Os Contos de A Promessa
12 Especial Dia dos Namorados part.2
— Agora eu não subo mesmo. – Manu disse afundando no sofá ao meu lado.
— Por que não?
— Kate, Maxon perdeu a mãe, o que acha que irá acontecer se ele perder o pai?
— Pelo menos ele tem você. – Camila disse
— Não mais. – sussurrei encarando o carpete. – Aaron e Larissa o viram com outra mulher.
— E o que tem demais? – Camila perguntou.
— Nada, simplesmente nada. Mas o modo como eles estavam, o modo como Aaron achava que a mulher era eu não me deixa aliviada. Era como se tivessem visto mais.
— Conversa com ele. – Manu disse.
— De jeito nenhum.
O assunto terminou ali deixando um enorme silêncio na sala, eu estava completamente confortável assim, tudo menos falar. Horas se passaram até que todos descessem do quarto e em silêncio, cada um parou em um lugar da sala. Maxon não se aproximou, nem mesmo olhou para mim. Aaron e Larissa estavam juntos, assim como os outros casais a não ser Maxon e eu. Tudo bem, naquele momento eu não estava nenhum pouco confortável. Encarava a lareira evitando erguer meu olhar para qualquer um ali. Pelo menos estava funcionando.
— Bem, se ele dormiu acho que posso ir em casa trocar de roupa. – Manu disse levantando do sofá. Sebastian concordou com a cabeça. – Alguém vem comigo?
— Eu vou. – respondi rapidamente levantando do sofá encarando apenas Manu ali. Não pude deixar de notar os olhares de todos em mim.
— Emanuela, não demora muito está bem? – Maxon disse. – Eu quero falar algo.
Revirei os olhos e sai sem nem mesmo dizer algo, xingá-lo para ser mais detalhada. Manu foi rápida para tomar banho e trocar de roupa, porém demorou mais do que deveria no caminho, tanto de ida como o de volta. Eu poderia ir a pé e chegaria antes dela. Ao chegarmos na casa do pai Maddox, risadas altas chegaram até nós quando descemos do carro. Se Frank estava tão mal assim, qual o motivo das gargalhadas? Manu e eu nos entreolhamos por um segundo até apressar os passos em direção a entrada da casa. Infelizmente havia uma janela ao lado da porta que dava para a sala onde todos estavam inclusive Maxon e uma mulher, que eu não conhecia, de cabelos castanhos e pele bronzeada. Algo apertou meu peito fazendo com que respirar fosse impossível, minha garganta secou.
— Kate? – Manu me chamou, segurando forte meu braço.
— Não. – sussurrei puxando meu braço, dando meia volta em direção a calçada.
Ir embora sem fazer vexame era exatamente o que eu iria fazer, sair do apartamento e sumir era o plano, talvez desejar mal a Maxon também fizesse parte, mas ninguém precisava saber disso afinal, a Kate de dois anos atrás havia mudado completamente e amadurecido. Não relembrei o pesadelo que estava no passado, olhei para frente apenas imaginando o quanto iria demorar para chegar no apartamento, ignorando a dor no peito, mantive na cabeça apenas aonde minhas roupas estavam, aonde havia guardado minha mala, aonde tinha posto...
— Kate! – a voz de Maxon ecoou por todos os lado me fazendo virar rapidamente.
Ele estava parado a meio caminho de mim, olhei para Manu parada frente a porta de casa assim como os irmãos que haviam posto a cabeça para fora, minhas amigas estavam com seus narizes grudados ao vidro da janela e não pude ver aonde a tal morena estava. Voltei a olhar para Maxon erguendo uma sobrancelha antes de me virar e continuar a caminhada, sem baixar os ombros, sem baixar a cabeça, sem mostrar que estava sendo deixada. Eu poderia deixá-lo primeiro não poderia?
Uma mão forte em meu ombro me fez parar, eu poderia sentir o cheiro dele atrás de mim. Maxon me virou respirando ofegante fazendo seu peito subir e descer rapidamente embaixo da blusa social, ele olhou para mim, mas antes que pudesse dizer algo, não pude evitar. Não pude nem ao menos notar quando minha mão foi rápida o bastante para um tapa que nem mesmo ele esperava. Maxon cambaleou para trás levando uma mão ao rosto completamente chocado. Eu poderia ter escutado o som de exclamação vindo da casa, mas não me importava se tinha plateia, não importava se eram seus irmãos, o tapa foi apenas algo que deixei para ele e sua traição.
— Não toque em mim!
