Notas iniciais
Maxon comentando sobre Louis e Kriss.

Eu não poderia acreditar que o idiota do ex namorado da Karlla a mandou para algo desconhecido e muito perigoso. Não estava acreditando que ele havia dado o endereço que apenas Aaron e eu estávamos procurando. Não acreditava que além de tudo, ele não parecia se importar com meus gritos ou mesmo os gritos do Aaron. Da Camila. Da Manu ou da Larissa. “Ela tinha que saber.” Era o que ele dizia e a cada respiração que dava, minha vontade era esganá-lo. Eu conseguia imaginar minhas mãos apertando seu pescoço, deixando-o sem ar, deixando-o roxo até cinza e imóvel. Mas eu não poderia matar Louis – não agora – porque além de tudo, precisávamos dele. E como se bastasse sair da luta e não encontrar Karlla me esperando e ser racional para não quebrar a cara do Louis, tive que ser paciente ao ver Kriss e duas amigas no sofá do meu apartamento.

Mariana não fazia ideia de o que elas queriam comigo, mas deixou-as entrar. As vezes essa educação não faz dela uma Maddox, porque Kriss era a última pessoa que eu queria ver hoje. Ouvi Aaron perguntar o que queriam – tão delicado – como um Maddox. Um verdadeiro Maddox. Mas ela só queria falar comigo. Revirei os olhos e a levei para meu quarto, fechando a porta ao passarmos ignorando a vontade de tomar um banho quente e relaxante, de tirar essas roupas sujas e suadas, ignorando a sensação de perigo – não comigo – mas com Karlla. “O que você quer?” foi o que perguntei, cruzando os braços no peito. De repente Kriss estava nervosa, o sorriso estampado em seu rosto havia saído e seus olhos se encheram de lágrimas antes mesmo que ela pudesse falar algo. Isso me preocupou. “O que aconteceu?” perguntei mais calmo, mais sensível em meio aquele momento.

Ela se aproximou tão rapidamente que não tive tempo de desviar de seus braços em meu pescoço, de seu rosto enterrado em meu peito enquanto ela chorava e soluçava alto. “Eu preciso de você” ela dizia e eu estava travado, tão assustado com aquela atitude e tão perdido em o que fazer naquele momento. Olhei para a porta fechada imaginando Karlla entrando ali sem bater. Imaginei sua reação e dei um passo para trás, mantendo uma distância segura entre Kriss e eu.

Esperei que ela terminasse de chorar e antes que pudesse perguntar – outra vez – o que estava acontecendo, ela mesma falou. Ela mesma disse o quanto estava assustada por ter recebido uma mensagem estranha de um número estranho em seu celular, com uma única letra assinando a mensagem.

A primeira letra do alfabeto.

Kriss não contou o que havia na mensagem e não tive coragem de perguntar, poderia ser tão íntimo quanto as que eu recebia. Mas ela deixou claro que estava assustada, confessou que precisava falar comigo e apenas comigo porque se sentia segura apenas em minha presença.

Iria perguntar como isso era possível quando na verdade eu estava com medo e me sentia desprotegido sem ter Karlla por perto. Então, como seria possível? Olhei a porta outra vez e suspirei ao vê-la imóvel, voltei a encarar Kriss e lhe dei um sorriso compreensível, porque afinal de contas eu sabia o que ela estava passando. “Não quero voltar para a fraternidade, não confio naquelas meninas” ela disse me deixando nervoso. Estava pronto para dizer “ora, não faça isso comigo Kriss” quando ela – talvez tenha percebido – completou falando que ficaria no sofá para não causar problemas, amolecendo todo meu corpo ao dizer “não quero me sentir sozinha lá” e me fazendo concordar com a cabeça.

“Não precisa ficar no sofá, pode ficar aqui” falei me virando até o guarda-roupa, escondendo dela uma careta ao falar. Peguei um cobertor novo e entreguei a ela avisando que iria para o banho e que ela ficasse a vontade – mesmo eu não estando bem a vontade com aquilo.

Mesmo eu estando – realmente – não a vontade.

Deixei o cobertor no quarto do Aaron e fui ao banho.