai e filho, seu marido era só sorrisos, e o seu sogro, (Sorriu. Como essa palavra ainda lhe soava perigosa.), não veio a dizer com todas as palavras que aceitava a relação entre ele e seu filho, mas pequenas atitudes, cada dia mais comum, fez com que ele entrasse para a nova família, da qual na verdade, ele sempre participou.
As fotos dançavam em sua mão, quando percebeu a respiração de Félix, que acordou e olhava sobre seu ombro.
— Carneirinho nostálgico. Isso são horas de ficar relembrando, criatura? — Disse sorrindo, pois também embarcou nas memórias, enquanto o observava em silêncio.
— Ai Félix... É que tanta coisa mudou... Nem da para acreditar. Essa nossa história parece um sonho. — Félix fez um carinho no rosto de Niko, e sorriu ainda mais.
— Mas é real, meu carneirinho. E se prepara, porque algo me diz, que nossa história está só começando...
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