Os Cinco Sentidos
8 Capítulo 8 - Eu tenho um cunhado O.o
...
O dia amanheceu chuvoso, nuvens escuras cobriam a cidade. A agua corria pela avenida carregando pequenos galhos e objetos. Haviam poucas pessoas na rua. Eu estava a pé, com um sobretudo preto e um guarda chuva da mesma cor. Meu destino foi o hospital de Lancouver,fui para o andar 58 e vi a linda moça de cabelos negros conversando com uma loira vestida de branco.
– Bom dia garotas — minha voz estava rouca,mais do que de costume. O tempo estranho estava acabando com a saúde de todos.
– Bom dia — responderam juntas.
– Você não é o cara com farinha nos olhos? — A morena me apontou com a caneta que segurava e apertou as palpebras.
– Digamos que aquilo foi um acidente — ri baixo — Vim agradecer a doutora que me atendeu.
– A Meredith? Ou Luci? — A loira se pronunciou.
– A de cabelos claros — Fingi não saber o nome.
– Ah sim, é a Meredith mesmo, ela está de folga hoje.
– Que pena — me fiz de desentendido — vou viajar em 2 horas,queria agradece-la.
As mulheres se olharam desconfiadas e sorriram.
– Prazer, sou Izzie,a pediatra, e esta é Cristina.- Cumprimentei ambas — Vou te passar o endereço dela,mas fica entre nós.
– Ficarei muito agradecido senhorita.
Ela pegou um papel e tomou a caneta das mãos de Cristina. Em três linhas escreveu o endereço.
– Seu nome é...
– Derek.
– Ah sim Derek, talvez você a veja em um momento nada glamuroso, ela acorda meio descabela.
– Eu sei.
Se olharam novamente espantadas e curiosas.
– Você sabe ? — Izzie
– Sei, as mulheres em geral acordam assim.- contornei a pergunta e elas deram uma gargalhada.
– Claro,bobagem nossa pensar que a Me..
Mas a frase foi enterrompida por uma mulher de aproximadamente 40 anos,cabelos castanhos e óculos grandes que se aproximou da mesa, tamborilou os dedos e olhou para Cristina com um olhar calmo.
– Cristina, ligue para a Grey e diga que Ísis está cega, por erro médico.
O papel que eu tinha nas mãos deslizou e pousou no chão. Tentei entender o que havia acabado de escutar. Sabia quanta expectativa Meredith havia colocado naquela menina e agora,por culpa dela, a garota jamais voltariaa enxergar.
- Isto não pode ter acontecido — Izzie passou a palma das mãos nos fios claro — A Meredith vai ficar arrasada. Quer que eu ligue Cristina ?
Me abaixei,peguei o papel com o endereço e baguncei o cabelo.
– Será que podem dar esta noticia mais tarde? Daqui a umas 4 horas talvez...- as três me olharam curiosas — Por favor meninas, voces estão tão lindas, sei que farão isto por mim — beijei a bochecha delas,sorri e caminhei para a saida ainda ouvindo os comentarios..
– Que gracinha ele — a mais velha disse
– Gracinha? Jura? Sentiram o perfume? – Riram
Minhas fãs..o que fazer com elas..mas havia uma que iria precisar da minha ajuda, fisicamente e piscologicamente.
Debaixo dos pingos grossos de chuva corri para uma locadoura de DVDs ( sim,elas ainda existem) e aluguei um dos meus filmes preferidos de comédia. Acho que dramas não cairão bem daqui a algumas horas. E assim fui caminhando ,tentanfo fugir da agua, andando rente a parede de forma que os toldos das lojas me cobrissem e servissem de guarda chuva, já que o meu havia voado por ai a minutos atrás..é, já não se fazem armações de guarda chuva como antes,de fato.
O endereço não era muito longe e por algum motivo pressenti que já havia visto o nome do edificio em algum lugar, alias, que edificio.
Na portaria um cara desligado,que mascava algo e tinha no rosto um óculos com lentes grandes e arredondas me olhou de cima abaixo. Entrei na guarita.
– Senhor,eu preciso subir.
– Qual é o seu nome ?
– Derek — respondi pela segunda vez no dia,e olha que ainda era de manhã, fazendo as contas, até a meia noite eu teria dito meu nome cerca de 12 vezes.
Ele anotou o que eu supus ser meu nome e se virou novamente para mim.
– Para que apartamento o senhor vai ?
– É uma surpresa, se eu lhe falar você ligará para a pessoa e informará minha subida não é? — Claro, eu nem sei por quê ainda pergunto.
– Sim, são as normas.
