Notas iniciais
essa é a sétima fic da série "Os Quatro Reis e o Forasteiro"
boa leitura

Já fazia um mês desde que Hajime e Sakura começaram a se encontrar escondidos e eram muito bem sucedidos em disfarçar seu relacionamento. Encontravam-se todas as noites na biblioteca, aonde as carícias dos dois tornavam-se mais entusiasmadas, as investidas de Hajime mais insistentes e as recusas de Sakura menos resistentes.

Nesse mesmo tempo, Hajime descobriu o romance secreto de Amyoma com o jovem forasteiro Tomo e ele vinha se aproveitando da situação pra conseguir que a princesa fizesse coisas pra ele em troca de seu silêncio.

Numa das noites que Sakura e Hajime foram se encontrar, Amyoma os escutou dando risadinhas abafadas no corredor, antes que Sakura fechasse a porta do quarto. Ela se levantou, colocou o robe por cima da camisola e seguiu os sons até a biblioteca.

Ela se escondeu atrás de uma das estantes e ficou assistindo os dois, em silêncio. Pôde ver claramente quando Hajime puxou Sakura pra si e a beijou ardentemente, encaixando-a em seu corpo, antes de sentá-la sobre a mesa e apimentar seus carinhos, enquanto ela perdia seus dedos nos cabelos dele.

“E ele fala de mim e Tomo! Como você consegue ser tão hipócrita, Hajime? Olha só como está se agarrando nela...”

Hajime foi beijando o pescoço de Sakura até o colo dela, quase se deitando por cima da garota na mesa, seus braços prendendo a cintura dela, suas carícias arrancando suspiros e gemidos da garota.

-- Ai, Ji – Sakura ofegou de olhos fechados, puxando o pescoço dele.

Amyoma segurava o riso pra não ser descoberta pelos dois amantes. Hajime debruçou-se sobre o corpo de Sakura e sussurrou em seu ouvido:

-- Meu amor – Sakura ofegou mais longamente ao tê-lo tão próximo, pressionou os lábios dele com o dedo indicador e arrancou-lhe a camisa, depositando em seu peito beijos e mordidas que o fizeram arquear um pouco o corpo e descompassaram sua respiração. – Vamos lá pro meu quarto, meu amor...

“Que descarado! Ah, Hajime, olha só o que você está querendo fazer a minha dama de companhia, hein?”

-- Ji... – Sakura gemia contra a pele alva do peito dele, sentindo-o deslizar as mãos por todo o corpo dela. – Ji...

-- Eu sei que você também quer, meu amor... – ele mordiscou o pescoço dela e depois lambeu a marca deixada ali.

-- Espera só mais um pouco, Ji... Hoje não, por favor...

-- Sempre é “hoje não”, Sakura – ele lamentou-se, choramingando, subindo os lábios até o queixo dela e descendo até o colo. – O que mais eu preciso fazer pra você acreditar que é só você que eu amo?

-- Tenha só mais um pouco de paciência, Ji... – Sakura voltou a morder o peito dele, fazendo-o ofegar e perder a razão.

“Ela deve estar enrolando Ji há um bom tempo ou ele não estaria nesse estágio... Há, há, há!”

Hajime afastou Sakura de seu peito e passou a deslizar os lábios dele na pele dela, beijando, mordendo e lambendo, até chegar entre seus seios. Amyoma decidiu que era melhor ela subir antes que fosse descoberta ou presenciasse algo “desagradável”.

Sakura demorou muito tempo pra voltar pro quarto que as duas dividiam, eram quase cinco da manhã.

“Agora entendo como eles conseguem fingir durante o dia, passam a noite inteira se agarrando...”

Amyoma se levantou às oito horas e se arrumou para o café da manhã. Sakura estava muito sonolenta.

Nenhum dos quatro reis tinha se levantado ainda e a princesa sentou-se com a dama de companhia à mesa.

-- Nossa Sakura, não tem dormido bem?

-- Ah, é que eu perdido o sono todas as noites...

-- Por quê? Está com alguma preocupação?

-- Não. Eu acho que tenho... Dormido de mau jeito, só isso. Não precisa se preocupar, Mimi!

-- Ah, que engraçado, só Ji me chama de Mimi!

Sakura ficou muito vermelha, mas antes que respondesse alguma coisa, Kinotto entrou no cômodo e um pouco depois Kyuske e Mitsoginoto também se sentaram para o café.

-- Hajime ainda não se levantou? – bradou Kinotto. – Ele está saindo da linha!

-- Eu vou chamá-lo – Amyoma correu até o quarto de Hajime.

Ele ainda estava deitado, mas percebeu a presença dela.

-- Bom dia, Mimi. Será que você traria meu café aqui?

-- Não – Amyoma respondeu séria.

