Os Cavaleiros do Zodíaco - After Hades
17 Conclusão
Notas iniciais
RAFFAL
– Todos vocês, reagrupem aqui!! — Gritou Ryuji. Sérgio, Edward e Silica recuaram primeiro, deslizando de costas pelo gelo até ficarem atrás do cavaleiro de prata. Jacó ainda tentou alguns golpes contra Luna, que desviou de todos. Por fim, os dois cavaleiros de bronze reagruparam. Jabu também veio em seguida – Escutem, todos vocês!! Jacó, Jabu e Raffal, quero que vocês deem combate para a Luna! Enquanto isso – Disse ele, apontando para Sérgio, Silica e Edward – Vocês irão até o Lucas, e tirarão aquela flecha maldita dele!
– C-certo! – Disse Silica, nervosa – Mas e você, vai fazer o que?
– Eu tenho um plano, preciso que confiem em mim! Vão agora!! – Gritou o cavaleiro de taça, e todos se colocaram em movimento.
Raffal, Jacó e Jabu fizeram uma linha de três, com Raffal pelo flanco direito, Jacó pelo esquerdo, e Jabu no centro. Luna se colocou em posição de luta com o cosmo elevado, e avançou para a formação. Ela saltou do gelo e desceu com um chute rodado até Jabu, que defendeu com os braços cruzados. A formação parou. Quando Luna caiu no canal congelado, Jacó aproveitou e atacou.
– Estacas de Gelo!! – Disse ele, atacando o chão com as mãos abertas. Nesse momento, várias lanças pontiagudas de gelo surgiram subindo das águas congeladas, buscando empalarem Luna na superfície congelada. A mesma saltou para trás no último momento, se esquivando de todas as estacas. Pegou novamente o Arco de Ártemis, e tirou uma flecha marfim da Aljava. Soltou-a em direção a formação. No momento em que seriam atingidos, uma parede de gelo surgiu na frente dos cavaleiros, protegendo-os da seta da inimiga. A mesma se fincou no gelo, mas não o ultrapassou.
– Obrigado, Ryuji!! – Gritou Jacó – Vamos com tudo pessoal, o Ryuji irá nos dar cobertura!!
Finalmente compreendendo a estratégia de Ryuji, Raffal foi.
Avançou com um soco no ombro descoberto de Luna. A satélite guinou para trás, desviando, e tentou um soco no rosto de Raffal para contra golpear. Porém o cavaleiro de bronze viu o golpe e se abaixou, esquivando-se do punho da satélite negra. Nesse momento, Jabu saltou e desceu sobre ela com um golpe com as mãos arqueadas. Luna tentou se esquivar, até ver que estava presa. Gelo crescia por suas pernas. “Ryuji novamente”, pensou. No momento em que Jabu iria atingi-la, Jacó a Raffal saltaram para longe, esquivando-se do impacto do ataque. Dois cosmos se elevaram e explodiram. Um rombo se abriu no gelo, e uma onda de vácuo percorreu todo o canal congelado. Poeira, gelo e neve se misturaram, e a visão de todos ficou embaçada. Em uma atmosfera de tensão, medo, confiança e outros sentimentos se entrelaçaram ao mesmo tempo no coração do cavaleiro de bronze. “Essa é uma batalha verdadeira – Percebeu – As chances de morte aqui são reais... Tenho que tomar cuidado...”. Por fim, quando a poeira baixou e o frio quase congelou os ossos de Raffal, ele pode ver o que tinha acontecido.
Luna tinha sua mão atravessando coração do cavaleiro de prata, que estava de joelhos, com sangue saindo da boca e também do ferimento. O punho de Luna estava completamente negro, envolto em um cosmo maligno, e assustadoramente poderoso. Raffal não conseguia acreditar. Ficou observando, estático. Jacó caiu de joelhos, e lágrimas escorriam pelos seus olhos. Ao lado, Lucas estava de joelhos, ofegante. Sérgio, Silica e Edward estavam com os dois, e também desciam lágrimas de seus rostos cansados da batalha. Contudo, quando Luna viu Lucas acordado, retesou-se. Retirou a mão do corpo de Jabu, que já desfalecido caiu no solo gelado. Pegou o Arco de Ártemis, tirou uma flecha da Aljava e a soltou em direção ao cavaleiro de prata. Todos estavam sem reação, após a morte de Jabu ter acontecido assim, tão de repente.
Raffal foi o único que conseguiu fazer algo.
