Notas iniciais
Mais um capítulo! U.U

Eu ainda olhava para a fenda que acabara de se fechar. Estava ao mesmo tempo aturdido e preocupado. O que aconteceria a minha mãe e pai? Eles conseguiriam acabar com aquela coisa? Sei que são ótimos guardiões, mas aquilo parecia muito forte. Meu coração batia rápido e pudi sentir o sangue quente fluir em meu corpo.

- Acalme- se cara- Brandon me despertara de minha confusão interior.- Eles vão conseguir, eles são ótimos.- sua voz transparecia tanta preocupação quanto eu sentia.

- O que era aquilo?- controlei minha voz.

- Não sei. Aquilo não era nenhum animal que conheço. Pode ser um Transformado.

- Transformado?- perguntei.

- Animais, tanto normais quanto mágicos, que sofreram alterações que não estão de acordo com sua espécie. Provavelmente alguém fez isso, alterou algum animal.

- Ou animais, certo? Aquilo parecia mistura de vários animais.- cada detalhe que pude perceber no Transformado ia voltando a minha mente.

- Certo.

- E alguém alterou- os.- afirmei.

- Certo.- disse Brandon.

- E agora?- perguntei olhando nos olhos verdes de Brandon.

- Não sei, só nos resta esperar aqui.

Aqui? O que era aqui? Até agora não olhei em volta para saber o que é aqui. Reclinei para trás, e engoli meu "oh!" de surpresa.

Estava diante de uma pequena vila, com lojas, bares e restaurantes. Era tudo muito... mágico! Xícaras, copos e bandejas flutuavam servindo bebidas em um restaurante próximo. Era tudo tão aconchegante, eu podia sentir o magia ao meu redor, rodopiando e me abraçando com grande conforto. Mais adiante, havia uma pequena praça com uma fonte no meio espirrando água, e a intervalos fazendo figuras animadas, agora era um águia feita de água voando parada, espirrando água pelo bico. Em volta, tinha pequenos e grande bancos de madeira, alguns com mesas para refeições, tinha árvores com cores exóticas, tinha uma roxa misturada com azul balançando enquanto o vento soprava.

Minha atenção foi tirada totalmente da magnífica vila, quando ouvi um barulho vindo das minhas costas e logo deduzi que a fenda se abrira formando um arco. Para minha felicidade, lá vinha minha mãe e pai, sujos, com roupas rasgadas e com um pouco de sangue.

Bran, sem demora deu um abraço nos dois forçando para não chorar.

- Tudo bem, meu amor.- disse minha mãe lhe afagando a cabeça e meu pai dando tapinha de leve em suas costas.

Sem demora também os abracei.

- Aquilo era um Transformado?- perguntei.

- Sem dúvida que era.- respondeu meu pai.

Olhei para eles novamente e agora vi que tinha sérios ferimentos, minha mãe tinha um corte fundo no braço, e meu pai um furo na testa do lado direito.

- Vocês precisam se cuidar!- alertei.

- Não se preocupe filho, vamos nos curar só precisamos de tempo.- disse meu pai.

Assenti. Sabia que Convocadores eram tipo "imortais", nós nos curávamos rápido e não morríamos como os humanos, só morríamos se sofrecemos um ataque que matasse imediatamente.

- Então filho, o que acha daqui?- perguntou minha mãe.

- Aqui? Maravilhoso. Não existe palavra para expressar. Que lugar é esse?

- É só um centro comercial da cidade principal, Preciosa. Sua escola fica alguns passos a frente.

- Sim, mas antes se não se importar, quero conhecer esse lugar.

- Ah claro! De qualquer forma, preciso comprar suas coisas para a escola. Você e Brandon pode ir se divertir, enquanto faço as compras.

Assenti. Eu e Brandon seguimos em frente, fomos a praça- que agora projetava um fada voando livre-, vimos alguns bares e restaurantes. Era tudo muito bom.

Sem querer trombei em uma garota. Ela tinha cabelos grossos, e olhos castanho claros.

- Ei! Você! O que... que f- faz aq-qui?- gaguejei feito um bobo, não podia acreditar que a menina da minha sala, a aprendiz de carteiro estaria ali.

- Sou um Convocadora, ora essa.- disse ela revirando os olhos.

Olhando para ela sem piscar, tudo entrou na minha cabeça e pude aceitar o fato incrivelmente estranho de uma conhecida minha ser do meu mundo.

- Estranho te ver sem boné.- puxei papo, me lembrando do dia que ela me entregou a carta.

- Estranho ver ninguém beijando sua sombra.- disse ela sarcasticamente.

- Como?- perguntei surpreso.

- Você sabe, você é popular, jogava no time da escola, etc. Típico de almofadinhas.

Fiquei constragindo por um momento, mas depois fiquei zangado.

- Você não me conhece para me julgar.

- Mas só pelo o que você faz já dá para ter uma noção.

- Você se acha espertinha, certo?

- Mais que você tenho certeza que sou.- disse ela superioramente.

Aquilo estava fazendo eu perder minha cabeça, senti minha cara esquentar e ficar vermelha.

