Os Cavaleiros do Zodíaco - A Saga de Eros
5 O Guerreiro do Mar! Eryx, do amor exilado!
Notas iniciais
— Me desculpe. — diz Altair. — Mas estou com pressa, não tenho tempo a perder.
— Tolo... — diz o guerreiro diante dele fechando os olhos. — Eu não já lhe disse? Aqueles que adentram os jardins do Exílio jamais saem com vida.
— Isso é o que veremos! — Altair corre na direção do inimigo que se mantinha imóvel. — O quê?! Ele não pretende se mover? Está bem então... — pensava Altair no que queima o cosmo e prepara seu ataque. — Soco Aéreo!!!
Altair salta concentrando energia em seu punho e o preparando para acertar o inimigo, no entanto, o guerreiro de Eros segura seu punho.
— O quê?! — diz Altair. — Você segurou o meu Soco Aéreo?!
— Esse mísero soco de criança? — diz o vilão o encarando com seu olhar vazio. Novamente, Altair se via incomodado. — Isso nem mesmo é um arranhão... Um soco de verdade é assim!
O guerreiro queima o cosmo e desfere um soco com tamanha força no estômago de Altair que o mesmo fica sem ar e é jogado para trás em meio aos corais.
— Esse cosmo... — ele dizia cuspindo sangue. — Quente e cheio de vida, ele não combina com você.
— O que disse? — perguntava o cavaleiro de Eros confuso.
— Esse seu olhar, vazio, morto... — continuava Altair. — É o total oposto do seu cosmo. Algo muito grave deve ter ocorrido com você.
O guerreiro que antes parecia não ter se incomodado com a presença de Altair ali, agora mudara sua feição completamente.
— Impetulante! — diz o guerreiro. — O que é que você sabe, huh? Você não sabe de nada!
Altair logo percebe seu corpo ser envolvido pelos corais embaixo e em volta dele.
— Os corais...! — ele dizia tentando se mexer, mas sem sucesso. — Estão cobrindo o meu corpo... Não consigo me mexer...!
— Cilada do Tritão! — dizia o guerreiro de Eros. — Você caiu em minha cilada mortal. Aos poucos, o coral que compõe o meu jardim cobrirá todo o seu corpo, quando isso acontecer, você começará a sufocar e então morrerá!
— O-O quê?! — diz Altair assustado. — Não, eu não posso morrer aqui, não posso!
— Idiota, você morreu no momento em que abriu sua boca para falar de mim, Eryx do Amor Exilado!
No altar de Eros, o deus olhava pacientemente e triste para a esquife de vidro onde Aimi adormecia. O deus tocava o esquife com pesar nos olhos e chorando.
— Meu irmão, o que houve? — perguntava Anteros o observando. — Não me diga que está chorando por conta desta garota?
— E porque eu não choraria? — dizia Eros. — Por acaso não lhe entristece? Saber o que estamos fazendo?
— Mas é claro... — o deus da desunião faz uma breve pausa. — Que não! Porque ficaria?
— Por que você ficaria? — Eros o olhava indignado. — Anteros, por mais que seja meu irmão amado, somos tão diferentes. Essa sua frieza... — o deus do amor cerrava os punhos. Seu cosmo queimava de uma forma impressionante.
— Por um acaso pretende me ensinar uma lição, irmão? — Anteros parecia não se importar com o poder de Eros, ele apenas fechava os olhos. — Sabe de que nada vai adiantar, não é? Você ainda precisa tirar a vida desta garota!
Eros pisava fundo no chão que rachava em volta de seus pés. Um forte abalo fazia com que Phaeton e Bianca interrompessem sua luta.
— Mas o que é isso?! — diz Phaeton. — Que cosmo é esse?!
— Hunf... — Bianca retirava sua máscara. Ela estava de olhos fechados e sorrindo de canto. Ela joga sua máscara no chão. — Esse é o cosmo do meu amado Deus Eros!
— C-Como?! — Phaeton estava impressionado. — Então esse é o cosmo de um deus?! — o cavaleiro de bronze olha em direção à casa principal, no centro do templo. — Como é impressionante! Altair e os outros terão muito trabalho... — ele pensava.
O cosmo de Eros faz com que Kraisto finalmente acordasse da queda resultada do ataque da Amazona de Columba. Ele acorda assustado e sentado no chão.
— Ahhh, essa não! — diz o cavaleiro de Cruzeiro do Sul. — Nós fomos afastados! Que droga! — ele bagunçava o cabelo de tamanha irritação. Ele finalmente se toca do cosmo grandioso que sentia e olha para o norte de onde estava avistando a casa no centro do templo. — É, parece que é pra lá que todos estamos indo. — ele se levanta finalmente limpando a sujeira na armadura e se preparando para correr. — Certo! Vamos ness-
Antes que pudesse completar, sua atenção é voltada para um ataque repentino. Rapidamente ele desvia e fica de prontidão olhando o que havia sido lançado.