O cavaleiro de dragão deslizou pelo gelo e interceptou a flecha, detendo-a com o escudo do dragão. O impacto o arrastou alguns metros para trás, mas ele manteve a postura bem.
– Você está bem, Lucas? – Disse o cavaleiro de dragão, concentrado.
– S-sim, Raffal. Estou apenas um pouco cansado... O que eu vi... Por Atena, que golpe maligno ela tem...
Ele se levantou, e ficou ao lado de Raffal.
– Sua maldita... Como você consegue brincar com os sentimentos de uma pessoa assim!! – Disse ele. O seu cosmo de cavaleiro de prata inflamou-se, e ele saltou rente ao solo em direção a ela. Deu um soco, esquivado por Luna, que acertou o cavaleiro com um balanço usando o Arco de Ártemis. O cavaleiro cambaleou, e ela buscou matar Lucas. Elevou o cosmo e atacou com seu punho, que voltou a ficar negro, coberto novamente por um cosmo maligno.
– Beijo da Tortura!!
O punho da satélite avançou para empalar Lucas, que não tinha poder de defesa ou velocidade para desviar a tempo, abalado por causa da Flecha dos Anjos. Raffal estava longe, e também não poderia fazer nada. Fechou os olhos, esperando que um milagre acontecesse.
Escutou o som do sangue batendo no gelo.
Edward tinha entrado no meio do golpe, e o empalado foi ele, e não Lucas. Seu sangue rubro escorria em vários filetes até o solo, descendo pelo peitoral e pelas costas do aprendiz de cavaleiro.
– P-por que, Edward?! – Disse Lucas, em estado de choque.
– P-pela amizade, meu amigo... – Caiu de joelhos – Lute... Lute, defenda nossos amigos... Proteja-os... Não morra, Luc... – Luna tirou sua mão negra do coração de Edward, que caiu desfalecido no solo. Andou devagar até Lucas. Ela sabia que ele não tinha poder de reação. Ele estava paralisado. Não apenas ele, mas todos ali. Lágrimas escorriam salgadas pelos olhos do cavaleiro de cefeu, mas ele não tinha nenhuma reação que não fosse essa. Simplesmente havia desistido. Caiu de joelhos, observando o corpo do amigo morto.
– NÃÃÃÃÃO!! – Gritou Lucas, desesperado.
– Morra, verme – Disse Luna, atacando com seu punho. Desta vez, não houve ninguém para se interpor entre os dois. Não foi necessário.
Em um segundo, Sérgio estava nas costas de Luna.
Ele segurou o braço da satélite negra, e a arremessou para longe de seu irmão. Ao ser jogada, o Arco de Ártemis caiu no solo. Do aprendiz de cavaleiro, emanava-se um cosmo poderosíssimo, completamente diferente do cosmo anterior que ele emanava. Ele brilhava em uma mistura de rubro e laranja, e pulsava com as batidas de seu coração. Literalmente pulsava, e as ondas eram sentidas em todas as direções.
– Você que irá morrer, maldita – Falou ele, andando calmamente em direção ao Arco. Pegou a relíquia, e imediatamente, uma aljava apareceu em suas costas.
– C-como?! – Disse Luna, agora assustada – É impossível que alguém possa usar o Arco de Ártemis! Apenas as satélites ou a própria Ártemis podem sequer empunhar o arco!!
– Huh, você não sabe de nada, sua imbecil. Não está vendo o Arco em minhas mãos?
Raffal estava perplexo. Tentou entender a situação. Lucas agora estava desmaiado novamente, com Silica chorando ao seu lado. Viu que uma flecha prateada estava fincada em seu peitoral direito. “Ela ainda conseguiu atingi-lo?!”. Geki, Jabu e Edward haviam sido derrotados. Ryuji e Jacó estavam ali, de pé ao lado de Raffal.
– Pessoal, vamos atacar... – Disse Ryuji, baixinho.
– Certo... – Respondeu-lhe Jacó. Estavam todos apreensivos.
– Ao meu sinal...
Sérgio retirou uma flecha marfim da aljava, e todos ficaram paralisados. Ele colocou a mesma no Arco de Ártemis, e mirou em Luna. A mesma pareceu finalmente acordar de um transe, e empunhou o seu próprio arco, invocando uma flecha prateada.
As setas voaram.