— O que? – Maxon exclamou chocado. – Não é nada que você está pensando.
— É claro que não é. – sorri voltando a andar para longe dele.
— Mas não é mesmo. – Maxon gritou ficando para trás. – Eu nunca iria te trair. – parei instantaneamente me virando para ele.
— Ah não me diga. Eu posso adivinhar o que aconteceu, você não conseguiu dizer não e ela te obrigou. Não, isto é ser muito idiota, deixa eu pensar em outra coisa.
— Não Kate. Não foi nada disso. – Maxon disse se aproximando. – Você é péssima com suposições. – cruzei os braços sentindo uma grande raiva crescendo em mim, eu diria que poderia matá-lo com as próprias mãos.
— Então ela é sua colega de trabalho, você a acha bonita e não conseguiu suportar está longe, então resolveu escolher o dia de hoje para levá-la para sair.
— Completamente errado. Eu posso falar o que realmente aconteceu?
— Não. Eu não quero saber.
— Ela é Caitlin Scavenger, uma corretora de imóveis. Nada demais.
— Você está saindo com uma corretora de imóveis? – perguntei elevando a voz em cada palavra, completamente incrédula com a situação.
— Você pirou? – Maxon perguntou unindo as sobrancelhas para mim. – É óbvio que eu não estou saindo com ela... Bem, eu estava sim.
— Eu não quero saber. – falei rapidamente me virando para lhe dá as costas.
— Eu sai para assinar um papel na qual dizia que a casa seria nossa. Escute Kate. – Maxon pediu apressando os passos para ficar em minha frente. – Eu nunca trairia você. Nunca. O que Aaron e Larissa viram foi apenas um aperto de mão e um abraço que eu não consegui evitar. Estava tão feliz que não consegui. – ergui uma sobrancelha sem acreditar no que ele falava.
— O que ela está fazendo aqui?
— Veio trazer isto. – ele respondeu erguendo duas chaves presas em um chaveiro com o formato de coração.
— Por que não estou acreditando nisso?
— Eu queria te fazer uma surpresa, está bem? Seria meu presente para você. Aaron não sabia disso, eu não poderia arriscar contar a ele.
— Ei. Eu não iria contar nada. – Aaron gritou da porta de casa.
— Me desculpa se eu fiz pensar que... – ele parou quando viu minhas lágrimas, mas eu fiz questão de limpar rapidamente.
— Eu fiz um jantar maravilhoso, comprei um vestido caro para usar, acabei um vinho sozinha e você me deixou esperando por duas horas. O que te faz pensar que eu vou desculpar você?
Eu estava realmente com raiva, completamente irritada mas, aliviada em saber que Maxon não me trairia com outra e como se soubesse disso, ele se aproximou o suficiente para me beijar, mas não beijou. Maxon me encarava sorrindo de lado como sempre fazia quando me ouvia dizer que o amava, mesmo eu não tendo dito tais palavras, mas era como se ele soubesse disso sem que eu precisasse repeti-las a cada hora.
— Foi uma tremenda confusão, mas eu nunca, nunca iria te trocar por outra pessoa. E aliás, eu prefiro os jeans.
Pensei rapidamente em ser grossa e perguntar se ele gostaria de outro tapa, até por que o vestido era muito mais apropriado para um jantar do que um simples jeans. Mas eu sabia o quanto aquela calça mexia com ele e o quanto já passou em nossos momentos a sós. Então, erguendo a bandeira branca, sorri levando meus braços a seu pescoço quando ele deslizava suas mãos por minha cintura.
— Eu ainda não vou lhe perdoar por me deixar esperando.
— E eu vou fazer o tempo voltar só para te ver acabar uma garrafa de vinho.
E assim nos beijamos e fomos felizes para sempre. O que não é verdade pois aconteceram muitas brigas cinco minutos depois de nos acertamos. O fato era que nossas vidas não eram e nunca foram contos de fadas, Maxon e eu nos confrontávamos e tínhamos pequenas diferenças que duravam praticamente a noite toda, terminando na cama onde cada um se declarava como se fosse o último dia de nossas vidas. Não éramos felizes vinte e quatro horas.
E agora, tínhamos uma casa, o que seria mais problemas com mudança para planejar, mas tínhamos um ao outro, o que deixava tudo mais excitante.
Ah e o pai Maddox, melhorou dois dias depois.
Felizes para sempre? Nah.
Felizes com brigas, discussões, ciúmes, confrontos e muito sexo para fazer as pazes.
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