— Uma rosa? — ele diz ao ver o que era.
— Você é rápido... — diz um homem se aproximando dele. Este homem possuía cabelos até o pescoço e repicados nas pontas, olhos azuis e uma tiara verde azulado na cabeça. Seu corpo era protegido por uma armadura verde azulada com algumas partes em rosa como os ombros, cotovelo e joelhos, assim como a proteção lateral em sua cintura, todos assimilando pétalas de flores. — Estou impressionado! Eu sou Adonis da Rosa Traidora!
— Kraisto do Cruzeiro do Sul! — dizia o cavaleiro de Atena se apresentando também. — Deixa eu adivinhar? Não sairei daqui sem passar por você primeiro, não é?
— Pelo visto é inteligente também.
— Heh, estava torcendo pra me dissesse isso. — Kraisto sorria de canto.
Santuário de Athena, Grécia.
O Grande Mestre parecia descansar em seu trono no salão quando Zosma de Leão parecia sentir o cosmo de Eros.
— Grande Mestre, o senhor sentiu isso? — indagava o cavaleiro de ouro.
— Sim, é um cosmo impressionante... De um Deus.
— O cosmo de um deus?! — diz Zosma ficando preocupado. — Mas, que Deus seria esse? Será Atena que retornou, senhor?
— Não. — o Grande Mestre respondia com convicção em sua voz. — Apesar de ser um cosmo quente e bondoso, o cosmo de Atena é diferente.
— Mas o que está havendo aqui? — perguntava Zosma confuso.
— Eu também gostaria de saber... — o Grande Mestre dizia olhando para a porta do salão. — Eu não estou com um bom pressentimento.
Templo de Eros, Corinto — Grécia
Eryx continuava a encarar Altair que cada vez mais se via coberto de corais. Ele continuava a olhar pro guerreiro de Eros ainda incomodado. Eryx já estava irritado com aquilo.
— Vai continuar me olhando assim? — diz ele.
— Eu já tive muitos inimigos desde que me tornei um cavaleiro de Atena. — respondia Altair. — Pessoas perversas, inescrupulosas, mas você...
— O que tem eu?
— Você é diferente. Por algum motivo não consigo lutar com você. Os seus olhos, eles... Eles não tem vida, não possuem brilho, como isso é possível?
— De novo com essa história? — dizia Eryx que em seguida dá um soco no estômago de Altair. — Pare de falar dos meus olhos!!! — ele perde a paciência e começa a esmurrar Altair de todas as formas. No entanto, Altair não parava de encará-lo. — Pare!!!! Pare de me olhar assim, maldito!
Eryx já estava perdendo a compostura, a forma como Altair o olhava, sem medo, sem ódio, sem nada, apenas com curiosidade, como se Eryx fosse um objeto, como se as palavras dele não tivessem relevância, o enchia de ódio. Ele continuava a esmurrar Altair até que o mesmo voa longe, tendo os corais destruídos por ele. O cavaleiro de Águia se levanta novamente, machucado e com sangue em sua boca, ainda assim, não parava de olha-lo.
— Vai continuar com isso? — dizia Eryx. — Muito bem então!
O cavaleiro do Amor Exilado estica seu braço enquanto queimava seu cosmo. A imagem de um tritão aparece atrás dele e Altair conseguia ver um tridente no lugar de seu braço. O guerreiro corre na direção do cavaleiro de prata.
— Tridente do Mar!!! — anunciava o guerreiro fincando sua mão e a perfurando o estômago de Altair. — Os tritões são conhecidos por serem grandes guerreiros de Poseidon, em meu braço esquerdo reside um poderoso tridente que governa os mares. Nunca pensei que teria de recorrer a isso, meus parabéns Cavaleiro.
Altair não dizia nada, Eryx puxa seu braço de volta fazendo com que mais sangue escorresse. Altair então segura o braço do rapaz e o encara.
— C-Como eu disse, e-eu... — ele tinha dificuldades para falar. — Não consigo lutar contra você, eu sei que deveria, mas por algum motivo, eu não posso. Esse vazio nos seus olhos, eu não entendo.
— Pare de falar dos meus olhos! — ele já estava cansado. — Pare! Se não quer lutar, então morra! Morra de uma vez! — Eryx acertava um soco no rosto de Altair que volta a cair no chão.
— Me diga, porque você luta? — indagava o cavaleiro. — Porque? O seu cosmo ele diz que você não é ruim, que você é bom! Então por que luta por Eros? Porque?
— Você quer saber porque eu luto em nome de Eros? — ele indagava suspirando. — Muito bem, eu vou lhe contar! — Eryx aproxima-se novamente de Altair e diz em seu ouvido — É porque Eros foi o único que não me abandonou.