Sérgio foi atingido no peitoral direito, assim como o irmão, e caiu de costas, desacordado. Todo o cosmo que ele emanava sumiu em um piscar de olhos, e o Arco de Ártemis deslizou pelo gelo, sem dono. Luna foi acertada no ombro esquerdo, e a armadura foi estraçalhada, deixando os dois ombros da satélite expostos não só o frio, como também aos golpes. A satélite negra cambaleou e caiu para trás. Virou-se no gelo, ficando de joelhos. Arrancou a seta marfim de seu ombro, e jogou-a no chão. Ela sangrava pelos dois machucados, viu Raffal.
– Raffal, não deixe que ela pegue o Arco de Ártemis!! Jacó, comigo!! – Disse Ryuji.
Raffal correu até o arco, e tentou pegá-lo. Contudo, ao tocar na arma, suas mãos se queimaram na hora. Olhou para Sérgio, imaginando como ele havia empunhado o Arco de Ártemis com tanta maestria, mesmo sendo um aprendiz de cavaleiro de Atena. Foi até ele, quebrou a flecha prateada em duas, e retirou a seta com todo o cuidado. Procurou observar a batalha, Jacó trocava socos com a já machucada Luna, que mesmo assim revidava com uma habilidade superior a do cavaleiro de bronze. Por trás, Ryuji dava cobertura ao companheiro de treino, arremessando lanças nos pontos cegos de Luna, tentando-a empalá-la, ou simplesmente impedindo-a de revidar os golpes de Jacó com uma precisão maior. “Uma bela estratégia... – Pensou Raffal, em silêncio — Eles são como uma equipe... Bem diferente do que eu e meu irmão somos...”.
Finalmente, Luna saltou e lançou flechas negras até os cavaleiros, que desviaram de todas. Ela pousou escorregando no canal congelado, ofegante. “Ela está cansada. Não consegue mais invocar as flechas prateadas...” Raffal pensou em ataca-la de surpresa até ver o seu punho negro. Ela elevou o cosmo, e o cavaleiro de dragão pode sentir a sua intenção assassina. Ela não buscava mais nada. Não tinha mais honra, mais dever, mais nada. Só tinha uma coisa a fazer. Matar Ryuji. Contudo, o mesmo não apresentava medo. O cavaleiro de prata tinha um semblante de força e firmeza, semelhante a confiança que apresentava quando Raffal e os outros entraram no combate.
– Afaste-se daí, Jacó!! – Disse Raffal, e o cavaleiro de cisne atendeu ao seu pedido. O mesmo saltou para trás, ficando a direita do corpo desmaiado de Sérgio.
– Você me odeia, Luna? – Disse Ryuji, debochando.
– Seu maldito – Sibilou ela – Eu irei acabar com você com toda a minha força!! Eu juro, por todas as honrarias celestes do Monte Olimpo, que você não sairá vivo daqui!!
– Huh, não sabia que as honrarias do Olimpo valiam tão pouco... – Disse ele, abrindo os braços e as mãos. Seu cosmo começou a elevar-se, e elevar-se, e elevar-se... “Esse nível de poder... Será que é o...”
Luna avançou até ele, gritando de ira como uma louca.
O cosmo de Ryuji condensou-se abruptamente, de um modo completamente surreal para Raffal. Expandiu-se cada vez mais, e a explosão de cosmo do cavaleiro de taça envolveu toda a cidade de Veneza.
– Este é o seu fim, satélite negra!! Sinta agora, o golpe mais poderoso de Ryuji de Taça!! – O cosmo de Ryuji explodiu, e um universo surgiu no canal de Veneza. Constelações, cosmo, universo, estrelas, era tudo uma só coisa, se espalhando e abrangendo todo o lugar. Ryuji emanou um poder inigualável, e por um segundo, seus punhos realmente poderiam rasgar estrelas, e seus golpes eram rápidos como a luz. Seu cosmo brilhou, brilhou, brilhou, e Raffal pode ver atrás dele a Taça, a sua constelação guardiã – Furacão de Gelo da Lótus Branca!!
Os braços de Ryuji se cruzaram, e milhares de lanças congeladas formaram um tufão de gelo no meio do canal. O sol nasceu na Itália, e um espetáculo sem igual foi proporcionado. O cosmo de Ryuji explodindo, juntamente com a luz da aurora da manhã, e os raios de sol brilhando no gelo, formando prismas com as sete cores do arco-íris no céu, tudo isso adicionado com os sons da batalha.
Luna caiu.
A satélite inimiga terminou perfurada por várias lanças no gelo.
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