- Não fale do que não sabe.- me aproximei dela, no tanto que deu para perceber que eu era maior que ela.

- E não estou.- ela me encarou nos olhos.

Nunca fui de bater em uma garota, mas aquela estava me deixando fora de controle.

- Ei! Ei! Ei!- disse Brandon entrando no meio de nós.- Vamos acalmar os nervos.

- Ótimo! Chegou sua sombra Parker.- disse ela secamente.

Estava evidente que Brandon não gostou daquilo, mas não demonstrou e me tirou de perto daquela garota.

- Que garota idiota!- exclamei já longe de onde estávamos.

- Muito.- confirmou Bran.

Depois dessa cena, fomos passear ainda mais e consegui esfriar minha cabeça. Encontrei um loja que vendia brinquedos para crianças, mas não era aquele tipo de brinquedo típico: tinha uma casa de boneca que quando abria a porta e enfiava a mão la dentro, você era tipo sugada para dentro.

- Pronto meninos!- disse minha mãe com sua voz animada.

Olhei para ela e já estava melhor. Seus cortes na maioria tinham se curado, e ela estava com roupas novas, ao lado dela vinha meu pai cheio de compras nos braços.

- Querido, você sabe que não precisa carregar.- disse minha mãe a ele.

- Não vou deixar você carregar.

Minha mãe revirou os olhos e fez um leve movimento com os dedos, e logos todas as compras se ergueram no ar.

- Você é um ótimo cavalheiro querido.- disse ela lhe dando um longo beijo na bochecha.

Ele se contentou, porque deu um sorriso malicioso.

Andamos mais um pouco e vi o que minha mãe tinha comprado. Cadernos, não cadernos comuns de escola, eram cadernos forrados de couro preto, era de fato bonito. Comprou livros grossos que pareciam pesar uma tonelada, mas quando eu pegava neles, era muito leve, poderia carregar cem deles sem o menor problema, minha mãe disse que são encatados para os alunso não ficarem com dores nas costas.

- Vamos agora a escolas de vocês.- disse minha mãe- Lá vai abrir a noite paar ter um banquete de boas- vindas, e será também o sorteio.

- Sorteio?- perguntei.

- Ah sim. Os novatos são sorteados para ficar em seus dormitórios. Ninguém sabe aonde fica os dormitórios a não ser a pessoa que reside nele.- informou meu pai.- São escolhidos três dormitórios e...

- Robert! Não conte a surpresa a eles!- disse minha mãe.

Ele deu um sorriso torto, desconcertado.

Já era pôr- do- sol o céu estava em um alaranjado lindo. Fiquei me perguntando se estaríamos na Terra ou em algum mundo alternativo, mas me calei quando vi a tal escola.

Primeiro: aquilo parecia mais um hotel de cinco estrelas, do que uma escola.

Segundo: obviamente, você podia sentir o poder naquele lugar.

Terceiro: era lindo, magnífico, maravilhoso!

- Não pode ser aqui.- disse.

- É sim! Olha.- disse Brandon.

Olhei para onde ele estava apontando, havia acima do portão de bronze um letreiro, escrito em cores fortes, e com letras de forma.

Escola Nova Geração

- Nova Geração?- perguntei.

- Isso.- disse minha mãe.- É aqui que deixo você, filhos.

Sem esperar, ela e meu pai nos deram um grande abraço apertado, depois de nos desvencilharmos, ela disse:

- Me mantenha informada, me comunique qualquer coisa.

Então em um último abraço ela se foi. Agora não sabia o que fazer. Deveria abrir o portão e entrar? Bran, estava tão confuso quanto eu. Então ouvimos passos vindo atrás de nós, e nos viramos. Um grupo de garotas e garotos vinham em nossa direção, alguns mais velhos outros da nossa idade e para minha infelicidade avistei a garota que discuti mais cedo, ela vinha sozinha. Nos encaramos por um momento, depois ela desviou o olhar.

Todos nós já estávamos juntos, então o portão de grade de bronze polido se abriu sem o menor ruído, e todos começaram a entrar.

Caminhamos por uma estrada de pedra preta, todos alinhados perfeitamente e o caminho era sempre reto, só tinha uma curva bem no final para entrar através da porta de prata, com o brasão NG, o N na porta esquerda e o G na direita. Quando nos aproximamos ela também se abriu, e um cara alto e forte, de cabelos cor de areia se pronunciou:

- Novatos, venham comigo!

Alguns hesitaram em andar, outros foram sem temer. Um grupo de pessoas- talvez uma dúzia ou mais- começou a avançar. Automaticamente, fizemos uma fila, por puro instinto.

- Boa noite! Sou o Surpevisor White.- seus olhos pretos brilharam. Não sabia se eu deveria ter medo ou se aquele cara seria uma boa pessoa (talvez os dois).- A Seleção começará dentro de alguns segundos. Vou dar as intruções e vou ser bem claro: caminhe até o centro do salão e quando o Supremo deixar, levante uma das mãos e espere, quando você sor selecionado, vá para sua turma e fique quieto. Entenderam?

Algumas pessoas assentiram, outras resmungaram assentindo.

- Certo. Vou chamar os nomes em ordem alfabética.

