Os Contos da Montanha

18 2º Conto — Inconveniência. 16ª Parte


Notas iniciais
Bem, estamos quase no fim. A palavra de hoje foi véu, muito complicada de se encaixar nesse cenário, mas acho que deu certo. E para o glossário desse capítulo, temos: 1 — Amazake :: É uma bebida com o teor alcoólico muito baixo, de sabor doce, feita com a fermentação do arroz.

Depois que todo o chá evaporou da cerâmica, sem deixar nenhum resquício do líquido ou do sal que dissolveu, a nuvem desfez-se junto as imagens que formava. O gato estava com uma expressão confusa, nada fazia sentido para ele, diferentemente do rapaz, que pareceu compreender o que havia se passado.

— O Senhor Katsurou é um deus do comércio? — questionou Daisuke.

— Pode-se dizer assim. — A mulher curvou seus lábios, formando um sorriso discreto. — Por mais que muitas das vezes ele só pense em espalhar sua própria imagem é por conta disso que ele é cultuado pelos homens do Norte, todos aqueles crucifixos e relicários são meros exemplos de sua ganância. — Deixou escapar um suspiro.

A mulher se levantou, pegou seu chapéu e caminhou em direção a porta, enquanto acompanhavam-na com os olhos. Abriu o shōji e, pouco antes de sair para o exterior, que estava imerso na escuridão, olhou-os por cima do ombro.

— Kadenokōji, tomarei providências. — Saiu pela porta de correr que tinha aberto. — Em troca, terá de me arranjar mais daquele ¹amazake doutro dia. Está bem?

Antes do deus responde-la, ela pôs o chapéu e o véu que havia em suas extremidades cobriram seu rosto, e tomou a trilha escura.