-- Não, é? – Hajime olhou-a provocador. – E o que você acha se eu contar ao Kinotto sobre o seu namoradinho forasteiro? Tomo, não é?

-- Você não vai fazer isso – ela respondeu, secamente.

-- E eu posso saber o que me impediria?

-- Se contar, conto que vi você e Sakura ontem na biblioteca dele! – Hajime ergueu-se depressa e olhou espantado para o sorriso triunfante de Amyoma.

-- Será que eu posso fazer algo pra você, Mimi? – Hajime disse, com um sorriso falso e a voz esganiçada, enquanto Amyoma se divertia com isso.

-- Ah, Ji, agora é a minha vez. Que tal você começar me fazendo aqueles bolinhos que eu adoro, hein?

-- Mas dá um trabalhão...

-- Então, o que será que Kinotto vai achar de você agarrando minha dama de companhia na biblioteca dele?

-- Não, não pode fazer isso! Kinotto me mataria e expulsaria Sakura daqui!

-- Eu quero bolinhos recheados, Hajime – Amyoma se levantou da cama dele, mas ele segurou seu braço.

-- Você não fará isso, Sakura é sua melhor amiga, vai poupá-la e não terá coragem de nos entregar!

-- Ah, não é? Quer então pagar pra ver? Devia ter pensado antes de me chantagear, Hajime!

-- Mas é diferente...

-- Eu sei, Tomo e eu andamos de mãos dadas, você está tentado trazer minha melhor amiga pro seu quarto! Kinotto ficará furioso se eu lhe disser que o “altar da sabedoria” tem sido o seu motel!

-- Não, Mimi, não é isso – Hajime disse, desesperado, fazendo-a sentar. – Eu amo Sakura e eu faria tudo por ela, não é apenas um de meus caprichos, acredite.

-- Eu também amo Tomo e nem por isso se compadeceu de nós, Ji! Suas chantagens endureceram meu coração.

-- Eu farei o que quiser, mas, se alguém ficar sabendo, Sakura nunca mais falará comigo... Eu não posso suportar isso, Mimi, ela não quer que ninguém descubra.

-- E por que não? – Amyoma mantinha a postura fria, mas o desespero de Hajime lhe causava um mal estar.

-- Diz que é errado uma dama de companhia se envolver com um rei. Que a mandariam pra forca ou qualquer coisa assim e que eu devia me apaixonar por uma princesa e parar de dizer que a amo. Mas, quando está em meus braços, eu sei que nada disso é verdade. Sei que ela me ama tanto quanto eu a amo e que ela é a única mulher pra mim!

-- Bom, nós dois veremos quem é mais resistente nesse jogo!

-- Amyoma...

-- E é melhor Sakura não tomar conhecimento de nada disso. Se minha melhor amiga parar de falar comigo porque eu estou chantageando o seu “precioso Hajime”, você sofrerá as consequências, entendeu?

-- Como foi que nos descobriu?

-- Ouvi os dois indo pra biblioteca ontem a noite e os segui.

-- Mas nem Kinotto nos escutou. E olha que já faz um mês...

-- É, mas Kinotto não divide o quarto com nenhum dos dois!

-- Tem razão...

-- E vocês estão juntos há um mês? Como você é descarado, me chantageando porque eu estava namorando escondido, enquanto você se divertia, fazendo pior do que eu.

-- Opa, não é diversão. E não vem com essa conversa de “pior que você”, porque você está “namorando” um forasteiro, não sabemos de onde ele veio, quem ele é, o que ele pretende...

-- Ele é meu amor e pretende se casar comigo!

-- Isso é o que ele diz...

-- Não admito que fale assim dele, Hajime! Mais uma palavra e eu conto a todo mundo o que andou fazendo no último mês!

-- Tá bom, tá bom! Quando se trata de chantagear você é pior do que eu! Vai, vamos descer, já que eu não terei meu café aqui...

-- Não se esqueça dos meus bolinhos!

-- É, é, tá bem! Acordei disposto a lhe fazer bolinhos!

-- Ótimo. E eu vou ficar de olho em você, se fizer Sakura sofrer... – Hajime virou-se na escada, com um olhar mortífero pra Amyoma.

-- Eu prefiro morrer – ele sussurrou. – E fale baixo!

Os dois entraram na sala onde todos ainda tomavam café, muito calados. Kinotto ergueu os olhos de seu café e encarou Hajime com seu olhar de reprovação.

-- Essa é a quinta vez, Hajime! Pra alguém que não faz nada, não devia ter tanto sono.

-- Bom dia pra você também – Hajime respondeu, mal humorado, se dirigindo pra cozinha.

-- Não vai tomar seu café? – Kyuske perguntou, com sua voz sibilante.

-- Amyoma e eu queremos olinhos...

-- E por que não pede a alguém que prepare? – Mitsoginoto perguntou, incomodado.