Parece que no mundo ainda existem pesoas que não sabem o significado da palavra''surpresa''. Graças a este velho barbudo eu não conseguiria pegar Meredith desprevinida,tanto sacrifício para nada.
Me encarou por mais alguns instantes esperando que eu falasse mais alguma coisa e eu estava a dois passos de fazer isto mas a voz de uma pessoa conhecida me chamou a atenção.
– Jaime, se mamãe perguntar não diga a ela que...- parou a frase e eu me virei para ver quem era a garota — Derek?
– B-Bianca ? O que você esta fazendo aqui ?
– Céus, quando você voltou ? A mamãe já sabe? Minha nossa, ela vai ficar radiante — a adolescente com cabelos negros na altura dos seios me olhava com os olhos saltando.
– Não,ela não sabe, Bianca, o que você está fazendo aqui ? — Eu estava, digamos, surpreso.
– Moramos aqui seu idiota. — largou o guarda chuva do lado de fora da guarita,entrou e me abraçou deixando a si mesma molhada. — Eu estava com tanta saudade.
– Eu tambem — Acarinciei seus fios — você está se molhando.
– Não importa, vamos subir — puxou a manga do meu sobretudo e foi então que tive uma idéia explendida, digna de um agente 007, ok, talvez digna de um super heroi, algo assim. Uma ideia tão 'ideal' que eu até me assustei, ela era simples.
– Bia, diga ao porteiro que vou subir com você, preciso ver uma garota, não vim ver a mamãe hoje.
– Como não?
– Por favor, me ajude, prometo que explico depois.
Ela cerrou os olhos e bateu as mãos na roupa se afastando de mim. Ergueu a cabeça e por cima dos meus ombros falou;
– Jaime, estamos subindo.
Haha, meu plano incrível havia dado certo pois o homem apenas nos olhou e assentiu.
Entrei com ela que me largou em frente ao elevador.
– Você tem sorte de que a mamãe esta na igreja, se ela te visse aqui já teria te levado amarrado lá para casa.
– Ela continua religiosa? — Bianca assentiu — Bom, não diga nada a ela, voltarei no fim de semana.
– Não vou dizer nada para a mamãe ? Você é louco? Ela até está preparando um jantar para te receber.
– Pelo amor de Deus Bia, faço o que eu peço.
A morena colocou a mão na cintura e me olhou com um ar de garotinha brava.
– Eu deveria saber que você não veio por nós.
– Você continua reclamona.
Ela riu e apontou a cabeça para o elevador que acabara de abrir as portas.
– Vai lá Derek, boa sorte, e espero que você não suma de novo.
– Não vou sumir — coloquei o pé na porta do elevador para que ele não fechasse — E você para onde vai nessa chuva?
– Para casa do meu namorado.
– Hã? Namorado ? Que namorado? Você não tem idade para isto.
– Já tenho 17 querido — elevou o queixo — E você, não vai arrumar uma esposa e ter filhos?
Ah claro, vou procurar alguma louca que se apaixone por mim ao ponto de esquecer a vida que levo e me querer como pai dos seus filhos.
– Quem sabe..mas venha cá me contar desse cara.- elevei um pouco a voz ao vê-la sair sem ao menos ligar para o que eu tinha a dizer.
Como assim minha irmã estava namorando ? Ela era muito nova para isto. Quem era o canalha que havia a persuadido? Foi só eu me afastar por alguns anos que algum imbecil se aproveita da minha bebe?
Entrei totalmente no elevador e continuei pensando e tentando digerir o que acabava de se passar. Meu Deus, eu tenho um cunhado. Acho que me suicidar não é tão ruim assim.
Perdido em meus pensamentos, mal pude notar quando novamente vi na minha frente um enorme corredor, sai e vi que ali só existiam apenas duas portas. Nem precisei olhar novamente o papel para saber a qual eu deveria me dirigir, já que havia o analisado milhões de vezes para achar o prédio,estava tudo gravado em minha mente.
Fui até lá, parei em frente a porta branca com relevo. Coloquei o polegar no olho magico na parte superior. Respirei, encostei meus dedos no interruptor da campainha.. os retirei, respirei mais um pouco.
E nesse exercicio anti-ansiedade novamente minha mente trabalhava a mil. Eu estava sendo tão estúpido. Ela tem vergonha de mim, falou que não quer ser vista ao meu lado. Eu entenderia isto de qualquer outra pessoa, mas não de Meredith. Não sei qual o motivo, mas no fundo,eu não queria acreditar que ela, justamente ela, havia me dito aquilo. Uma estranha insegurança começou a me dominar, e se ela me expulsasse de lá a ponta pés? Isto não seria nada bom, mas eu estava preparado para qualquer reação que Meredith tivesse quando me visse ali.
