Os Convocadores
6 Caça Dourada
Notas iniciais
Mapa da Escola Nova Geração
- Uau!- disse novamente.
Okey, okey árvores não deveriam ser desse tamanho e muito menos dessa largura. Aonde eu tinha entrado, era uma sala circular muito grande, com um grande tapete circular branco, no meio com desenho de uma árvore- a nossa Árvore.
Havia várias portas ao longo da sala e em cada um havia uma placa dizendo " Dormitório masculino", "Dormitório feminino". Os banheiros ficavam lá embaixo- esse "lá" não sabia dizer exatamente onde era- como eu sabia? Tinha uma placa, em forma de seta apontando para uma escada que ia para baixo, escrita: Toalete. Uma mini cozinha ficava anexada a sala circular, com uma geladeira, alguns balcões com cadeira e por último: livros. Havia milhares de livros nas estantes grudadas, literalmente, nas paredes
— Não é demais?!- disse Brandon vindo ao meu encontro, seus olhos brilhando de felicidade.
— Demais não é o termo apropriado para isso aqui.- e não era mesmo.
Vi Katherine subindo para o dormitório das garotas sozinha.
— Vamos ao nosso dormitório! Nossas coisas já estão lá!
Segui Brandon, atravessamos a porta e subimos uma escada e me deparei com um corredor, cheio de portas também, deduzi que eram outros quartos. Brandon abriu a quarta porta a partir da escada e entramos. Nesse quarto havia seis camas, três de um lado e três do outro, e três janelas do lado oposto da porta. Em um canto, tinha três mesas e seis cadeiras, e um frigobar.
— Sua cama é do lado da minha.- me orientou Brandon.
Minha cama era do lado direito do quarto, do lado da janela. Sentei na cama e logo senti o cansaso. A cama tinha lençois brancos e edredons vermelhos e o travesseiro, parecia ter sido feitos por anjos que pegaram nuvens e modaram para transformar em travesseiro.
Olhei no pé da cama e tinha um baú, em todas as camas tinha um baú anexado a cama e uma cômoda do lado da cama.
— Preciso dormir agora, Bran.- disse.
— Okey, eu também.
Abri a cômoda e peguei meu pijama- uma calça de tecido fresco junto com uma blusa de manga comprida.
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Semana haviam se passado desde que cheguei a Nova Geração ou somente Geração como os alunos chamavam. O uniforme da Árvore era legal, blusas com mangas, sem ou compridas, um colete ou casaco com o brasão da Árvore- um círculo prateado com a Árvore no meio- calças ou shorts e sapatos fechados. Os professores eram todos legais, alguns mais severos que outros, mas sempre bons. A minha professora de Encantamentos, a senhora Meredith Garcia, nos ensinou a controlar — e não a criar (como ela disse centenas de vezes)- os quatro elementos. O mais fácil para mim era o ar, pois ele não era sólido, mas o mais difícil era a terra, quando eu tentava controlá- la, sentia um peso nas minhas costas, a Sra. Garcia disse que era porque a terra era o elemento mais sólido e por isso o mais difícil, mas eu me sentia meio que excluído, pois todos conseguiam. Nas minhas outras aulas- Cura, Transformação, Elixir, Seres Mágicos- eu ia aceitavelmente bem. Fiquei sabendo também que alguns Convocadores, podem desenvolver habilidades especias, tipo: inteligência a mais, força incrível, instintos de animais e outras coisas.
Estávamos no jantar, quando o Supremo se pronunciou:
— Silêncio a todos, por favor. Quero comunicar a você que esse mês irá ter a Caça Dourada como todo mês. Vou dar as intruções aos novatos. Na floresta, não a que vocês moram, vou depositar algo dourado, e cada Esconderijo deverá encontrar e me trazer, não importa se você estiver a um centímetro de mim com o ovo na mão e outra pessoa pegar de você e me dar, essa outra pessoa será o vencedor, ou seja, não importa a que distância você está, quem me der o ovo primeiro será o vencedor. Vocês poderão usar qualquer encantamento, menos os mortais, claro. Irá ter obstáculos no caminho, obviamente. Treinem suas equipes. Alguma pergunta?
Ninguém levantou a mão.
— Ótimo! O evento ocorrerá daqui a uma semana! Organizem- se trame planos! Boa sorte!
Voltamos a comer. Caça Dourada, fiquei pensando. O que poderíamos fazer para ganhar? Antes que perguntasse algo, os Surpevisores Juniores levaram todos de volta aos Esconderijos.
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Uma semana já havia se passado e era o dia da Caça Dourada. Nosso Esconderijo escalou cada pessoa para um trabalho. Os Surpevisores Juniores, Cheryl e Vincent, mais alguns alunos, entre eles a Katherine ( que é super boa em Encantamentos) iriam procurar a tal coida dourada. Eu, Brandon e outros estudantes iríamos ficar de vigia, atrasando outras pessoas, e outro grupo de alunos iriam perseguir outros estudantes e atacá- los. Senti uma ponta de esperança de que podíamos vencer, me senti preparado.
Então uma voz que reconheci imediatamente como sendo a do Surpevisor White:
Todas as equipes se posicionem na orla da floresta de jogos.
— Vamos!- disse Cheryl.
Seguimos ela. Passamos para fora do prédio onde eram as aulas e as refeições e seguimos para a frente da escola, e viramos a esquerda e nos deparamos com uma floresta que eu nunca vi na vida. Em algumas partes ela era aberta e outras muito fechadas e escuras, mas era bonita.
Quando chegamos o Esconderijo do montinho de areia ( que descobri, era em uma Montanha) já estavam lá e os da Rocha estavam chegando. Eu não ia muito com a cara do povo da Rocha, eles eram arrogantes e metidos.