— O-O quê? — dizia Altair. — N-Não te abandonou?
Eryx se solta e então fecha seus olhos virando-se de costas e jogando a capa em suas costas para trás. Os corais abaixo de Altair começam a subir por seu corpo o cobrindo novamente. Altair apenas levava sua mão direita ao ferimento em sua barriga enquanto parecia cuspir mais sangue e respirava com dificuldade.
— Não lute contra isso, Cavaleiro de Águia. — dizia Eryx fechando seus olhos e abrindo um sorriso de canto. — Você resistiu o máximo que pode, fique orgulhoso e descanse coberto por meus corais, é o melhor que posso fazer por você.
O corpo de Altair logo é completamente coberto pelos corais, o fazendo uma estátua viva de coral.
No templo de Atena, o cavaleiro de Sagitário sente um estalo em sua cabeça que o faz olhar para o nada. Sadal adentra repentinamente na casa de Sagitário.
— Então você já percebeu, não foi? — indaga o cavaleiro de Aquário.
Como de costume, Sagitário não respondia nada. Sadal parecia ler seus pensamentos através dos olhos na abertura do capacete de Sagitário. Ele se aproxima de Sagitário e toca seu ombro.
– O cosmo de Altair enfraqueceu. — comentava Sadal. — Mas ele ainda está vivo. Maya está com eles, eu o enviei quando um dos meus pupilos foi atacado.
Sagitário demonstrava preocupação em seus gestos. Ele toca o ombro de Sadal dando um pequeno gemido como se estivesse prestes a falar.
— Não! — Sadal o acalmava. — Não quebre seu selo. Sim, eu sei quem você é e sei de sua promessa. Não se preocupe, seus discípulos ficarão bem. A batalha está longe de chegar ao fim.
De volta ao templo de Eros, Kraisto encarava Adonis esperando algum movimento. Um vento forte passa por eles. Esse mesmo vento percorre todo o Jardim de Eros, o que faz Ian finalmente acordar.
— Hm? — ele abria os olhos um tanto perdido ali. À sua frente, ele se depara com um pequeno lago. Ian se aproxima desse lago e molha seu rosto, sentindo-se revigorado. — Pelo visto fomos separados pelo ataque de Bianca.
Ian se levanta olhando para onde ele acreditava que os outros pudessem estar.
— Amigos, espero que estejam todos bem. Tenham força! — Ian pensava.
Ele respira fundo e então avista o altar de Eros mais ao longe e se prepara para correr até lá, no entanto, ele nota uma outra presença ali finalmente. Ele vê uma pessoa de costas sentada sob uma pedra olhando o que parecia ser um espelho. A pessoa tinha cabelos curtos e castanhos e não parecia ter um porte físico muito forte.
— Quem é você? — Ian indagava esperando algum movimento. — É alguém de Eros?
O rapaz não o responde. Parecia ignora-lo completamente enquanto olhava sua imagem no espelho. Ian estranhava tudo aquilo.
— O que diabos está acontecendo aqui? — ele pensava. — Não consigo sentir seu cosmo, mas claramente é um guerreiro. — continuava ao reparar que o rapaz trajava uma armadura verde e branca. — Então porque não me ataca?
Cansado de esperar, Ian decide ignorá-lo também e então começa a correr na direção do altar de Eros. Porém, por mais que Ian corresse, ele não saía do lugar. O cavaleiro de escudo ficava confuso, sem entender o que estava acontecendo ali.
— É você quem está fazendo isso, não é?! — ele indagava olhando para o guerreiro sentado na pedra que continuava a ignorá-lo e a olhar um espelho. — Porque não me responde?! Me diga de uma vez!
O rapaz não diz nada, ele apenas encarava o espelho como se a presença de Ian fosse totalmente irrelevante. Ian desiste de correr e para tentando analisar o inimigo, mas por mais que tentasse encontrar uma brecha, uma abertura, ele não via nada. Nem mesmo um fio de cosmo ele sentia.
— Como você conseguiu segurar meu movimento? Como me fez ficar correndo no mesmo lugar? — Nada. Nenhuma resposta. — Afinal, quem é esse homem? — o cavaleiro de Escudo se perguntava.
As coisas não pareciam nada bem para os Cavaleiros. Phaeton continuava a enfrentar Bianca. Kraisto preparava-se para enfrentar Adonis. Ian estava diante de um misterioso guerreiro que, apesar de apenas se olhar no espelho, parecia o impedir de seguir adiante. Maya se via diante de um guerreiro de Eros e Jaga ainda parecia desacordado.
— Muito bem... — diz Kraisto. — Se não vai dar o primeiro passo, então eu irei! — ele corre na direção do inimigo. — Prepare-se Adonis da Rosa Traidora!!!
Continua...
Fale com o autor