Ele começou a chamar as pessoas com o nome que começa com A, não pude ver como estava indo a Seleção, pois tinha uma parede nos separando.

- Brandon Parker.- anunciou o brutamontes.

Olhei para Brandon, ele estava nervoso, mas foi.

Passado alguns minutos, Sr. White chamou outra pessoa. Fiquei esperando com ansiedade.

- Katherine Cooper.

A garota que briguei hoje cedo, avançou presunçosa.

Então Supervisor White voltou a sua chamada, quando ele me chamou:

- Thomas Parker.

Avancei hesitante. Quando me virei para ir para o lugar indicado, me assustei.

Havia três mesas em um canto, mais três em outro e mais três meio que no centro. Pessoas estavam me olhando com olhos curiosos, ansiosos até , de todas as mesas olhos me perseguiram, até chegar no centro e vi três coisas flutuando a minha frente: uma casca de árvore, uma pedra lisa e um montinho de areia.

- Estenda sua mão, meu jovem.- uma voz masculina me alcançou, olhei em volta e vi o Convocador Supremo, ele era forte e exalava sabedoria e força. Tinha cabelos loiros arrumados e olhos azuis, e uma leve barbicha no queixo.

Estendi minha mãe direita, por um momento nada aconteceu, então as coisas que estavam flutuando começou a vibrar e em um piscar de olhos a casca de árvore veio até a minha mão.

- Vá para as mesas ali no canto meu jovem.- disse o Supremo.

Olhei na direção que ele apontava e um grupo de pessoas estava sorrindo para mim, dentre elas estava Brandon. Olhei para todos na mesa, e havia uma pessoa que não estava sorrindo: Katherine Cooper, mas ignorei.

Já ia me direcionar para lá, quando outra vibração começou e olhei para trás. A pedra vinha em minha direção e instantaneamente eu a agarrei.

Todos ficaram em silêncio, o Supremo olhava para mim com grande curiosidade, depois disse:

- Prossiga até a mesa que te indiquei, jovem.

Larguei a pedra- que logo voou para seu lugar- e me dirigi a mesa. A seleção continuou mas todos estavam me olhando, queria perguntar algo mas fui interrompido pelo Supremo:

- Boa noite e boas- vindas a todos! Dou meus cumprimentos aos novos estudantes da nossa Escola Nova geração, e cumprimento aos antigos estudantes! Espero que esse novo ano seja repleto de experiências e aprendizado, para que tudo que passem aqui, venha refletir em seus futuros. Meu nome é Bartholomew Walker, e peço para que vocês não me vejam como um cara chato, peço para que me vejam como amigo.- ele deu um sorriso afetuoso- Bem, chega de blá blá blá, e vamos começar o banquete!

Atravessando as paredes, apareceram bandejas flutuantes com pratos e copos nelas. Elas passaram de mesa em mesa servindo o que os estudantes desejavam, quando chegaram a mim, fiquei atordoado, então depois disse:

- Hambúrguer e refrigerante de cola com limão, por favor.

Então um prato voou até minha mesa e o hambúrguer se formou ali, do nada, olhei para o meu copo e ele começou a se encher e um pedaço de limão se formou lá dentro. Hesitei depois comi.

Tentei falar com Brandon, mas a agitação era demais, teria que falar com ele depois.

Depois que o banquete terminou, o Supremo Walker disse:

- Bem! Foi um ótimo banquete! Agora vamos nos recolher. Surpevisores Júniores, leve sua turma para os dormitórios por favor, e ensine- os como funciona.- seus olhos brilharam de ansiedade.

Duas pessoas de cada grupo- da casca da árvore, da pedra e do montinho de areia- se levantaram e começou a guiar os alunos, cada um foi para um canto.

Nossos Surpevisores nos guiaram para os fundos do refeitório. Saímos de lá e demos para um mini floresta. Era agradável e tinha um perfume bom no ar, não sei como, mas eu sabia que todos os alunos tinham dormitórios espalhados naquela floresta.

Seguimos em frente e eu sentia uma ligação forte me puxando pelo caminho, era boa a sensação, ela ia ficando mais forte, quando o Surpevisor Júnior disse:

- Chegamos! Vou ensinar aos novatos você como entrar: coloque uma de suas mãos nesta árvore- ele indicou uma árvore folhosa- e deixe o poder fluir por vocês!

Ele pôs a mão na árvore e seus olhos brilharam em um vermelho, e a árvore se abriu- como na vez que minha mãe fez.

A árvore fez um arco, depois desapareceu.

- Tentem vocês agora!- disse o Surpevisor.

Um a um, fomos tentando e alguns entraram. Chegou na vez de Brandon, ele colocou a mão na árvore e, depois de alguns segundos, sua íris brilhou em um verde cativante e depois a árvore se abriu. Depois foi a tal da Katherine, seus olhos brilharam em um tom de azul fixante e hipnotizador. Chegou minha vez, eu pus minha mãe na árvore deixei o poder fluir em mim, não sei como sabia, só sei que meus olhos brilharam em um tom de dourado e a fenda se abriu e entrei.

- Uau!- disse quando entrei.

Notas finais
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