-- É porque só Hajime faz do jeitinho que eu gosto! – Amyoma respondeu, se sentando em sua cadeira e piorando o desgosto de Mitsoginoto.

-- Engraçado, porque eu acho que ontem, vi você fazendo o café de Hajime e hoje ele acorda disposto a fazer seus bolinhos? Tem alguma coisa acontecendo por aqui? – Kinotto perguntou, desconfiado.

-- É claro que não, Kinotto. Se você tivesse mais amigos, saberia que é assim que uns agem com os outros...

-- Nessa ela te pegou – Mitsoginoto riu da cara que Kinotto fez ao ouvir aquele comentário.

-- Eu concordo com Kinotto, essa história está muito mal contada – Kyuske sibilou, atrás de sua xícara, de olhos fechados.

-- Concorda? – Amyoma perguntou, espantada e divertida. – Salvem-se quem puder! O castelo vai desabar!

-- Muito engraçado! Todo esse seu bom humor também é muito suspeito, Amyoma – Kyuske disse, erguendo as sobrancelhas e encarando uma Amyoma de expressão indignada e, ainda assim, bem humorada.

-- Eu sei que vivo presa dentro desse castelo, Kyuske, mas eu não vou deixar que isso abale o meu humor!

-- Vai começar... – Kinotto resmungou, por trás de sua terceira baguete com presunto e queijo.

-- O que quer dizer, Kinotto? – ela disse, virando-se pra ele.

-- Que você sempre dá um jeito de insinuar que vive como uma prisioneira aqui e que é vitima da minha “irracional autoridade”, como se eu a impedisse de viver a sua vida livremente sob a máscara da preocupação! Não era isso que ia dizer?

-- Se você me deixasse ao menos conhecer o meu reino... Eu nunca vou além desses muros, Kinotto!

-- Já cansei de lhe dizer que isso é completamente desnecessário!

-- Vão acabar me matando sufocada aqui dentro.

-- Não seja dramática. Tem tudo o que precisa aqui.

-- Nem tudo...

-- Então me diga o que lhe falta. Diga e eu buscarei.

Amyoma bufou enfurecida, seus olhos faiscaram contra os de Kinotto. Ele simplesmente voltou ao seu café. Mitsoginoto afagou os cabelos da princesa, tentando acalmá-la.

-- Não fique assim – ele sussurrou, vendo os olhos dela tornarem-se entristecidos passada a fúria. Servindo-lhe um pouco mais de leite, Mitsoginoto tentou deitá-la em seu ombro, mas Hajime entrou trazendo os bolinhos e desviou a atenção dela.

-- Pronto, pode se acabar. Recheei-os com morango, chocolate e baunilha, como você gosta, Mimi! – o estranho comprometimento serviçal de Hajime intrigou ainda mais os outros reis.

-- Você está aprontando alguma, Hajime e sabe que eu descobrirei – Kinotto levantou-se com uma quarta baguete, dirigindo-se a biblioteca, sem deixar de dar um tapinha na cabeça de Hajime. – Sabe que não esconderão nada de mim!

Assim que Kinotto saiu, Hajime fez uma careta em direção a porta que fez até Kyuske rir, antes de se levantar também.

Hajime sentou-se pra tomar café, com dois bolinhos em seu prato, que ele não tocou até Mitsoginoto se retirar e, aproveitando um momento de distração de Amyoma, passou um deles a Sakura, que lhe sorriu.

-- Por que você sempre fica assim? – ele perguntou, despertando Amyoma de seus pensamentos.

-- Assim como? – ela respondeu, confusa.

-- Entristecida quando Kinotto banca o super protetor.

-- Super protetor uma ova! Ele é meu carcereiro e vocês são todos cúmplices dele!

-- Eu? – Hajime engasgou.

-- É, você também! Devia me ajudar, me defender!

-- Que poder eu tenho contra Kinotto, Mimi?

-- Eu também não tenho nenhum, mas eu não fico calada quando ele comete essas injustiças!

-- Se rebelar contra ele só vai piorar a situação.

-- Como você é covarde! – ela disse, virando-se de costas pra ele, emburrada.

-- Não é covardia. Mas, com Kinotto, há outros meios de se conseguir o que quer. Você só precisa ter paciência.

-- Pois eu acabei com todo meu estoque de argumentos. Se você sabe de uma maneira de convencê-lo, ponha já em prática.

Hajime ergueu as sobrancelhas, espantado. Amyoma não lhe sorria amigavelmente e, apoiando o rosto na mão, ela inspirou tristemente.

-- Eu daria tudo pra não ser mais princesa!

Hajime baixou os olhos e terminou seu café em silêncio, sabia que de nada adiantaria falar depois dessa exclamação de Amyoma, pois ela não escutaria nada, além de seus próprios sonhos de liberdade.

Notas finais
mereço reviews???
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!