Enfim, todas as equipes estavam juntas e o Surpevisor White disse:
— Bem- vindos a mais uma Caça Dourada. Joguem limpo, na medida do razoável, e não levem a sério.- alguns alunos da Rocha deram risinhos sarcásticos maliciosos.- Vou contar até três e vocês podem entrar na floresta, só usem poderes dentro dela se alguém usar fora será desclassificado. Um... Dois... Três!
Todos começaram a correr enlouquencidamente. Segui para o lugar em que Vincent mandou eu ficar, na beira de um riacho, camuflado.
Enfim, achei o riacho e esperei. Brandon ficaria mais na frente, dentro de uma árvore.
Ouvi passos correndo, mas era muito longe para que eu pudesse fazer algo. Então algo me alarmou. Um garoto com o uniforme da Montanha se aproximou e olhou ao redor. Bem, eu tinha que fazer algo, mas há quanto tempo eu estava ali? Um mês? O que eu sabia? Eu sei que o garoto era do mesmo ano que eu, mas e se eu perder? Minha esperança tinha sido sugada, mas então, como se alguém tivesse me empurrado, fui na direção dele.
Ele riu.
— É isso que vai me deter?- ele riu mais uma vez.
Não disse nada.
Então ele, num piscar de olhos, mandou uma labareda de fogo na minha direção, em instint rápido me concentrei na água do riacho e conduzi- a para minha frente. A água se chocou contra o fogo e um vapor denso se fez, então ele, o vapor, foi jogado na minha cara pelo menino da Montanha e não vi nada. Senti o chão ceder aos meus pés, então eu caí para dentro da terra e fiquei preso. O vapor se desfez.
— Coitadinho!- o menino riu e saiu, guardando seu isqueiro no bolso.
Eu não podia ficar parado ali, tinha de fazer algo! Eu fiquei com raiva do menino, eu queria me vingar! Mas aquela terra me prendia mais e mais e eu nã conseguia controlá- la. Tentei de tudo, mas nada, sempre aquele peso vinha em mim e eu não aguentava. Então, com somente a cabeça de fora, me concentrei na terra, senti o poder me invadindo e meus olhos brilharam naquele tom de dourado, e então para mim conduzir a terra pareceu a coisa mais fácil do mundo! Esse poder não foi igual ao do meu primeiro dia, foi mais forte, mais poderoso.
Uma ideia louca surgiu na minha cabeça, então me afundei por completo na terra, esperei poder ficar sem respirar, mas eu estava bem, respirando ou não.
Inclinei meu corpo para a direção que o menino tinha ido e avancei, e terra se abria no meu caminho e eu conseguia ver o que estava acontecendo lá em cima, eu estava muito fundo na terra. Corri o mais rápido que pude, o poder e a raiva ainda em mim, vi alguns meninos da Árvore batalhando, outros correndo e outros enfrentando feras- os obstáculos, pensei.
Então algo me destraiu da minha busca, algo tremeluzeu na minha visão, algo dourado. Sem hesitação fui me jogando para cima e subi na superfície, Katherine já estava indo na direção do dourado, e vi que o tal dourado era algo oval, como um ovo e estava num tipo de ninho.
Espera aí!, pensei Se tem um ninho, então tem um mãe.
Quando concluí meu raciocínio um bicho alado desceu até nós. Era um dragão, preto como a noite, suas ásas eram duras e tinha um boca parecendo a de um golfinho. Ela me encarou por um instante com seus olhos amarelos em fendas, mas alguém atacou ela. Foi Katherine.
Ela jogou fogo no dragão, o que foi meu idiota, pensei. O dragão cuspiu um ácido que atingiu uma rocha e ela se desintegrou.
Olhando em volta, vi que tudo era escuro e fechado, então disse:
— É um dragão tipo noturno! Eles não gostam de luz!- gritei para Katherine.
— Então faça algo!- ela me gritou de volta do lado oposto.
O que faço?! gritei na minha mente. Terra, pensei de volta.
Me concentrei nas árvores que estavam encubrindo o sol, e depois de uns instantes ela destamparam o sol. O dragão começou a ficar inquieto e agitado, gritou e ganiu, depois saiu voando céu adentro, procurando escuridão.
Peguei o ovo.
— E agora,e para voltar?- perguntou Katherine.
— Tenho um plano.- disse.
Seguimos pelo túnel subterrâneo que eu fiz, e chegamos até a orla da floresta.
— Céus! Não façam mais isso!- disse o Supremo, quando saímos da terra.
Entreguei o ovo a ele.
— Já sabe o que fazer.- ele disse ao Surpevisor White.
O jogo acabou! Repito, o jogo acabou! Voltem para a orla da floresta neste exato momento!- ordenou o senhor White, com sua voz mega ampliada por algum poder.
De poucos em poucos, vieram os alunos, depois de alguns minutos estavam todos presentes.
— O time da Árvore, venceu!- disse o Supremo sem rodeios.- O ovo foi trago pelo senhor Parker e senhorita Cooper.
Todos nos olharam.
— Hoje a noite haverá um banquete em comemoração.- disse o Supremo.- E o ovo fica com a Árvore.
Nosso Esconderijo deu vivas e aplausos. A noite o banquete foi diferente e nós divertimos contando como ganhamos- somente para a Árvore, pois senão os outros poderiam usar nossa tática da próxima vez.
Voltamos para o Esconderijo, e houve ainda mais festança, pedi para a geladeira um hambúrguer e refrigerante e quando abri, lá estavam eles. Aquele foi um dos dias mais felizes da minha vida.
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