Notas iniciais
Larissa contando sobre o acidente de Manu.

Eu sabia que estávamos correndo perigo ao irmos ao Setor 45. Sabia que poderia acontecer algo e sabia que os rapazes estariam prontos para qualquer coisa e foi isso o que aconteceu. Era tudo parte do plano, encontrar Robert sabendo que ele estaria lá e por uma ótima coincidência vê-lo com outras pessoas, o que deixava tudo mais natural. Apenas pelo simples acaso. Mas não estava nos planos Karlla dançar com Conor ou até mesmo beijá-lo. Eu queria contar a ela. Queria dizer “hey amiga, não faça isso com nosso maior suspeito, está bem?” Mas como poderia falar algo se ela estava preocupada demais com tudo isso? Como falar quando ela faz coisas sem pensar, coisas irresponsáveis e principalmente, havíamos prometido a Maxon que não contaríamos.

Era traição da nossa parte, mas era para o bem dela.

Fazia parte do plano Maxon aparecer no Setor 45, mas não ver Karlla com Conor. Era parte do plano rimos e conversamos tranquilamente mas não ela ir embora com ele. Como ela poderia ser tão estúpida? Como ela poderia não notar que ele sempre odiou Maxon e Aaron, que sempre foi vítima de brincadeiras do Jordan. Que sempre esteve um passo atrás do Jace no futebol. Como ela não viu isso? Camila e Manu afirmam que ela não deve ter pensado nisso e conhecendo Karlla como conheço, talvez não tenha pensando em um suspeito, talvez esteja mais preocupada com os motivos que a tal pessoa tenha para nos ferir. Louis era um que concordava em ser discreto ao contar algo a ela pelo o que havia acontecido noite passada, por ele ter visto de perto os perigos que ela estava correndo.

No começo tive minhas suspeitas em Adam Kent pelo fato de não gostar do irmãos Maddox. Era sempre Adam que brigava com Aaron, era sempre Adam que fazia piadas ou pegava as mulheres que Aaron queria. Ou seja, Adam era o cara que estava por trás do jogo. Por trás das mensagens. E mesmo ouvindo por Aaron a história que deu inicio a essa rixa, mesmo com Jordan e Jace concordando com Maxon sobre Conor, eu não conseguiria mudar minha opinião. Nem mesmo Aaron o tinha como suspeito e pedia – com tanto carinho – que eu pensasse melhor, que eu estava errada em não suspeitar do Conor.

Achei estranho ele me pedir isso a princípio, mas logo percebi que Aaron queria que eu visse o que ele via, que estivéssemos os dois certos. Ele poderia ser o homem mais gentil que eu havia conhecido. Além da fama que sempre carregou, descobri que Aaron pode ser um cara legal, respeitador e muito generoso, mesmo Maxon tentando nos apresentar desde o – talvez – segundo dia de aula, mesmo Maxon sempre falando de seu irmão e de suas qualidades para mim, mesmo eu tendo certeza que Maxon fez amizade comigo para me apresentar ao irmão, eu havia me encantado desde o primeiro dia que o vi.

Estávamos na cafeteria antes das aulas, lembrava muito bem de quando ele cedeu seu lugar e pegou uma cadeira para si. Lembro de sorrir e aceitar a conversa lembrando das palavras do irmão mais novo, “Aaron é um príncipe se você o conhecer melhor.” Eu queria rir agora e concordar com a cabeça, dizer “obrigada Maxon, você tem toda razão”.

Estávamos cada vez mais próximos com o mistério do jogo e das mensagens, eu não poderia dizer que estava odiando porque conhecer Aaron Maddox era uma das coisas mais maravilhosas que me aconteceu.

As meninas também estavam um pouco animadas demais em relação a desvendar sobre tudo isso, principalmente quando Travis e Sebastian entraram para o grupo e participaram da missão, como gostam de chamar. Manu e Camila estavam mais na casa do Travis do que no Morgan. Almoçavam e jantavam juntos, Sebastian ou Travis as levavam para a faculdade e sabe-se lá o que faziam no apartamento. Eu não as julgava, ouvi dizer que Maxon e Karlla também estavam fazendo coisas no quarto e além de tudo o que estava acontecendo, talvez fosse algo bom para esvaziar a mente e tranquilizar o corpo.

Mas no meu caso, sabia bem que Aaron não teria cabeça para isso, sabia o quanto ele estava disposto em descobrir quem está mandando as mensagens que não tinha outros pensamentos. Nem mesmo quando tive de trocar de roupa em sua casa e por um infeliz descuido tive que me enrolar na toalha e pegar minhas roupas novas em seu quarto, Aaron nem mesmo desviou seu olhar dos papéis que estudava deitado na cama. Nem mesmo assobiou, me chamou de gata ou perguntou se eu queria ir para cama com ele. Por isso, qualquer chance que eu pudesse ter, escorreu pelo ralo. E mesmo assim estava feliz com nossa proximidade, com nossa sintonia e nossos pensamentos parecidos. Estava orgulhosa por dizer a todos que o plano havia sido meu e de Aaron. E de ninguém mais.