– Derek? O que você esta fazendo aqui a esta hora ? — Hhm, talvez a porta pudesse ter sido aberta mais devagar para eu ter tempo de me preparar para isto.
Ok, assumo, eu não estava preparado para vê-la daquele jeito.Se ela ficava sexy quando estava vestida de médica, posso lhes garantir que nada superava a cena que estava diante dos meus olhos.
Um blusão de algum time de futebol americano desconhecido cobria-lhe até as coxas, de modo que eu supus que havia um short curto por baixo. Cabelos soltos e totalmente desgrenhados, até mais do que quando ela havia cochilado no meu apartamento.
Olhos inchados denunciavam o sono interrompido, meias brancas e o mais fantástico; Ela estava sem nenhum tipo de maquiagem.
Tudo bem, talvez um pó , mas 90% de mim dizia '' Ela está sem maquiagem ''. Foi meio dificil ter 100% de certeza, já que Meredith continuava tão linda.
Pelas barbas de Zeus, aquela não era a mesma Meredith que eu conhecia, minha Meredith — esta expressão se deriva de 'minha cliente' não pensem que a considero minha,jamais. — estava simplesmente perfeita.
Levei um tempo até associar tudo.
– M-Meredith ? — Eu sei, deveria ter encaixado mais alguma palavra para me apresentar, mas eu estava meio 'engasgado'.
– Como conseguiu meu endereço ? O que você faz aqui ? Era só o que me faltava..- Continuou despejando todas as perguntas de modo agressivo.
– Me deixe entrar que eu respondo a tudo — Sorri com um dos meus típicos sorrisinhos canalha que as mulheres tanto gostavam.
– O que? Não vou te deixar entrar na minha casa.
– Tecnicamente isto é um apartamento.
– Arrrh — soltou a porta e me deu as costas a deixando aberta, talvez isto soasse como um ''Entre Derek, sinta-se em casa '' .
E foi exatamente isso que eu fiz, entrei.
– Hey, eu mandei você entrar ?
– Tecnicamente você deixou a porta aberta quando sabia que eu esperava um sinal que me desse livre acesso.
– Que se dane seus ''tecnicamentes'' .Saia daqui agora e deixe estes sapatos longe do meu tapete.
Foi ai que eu me dei conta do aspecto do lugar onde estava. Era tudo tão branco que eu poderia facilmente dizer que aquilo ja havia sido algum tipo de laboratório ou algo assim. Paredes, móveis tapete..tudo no mesmo tom.
Meredith saiu pelo corredor e eu bom, eu continuava impressionado com a falta de alguma coisa que fugisse da brancura. Acho que até seria capaz de perder Meredith de vista, já que ela era tão branca quanto o ambiente.
Mas não, não a perdi de vista, ela voltava com um rodo em uma mão e um balde com um pano submerso em outra. Os estendeu para mim e tombou a cabeça para o lado.
– Não me interessa o que veio fazer aqui, você vai dar meia volta e sair, mas antes — Suspirou forte e olhou para o chão — Limpe a sujeira que fez.
Abaixei minha cabeça e a virei para trás. La estava a trilha de barro feita por meus pés.
Respirei me sentindo um completo imbecil , retirei os sapatos os colocando em um canto da sala, peguei os objetos de suas mãos e limpei o local sujo .
Ela saiu não fazendo a minima questão de me dizer 'Hey Derek, quando terminar me avise para eu lhe oferecer ao menos uma gorjetinha'' .
Ridículo,eu sei, mas era só o que faltava. Não demorou nem 5 minutos e a mesma voltou agora com os cabelos presos.
– Você sabia que existe tinta das mais variadas cores? — Apontei com o rodo para as paredes.
– Você já terminou ? Pode sair, aproveite e leve sua irônia junto.
– Por isso que você é tão ranzinza e mal humorada, tem que dar mais cor ao seu mundo — falei tentando passar um tom de despreocupação.
– E você deveria dar sua opinião para quem a pediu.
Uma ruga se formou em sua testa e o labios se comprimiram em um biquinho suave. Já havia notado estes detalhes que se faziam presentes sempre que ela estava irritada.
– Hey, aqui estamos só nós dois, pode voltar a ser a menina doce que eu sei que você é — não, eu não sabia, talvez ela até fosse menos 'azeda' mas com ceteza doce não era.
Bom, se for pensar pelo lado sexual..talvez doce fosse uma palavra que se encaixasse...aquele gosto que eu havia provado.. Não acredito que pensei nisto.
Fale com o autor