Mas não fazia parte do plano Manu se machucar, não esperávamos que a bebida seria tanta e que poderíamos sair de controle. Não imaginava que Conor sairia antes de qualquer outra coisa e estávamos esperando receber mensagens depois que ele saiu. Foi algo tão estúpido que me assustou verdadeiramente quando a vi caindo desequilibrada da mesa onde – tentava – cantar um dueto com Bea. Todos que viram se aproximaram rapidamente para olhar, mas quem realmente a ajudou foi Magnus e Alec, tão precisos e certos em o que faziam. Vi no olhar de Robert que ele estava com medo, assistindo mais uma vez uma cena chocante. Bea e Ellie – para os mais íntimos – chocadas com tudo, tão assustadas que mal conseguiram fazer algo. Camila estava nervosa, ameaçando perder a cabeça, ameaçando gritar e chorar. “Ela ainda está respirando” Magnus disse. “Vou chamar a ambulância” Alec falou trazendo seu celular do bolso da calça.

Meu primeiro pensamento era avisar Karlla, mas não conseguiria imaginar como ela reagiria a tudo e liguei para Aaron, contei detalhadamente tudo o que havia acontecido dando ênfase que fora um acidente e quando a ambulância chegou para levar Manu, Camila ligou para Karlla.

Pensei que a veria chorando quando chegasse ao hospital, pensei que teríamos de acalmá-la de todas as formas possíveis porque Karlla era assim, ela não poderia suportar mortes e principalmente de alguém tão próxima a ela. E eu sabia que ela estava tão traumatizada com a morte da mãe que qualquer coisa para ela seria parecido, que não haveria cura para qualquer doença. E tentei de todas as formas passar segurança no abraço, tentei mostrar que estava tudo bem mesmo a vontade de chorar me rasgar por dentro. Queria ter palavras confiantes o suficiente para ela. Sebastian a puxou para um abraço e eu poderia chorar ali mesmo com o tamanho de sua preocupação com Emanuela. Travis falou algo para acamá-la e queria me virar para Camila ao meu lado e dizer “case-se com ele, por favor”. Ela pareceu calma – até demais – sorrindo para Louis, conversando com as meninas, sorrindo para elas verdadeiramente mais calma.

— Ela parece bem. – Maxon disse ao meu lado, mal havia percebido ele ali, de braços cruzados encarando Karlla enquanto conversava com Julia, Mari e Letícia.

— Sim. Não estava esperando isso. – respondi fazendo-o concordar com a cabeça.

— Nem eu. Sabe que eu estava com ela? – Maxon perguntou virando se para mim.

— Não sabia! – me contive para não gritar ali, não fazer um vexame como Letícia havia feito minutos antes ao chamar Jamie. – Pode começar a me contar, Maxon Maddox. – falei fazendo-o sorrir.

— Fui contar a ela sobre isso. – disse mostrando as palmas de sua mão. – E perguntar sobre ela e Conor, mas acabou que houve mais coisa. Coisas como ela criticar, mais uma vez, o que eu já fui. E coisas como eu falar umas verdades para ela. Acho que fui um pouco duro demais. – ele disse desviando seu olhar para Karlla. – Mas ela precisava ouvir, sempre coloca o meu passado como se fosse algo que a impedisse de voltar para mim.

— Você está tão apaixonado por ela que me assusta. – falei erguendo as sobrancelhas. – Mas não se preocupe com isso. Ela ainda tem medo do que pode acontecer no futuro, tem medo de que você não mude e que se magoe. Eu sei que você mudou, todo mundo já percebeu isso mas ela é um pouco lenta.

— Com certeza ela percebeu, Larissa. Talvez ela não queira nada comigo e a única desculpa que tem seja essa.

— Talvez esteja acontecendo algo com ela que nos não sabemos. – falei pondo uma mão em seu ombro, fazendo-o olhar para mim talvez esperançoso talvez apreensivo. – Nós estamos um pouco tensos com tudo isso e ela já sofreu com a morte da mãe, já precisou se livrar de tanta coisa quando viemos e eu mesma não tive tempo para parar e perguntar como ela está se sentindo.

— Eu posso parar e perguntar como ela está se sentindo. – Maxon disse com um sorriso de lado. – Mas quem garante que ela vai ser sincera? Ou querer falar comigo?

— Talvez você precise arriscar. Nada que você já não tenha feito por ela. – falei deixando Maxon verdadeiramente envergonhado, sorrir e coçar a nuca ao ouvir minhas palavras.

— Isso é verdade. – ele disse se erguendo, respirando fundo e se virando em direção a Karlla. – Ué? – ele exclamou me fazendo erguer o olhar, olhar para as garotas, para onde os rapazes se reuniam. – Para onde Karlla foi?